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Colunistas


A fome cresce

Quinta-Feira, 26/04/2018 às 06:00, por Celestino Meneghini

A comida é bem perecível, por natureza, mas a pendência econômica mais radical em relação ao direito à vida. A saga instintiva da sobrevivência ao deparar-se com a pobreza extrema altera tanto, mas tanto, a pulsação dos estímulos ao ponto de se tornar um novo estado de ânimo. O estado famélico, como fase individualizado da pobreza e miséria, transforma totalmente o ser humano, como acontece em todo o reino animal. Assim que, é melhor prestarmos atenção nos efeitos imponderáveis da fome que faz roncar a barriga e sobrecarrega o cérebro como um circuito de alterações sintomáticas. O conceito seletivo de atitudes, para o ser humano faminto cria novos parâmetros de cunho moral e estético. Sendo urgente e imediato o desejo de saciar a fome, surge alucinante visão dos preceitos, desprezando aparências e facetas que diferenciam o ser racional, tornando mais forte o estímulo originário de sustentação. Corpo e alma sentem as mesmas dores da carência. Mesmo heroicamente suportável, a falta de alimento do homem chega a um limite de suas resistências de autoestima, subjugando verdades. Nesta escala o abalo pode ser catastrófico entre o momento em que vasculha a lata de lixo para saciar a fome e o estertor de nada encontrar nem mesmo no lixo. Fala-se numa situação dramática, não com mero apelo retórico, mas pela realidade assustadora que aflige centenas e milhares de pessoas das periferias do Rio de Janeiro e São Paulo. Assistimos uma reportagem dolorosa que mostrou o retrato dessa fome extrema, em carne viva, na TV Record. A imoralidade da fome, seqüela do desemprego, arde nas favelas. E esta dor que mata (primeiro a alma) e o sonho de viver minimamente, infelizmente cresce. E vem de longe, das diferenças sociais, do crime organizado, da vilania em opulência e toda a corrupção.

 

Incompreensível
Embora as carências sociais venham numa escalada perigosa há algum tempo, essa injustiça abominável não a vemos por inteiro, tão próxima de nós. Mães dos grandes centros ainda se socorrem no desvelo de percorrer mercados, restaurantes e depósitos de frutas ou legumes, em busca de sobras para seus filhos. E ainda ouvimos ameaças de desativar programas sociais de ajuda alimentar a famílias miseráveis. Para estes, os cães são mais nobres.

 

Encarcerados
A estimativa revelada na reportagem é de que são dez milhões de pessoas famintas no país (dois milhões no Rio). É o turbilhão de desamparados que sobrevivem implacavelmente encarcerados pela falta de comida. Não há foro privilegiado.

 

Progressistas
As reiteradas acusações e prisões de líderes políticos que se concentram no PP, agora Progressistas, geram a grande perplexidade. Com a PF na cola, essa sucessão partidária aponta crescimento espantoso no Parlamento. O Progressistas é a terceira bancada do Congresso, a que mais cresceu e tem 50 deputados.

 

Mensalão Tucano
A confirmação em segunda instância da condenação do tucano Eduardo Azeredo, é histórica (desde 1998) - a versão avoenga da corrupção.


Errata
Na última coluna citamos preceito sobre o caráter inaceitável quando a alegação envolve a própria torpeza. Erramos, no entanto, ao dizer “auditor”. A expressão correta é “Nemo auditur propriam turpitudinem allegans” - versão latina que significa “ninguém pode ser ouvido alegando a própria torpeza”.

 

Uma luz
Há pouco mais de um ano li a obra publicada por Elizabeth Souza Ferreira, Uma Luz em Terras Africanas, baseada no diário de Emília Welter. Trata-se da missão estremada da religiosa Emília, que partiu de Passo Fundo para atuar na África, Moçambique. Nesta semana não resisti ao apelo que ficou crepitando, diante das narrativas do diário. A linguagem simples e clara da irmã sexagenária levou-nos a reviver a importância da vida inteiramente dedicada ao povo sofrido da África. A diferença de costumes, a diversidade, pobreza extrema, ignorância, doenças - como malária e cólera, são feridas que podem ser tratadas com o amor e sublime dedicação. Obra valiosa e universal que revela o grande milagre da solidariedade humana.




