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Colunistas


O ethos da ciência segundo Merton

Sexta-Feira, 14/12/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

Há um conjunto de normas que define (ou, presume-se,deveria definir) o comportamento dos cientistas. São essas regras que, tacitamente assumidas (na maioria das vezes) ouexpressas em manuaiscorporativos, dão conformação ao “ethos da ciência”. E por “ethos da ciência” entenda-se, na clássica proposição do sociólogo Robert K. Merton, de 1942, como o espírito de corpo que se forma entre os cientistas, criando uma espécie de identidade coletiva que os une e os identifica, e que é capaz de gerar indignação moral, quando contravenções a essas regras são cometidas pelos seus membros.


Robert K. Merton, com as suasnormas, nos deixou um legado valioso para o debate sociológico do processo de geração de conhecimento pela comunidade científica. Não, por mais incrível que possa parecer, as suas normas, na atualidade,ainda que não endossadas universalmente, não podem ser consideradas ultrapassadas e nem destituídas de valor ou sem qualquer influência prática no dia a dia da ciência. São abstrações idealizadas a partir de expectativas sobre o comportamento de uma coletividade. A indignação social que pode ser gerada, dependendo do caso,pela violação de uma dessas normas (que nem sempre se mostram puras no mundo contemporâneo), como veremos, é um bom indicativo do seu valor.


As normas de Merton podem ser resumidas no acrônimo CUDOs, formado pelas iniciais de palavras na língua inglesa. São elas:Comunalismo (Communism); Universalismo (Universalism); Desinteresse (Disinterestedness); e Ceticismo Organizado (Organized skepticism). Em apertada síntese, entenda-se, por Comunalismo, o conhecimento científico como propriedade comum ou bem público; por Universalismo, quando o achado científico tem a primazia sobre a reputação da autoria sem que haja qualquer discriminação de raça, gênero ou nacionalidade, por exemplo; Desinteresse, em que prevalecem as conclusões tiradas a partir das evidências e não pormeio de crenças pessoais ou influências externas, prevalecendo sempre o interesse coletivo e não o individual; eCeticismo Organizado, rememorando que os cientistas devem, sempre, permanecer céticos em relação aos resultados obtidos, evitando-se a tirada de conclusões apressadas e prematuras.Às normas de Merton, inicialmente apenas quatro, acrescentou-se, nos anos 1980, Originalidade, que se constituiu em uma obviedade, em se tratando de ciência.


As normas de Merton, ainda que todas justificáveis, são demasiadamente acadêmicas. E por afirmarem não mais do que apenas ideais de comportamento, que não necessariamente se materializam no dia a dia, facilmente, depreende-se que essas normas são apenas um conjunto de exortações morais, e que, conforme a área do conhecimento, são de difícil materialização integral na vida real. Assim, como contraponto,justifica-se a existência para cada norma de uma contranorma, diametralmente oposta à norma.Então, eis que, para a norma do Comunalismo, surgiu a sua contraparte que é o Isolamento (Solitariness), envolvendo o sigilo do conhecimento, com a justificativa de obtenção de direitos de propriedade intelectual ou garantir a primazia da descoberta; o Universalismo deu origem ao Particularismo (Particularism), em que, inegavelmente, pelo maior número de cientistas e pelas fontes de financiamento, os países ricos dominam a ciência no mundo; o Desinteresse deu vez ao Interesse (Interestedness), justificado pela busca do ineditismo (nem sempre) e a corrida desenfreada porpublicações (Publish or Perish) como base para alavancar carreiras e o acesso a fontes de financiamento ou, até mesmo, envolvendo interesses velados não confessáveis; e, por fim, o Ceticismo Organizado que cede lugar ao Dogmatismo (Dogmatism), quando carreiras cientificas são construídas com base em muitas certezas e pouca dúvidas, a partir de orientações acadêmicas que mais perpetuam tribos do que ensinam a buscar o novo.
Enfim, não ignore, os cientistas lidam, acima de tudo, com prescrições morais.




