Ficha limpa não só na política
Segunda-Feira, 06/02/2012 por Elmar Luiz Floss

    A corrupção é sem dúvida alguma, a pior das epidemias que assolam nosso Brasil. A cada semana novos escândalos são divulgados, especialmente, no governo federal. Para nosso conforto, no governo da Presidente Dilma Roussef, parece que a tolerância ao “mal feito” é menor, confirmando seu discurso de posse. Diferente do Presidente Lula que deixou o barco a deriva com o “nada sei, nada vi, nada ouvi”. Sete Ministros do Governo Dilma já caíram por corrupção, e coincidentemente, homens de confiança do ex-presidente Lula. E, outros, que ainda estão no poder, também são alvos de investigações, a partir de denúncias da imprensa. Possivelmente, jamais na história desse país a imprensa teve um papel tão importante em nome da cidadania. Uma imprensa que não é crítica aos governos, seja municipal, estadual ou federal, “não passa de um mero balcão de anúncios”.

      A sociedade brasileira lutou muito para que o Congresso nacional aprovasse uma Lei da ficha Limpa. Isso por, no Congresso, nenhuma iniciativa desse gênero prosperou. Dando a nítida impressão, de que a grande maioria dos nossos Senadores e Deputados, não queriam criar limites à corrupção. Com uma emenda popular, coordenada pela OAB e CNBB, o Congresso não teve alternativa, a não ser aprová-la. Mas, discutiu-se imediatamente a sua validade para a última eleição. Infelizmente, o Supremo Tribunal Federal, entendeu que a mesma deveria valer somente para a eleição de 2012. E, políticos, como Jader Barbalho e outros, ganham a condição legal e assumem cargos.

      O Supremo Tribunal Federal (STF), é o guardião da Constituição e do estado de direito, além de ser o poder moderador em caso de conflitos entre o poder executivo, legislativo e judiciário. Mas, há um viés complicado no Brasil. Seus ministros são indicados pelo Presidente da República, o chefe do poder executivo. E, dentre os vários fatores considerados na escolha, também há o fator político e ideológico. Como o mandato é vitalício no STF, esse fato não teria nenhum problema, se não tivéssemos o recurso da reeleição. Com alternância no poder de diferentes correntes ideológicas, certamente também não teríamos essa preocupação.

      Fatos novos começam também envolver o Poder Judiciário, sempre respeitado pela opinião pública. A recente investigação e divulgação de seus resultados, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), comandada por Eliana Calmon, colocou também poder judiciário numa situação comprometedora, que a Presidente Dilma, chamou sem eu discurso de “o mal feito”. Segundo o passo-fundense Gilson Dipp, Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), esses fatos geraram o “enfraquecimento do poder judiciário” (Zero Hora, 27/12/2011). Pois, ao invés de colocar também na legalidade esses Desembargadores e Juízes, tentou-se, através do STF, tirar o poder de investigação do CNJ. Pois, mesmo numa votação apertada (6 a 5), o STF, considerou legítima essa investigação. Mas, é interessante saber quem votou contra a investigação e quem votou a favor. O voto decisivo foi da Ministra gaúcha Rosa Webber, recentemente indicada pela Presidente Dilma. Mais um ponto para a Presidente Dilma. A transparência, num estado democrático e de direito, deve existir nos três poderes: executivo, legislativo e judiciário.

      Essa votação nos dá ainda uma esperança de que há luz no final do túnel, na luta da sociedade brasileira contra a corrupção e a impunidade no serviço público, independente de poder. A esperança, ainda que pequena, de que os envolvidos com o mensalão, serão punidos pelo STF.

      Mas, onde há um corrupto, também há corruptor. O corrupto, está no serviço público e geralmente, o corruptor está na sociedade civil. Precisamos, com urgência, uma Lei de Ficha Limpa também na sociedade civil. Pessoas, que não tem uma vida ilibada, não podem continuar assumindo postos na sociedade. Infelizmente, escondem-se atrás de cargos em Associações, Sindicatos e Clubes. Desta forma, essas pessoas têm a oportunidade de estar permanentemente com as maiores autoridades, do poder executivo, legislativo e judiciário, e lideranças da sociedade civil, presidindo reuniões ou participando de importantes solenidades. Situações por vezes constrangedoras aos honestos. Vangloriam-se de seu trabalho gratuito e voluntário, para na verdade, usufruir vantagens pessoais pela representatividade do cargo que ocupam.