Efeito Lula

Quinta-Feira, 19/04/2018 às 06:00, por Celestino Meneghini

O silêncio dos fanáticos seguidores de líderes tucanos atolados na trama de corrupção é sintomático, após aceitação da denúncia contra Aécio Neves. A prisão do ex-presidente Lula, consumada pelo regular procedimento judicial, traumatizou aliados e liderados. O efeito punitivo começa a preocupar também as hostes dos que exacerbaram o clamor que pressionou o líder petista. A grande cortina de fumaça que apontava como solução absoluta contra a corrupção parece diluir-se no vale das sombras onde repousavam especialmente líderes do MDB, PP e PSDB e outros. O efeito da consumada prisão de Lula é a ponta do tapete que começa a ser erguido. O jogo de acusações não pode abrandar a gravidade do cenário devastador do crime organizado. A culpa de adversários em atos criminosos contra a nação brasileira não pode ser alegada como desculpa. Memorizei a citação do mestre Juarez Azevedo, sabida nas lides forenses, “Nemo auditor propriam turpitudinem allegans” (ninguém pode alegar a própria torpeza em seu favor). Os partidos coligados em algum momento, os delatores criminosos, enfim, essa tétrica confraria da fraude, não pode aliar-se para um favorecimento de conluio. A briga entre facções que atuaram ao bel prazer das oligarquias impregnadas no poder político pode ser producente para revelar verdades. Mas, se todos roubavam, e alguns ainda roubam? Isso chegou a ser cogitado como recorrência relativista. É hora do basta à condescendência aos que mutilaram impiedosamente programas sociais, saúde, educação, habitação ou merenda escolar. Não só judicialmente, mas também socialmente nenhum ato torpe pode justificar inocência dos corruptos e corruptores. E, a justiça, é essa que temos.

 

O momento
Não são raras as manifestações dos que concordam com a punição de todos os que mereceram condenação, inclusive tratando-se de partidários. Esse ódio absurdo e incentivado por fanáticos não é tudo. Há esperança de que o momento seja assumido pela necessidade implacável de decência mínima.

 

Plutocracia
A palavra tem significado mais grave do que se possa imaginar. “Ploutos”, de grego, é riqueza, e “kratos” é poder. É quando o poder e o dinheiro subjugam a ética, o respeito humano. É bom lembrar que estamos diante de situação inédita na secular história do Brasil, em que a polícia chega ao fabuloso mundo criminoso do colarinho branco. A luta é muito difícil para quem não tem dinheiro e poder, mas são estes que devem tomar atitude, agora.

 

Aposentadoria
A pressão econômica global vem obrigando as nações à adoção de modelos de aposentadoria privada. Os grandes grupos financeiros estão aproveitando mais este imperativo cada vez mais óbvio, com o rombo da previdência pública. Caminho difícil!


Escombros
É pesado ver a destruição no Rio de Janeiro, causada pela corrupção no governo. Ver imagens dos Cieps dilapidados pela falta de cuidados é triste. Os escombros são muito semelhantes à devastação da guerra.

 

Torres
O arquivamento do processo contra o senador Demóstenes Torres mostra antagonismo punitivo. Cassado pelo Senado, volta a gozar de direitos eleitorais. Isso mostra que uma acusação criminal, no judiciário, depende de formalização perfeita, principalmente contra poderosos. As principais provas foram anuladas por não estarem de acordo com normas processuais. Muitas artimanhas vão surpreender a opinião pública.

 

Retoques:
Gilmar Mendes, Tofolli e Levandowski, são os ministros que absolveram Demóstenes Torres.
A Arábia Saudita abre o primeiro cinema. É novidade muito interessante, em especial para a população jovem.
Faço dois registros sociais. Marina Rodrigues Meneghini recebeu a carteira de advogada, na semana passada na OAB de Passo Fundo. Estive presente na solenidade, feliz pela conquista da jovem sobrinha.
Amigo de muitos momentos, o advogado e mestre em direito, Júlio César Pacheco, completa 50 anos. Tem uma carreira repleta da conquistas, iniciada no jornalismo. Júlio é referência na advocacia e firme dedicação ao conhecimento. Vida longa!




