Brasil tem seu novo grande filme
Segunda-Feira, 16/08/2010 por Festival de Cinema de Gramado

Depois do sucesso no Festival de Paulínia, Bróder conquista prêmio máximo no 38º Festival de Cinema de Gramado, revelando promissora carreira dentro do cinema nacional antes mesmo da estreia e, quem sabe, um lugar no Oscar do ano que vem
Marina de Campos
A noite deste sábado serviu para consagrar o mais novo grande filme do cinema nacional: Bróder, do diretor estreante Jefferson De. Com emoção, bom-humor e alguma dose de provocação, a equipe que representou a produção na cerimônia de encerramento do 38º Festival de Cinema de Gramado se destacou entre os demais concorrentes e conquistou alguns dos prêmios mais cobiçados do evento, entre eles o Kikito de melhor filme, melhor direção e melhor ator para Caio Blat.

    Possível sucessor de filmes como Central do Brasil e Cidade de Deus em termos de qualidade, temática e reconhecimento internacional, o longa consolida sua promissora carreira com os troféus, depois de já ter chamado atenção no Festival de Paulínia, e pouco antes de estrear nos cinemas do país, coisa que deve acontecer na metade de novembro. Como disse o cineasta ainda nos primeiros dias de evento, há uma grande expectativa do filme conquistar um lugar no Oscar do ano que vem.

       Depois da entrega do troféu Cidade de Gramado para uma série de produções, entre elas El vuelco del cangrejo e Diário de uma busca, ambos na categoria prêmio da crítica, o Palácio dos Festivais viveu seus momentos mais aguardados com a distribuição dos Kikitos de Ouro aos melhores deste ano. Ao subir ao palco, Caio Blat foi intensamente aplaudido por suas apaixonadas palavras. “O Macu foi o presente mais lindo da minha carreira. E só deu certo porque estou completamente apaixonado. Obrigada por tudo, amor”, dedicou o ator à mulher e também atriz Maria Ribeiro.
       Já o diretor Jefferson De dedicou o troféu de melhor diretor à filha. “Teve uma pessoa que ficava triste toda vez que ouvia falar em Bróder, pois sabia que o pai dela estava partindo. Quero pedir que vocês me ajudem a cantar parabéns a ela, que está de aniversário hoje”, explicou. Ao receber o prêmio mais disputado, Jefferson dedicou-o a toda a equipe, aos moradores do Capão Redondo, onde o filme foi rodado, e a duas “figuras contraditórias”, mas fundamentais. “Esse filme tem muitas contradições. Por exemplo: Caio diz que agora pode encher a boca para dizer que é um negão, e hoje eu estava na Vila de Caras”, brincou. “Esse prêmio vai especialmente para o maior líder das favelas brasileiras, o rapper Mano Brown, e para Daniel Filho, que me disse: vai lá e faz, você consegue”, completou.

       Outro grande momento da noite foi o anúncio do melhor filme estrangeiro, o emocionante documentário chileno Mi vida con Carlos, recebido pelo diretor com a ajuda de sua filha. Para encerrar esta edição e já deixar o público ansioso pelo reinício da maior festa do cinema latino-americano, foi anunciada a data do próximo Festival de Cinema de Gramado: 12 a 20 de agosto de 2011. Até lá.
      
A lista dos vencedores
Longa-metragem nacional
Melhor filme: Bróder
Prêmio especial do júri: O último romance de Balzac
Melhor diretor: Jeferson De, por Bróder
Melhor ator: Caio Blat, por Bróder
Melhor atriz: Simone Spoladore, por Não se pode viver sem amor
Melhor roteiro: Não se pode viver sem amor
Melhor fotografia: Não se pode viver sem amor
Longa-metragem estrangeiro
Melhor filme: Mi vida com Carlos
Prêmio especial do júri: La yuma
Melhor diretor: Nicolas Pereda, por Perpetuum mobile
Melhor ator: Gabino Rodriguez, por Perpetuum mobile e Martin Piroyansky, por La vieja de atrás
Melhor atriz: Alma Blanco, por La yuma
Melhor roteiro: La vieja de atrás
Melhor fotografia: Mi vida com Carlos
Juri Oficial - curta-metragem
Melhor filme: Carreto
Melhor direção: Haruo Ohara
Prêmio especial do júri: Os anjos do meio da praça
Prêmio da crítica
Melhor longa-metragem nacional: Diário de uma busca, de Flávia Castro
Melhor longa-metragem latino: El vuelco de cangrejo, de Oscar Ruiz Navia
Melhor curta-metragem nacional: Babás, de Consuelo Lins

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