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Colunistas


O outro Oppenheimer

Sexta-Feira, 03/08/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

O modelo convencional de biografias, de pessoas ilustres ou nem tanto, cuja linguagem e expressões usadas dão ares de vidas vividas de maneira preordenada e com cronologias preestabelecidas, nem sempre possibilita o entendimento pleno do biografado. Por isso, no tocante a biografias, o recomendável é sempre a leitura de mais de uma obra, que, inclusive, podem complementar ou divergir, sobre fatos atinentes à vida do biografado. Eu, nesses casos, quando se trata de resolução de conflitos entre versões, ousaria sugerir como sendo necessárias leituras de obras paralelas que, por não envolverem diretamente o biografado, podem lançar luzes sem vieses sobre as questões de interesse ou apontar novos caminhos para o entendimento.


Sobre J. Robert Oppenheimer (1904-1967), os verbetes enciclopédicos convencionais dão conta que estudou física em Harvard, EUA, passou por Cambridge, no Reino Unido, e obteve doutorado na Universidade de Göttingen, na Alemanha, em 1927. Lecionou na Universidade da Califórnia, campus de Berkeley, e no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Foi nomeado diretor dos laboratórios governamentais americanos de Los Alamos, Novo México, onde dirigiu o Projeto Manhattan para o desenvolvimento de bombas atômicas. Presidiu a Comissão Nacional de Energia Atômica dos Estados Unidos, entre 1947 e 1952, e atuou como diretor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton (1947-1966). Depois Segunda Guerra Mundial passou a lutar pelo controle internacional das armas atômicas, vindo, em 1954, pelas ligações com amigos esquerdistas e opiniões, a ser incluído na lista dos traidores comunistas e obrigado a depor no processo capitaneado pelo senador Joseph Raymond McCarthy, de cujas acusações, por força da opinião pública, acabaria absolvido.


Na monumental entrevista que George Steiner concedeu a Ramin Jahanbegloo, compilada no livro “George Steiner: à luz de si mesmo”, há uma passagem, retratada no capitulo 3, que mostra outro Oppenheimer, que não aparece nos verbetes enciclopédicos mais conhecidos.


Na condição de editorialista da revista The Economist, sucursal de Londres, George Steiner foi enviado aos EUA, em 1956, para entrevistar J. Robert Oppenheimer sobre energia atômica e relações entre EUA e Europa. Foi recebido em Princeton por um Oppenheimer arredio e exacerbando traços virulentos de cinismo, avisando que concederia apenas 5 minutos do seu tempo, devido ao pouco caso que fazia dos jornalistas. Finalizada a entrevista, na forma de perguntas e respostas, Oppenheimer convidou Steiner para almoçar, sem a companhia dele, na Cafeteria da Universidade.


Depois do almoço, o secretario de Oppenheimer conduziu Steiner para um encontro com o professor Harold Cherniss, célebre helenista, que perguntou se ele, efetivamente, estudara grego e se podia lhe ajudar com uma passagem de um manuscrito de Platão em que havia algumas palavras faltando. Enquanto conversavam, Oppenheimer entrou na sala e sentou-se numa posição privilegiada atrás dos interlocutores. E sem se dirigir a eles, exclamou: “O que há de importante na poesia e na filosofia são as partes em branco”. Steiner reagiu, dizendo que essa opinião era de Mallarmé e que denotava arrogância, pois, se verdadeira, para que existiriam os livros? Oppenheimer atacou dizendo que Steiner acabará de colocar uma questão quase inteligente e que estava convencido que os livros eram necessários, pois a Bhagavad Gita era a voz viva de Deus. A discussão continuou até que, na despedida, Oppenheimer perguntou se Steiner era casado e, ao receber como resposta “muito recentemente”, retrucou: “Ah!, sem filhos. Isso vai facilitar o alojamento”. E foi assim que George Steiner foi escolhido como humanista no Instituto de Estudos Avançados de Princeton.


Eis porque desse jogo de gato e rato, que protagonizaram Oppenheimer e Steiner, fica-se com a convicção de que, para alguém que diziam ser possuidor do cérebro mais poderoso da humanidade desde Leibniz, todo mundo era besta.