Oligarquias organizadas

Quinta-Feira, 12/04/2018 às 06:00, por Celestino Meneghini

O domínio do poder teve seu momento mais intenso, da forma oligárquica, ao influenciar o governo a partir da proclamação da República em 1889. A articulação implacável ocorreu em seqüência à abolição legal da escravidão. Os monopólios de produção, concentrados no processo de enriquecimento com base na exploração do trabalho escravo, fortaleceram-se nas mãos dos fazendeiros e latifundiários. A mentalidade de dominação da força de trabalho, com exploração, estendeu-se aos brancos, além da submissão aos negros libertos marcados pelas graves seqüelas do constrangimento secular. Uma vez criminalizada a escravidão e tortura física, o poder financeiro gerou o frenético período oligárquico implantado nos governos a partir de Prudente de Morais (1894-1898). Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, (até 1909) foram bancados por sistema eleitoral espúrio sob a égide das oligarquias. De Nilo Peçanha a Washington Luís o domínio do poder político seguiu estratégias semelhantes. A mentalidade escravista mantinha-se em novos moldes, impregnando dominação inclusive na era Vargas. Oligarquia (oligarkhia) é termo que deriva do grego e literalmente significa “governo de poucos”.

 

Rebeldia
Antes de pular para o momento atual, lembramos que houve movimentos questionadores à oligarquia estabelecida. Guerra dos Canudos, Revolta da Chibata, Guerra do Contestado, Revolta da Vacina, Coluna Prestes e outras erupções de descontentamento, opunham-se à hegemonia perversa. Há um rasto de luta e sangue em nossa história.

 

Corrupção sistêmica
O ministro Luiz Roberto Barroso, entre outros, reportou-se ao nosso estado atual na corrupção sistêmica. As garras do crime organizado mostraram a escalada no Brasil de potências que se fortaleceram à sombra do poder político. São tentáculos estarrecedores. As entranhas dos poderes e instituições foram invadidas pela ação organizada, dissimulada, nos átrios da República. A lesão desse sistema voraz e avassalador fez eclodir a Operação Lava Jato. A contaminação parece infinita, sabendo-se que nem todas as mazelas do assalto aos cofres públicos serão sequer reveladas. A polícia chegou à aristocracia podre. Esta além de tudo, um péssimo exemplo para os pobres e excluídos.

 

Lula na cadeia
O governo do PT, sob a liderança de Lula, alimentou a versão que presumia consolidar um poder dirigido a novos rumos. Apostou errado ao nutrir fortalezas manipuladas pelo controle central oligárquico. Lideranças do Congresso foram alimentadas pela corrupção. Quando a ação da Polícia Federal começou o desmonte da quadrilha que assaltou poder público, só a leda ingenuidade poderia esperar parcimônia de partidos políticos adversários, que se esbaldaram no roubo. Lula foi condenado por ato ilícito e está preso por decisão judicial em processo formalizado. Sofreu o massacre de opositores, mesmo os envergonhados por que estão atolados no crime de corrupção. Objetivamente, Lula condenado é assunto para a 12ª Vara de Execuções Criminais.

 

Efeitos
Uma visão esperançosas, em meio ao maniqueísmo, ou ódio partidário, é de que se fortaleça a urgência (inadiável) de prosseguir com a punição dos demais responsáveis pelo desastre da corrupção. Restabelecer maior equilíbrio entre o poder da oligarquia econômica é a condição “sine qua non”, para que o país evolua. E tem mais, se não evoluir cairá no abismo. O poder, especialmente o executivo e legislativo, ainda está na mão de inescrupulosos. Se o Brasil colocar toda sua criminalidade ainda viva e implacável, debaixo do tapete, fica impossível a paz social.

 

Obliteração
Nesta hora é preciso recorrer à advertência de Jorge Salton, em seu livro O Maniqueísmo em nossas Vidas. O princípio de Mani, no antagonismo – bem absoluto e o mal absoluto, gera distorção. Nessa concepção há uma base de “reducionismo, revanchismo, a generalização, a dogmatização, forma de pensar que, a partir de uma suspeita qualquer já salta para uma conclusão, ausência de autocrítica, inexistência de empatia e a necessidade de inimigos”. Admitir a idéia de que a prisão de Lula resolve o descalabro da corrupção é irremediável erro. O maniqueísmo produz obliteração, fundamentalismo do ódio e deturpa eventuais razões.