O testamento do criminalista

Sexta-Feira, 30/11/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

Depois de 50 anos de atuação no Tribunal do Júri, seja como advogado de defesa ou como assistente à acusação; de ser reconhecido como empresário bem-sucedido, sócio proprietário da concessionária da estação rodoviária de Passo Fundo, presidente da Associação Comercial de Passo Fundo e dirigente do respeitável escritório de advocacia Jabs Paim Bandeira & Advogados Associados; de ter se destacado como ativista cultural, comandante dos Cavaleiros do Mercosul e responsável pela encenação do espetáculo Batalha do Pulador; de ter atuado politicamente, como vereador, eleito pela ARENA na legislatura 1973 a 1977; de ter escritos livros, Trezentos dias de defesa (1987), Fazendo amor falado (2002) e Batalha do Pulador: História & Encenação (2006), apenas como exemplos; de ter criado filhos, Jabs Duarte Bandeira (in memoriam), Fabrício Duarte Bandeira, Daniel Duarte Bandeira e Cassiano Paim Bandeira; e, muito provavelmente, plantado árvores, não é surpresa para ninguém, que um homem, consciente de já possuir mais passado do que futuro, ponha-se a ditar testamento. Pois, não há definição melhor, no meu entendimento, do que Testamento Intelectual, no sentido de legado deixado por alguém, para esse livro – Memórias de um Criminalista: Casos& Histórias –, que ora nos brinda o advogado Jabs Paim Bandeira.


Memórias de um Criminalista: Casos & Histórias é uma espécie de antologia dos melhores momentos vividos, envergando a toga de advogado, por Jabs Paim Bandeira. E é uma antologia no sentido estrito do termo, uma vez que, nela, são coligidos por esse notório operador do Direito, textos, de lavra própria, sobre os julgamentos de alguns dos mais rumorosos crimes que abalaram Passo Fundo, a região, o Rio Grande do Sul ou, até mesmo, todo o País; nos últimos 50 anos.


Nas páginas desse livro, são dessecados, em detalhes, os casos que Jabs Paim Bandeira atuou diligentemente. São exemplos, entre tantos: o crime da leitaria, que tinha relação com a terrível e sanguinária quadrilha dos “Irmãos Campos”; o assassinato do advogado Júlio César Serrano, em 11 de janeiro de 2005, no município de Soledade; e as degolas da arquiteta Neusa Maldaner e sua secretáriaRosane Sacomori, em9 de março de 2001, na Galeria Central, em Passo Fundo. Ou o inusitado desfecho de um crime ambiental, após nota do colunista social Roberto Gigante, quemencionavaum jantar, no Ritter Hotel,em Porto Alegre, em 1987, cujo prato principal seria um tatu na farofa, trazido de Santa Maria. O recurso provido foi de que não fosse apreendido todo o tatu, mas apenas as patas e o rabo do bicho, que acabou mesmo sendo degustado pelos comensais.


Jabs Paim Bandeira deixa lições valiosas para quem, no exercício da advocacia, por ventura, queira; seja como defensor ou como assistente à acusação, construir uma carreira como criminalista. Acima de tudo, realça o respeito que merecem as partes envolvidas, culpadas ou inocentes, uma vez que, até mesmo o mais hediondo dos criminosos, tem o direito a uma sentença justa ou, por mais cinismo que aparente, merece o direito de ser castigado para ser redimido. Que lástima, por um lado, que muitos profissionais do Direito não puderam ter sido beneficiados antes por esse legado deixado por Jabs Paim Bandeira!


Eis um livro admirável; uma vez que não se trata, como outros tantos, de apenas mais um livro escrito por um advogado criminalista. Esse volume foi construído com esmero de ourives por Jabs Paim Bandeira, ao longo dos últimos 50 anos, página a página, em cada petição, em cada recurso, em cada peça de acusação ou em cada pedido de absolvição, ao deixar patente aos leitores que, mais do que lavrava documentos ou atuava no Tribunal do Júri, ele vivenciava experiências.