      Enquanto, a sociedade civil não for capaz de separar o “trigo do joio”, não avançaremos na eliminação da corrupção no Brasil.

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Messi é ótimo, mas não é Pelé!
Domingo, 29/01/2012 por Elmar Luiz Floss

Todos que gostam de futebol, certamente estão admirados com esse grande time do Barcelona. Além dos grandes jogadores, a principal razão do grande futebol que jogam é o entrosamento. Por isso, nesse ano, no Campeonato espanhol estão atrás do Real Madrid, pois quando entram reservas, o futebol não é mais o mesmo.

Sem dúvida, o argentino Messi desponta como o melhor jogador do Barcelona na atualidade. Por isso, pela terceira vez, foi escolhido o melhor jogador do mundo pela FIFA, a partir dos votos dos treinadores e capitães das Seleções de todos os países filiados a FIFA.

Entretanto, essa semana a revista americana Time, possivelmente a de maior prestígio e circulação no mundo, coloca Messi na capa e afirma que possivelmente seja o melhor jogador de futebol de todos os tempos. Não, Messi é espetacular, mas, está muito atrás de Pelé.

Messi é, naturalmente, beneficiado pela evolução da televisão. A cada jogo do Barcelona aproximadamente um bilhão de pessoas do mundo todo assistem o jogo. No tempo de Pelé, a televisão estava no início e por isso poucos o viram jogar. Aliás, muitos que acompanharam Pelé nas décadas de 60 e 70, já não estão mais entre nós.

Certamente, os jovens editores da Revista Time, não viram Pelé jogar. Não sabem que Pelé fazia tudo que o Messi faz e ainda cabeceava maravilhosamente bem. Não sabem que Pelé, participou de três campeonatos mundiais vencidos pelo Brasil: 1958 na Suécia (com apenas 17 anos de idade), 1962 no Chile (infelizmente jogou apenas duas partidas e se machucou) e 1970 no México. Possivelmente, se não tivesse sido cassado em campo no jogo com Portugal, até se machucar, o Brasil teria ganho também a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Até agora, Messi é um fracasso na seleção Argentina. Bem, tem a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, onde poderá deslanchar. Tomara que não.

Também não sabem (ou não lembram) que Pelé fez 1273 gols. Portanto, Messi ainda precisa fazer muito gol para alcançá-lo. Missão impossível.

Por enquanto, até Maradona foi mais importante que Messi no futebol mundial. Jogou bem em todos os times, inclusive no Barcelona e deu uma Copa do Mundo a Argentina, em 1986, no México. E, foi exuberante na Copa do Mundo de 1990, quando os argentinos nos eliminaram da Copa, na Itália. Claro, que a imagem de Maradona está desgastada no mundo, devido ao seu mau comportamento fora de campo. Problemas com bebidas e drogas que encurtam sua carreira. Tive a felicidade de vê-lo jogar, ainda no início de carreira, pelo Argentino Juniors, contra o Grêmio, na reinauguração do Estádio Olímpico. Mesmo marcado pelo China de uma lado e o De Leon de outro, só conseguiam segurá-lo por faltas. Até sair de campo devido as sucessivas faltas que sofria.

Com certeza Messi está na galeria de jogadores como o francês Platini, o holandês Cruif, o alemão Beckenbauer, os brasileiros Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Falcão, o português Eusébio, dentre outros. Mas, todos esses grandes jogadores foram menos que Pelé.

Graças a Pelé o Brasil ganhou seus maiores títulos, seja pela Seleção brasileira e pelo grande time do Santos. Pelé foi decisivo para que o Santos, em 1962 e 1963 fosse duas vezes Campeão do Mundo. Por isso, no Brasil inteiro, o Santos virou uma espécie de segundo time dos torcedores, Claro, menos o corintianos. O Santos tinha um grande time, com Gilmar (campeão do mundo de 1958 e 62), Lima (eterno coringa), Mauro (capitão do Bi-campeonato), o gaúcho Calvet e Dalmo; o grande Zito (campeão mundial de 1958 e 62) e o gaúcho Mengálvio; no ataque, Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe (reserva da Copa do Mundo de 1962).