A Planalto na história social

Quinta-Feira, 05/04/2018 às 06:00, por Celestino Meneghini

Até o ano de 1969, quando foi oficialmente iniciada a transmissão da Rádio Planalto de Passo Fundo, dia 05 de abril, eram apenas duas emissoras de rádio no município: Rádio Passo Fundo (ZYH – 75) e Rádio Municipal – (ZYU – 38). Além do processo de concessão do canal, sob a liderança do bispo Dom Cláudio Colling, de grande prestígio no governo militar, é importante lembrar a participação da coletividade regional católica. A Diocese de Passo Fundo abrangia enorme extensão territorial, até as barrancas do Rio Uruguai. O surgimento de um canal de rádio prenunciava era promissora para a comunicação e cultura. Desde 1967 mobilizavam-se as paróquias dos confins interioranos para arrecadar recursos. Nas festas de igreja já se sabia que parte da renda destinava-se à instalação da futura rádio. Interessante notar que os propulsores desta cooperação financeira eram justamente pequenos proprietários rurais. Havia a ânsia pela conexão capaz de comunicar pulsando idéias de desenvolvimento cultural e econômico. A questão da terra, com surgimento dos desalojados das áreas inundadas pelas barragens na região, clamava por proteção política e social a uma matriz produtiva genuína. A população urbana não era tão concentrada e as atividades rurais garantiam renda para uma multidão de famílias. Nascia na época a COPREL sinalizando organização social cooperativa para acelerar fornecimento de energia, que era precária nas áreas rurais. Foi minha primeira reportagem externa fora do município, em Ibirubá. A diretoria da cooperativa explicava como seria a formação e finalidade da entidade de fomento. Acredito que esta foi uma forma de expressar a função da rádio, mantendo apoio às iniciativas de interesse coletivo, além da programação constante em conteúdo religioso.


Êxodo rural
Com base no panorama social e fundiário, observamos a necessidade de revisão na estrutura de subsistência rural e a ânsia de uma organização pelo cooperativismo e redistribuição de terras. Ouvia de muitos colonos benfeitores da rádio a angústia por novos espaços para as famílias que cresciam. Algumas acabaram morando nas cidades, disputando emprego. Era tempo de êxodo rural.

 

Rádio urbana
A implantação de programação moderna e equipe de apresentadores (locutores) jovens com os mais experientes, preservou uma sintonia cativante, especialmente musical entre a juventude. Passo Fundo iniciava como cidade universitária. Era a novidade nos ares da região. O rádiojornalismo sobrevivia em plena ditadura, com muitas restrições. Os redatores e repórteres cometiam, não raramente, ousadias perante a censura. Dávamos trabalho ao diretor Paulo Farina. Mesmo assim era um canal informativo, musical e cultural. Foi um período fecundo de muita vibração e experiência em pouco mais de cinco anos que atuei na Rádio Planalto. Hoje nos cabe cumprimentar direção e funcionários da emissora católica que continua missão importante na comunicação e sua transformação.

 

Martin esperança

Uma das criaturas mais admiráveis do mundo moderno, o líder negro Martin Luther King, foi assassinado em plena campanha pacificadora em Memphis, Estados Unidos. Sua coragem e grandeza social custaram-lhe o sangue. Mas seu olhar de esperança venceu importante maldade humana dos compatriotas racistas. O apartheid americano impregnava toda a nação que se dizia (mentirosamente) livre e democrática. Sua luta pôs fim ao último elo da corrente escravista legalizado. Martin é mais um nome entre os heróis do novo mundo, ao lado de Mandela e Zumbi dos Palmares. Lá se foram 50 anos e ainda faltam flores para o vergel da nova aurora de compreensão e solidariedade, mas o testemunho de Martin Luther King é a memória que orvalha a esperança matinal cotidiana. Como ele dizia: “I have a dream!”

 

Precocidade
O trabalho de pelo menos duas ONGs nacionais mostra preocupação com o crescente número de casamentos de meninas ou adolescente. Na maioria dos estados do norte brasileiro o índice atinge 35% dos casamentos. Além da imaturidade dessas meninas, ficou constatado que elas casam com pessoas de relativa posse, movidas por necessidade financeira. É um dos sinais de desvirtuamento familiar.