O desejo de durar

Sexta-Feira, 27/07/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

Soa infeliz e dramática a frase que, amiúde, se atribui a Gustave Flaubert em seu leito de morte: “Eu morro como um cão e essa puta da Bovary vai permanecer”. Cruel, demasiadamente cruel, de parte do criador para com a criatura! Essa frase, de acordo com George Steiner, manifesta o paradoxo da angustia de um artista em face da sobrevida misteriosa da personagem, que surgida de palavras sem vida, rabiscadas em folhas de papel, seguindo o seu vaticínio, continuaria a viver.


Madame Bovary e Gustave Flaubert alcançariam, ambos, a imortalidade; apesar do pessimismo do escritor no leito de morte. E imortalidade no sentido de que, ainda hoje a criatura é lida e o criador lembrado e reverenciado. É a típica imortalidade que graceja quando um leitor qualquer, nas mais diferentes línguas que essa obra clássica ganhou traduções, abre o exemplar de um livro (ou manuseia um arquivo digital), trazendo criatura e criador à cena contemporânea.


Estamos falando da imortalidade da criação humana e, em particular de criação literária. E nesse sentido há que se fazer referência à mística heidggeriana, segundo a qual “somos falados” pela linguagem, que, no caso de um escritor poderia ser adaptada para o “ser escrito pelo texto”, ao estilo de Mozart quando dizia “uma sinfonia inteira me veio”, exemplificados por George Steiner à exaustão. Isso, que pode aparentar falsa modéstia, mas é criação.


Outra forma de imortalidade de um escritor pode ser alcançada por um erro de cópia do impressor, cujo exemplo mais notável, muito citado por George Steiner, é a tradução que Thomas Nashe, dramaturgo e romancista elisabetano, fez para “Ballade des dames du temps jadis”, de François Villon, cujos versos “La clarté tombe des cheveux d`Hélène” (A claridade cai dos cabelos de Helena), que em inglês seria “Brightness falls from the hair”, mas, por uma falha tipográfica, resultou em “Brightness falls from the air” (A claridade cai do ar), transformando-se em um dos versos mais celebrados da língua inglesa e conferindo a imortalidade a Nashe. Queira Deus que a Gráfica Berthier cometa um erro desse tipo durante a impressão da obra de algum escritor passo-fundense!


Na essência do que chamou “As Gramáticas da Criação”, George Steiner questiona: Afinal, Deus criou ou inventou o universo? Um cientista cria ou inventa uma teoria? Um músico cria ou inventa uma melodia? Um matemático cria/descobre ou inventa um novo teorema? A responsa mais sensata pode ser encontrada na raiz da palavra grega “poiésis” que significa criar e não inventar (inventar deriva do latim inventare). Assim, quer seja nas ciências ou nas artes, a imortalidade somente pode advir da criação. É de “poiésis” que deriva a nossa palavra poesia, que, essencialmente, envolve criação.


Difícil falar em imortalidade literária ou em qualquer arte, quando, vivenciando uma crise cultural e de educação, o que vemos grassar são celebridades de talentos e gostos questionáveis, que, dificilmente serão lembrados pelas próximas gerações. Não é sem razão que uma alusão a um clássico encontra tanta dificuldade de ser entendida mesmo entre pessoas detentoras das mais elevadas titulações acadêmicas. Isso talvez seja explicável por, no Brasil, particularmente, vivenciarmos uma crise de leitura que afeta uma ou mais gerações, que se encontram espremidas entre as mais antigas e a atual, comprometidas (sequeladas) por sucessivas reformas de ensino que não deram os melhores resultados, uma vez que, nas Universidades, a preocupação maior foi com a difusão da cultura científica, relegando as Letras e as Humanidades a um segundo plano (inclusive nas notas exigidas para ingresso de novos alunos). E assim a ignorância se perpetua.


Por que Machado de Assis é imortal? Pra você eu não sei, mas pra mim porque ele, entre outras coisas memoráveis, criou Capitu, aquela mulher, personagem do romance Dom Casmurro, cujo olhar oblíquo, cheio de incertezas e de ambiguidades, sugeria quase tudo e revelava muito pouco. Olhe bem, que pode haver uma Capitu à sua espreita.