Nessa mesma época, tinha um outro time extraordinário, o Botafogo. Seu time base tinha Manga, Joel, Leônidas Nilton Santos (campeão mundial de 1958 e 62) e Rildo, Edson/Elton e Didi (campeão de 1958 e 62), Garrincha (campeão de 1958 e 62), Quarentinha, Amarildo (campeão em 1962) e Zagalo (campeão mundial de 1958 e 62). No livro Gigantes do Futebol Brasileiro (João Máximo e Marcos de Castro), dos 21 jogadores brasileiros mais importantes de todos os tempos, do grande Santos, tem apenas Pelé. Desse grande time do Botafogo, três estão na lista: Nilton Santos, Didi e Garrincha.
Mas, graças a Pelé, no duelo, Santos x Botafogo, geralmente dava o Santos. Pouco se fala desse grande time do Botafofo. Foram, na minha opinião, os dois melhores times que o mundo viu jogar. Poucos viram, pois não tinha TV. Mas, os jovens editores da grande revista Time, deveriam ter consultado o passado e não teriam cometido esse equívoco.

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Enem em crise
Segunda-Feira, 23/01/2012 por Elmar Luiz Floss

     Na última semana, o Ministro Fernando Haddad, político mais preocupado com a sua candidatura a prefeito de São Paulo, anuncia a suspensão da prova do Enem, que estava marcada para abril próximo. O Ministério da Educação capitulou diante das dificuldades de gestão dessa prova e os recentes erros detectados na correção de algumas provas, na parte de redação.

     Por muitos anos, fiz parte da Comissão de Vestibular da Universidade de Passo Fundo. Evidentemente, que é um universo muito menor que uma prova como o Enem. A correção da redação sempre era uma grande preocupação, pois ela envolve aspectos de natureza subjetiva, cuja análise varia conforme o avaliador. Há necessidade de um entendimento muito grande entre todos os avaliadores, sobre o foco do tema, as questões de linguagem a serem analisadas e outros aspectos. A avaliação final era dada por mais de uma pessoa. Não me lembro de algum problema que tenha ocorrido na correção de redação, que prejudicasse alunos.

     Quando vemos na imprensa, alunos através da justiça, ganharem o direito de rever a prova e com alterações tão discrepantes na nota, alguma coisa vai mal. Muito mal. Não é possível que a nota seja um e depois oito. Esses fatos geraram uma desconfiança sobre a prova pela sociedade.

     Na verdade, trata-se de mais um erro cometido. Praticamente, em cada edição, há um problema, como erros na prova, vazamento de questões, etc. Portanto, na incapacidade de resolver definitivamente os problemas, o Ministério adotou a solução mais fácil. Suspender a prova. E, como ficam os milhares de estudantes que esperavam realizar a prova e com a nota concorrer a vagas no ensino superior a partir de julho?

     Mesmo sendo engenheiro agrônomo e doutor em agronomia, sou conhecido como professor. Primeiro por que também sou licenciado em ciências e realizei Especialização em Metodologia do Ensino superior. Portanto, paralelo a formação técnica em agronomia, me preparei para a docência. E, a exerço desde 1973, primeiro como professor de Curso pré-vestibular e depois por mais de 33 anos como docente da Universidade de Passo Fundo e atualmente no Instituto Incia e como professor convidado de outras Instituições de Ensino superior. Essa longa trajetória me convenceu que uma das atividades mais importantes na busca do ensino de qualidade é a avaliação.  Convido ao meu leitor a lembrar dos professores que tiveram ao longo da vida. Certamente, lembrarão, como aqueles mais marcantes em vossa vida pessoal e profissional, professores(as) que tinham conhecimentos da matéria, sabiam transmitir (pedagogia) e eram exigente na avaliação. O aluno estuda muito mais para as disciplinas onde há avaliação. E, quanto mais estuda, mais aprende. Portanto, adquire mais saber.

     Lamentavelmente, o conteúdo e a avaliação passaram a ser negligenciadas no ensino brasileiro. A implantação, especialmente, na escola pública, da “pedagogia do facilitário”. Todos os alunos são iguais. Quem estuda e aprende mais, é igual ao aluno que não estuda e por isso não adquire os conhecimentos mínimos que deveria ter em cada fase do ensino. O pacto da mediocridade no ensino. E, isso é ideológico. Aprovar também alunos que não atingiram o mínimo de conhecimentos é bom para estatísticas, como “a redução significativa dos índices de repetência”. Também agrada aos responsáveis pela Fazenda de municípios, estados e união, pois há uma redução de custos, pois os alunos ficam menos tempo na escola.

     Quando pessoas que ideologicamente negligenciam a avaliação no exercício do magistério e são contra o mérito (a avaliação é um instrumento de mérito), é natural que isso gere conflitos na política de ensino.