Água e vida

Quinta-Feira, 29/03/2018 às 06:00, por Celestino Meneghini

Um dos debates mais sérios para a vida humana marcou encontros de sensatez humana durante a Semana da Água como fonte originária ambiental. Nos conclaves nacionais e internacionais, como acontecido no Amazonas e diversas regiões de referências em recursos hídricos. Na verdade a questão da água é urgência para discussão em todos os lugares do Planeta, dentro das casas, nas ruas, nos mais elevados foros que debatem a nossa sobrevivência. Água está em todos as funções coletivas e econômicas, na qualidade do ar que respiramos, dos alimentos que consumimos, na busca da cura em todos os casos de saúde, enfim, na composição orgânica das pessoas, plantas e animais. As grandes perdas, desastres ou catástrofes, surgem sempre diretamente relacionadas ao mau uso, excessos ou falta de água. Temos falado com lideranças da ciência preservacionista e líderes políticos, sobre o apelo dramático da cidade de Passo Fundo, para salvar seus rios. Uma cidade sem bons índices de tratamento do esgoto, principal poluente dos rios e riachos, é fictícia e caminha para a morbidez coletiva. Defender ardorosamente a vida aquática, alimento e inspiração pedagógica da paz social, é dever cívico indeclinável. A estupidez humana pode ser vencida pelo esforço e fecundidade que nos oferece a própria natureza. A própria explosão tecnológica deve ser repensada com olhar da inteligência benéfica para o homem para redimirmos este atraso imenso na ausência de uma crença nos verdadeiros fundamentos da vida.

 

Linda Brown

Os jornais do mundo mencionam a morte de Linda Brown, a menina que enfrentou o rescaldo da segregação nas escolas dos Estados Unidos. A inconformidade com a proibição de freqüentar escola com os brancos fez com que seu pai lutasse na justiça do Kansas. Em 1954 a Corte Suprema dos EUA reverteu a prática inominável do racismo nas escolas e locais públicos que segregavam os negros. Linda morreu aos 76 anos, como um dos inabaláveis símbolos da vitória da liberdade e igualdade.

 

Fachin ameaçado
Neste momento o Brasil democrático repudia a violência de ameaça à família do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. O magistrado tem julgado etapas processuais importantes no combate à corrupção. Fortes redutos de corruptos de elite, pertencentes a várias correntes partidárias, não aceitam a censura da lei. É mais um foco de violência preocupante para o país.

 

Reforço à calúnia
O assassinato de Marielle Franco, vereadora e líder na defesa dos direitos humanos, ecoa no mundo todo. Ao mesmo tempo sua memória é alvo criminoso de manifestações pelos meios eletrônicos tentando denegrir sua imagem. A jornalista e pesquisadora Sílvia Meroteszohn avalia os danos à verdade histórica. Cita ataques brutais, reptados ou reproduzidos, como o infeliz caso da desembargadora Marília Castro Neves, que ofendeu a memória da líder. A forma pretensiosa da mídia em oferecer antídoto aos Fake News, reproduzindo a defesa nos WhatsApp, lamentavelmente funcionou como reforço do neurocircuito. Isso causou ampliação do ato difamatório. Em princípio os ataques não foram além de 7% das manifestações, segundo a DAPP – Diretoria de Análises de Políticas Públicas da FGV. A modalidade simplista dos esclarecimentos, incluindo citações desmentidas, lamentavelmente, redundou em reforço do malefício.

 

Nações titãs
O mundo que se prepare para os próximos episódios da guerra de dominação entre Estados Unidos, Rússia e China. Os norte-americanos deflagraram a onda nacionalista acintosa, desde a muralha na divisa mexicana até a tributação nas importações. A china vê ameaçada sua penetração nos mercados mundiais, especialmente o frenético abastecimento em centros comerciais do Ocidente. Ao mesmo tempo, voltam os confrontos com a Rússia moderna que avançou no conhecimento tecnológico e bélico. A alta espionagem é assustadora. E não há inocentes nesta escalada. São três potências de dimensão continental, e nenhuma dá sinais de recuo. A guerra que já não é tão fria entre titãs do planeta prenuncia o próximo terremoto econômico que pode abalar principalmente países menores.




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