CONVITE -Prestigie, nesse sábado (1º de dezembro), às 14h, na sede da Academia Passo-Fundense de Letras (Av. Brasil Oeste, 792), o lançamento do livro do advogado Luís Marcelo Algarve:DIREITOS AUTORAIS E GHOSTWRITER: O Caso “O Doce Veneno do Escorpião” à Luz das Doutrinas do Droit d’Auteur e do Copyright.




O sonho de Emily

Sexta-Feira, 09/11/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

Um dia, no rastro dos versos da velha canção escrita por Gilberto Gil, vivi a ilusão de que ser homem bastaria e, até por isso, eu, independentemente das circunstâncias, julguei que, depois de adulto, jamais choraria. Ledo engano! Houve momentos nessa vida, embora raros, que, confesso, não consegui controlar a emoção. Um desses foi há poucos dias (9 de outubro). Aconteceu durante a preparação do livro “Cultivando Talentos 2018”, que foi lançado na última terça-feira (6), às 11h, na 32ª Feira do Livro de Passo Fundo. Enquanto manuseava os originais, recebi, via WhatsApp, uma mensagem da organizadora da obra, Dilse Piccin Corteze, acompanhada de um desenho e um pedido: uma das autoras havia falecido, a mãe encontrou o desenho que ela fizera para ilustrar o texto que havia escrito, trouxe para a professora e pedia para ser publicado no livro.


A autora era Emily da Rocha Stenzel, o texto em voga chamava-se “O sonho de Lúcio” e o desenho mostrava um astronauta (uniformizado no padrão NASA) flutuando no espaço entre estrelas, planetas e um céu de coloração azulada. Desnecessário dizer, mas, por um instante, mesmo sem ter tido qualquer contato anterior com aquelas pessoas, fui tocado por aquele pedido, imaginando e sentindo a situação vivenciada por elas. E assim, parei o que estava fazendo e fui LER, de fato, aqueles textos que, até então, manipulara de forma automática e displicente; especialmente os escritos por Emily.


Emily da Rocha Stenzel era natural de Araucária, PR, e moradora de Erechim, RS. Tinha 16 anos e fazia parte da classe hospitalar Escola de Vida do HSVP. Na fotografia, que ilustra a autobiografia, aparece uma jovem sorridente e de cabeça raspada, sugerindo a doença que a acometia. Nas suas palavras, descreve-se como uma menina calma, quieta e comportada, que gostava de escutar música, assistir futebol e pescar com a família em Jacutinga. Sonhava ser fotógrafa, mas adorava estudar planetas, galáxias, observar a lua e as estrelas. Eu acrescentaria: e com talento para a escrita e para a ilustração.


O sonho de Lúcio, o texto assinado por Emily na obra, retrata bem a sua paixão pelo cosmos. Eis um excerto: “...quando abriu os olhos, estava em um lugar diferente, parecia estar dentro de um foguete. Com uma roupa de astronauta. Ele olhou ao seu redor e estava acompanhado de dois homens, chamados de Buzz Aldrin e Michael Collins. Ele ficou muito espantado! Seus companheiros estavam chamando-o de Neil Armstrong.


Lúcio, não estava entendendo o que acontecera. Então, uma contagem regressiva começou: “5...4...3...2...1...”. E, o foguete estava sendo lançado para o espaço. Lúcio, mesmo um pouco assustado, estava gostando daquilo, pois queria conhecer o espaço.”

 

A história de Emily, sem qualquer outro juízo de valor, retrata bem o papel do Projeto Identificando Talentos, que desde 2016, por meio de oficinas de criação literária e artística semanais, com foco em estudantes da rede municipal de ensino e da Escola de Vida do HSVP, que abrange pacientes do Centro Oncológico Infantojuvenil do Instituto do Câncer do HSVP, vem sendo conduzido pela Academia Passo-Fundense de Letras, com o apoio da Secretaria Municipal de Educação de Passo Fundo. Nossos respeitos e admiração a todos os envolvidos com esse projeto. Em especial, as acadêmicas Dilse Piccin Corteze (coordenadora) e Elisabeth Souza Ferreira, o professor Edemilson Brandão (Secretário Municipal de Educação), a professora Silvia Ricci (da Classe Hospitalar Escola de Vida) e Claudio Janczak (colaborador do projeto).


