Humano direito
A usual denominação do tema “Direitos Humanos” não deixa de ser uma repetição do mesmo conceito. Qualquer acepção, por mais básica que seja, na esfera do direito, jamais poderia ser concebida senão pela sua conotação humana. Direitos são direitos, e direitos humanos são os direitos óbvios. Neles tudo existe em função do homem, por isso é humano. Essa palhaçada de impor aplicativo de senso comum a cada movimento de ponderação diante de ato policialesco exacerbado é prova de ignorância, para sermos benevolente.
Herzog
A presidente Dilma Rousseff apreciou com serenidade na fala, mas preocupação diante da persistência de resíduos de desrespeito humano com alta densidade em quase todas as nações. Fez bem em citar Guantanamo que tortura e mata remanescentes do ódio social. Afinal, os EUA mostram boa forma democrática, mas não podem posar como espelho de verdade e respeito ao ser humano. Falta muito, como falta ao Brasil, e Cuba, e à cálida Argentina. Por fim, a Presidenta lembrou Herzog como resistente, implacavelmente morto após tortura, que o tornou herói da resistência democrática. O tema dos direitos humanos não deve ser tão desgastado. Nem pelos supostos defensores, nem pelos ignotos que não têm a coragem de serem tolerantes ou clementes com o ser humano. Direitos humanos é não dar tréguas ao crime, e ao mesmo tempo preservar o cuidado e o direito mínimo aos seres humanos produzidos pela sociedade que não respeitam os direitos dos outros. Parece antagônico, mas é mais justo. Dilma advertiu, ainda, que a bandeira dos direitos humanos deve ser de todos e não convém deixá-la limitada ao atrelamento ideológico.
Inveja é ódio
Os crimes mais abomináveis são cometidos em toda parte. Mais lúgubre ainda é quando acontecem cenas de barbarismo entre pessoas que mantinham relação de amizade. Inimaginável, mas acontece, é quando a tragédia atinge uma a família indefesa. Quem convive com seu benfeitor e o mata, certamente age por cultivar algo muito pior que o desejo de dinheiro. E não culpem o dinheiro por tanta perversidade – pobre do dinheiro que leva toda a culpa nessas horas. A ojeriza pelo vil metal atende cultura de origem religiosa, mal assimilada. Vejam que o fervoroso apóstolo Paulo diz que “o dinheiro é esterco do demônio”. Entenda-se a idéia do desprendimento. Logicamente isso precisa ser entendido. A riqueza econômica, que supre necessidades das pessoas em diversos níveis, poderá ser arrolada como causa de crimes hediondos assumidos por inveja. Esta, sim, é a raiz das grandes maldades. Basta constatar que, com dinheiro, crianças são alimentadas, escolas são mantidas e flores homenageiam as mulheres. O diferencial está no nascedouro, pois a inveja assumida com atitude psicopata torna-se o crime chocante e mais perverso. A inveja, além de sua maldade ínsita é atitude de quem está consciente em produzir todo o mal possível contra qualquer um que possa representar a idéia, ainda que fictícia, de
felicidade! A inveja vê com maldade e temor insano até as dificuldades dos outros. O invejoso teme que outrem as supere. Não há compadecimento e não há pudor. Só rancor!
Retoques:
• Relendo a obra escrita pelo professor Júlio César Pacheco, “Os Direito Sociais e o Desenvolvimento Emancipatório”, vê-se quanto algumas relações mudaram nos últimos anos a partir da maior oportunidade de trabalho no Brasil. A correlação de forças do trabalhador com a oferta de postos de trabalho, deflagrada por política redistributiva, aproxima o cidadão da felicidade, aproximando-o do que lhe parecia meramente utópico.
• Passo Fundo está bem na Assembléia Legislativa, representado por Diógenes Basegio, líder do PDT, e Luciano Azevedo que novamente participa da Mesa da Casa.
A leitura é arma
Passo Fundo apresenta incomparável proposta de nível participativo e educacional para todas as gerações de brasileiros, desde que passou a centrar o debate na necessidade da leitura. A leitura ampla dos fatos e ausência de fatos (omissões), principalmente entre os fulgores da mídia, é fator preocupante. Vejam só! A tão imbatível Folha de São Paulo, simplesmente adere ao genérico de indagação e ganha leitores da abusiva futilidade do BBB da Globo. Isso tudo tem alguma explicação, depois da derrota eleitoral em que os vaticinadores de aluguel perderam a guerra contra Dilma Rousseff. Parece que temos recaídas ao jornalismo da desolação. Por este motivo, para não dependermos apenas do humor de uma elite opinativa, a recomendação implacável da leitura, roborada todos os dias pelas ações da Jornada de Literatura é a arma mais confiável do povo. Trata-se de ler para não ser enredado.