O Menino da Fragata

Sexta-Feira, 20/07/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

Nas ruas de chão batido da Fragata, o bairro popular de Pelotas, RS, o menino, que produzia verduras e entregava leite nas casas, para ajudar na renda familiar, ouvia com atenção o conselho do pai: “meu filho, se queres ser alguém e ter utilidade na vida, estuda!” Aquela criança, cujo padrão de inteligência destoava das demais e que já sabia ler antes de entrar na escola, seguiu à risca a orientação paterna. Vanderlei da Rosa Caetano ingressou no Colégio Agrícola Visconde da Graça (CaVG). Trabalhou na Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural – ASCAR e, em 1963, entrou no curso de Agronomia da Universidade Rural do Sul (atual UFPel). Entre 1967 e 1973, trabalhou como pesquisador do Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Sul. Obteve o titulo de doutor em Agronomia-Virologia pela Universidade de São Paulo, em 1972. Passou pela empresa Eli Lilly do Brasil Ltda., entre 1973 e 1975. E, desde 1975, trabalha como pesquisador da Embrapa, no Centro de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado, em Pelotas.


Ao longo de uma carreira que ultrapassa 50 anos de dedicação à pesquisa cientifica, o Dr. Vanderlei da Rosa Caetano fez coisas relevantes e, seguindo o vaticínio do pai, conseguiu ser útil na vida. Em 2018, são completados 50 anos do diagnóstico do vírus do nanismo amarelo da cevada e 40 do vírus do mosaico comum em trigo no Brasil. Duas façanhas notáveis do Menino da Fragata!
Nas diferentes regiões do mundo, onde são cultivados cereais de inverno, entre as doenças originadas por vírus, merece destaque, pelos prejuízos econômicos advindos, o chamado “nanismo amarelo”, cujo agente causal é o Barley yellow dwarf virus (BYDV), que, no nosso meio, é chamado de Vírus do Nanismo Amarelo da Cevada (VNAC). O agente causal da “amarelidão dos trigais”, cujo primeiro registro no sul do Brasil data de 1929, foi descrito pelo Dr. Caetano, em trabalho que publicou em 1968 (Revista da Sociedade Brasileira de Fitopatologia. v.2, p.53-66, 1968).


Os estudos realizados pelo Dr. Caetano são um marco da pesquisa científica com estes vírus no Brasil, contemplando espécies vegetais hospedeiras, estudos de transmissão por espécies de afídeos vetores (pulgões), caracterização de estirpes do vírus, sintomatologia, epidemiologia, importância econômica e avaliação da reação de genótipos de trigo ao BYDV. Cabe destacar ainda, que, junto com o seu irmão, Dr. Veslei da Rosa Caetano, também pesquisador da Embrapa, foram realizados estudos sobre a flutuação das populações de afídeos vetores. Dessas avaliações prévias da reação de plantas ao BYDV, selecionaram-se genótipos que serviram de fonte de resistência (tolerância) para os diversos programas de melhoramento genético de trigo no Brasil.
Outra importante virose de trigo no Brasil - o mosaico comum do trigo, que é internacionalmente conhecida como Soil-borne Wheat Mosaic Disease (SBWM) - foi diagnosticada pelo Dr. Caetano, no final dos anos 1970. Uma série de estudos e observações culminou no trabalho seminal publicado em 1978 (Fitopatologia brasileira, v.3, n. 1, p.39 – 46,1978).


Na área de melhoramento genético de trigo no Brasil, o Dr. Caetano, além da identificação de fontes de resistência (tolerância) a viroses, também tem se preocupado com a aplicação do enfoque sistêmico, que envolve o princípio da coevolução entre sistemas de produção e genética, na criação de germoplasma desse cereal. Buscou um novo padrão de planta, com porte baixo, espigas grandes, folhas eretas, colmos cheios, stay-green (manutenção de folhas verdes em estádios avançados de maturação) e resistência a múltiplas doenças, que tem servido de plataforma genética para a criação de algumas cultivares de trigo da Embrapa.
Vanderlei da Rosa Caetano é um cientista que, apesar das contribuições relevantes que produziu, prima pela humildade. A ele, em nome da comunidade científica que atua em pesquisa de trigo no Brasil, rendemos os nossos respeitos! (o colunista reconhece a colaboração do Dr. Douglas Lau para a produção desse texto.)




