Baita agamelon
Segunda-Feira, 05/09/2011 por Daniel Bittencourt

Temos um jargão interno no jornalismo que se chama “agamelon”. Empregamos tal nomenclatura à assuntos cujo teor ultrapassa o fator jornalístico para ganhar ares do hoje tão usado merchandising. Além disso, no dito meio do jornal, tal terminologia tem um peso pejorativo no crivo daqueles que fazem das letras e da apuração de pautas o seu ganha pão.

Mas ideologias a parte, tudo perde seu fator “agamelístico” nesta coluna. Primeiro porque ela não tem a preocupação jornalística de ser imparcial; e segundo porque o agamelon aqui empregado hoje serve para iluminar as pessoas a respeito de algo novo que surgiu na cidade na semana que passou. Falo da Revista Alt.

Como alguns devem saber, trabalho no mesmo jornal que publica minhas colunas (o que torna o caminho entre a feitura delas e a publicação das mesmas em uma aventura semanal digna de Ulisses...). E, apesar de minhas colunas serem o antônimo do trabalho que exerço na empresa – tanto no pessoal, quanto no profissional –, hoje dedico isso daqui para a revista que estamos editando por aqui.  

A revista se chama Alt e já está na rua desde a quinta-feira passada. Ela é totalmente gratuita (agamelon ultra suave) e segue uma linha um pouco diferente do que pode ser encontrado atualmente nas bancas locais (agamelon seco na caixa).

- Certo. Chega de encher a mente dos leitores, Daniel? Por favor!
Diz o editor. Da revista (agamelonzinho).

- Ok. O que quero dizer aqui, caríssimo leitor, é que mesmo não sabendo ao certo o que é essa tal de Alt, você pode ficar tranqüilo, pois ela resta nos balcões, mesas e prateleiras de vários lugares de Passo Fundo (agamelon ultra-reto-escrachado).
Diz o colunista.

Bom, mas o que importa mesmo é que fica difícil de explicar em poucas palavras o que você encontra nessa tal revista aí (anti-agamelon). Para ficar por dentro mesmo, basta pegar a sua em cafés, lojas, restaurantes, lanchonetes, faculdades, universidade, casas noturnas, vídeo locadoras, revisteiras e por aí vai (agamelon mega-super-devéras escrachado). E sobre o jargão aquele, esqueça. Ele nem é tão importante assim que mereça ser explicado. É apenas uma gíria interna de redação...

»Comentários

(anti) Receita para escrever
Terça-Feira, 30/08/2011 por Daniel Bittencourt

Daniel Bittencourt – dabitten@gmail.com

Tem quem pense que sou um tanto autobiográfico em meus textos. Pois bem, quase sempre não sou assim. Apesar de existir nos textos um fundo de verossimilhança com fatos isolados do meu dia a dia, quase nunca me coloco nas linhas. E o que originou tal tópico foi um e-mail que recebi de uma leitora. As palavras dela me puseram a pensar. Ela me questionou sobre como faço para me inspirar. Então, resolvi responder a pergunta por aqui mesmo.

Nem sempre me puxo ao ponto de escrever algo com certa antecedência. O que gera uma aflição momentânea em mim e uma cobrança catedrática por parte da editora-chefe de O Nacional. Mas sempre que paro para colocar minhas palavras no editor de texto é como se eu conseguisse parar o tempo.

Muitos dos assuntos são fruto da minha imaginação (fora aqueles em que assuntos da cidade ou acontecimentos importantes merecem uma dissertação mais analítica). Toda a vez que sento para escrever fico olhando para o cursor na página em branco e penso o que pode sair do cérebro para a mão e daí por diante. Quando é dada a partida, tento vislumbrar um início, meio e fim, mas nunca me atenho aos dois últimos. Deixo fluir as palavras para, depois de uma pausa, reler tudo e começar a editar o que está, ao meu ver, fora de lógica. Tento não ser nonsense, apesar de quando em vez soar um tanto assim.