Fórum Social
Sem dúvida, o evento do Fórum Temático Social que agita a capital gaúcha é experiência de liberdade e respeito à sagrada divergência. Entende-se melhor a idéia, numa consulta a história e as opressões sofridas até bem pouco, na ânsia pela democracia. Lembro-me do ano de 1982, quando Raul Seixas interpretava Maluco Beleza, desafiando censura oficial. Até o Cesare Battisti, que deveria estar morto pela máfia de Berlusconi, encontrou espaço para manifestar-se. A discussão sobre as questões ambientais e desmistificação de dogmas do neoliberalismo em crise, são idéias e opiniões que fluem livres. Por isso, não se assuste! Já vivemos momentos de obscuridade e covardia em nosso país, sem direito a perplexidade.
Vagas escolares
Ouvimos a manifestação de um jovem professor sobre a questão de vagas na rede de ensino básico. Sua opinião é simples mas prudente. Pretende que o debate sobre o problema começa mais cedo e que seja permanente entre estado e município. Isso evita algumas improvisações.
Mais lei
Certamente nunca chegaremos a algum lugar enquanto procurarmos solução para obediência dos filhos e a própria conduta social dos cidadãos, apenas na formulação de leis. Além disso, as situações mudam. Uma coisa, no entanto, precisa evoluir, quanto à responsabilidade dos que exercem cargos de poder para dirigir a sociedade. Como diz Ihering, o direito não exprime a verdade absoluta e a lei não deve dispor a mesma coisa para todos. Entenda-se que alguns privilegiados devem responder com mais severidade. Além do mais, fala sobre “Aux besoins de l’ époque...” – as necessidades de cada época. Esse desmanche da seriedade entre os altos salários de intocáveis do judiciário e desvio de recursos em outros escalões do poder merecem maior aperto da lei.
Retoques:
• Ouvindo várias entrevistas apresentadas pelo radialista Arizoli Machado, lembrei-me dos anos 80, onde o Ari começava trabalhar em rádio. Eu adulto, ele adolescente, principiante na profissão. A estatura física de ambos ficou a mesma, mas o Ari cresceu na capacidade profissional. Acho boa parte deste êxito deve-se à exigência persistente do Daltro Wesp, que pede estudo e leitura, marca inconfundível de um respeitável intelectual da imprensa.
• A internação involuntária de viciados dependentes de droga é algo violento, sim! A maioria das autoridades sanitárias sabe, no entanto, que não há outro jeito senão internar na marra. Quanto ao direito constitucional de ir e vir, ou coisa parecida, é semelhante à interdição judicial. Salvo saber mais preciso, em muitos casos, é impossível perceber qualquer capacidade de discernimento num pobre diabo drogado.
• A versão municipalista permite que o cidadão veja no seu cotidiano, para onde está indo seu dinheiro. Em Passo Fundo verifica-se a maior frente de obras, como nunca se viu. Obras travam o trânsito, é óbvio!
Frango está de molho
A crise enfrentada pelos criadores de frango na região, fornecedores da Doux/Frangosul apresenta quadro de alerta ameaçando deterioração na cadeia produtiva. Os novos fatos especulados em torno da transferência de lucros e recursos a outras empresas do grupo fora do país preocupam autoridades brasileiras, empregados, fornecedores, enfim, uma economia importante também do ponto de vista social para a comunidade. É mais que justificado o apelo dos criadores de frango, para que não se interrompa um ciclo auto-sustentável gerador de riqueza na região. As recentes informações, no entanto, indicam que a intermediação da Fetag poderá gerar a retomada das negociações entre indústria e criadores de frango.
Velocidade
Está havendo grande incidência de infração de trânsito que merece maior atenção do motorista, pela gravidade. Uma delas é o excesso de velocidade, quando excede os 50% além da velocidade permitida. A infração, pelo Código de trânsito, além da penalidade implica na suspensão imediata do direito de dirigir. E não é difícil ser flagrado pelos pardais. Agora, mais difícil ainda com a burocracia para indicação de outro condutor pelo proprietário.
O deputado
O flagrante do deputado Marcon revela que nestas circunstâncias qualquer cidadão pode ser surpreendido pela fiscalização. Não é preciso incentivar o linchamento público deste cidadão, que não é um criminoso. Mas cometer infração de trânsito é coisa complicada, mostrando que as coisas estão ganhando jeito, para melhorar a segurança nas estradas. Vale a lição!
O vento é nosso
Com tanta tecnologia surgindo é de se esperar para breve a intensificação da produção de energia eólica. Nada mais lógico que colher o próprio vento, totalmente renovável, como energia para produzir eletricidade. As usinas, hoje caras e importadas, logo ficarão baratas e fabricadas no Brasil. Quem sabe, até o terraço de edifícios seja usado para produzir energia limpa.
Trigo
Está visto que o agronegócio não tem apenas uma questão para garantir êxito, tantos são os fatores influenciáveis. Esse raciocínio permite reconsiderar o insistente derrotismo em relação ao trigo. O Brasil produz pouco mais de 5 milhões de toneladas mas é um grande consumidor de trigo, necessitando do dobro de sua produção. Autoridades e até investidores começam sentir que não é bom negócio abandonar a triticultura. Uma política de governo e de produção mais incisiva muda o quadro.