Tecnologia, qualidade e exportação

Sexta-Feira, 06/07/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

A 12ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale, realizada essa semana (3 a 5 de julho de 2018), em Passo Fundo, além da apresentação de novas tecnologias, em genética e manejo de cultivos, que irão constituir as informações técnicas para a produção desses cereais no País em 2019, nessa edição, ampliou, por meio de palestras e painéis de discussão, o debate sobre a construção de novos modelos de negócio visando à ampliação, especialmente, da produção de trigo no Brasil.


Há muitos anos que se discute a viabilidade da produção do trigo no Brasil e a resposta ao questionamento, assaz conhecida, frise-se, tem sido a mesma: SIM. O Brasil possui condições de ambiente, domínio tecnológico e estrutura de produção que permitiriam, imediatamente, uma produção de trigo muito maior do que atualmente estamos obtendo. E isso se levando em consideração apenas a região tradicional de cultivo, no Sul do País, independentemente da ocupação de áreas no bioma Cerrado, que poderia alterar substancialmente a geografia de produção desse cereal no mundo. Mas, por que isso não acontece? Resposta elementar: porque não temos conseguido posicionar competitivamente os nossos custos de produção frente aos principais países exportadores de trigo no mundo. Ignoramos que somos tomadores de preço no mercado mundial e que fazemos parte de um bloco econômico chamado Mercosul, cuja competividade do trigo nacional com o trigo argentino acaba sendo definida pela paridade do preço de importação, que faz com que, pelas dificuldades de escoamento desse cereal das regiões de produção para a zonas de consumo, nossa competição mercadológica fique limitada ao redor de um raio de 500 km.


O caminho a ser seguido, nesse caso, seria a redução dos nossos custos de produção e assim se ganhar em margem. Quando se toca nesse ponto, muitos se alvoroçam, alegando que vai implicar em menor uso de tecnologia, que seria um retrocesso no processo produtivo, etc. Evidentemente, essas alegações apressadas não procedem. O que se propõe, nesse caso, é melhorar o uso de tecnologia por uma gestão efetiva da produção em substituição ao modelo, que tem ganhado cada vez mais adeptos, de práticas agronômicas calendarizadas, que envolvem o uso de insumos caros, nem sempre embasadas em critérios técnicos justificáveis e, não raro, visando ao alcance de resultados duvidosos.


Há um ponto que não se discute, pois não há alternativas: temos que primar cada vez mais pela qualidade tecnológica do trigo brasileiro. Evoluímos muito nesse quesito. Nossos obtentores vegetais fizeram, em pouco mais de duas décadas de trabalho, o que em outros países do mundo se mede em séculos. Não há espaço para crítica, mas para elogios nesse tema. Mas, não podemos ignorar que a construção de uma identidade para o trigo brasileiro, que seja respeitada pelo mercado, exige cuidados permanentes, pois, além da interação genótipo x ambiente, que não raro tem sido subestimada, outros segmentos do complexo agroindustrial do trigo no Brasil, especialmente no tocante a segregação do trigo e no padrão de armazenagem (infestação de pragas, por exemplo) podem comprometer o produto colhido no campo.


O caminho da exportação, embora pareça algo visionário, tem sido realidade nos últimos anos, especialmente quando suportado por algum mecanismo de apoio à comercialização do Governo Federal. O desafio é produzir trigo para a exportação, competitivamente, aos preços tomados do mercado mundial. Esse novo modelo de produção de trigo para exportação vem sendo desenvolvido pela Embrapa Trigo com o apoio de algumas cooperativas gaúchas, que têm validado a proposta nos seus campos de produção. Os resultados obtidos nas validações a campo têm sido alvissareiros, mostrando a plausibilidade desse modelo de produção.


E, por fim, não podemos ignorar o potencial de uso do trigo para o consumo animal, quer seja para produção de silagem, pastejo direto, duplo propósito (pastejo e produção de grãos) ou como ingrediente de rações.