A primeira coisa que faço para me inspirar é prestar atenção nas coisas simples e corriqueiras. Alguém que me chama a atenção na rua; trejeitos de uma pessoa em uma mesa de bar; algum personagem de um filme que eu tenha mais empatia; pessoas em paradas de ônibus; casais de namorados (se amando ou brigando). Tento tirar do cotidiano coletivo algo que sirva de tema. E depois disso vou alimentando tudo com ideias e noções daquilo que carrego na memória vivida e inventada.

É um tanto óbvio que é bem difícil de deixarmos nosso lado pessoal nas coisas que fazemos. E em uma coluna isso é um pouco mais árduo. Sempre coloco meu ponto de vista sobre o que escrevo. E mesmo que tal ponto nunca tenha ocorrido de verdade, se ocorresse seria como escrevo aqui. E brincar com o texto sempre é bom. Dá mais dinâmica e espaço. As palavras respiram mais. E sim, adoro adjetivar as coisas. Não que isso seja um imperativo, mas creio que auxilia quem lê na hora de vislumbrar uma cena, mas sem dar detalhes demais, pois penso que assim a criatividade do leitor é subestimada. (obrigado Tiburski!).

No mais, creio que é mais ou menos assim que surge um texto por semana. Tem dias que acerto na mira e em outros não quero nem ler o jornal para não explodir de raiva. Tem textos que são bons, uns medianos e outros que nem texto são. Mas é assim que a coisa vai seguindo. Espero ter respondido sua pergunta Carina. E mais uma coisa: Quinta-feira, no 1o dia de setembro, estamos lançando a Revista Alt na cidade. De graça e, o melhor, plural.

»Comentários

Feminino masculino
Segunda-Feira, 22/08/2011 por Daniel Bittencourt

Tem coisa mais velha do que começar uma frase com: “Venho de uma geração...”? Pois é. Não tem, mas é a mais pura verdade. Realmente venho de uma geração que pegou o bonde andando. Eu e meus contemporâneos trintões pegamos o a internet ali quando ela virou algo world wide mesmo; vivenciamos o surgimento dos telefones celulares; vimos a televisão a cabo não ser uma coisa exclusivamente norte americana e assistimos Seinfeld e riamos das piadas sarcásticas sem que nossos pais entendessem patavinas.

É, somos de uma época altamente transitória. Pegamos o mundo bem quando ele fazia uma rápida parada em um pit stop qualquer da evolução tecnológica e comportamental. E a relação entre dois seres humanos do sexo oposto também se diversificou no meio desse turbilhão de informações, evoluções e revoluções. E creio que cabe aqui uma análise contemplativa de quem, justamente, teve sua índole, caráter e modo de vida construídos bem no meio disso tudo. E o que melhor analisar do que a fórmula homem + mulher?

A mulher de hoje conquistou a tão merecida liberdade. Os homens deixaram de ditar as regras e elas ocuparam os espaços tidos, antigamente, como exclusivos da masculinidade. Tanto é que tem uma porrada de mulheres que sustentam a casa, mandam em setores inteiros de empresas, governam países e por aí vai. E cada vez mais os homens têm de dividir um espaço que, historicamente (e  infelizmente), lhes pertencia. E isso é ótimo.

E o tal sexo frágil, hoje em dia, de frágil não tem mais nada. E falo isso com conhecimento de causa. Fui criado em uma família altamente matriarcal e cheia de mulheres. E cheia de mulheres com um temperamento um tanto, como posso dizer, único e singular. Aprendi, desde bem cedo, que uma mulher deve ser respeitada indiferentemente do que ocorrer (ainda mais em casos de TPM exacerbada. Homens, vão por mim).

E como um homem de mulheres (que viveu entre elas, por favor) noto que está cada vez mais difícil engrenar um relacionamento com as mulheres de hoje. Não que as de ontem fossem melhores e coisa e tal, mas é que os papeis se inverteram. Os seres humanos de cromossoma XX são a maioria a andar por sobre o planeta. Estes seres curvilíneos (e que bom isso!) ditam as regras e mandam e desmandam nas coisas. E tais fatores contribuem para uma mudança de hábito; para uma espécie de “troca de bolas” – no sentido mais ingênuo da expressão – entre homens e mulheres.