     Em todos os países, considerados exemplos na qualidade e ensino, há  avaliação em todos os níveis. As políticas públicas são estabelecidas a partir do desempenho dos alunos, em cada área, em cada escola e por região.  Mas, para que ao aluno faça a prova com seriedade. Ela deve valer alguma coisa. Está absolutamente certa a política brasileira, de que o desempenho no Enem sirva para ingresso nas Universidades. O Enem ficou valorizado.

     Só  faltou, o Ministério da Educação, executá-lo com mais competência, evitando os problemas que vem ocorrendo a cada edição. A suspensão da prova do Enem de abril é cômoda para MEC, mas, um desrespeito à sociedade. Um passo atrás na busca da tão necessária melhoria do ensino brasileiro.

     O Ministro Haddad está pensando na próxima eleição de outubro e não na próxima geração.

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PIB do Agronegócio de Passo Fundo
Domingo, 15/01/2012 por Elmar Luiz Floss

O PIB (Produto Interno Bruto) é um dos principais indicativos de avaliação do crescimento econômico de um país, estados e municípios. O seu resultado é numérico, mas, as interpretações são as mais diversas. Especialmente, aquelas interpretações de políticos, tentando puxar a brasa para seu lado.

Dentre essas pérolas equivocadas e tendenciosas, ouvidas na última semana, está a divulgação de que o PIB do Agronegócio de Passo Fundo representa “apenas 2% do PIB total do município”. O tendencioso está na ânsia de querer demonstrar o crescimento do setor industrial. O equívoco na análise dos dados disponíveis sobre o desempenho de cada setor.
Foi–se o tempo em que, por incompetência administrativa e da falta de conhecimentos, os setores econômicos eram analisados de forma isolada. Infelizmente, um vício histórico de algumas lideranças políticas do estado do Rio Grande do Sul. Fazer planejamentos e análise de investimentos baseado apenas na arrecadação direta de impostos não retrata a realidade. Na maioria dos municípios e estados brasileiros, esse viés analítico já foi superado.

Enaltecer o crescimento do setor industrial de Passo Fundo é correto. Depois de medidas restritivas a industrialização de Passo Fundo (“a industrialização atrairia a marginalidade da região para Passo Fundo” ou “todos sabem que Passo Fundo é um cidade de serviços e não de indústrias”), adotados por algumas lideranças até 1992, inicia-se um lento, porém gradual processo de industrialização aqui. Com uma invejar localização geográfica (entroncamento rodoviário/ferroviário), aeroporto, disponibilidade de energia e água (Passo Fundo é rica em fontes de água), ser um pólo de saúde, pólo de educação privada (fundamental, média e superior), pólo de pesquisa, instituições de formação de mão de obra, dentre outros pontos positivos, atrai novas indústrias. Aliás, a maioria das indústrias que existem em Passo Fundo, bem antes de 2005.

E, certamente, as novas indústrias que chegaram, não tomaram a decisão em sua matriz de escolher Passo Fundo, considerando como fator decisivo o partido no poder ou quem são os seus dirigentes temporários. Consideram as potencialidades acima expostas, construídas ao longo do tempo com a participação de muitos políticos, mas, especialmente, por aquilo que foi feito pela iniciativa privada. Aos gestores públicos cabe a importante tarefa de não atrapalhar. E, em nome do povo que o elegeu, criar as facilidades (distritos industriais, infra-estrutura e incentivos fiscais). Não é o prefeito ou seus secretários que doam terrenos ou custeiam terraplenagens às indústrias com recursos próprios. O fazem mediante a procuração legitimamente recebida nas urnas, mas com o dinheiro do povo.

Quando se observa as maiores indústrias existentes em Passo Fundo, quanto a geração de empregos, impostos, renda e divisas por exportação, vemos que a maioria é do Agronegócio: Semeato, Kuhn Metasa, Bandeirante, Bünge, Italac, BSBios, Doux Frangosul, futura Maltaria da Ambev, dentre outras. A primeira grande indústria fora do Agronegócio que está se instalando em Passo Fundo é a Manitowok. Portanto, sem produção de matérias primas pela agricultura (grãos) e pecuária (carne e leite) e, sem produtores rurais para comprar máquinas e equipamentos agrícolas, como ficaria o setor industrial de Passo Fundo? Portanto, o PIB do Agronegócio, considerando o valor agregado, é muito superior a 2%.
Aliás, se o Agronegócio representa apenas 2% da economia de Passo Fundo, essa estiagem não afetaria nossa economia!

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