Há sempre um livro à sua espreita

Sexta-Feira, 22/06/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

George Steiner, no instigante ensaio “Aqueles que queimam livros”, baseado na fala que deu na Feira do Livro de Turim, em 10 de maio de 2000, foi taxativo na afirmação: “aqueles que queimam livros, que banem e matam poetas, sabem exatamente o que fazem.” E sabem o que fazem porque são conscientes do poder imprevisível de transformação que um texto bem escrito pode ter sobre um leitor. Entre os “queimadores de livros”; ou censores, se preferirem, estão, em geral, os fundamentalistas mais aguerridos, que, em dados momentos da história, não hesitam sequer em propor que sejam “queimadas” as constituições nacionais legitimamente aprovadas. A censura – “a fogueira dos livros/textos” – é tão antiga e onipresente quanto a própria escrita. Nada está imune a essa sanha avassaladora que tenta, a qualquer custo, banir aquilo que não concorda e pode, potencialmente, abalar o status quo vigente.


Ainda que a oralidade no mundo seja a tônica e a escrita, por mais incrível que possa parecer, a exceção; é sobre essa que, geralmente, recai a ira dos “queimadores de livros”. São sabedores que é do encontro “livro” e “leitor”, em um processo dialético de reciprocidade, que, potencialmente, pode surgir algo maior do que o “livro” ou o “leitor” individualmente. Ninguém ignora que, para o bem ou para o mal, ao mesmo tempo em que lemos um livro também esse livro “nos lê”. E, nesse caso, pode ser mais simples “queimar o livro” do que “incinerar” o leitor.


Não raro, o encontro entre “livro” e “leitor”, a exemplo do que aconteceu com o homem ou com a mulher que mudou a sua vida, dá-se casualmente. Esse livro que tem a capacidade de converter a nossa fé, que nos faz aderir a uma ideologia ou que dá um sentido à nossa existência pode estar à nossa espreita naquele balaio de saldos da feira do livro. Ou, talvez, seja aquele livro coberto de poeira, no fundo da estante da obra que você buscava numa livraria qualquer. Ou aquele que encontrou, casualmente, numa busca pela Internet. Não hesite em pegar e abrir esse livro, se porventura a sonoridade do titulo ou o nome do autor despertarem a sua atenção. Nunca se sabe o que pode acontecer nesse inusitado encontro “livro” e “leitor”. Os livros são a chave de acesso para nos tornarmos melhores (a regra) ou, eis a justificativa usada pelos “queimadores de livros”, piores (a exceção) do que somos.


Um livro, nesse processo dialético de leitura, pode suscitar reações diferentes, dependendo do momento da vida de cada leitor. Esses textos que estamos nos referindo podem ser tanto da lavra dos legítimos pensadores clássicos quanto não passarem de banalidades expressas em best-sellers de vida efêmera. Não sejamos preconceituosos em relação aos best-sellers! Não abra mão do prazer da descoberta que uma obra desconhecida pode lhe proporcionar. Essa obra seminal na sua vida pode ter estado ali à sua espreita por muitos anos. Esperando, sem pressa, para ser lida por você. Ei mais uma razão porque não se justifica “queimar livros”, pois, graças a esse tipo de espera (e posterior descoberta), muitas das ditas “grandes obras” devem a sobrevivência e o reconhecimento que por ora gozam.


O ato clássico da leitura requer silêncio, concentração, intimidade com o texto, certa cultura literária e, para o domínio pleno do conteúdo, consultas frequentes a obras de referência, dicionários, etc. Em tempos de pessoas apressadas, quem se dispõe a ser esse leitor? Felizmente, apesar da conectividade digital dos tempos atuais, esse tipo de leitor sobrevive e, diferente do que muitos imaginam, em especial entre os jovens. O legado deixado pelas Jornadinhas de Literatura – Viva a Professora Tania Rösing e equipe UPF! – está materializado em um publico de jovens leitores (com vocação para a escrita) que Passo Fundo nunca teve na sua história. Duvida? Olhe à sua volta. Converse com pais de adolescentes e com o pessoal das livrarias locais, antes de tirar qualquer conclusão apressada. Não é uma guerra de gerações, mas as mais jovens são mais leitoras do que a minha e a sua, prezado leitor!




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