E fiquei pensando nisso porque vi na madrugada de domingo uma entrevista com o humorista Bruno Mazzeo e, em um questionamento sobre seus filmes, ele falou de uma produção que começa a rodar ainda nesse ano e que se chama “E aí: Comeu?”. Trocadilhos a parte, o filho do Chico Anísio começou a destrinchar sobre o relacionamento homem + mulher (pano de fundo do filme), e o cara disse algo que meu deixou pensativo e que sempre vislumbrei, mas nunca externalizei.

Eu, assim como ele, acredito que as mulheres estão cada vez mais machistas. Me desculpem moças, mas é como vejo a situação. O mundo está em um ponto em quem vivenciamos uma inversão de valores, onde as mulheres conseguiram a tão sonhada (e merecida) liberdade, mas não sabem o que fazer agora. E isso no que diz respeito a relacionamentos, ok?

E eu não sei o motivo. Juro que até no Google eu tentei pesquisar sobre o assunto, mas foi em vão. O “machismo” feminino é um fenômeno novo e ainda sem precedente na história da medicina. Este é um assunto para lá de delicado e que ainda é muito embrionário para que eu consiga expor em apenas um canto de página de jornal. É difícil para um homem entender como essas coisas funcionam. Só sei que estou seriamente pensando em queimar minha cueca em praça pública...

»Comentários

O cúmulo da falta de essência interior
Segunda-Feira, 15/08/2011 por Daniel Bittencourt

Ultimamente a secura vem sendo uma constante na minha vida. Mal consigo lidar com as situações que acontecem em casa, no trabalho. Nem mesmo consigo escrever direito, tamanha a pressão arterial. Se alguém olha um pouco atravessado, já vou soltando o verbo com pitadas de palavrões por entre cada palavra. Nem mesmo minha mãe me aguenta (e olha que a paciência dela é algo louvável).

A irritabilidade é tanta que quase me separei. Cheguei a arrumar as malas para sair de casa, chutei meus dois gatos quando vieram pedir carinho e ainda esbofeteei o vizinho só porque ele queria saber as horas. Estou seco mesmo e o pior: não sei o motivo aparente.

Meu analista diz que isso tem relação direta com a minha infância. Segundo ele, existem coisas mal resolvidas desde aqueles dias e elas foram acumulando cada vez mais dentro do meu ser de tal forma, que somente agora estou reagindo. Pelo menos antes tarde do que nunca, mas não acredito nele não. Acho que ele só quer me enrolar para garantir o meu dinheiro em seu bolso no final de cada sessão. Não me segurei e toquei os cachorros no psiquiatra. Pedi meu dinheiro de volta e ainda dei uma bela de uma cuspida em seu tapete persa ridículo. Panaca!

Minha mãe já não me atende mais. Minhas irmãs até que falam comigo, mas sempre desligam na cara quando eu começo a me exaltar. Minha mulher, ou melhor: ex-mulher, me abandonou da noite para o dia e ainda me meteu um processo judicial do tamanho de uma locomotiva. Levou meus móveis, minhas roupas e todos os meu livros... Pelo menos deixou um maço de cigarros para o dia seguinte. Todo molhado.

Meus amigos não me convidam mais para nada. Eu sei que eles ainda se encontram toda a semana e sei também que continuam com as mesmas piadas sem graça, mas são meus amigos, certo? Errado. Me expulsaram da congregação e me execraram pois eu estava deveras saliente e agressivo.

Por fim, acabou acontecendo o que fatalmente aconteceria. Acabei desistindo de mim mesmo. Abandonei minha própria vida, larguei de mão do meu corpo, desisti de viver assim como vinha vivendo. E quando tudo estava claro; quando a real razão da existência pairou bem em frente aos meus olhos, o que acontece? Eu acordo com o despertador. Que raiva que me dá!

»Comentários

<< anterior | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | próxima >>