Retoques:
* Brasília, sem dúvida, apresenta plano de trânsito entre os mais modernos do país. Nem por isso deixa de fiscalizar com eficiência. No Distrito Federal são 650 radares – um para cada dois mil veículos.
* Que a pressa nas obras da Copa de 2014 não torne agentes do governo a nova geração de perdulários do dinheiro público. Afinal, são obras, não sobras! Amém!
* São 25 mil gaúchos que têm suspenso o direito de dirigir pelo excesso de infrações.
* No dia em que choveu no estado e em Passo Fundo, o JG iniciou o programa de rádio com um texto (improviso) dos mais belos e espontâneos que ouvi. Radiante, o Magrão de Uruguaiana protagonizou cena de lirismo e parecia uma criança! Se fosse escrever, dificilmente seria igual. Aprendi com a doutora Tânia Rösing que ouvir também é praticar leitura. Entende? É como diz o Poeta que ouve estrelas...
* A moça do BBB, bebebeu, ih! O vazio do programa estupra muito mais a compreensão média dos espectadores.
* Brasil quer ser o maior produtor de alimentos no mundo. Tem que investir.
* Êpa! Estão vendendo gás, sem nota com metade do peso no bujão! É crueldade contra pessoas que vivem em dificuldade.
O esvaziamento do Conselho de Justiça, pelo Supremo Tribunal, deixou uma lacuna no sistema de controle do poder comandado pela mais expressiva elite cultural do país. A mudança, com sensível redução de ingerência no sistema de regularidade do judiciário, deixou a impressão de que o CNJ vinha denunciando equivocadamente os casos de corrupção de magistrados. Nenhuma comprovação de atuação errônea, no entanto, foi apontada ou que seja do conhecimento público. E daí? O que pensa a maioria dos magistrados que age corretamente? Ou, quem fará com a mesma intensidade a necessária vigilância nas atividades do judiciário, com independência? É bom lembrar que não se tem conhecimento de intervenção em decisões, a grande questão sempre recomendada. Quando é que se vai entender que a denúncia com apuração de eventual fraude não representa prejuízo algum para a classe, não fere e incolumidade. Mas a redoma a uma casta intocável, esta sim poderá fragilizar a robusta credibilidade do judiciário.
Nova mordaça
Mais da metade dos deputados federais que querem banir a participação do Ministério Público na investigação policial responde questionamento instigado pelo MP. Como não duvidar destes deputados que apresentam claras intenções de afastar a ação das promotorias, para benefício próprio? O deputado Vieira da Cunha (PDT) é dos que resistem à investida dos parlamentares que querem cortar as azas ou retomar a lei da mordaça. A questão é preocupante e cheira descalabro!
Já aconteceu
Nada, absolutamente nada a estranhar na evolução do debate sucessório do PDT, com retirada do nome de Giovani Corralo da disputa pela candidatura a prefeito. Rever a receptividade eleitoral pode ser observado como processo normal da escolha dos nomes. Com o próprio PDT, nos idos de 1988, aconteceu assim: Ilmo Santos, presidente do partido, foi indicado para concorrer a prefeito. O lançamento não decolou como era esperado. O PDT agiu rapidamente e lançou a dupla Dipp e Salton, que saiu em segundo lugar, com muitas dificuldades, mas chegou a estrondosa vitória para o trabalhismo. A semelhança está no fator de que ambas as situações representam efêmera crise, e que a esperança projeta imediata recuperação do tempo dispersado. A disputa eleitoral, com altos e baixos, depende muito de embalo, estratégico ou não.
Solitário, não!
Na atualidade se sebe que o princípio da cooperação funciona muito bem por meio das coligações aos cargos ao executivo. A vitória de 1988, Dipp/Salton, foi inusitada. Enfrentar uma disputa hoje com um partido apenas é pular uma casa de botão da camisa, coisa que não termina bem. E, quando se fala em coligação, é preciso ter cuidado com o complexo de hegemonia.
Retoques:
• A situação excessivamente privilegiada que ocupam os cães e gatos na pauta nacional do jornalismo, ainda não será tão ridícula, quando começar o Big Brother humano!
• Esse alerta sobre o déficit de atenção de alguns motoristas é muito sério. Dizem que 4% dos motoristas já têm na sua compreensão a possibilidade de passar por cima, pelo meio, por baixou ou pelo lado de outro veículo. A discussão, no entanto, nasceu errada, por que está focada apenas no motoqueiro.
• Dois vilões eméritos permanecem insolitamente inatingíveis com a seca: os cães de madame e o automóvel, lavados com a água escassa durante a estiagem.
• Muita gente está adotando a nova ortografia portuguesa. Antes q eu alguém se precipite é preciso saber quem nem tudo muda. Os velhos e implacáveis proparoxítonos merecem tratamento sério. Exemplo forte é a palavra cágado. Não tente mudar, na escrita ou na prosa, que pode dar...