Um outro sonho confessado por Emily era ter um Opala. Quem sabe, numa noite dessas, se você olhar para o céu e, poeticamente, ouvir um ronco de motor, não seja ela, que ficou encantada, passeando entre as estrelas que tanto amava.


Quanto à ilustração feita por Emily, eu decidi não colocar no texto, como fora solicitado; mas sim, em homenagem à sua memória, na capa do livro “Cultivando Talentos 2018”. Prestigie esse projeto! Adquira o seu exemplar na Feira do Livro, que vai até domingo (11), no Bourbon Shopping.




Biografia da Feira do Livro de Passo Fundo

Sexta-Feira, 02/11/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

“A Feira do Livro de Passo Fundo nasceu no ano de 1977”. É assim, no convencional estilo da melhor tradição enciclopédica dos escritores de biografias, que encontrei aquela que julguei ser a maneira mais adequada de começar a contar a história da Feira do Livro de Passo Fundo, que esse ano chega a sua 32ª edição. E se há que se atribuir uma paternidade ao evento, segundo os relatos do professor Welci Nascimento, que foi testemunha ocular da história, essa deve ser dada ao professor Athanásio Orth, que, na época, ocupava a Secretária Municipal de Educação e Cultura, na administração Wolmar Salton e Firmino Duro.


Entre as metas do professor Athanásio Orth, estava a criação de uma Feira do Livro em Passo Fundo. Uma reunião com os livreiros foi convocada pelo titular da pasta municipal da educação para debater o assunto. Outras tantas aconteceram, com a participação ampliada por educadores e empresários da cidade, até que, finalmente, foi designado Welci Nascimento como coordenador da 1ª Feira do Livro de Passo Fundo, que seria realizada no final do ano de 1977, como parte das homenagens dos 20 anos da Faculdade de Educação em Passo Fundo. E assim, com o apoio do executivo municipal, que forneceu transporte para trazer livros de Porto Alegre, recursos para a construção de barracas e subsídios para a vinda de escritores, se fez, no final de 1977, a 1ª Feira do Livro de Passo Fundo, nas dependências da Praça Tamandaré, com a participação de Josué Guimarães, em sessão especial de autógrafos.
A segunda edição da nossa Feira do Livro aconteceu em 1978, dessa vez na Praça Marechal Floriano, com quatro barracas de livreiros e a presença de escritores, como Cyro Martins, autografando suas obras. A feira do Livro começava a se consolidar e o evento se repetiria nos anos seguintes, no mesmo local, até a 6ª edição, em 1982, com as presenças ilustres de Josué Guimarães, Sergio Capparelli e Jayme Caetano Braun, entre outros. Em 1982, por obra e graça do evento El Niño de 1982/83, a estrutura da feira foi abalada por um forte temporal, que trouxe prejuízos e tristes lembranças aos expositores. Algo parecido se repetiria no El Niño de 1997/98.


Entre meados dos anos 1980 e início dos anos 1990 (até 1993, especificamente) há um hiato na história da Feira do Livro de Passo Fundo. A Feira do Livro de Passo Fundo é retomada em 1993, dessa feita no pavilhão anexo à Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, sendo iniciada a tradição de escolha de patronos, cuja honraria coube à professora Tania Rösing. Desde então, sucederam-se no posto de patrono da Feira do Livro de Passo Fundo: Dalva T. M. Bisognin (1994), Antonio Kurtz Amantino (1996), Pe. Elli Benincá (1997), Neusa Rocha (1998), José Johann (1999), Mário Maestri (2000), Jaime Sirotsky (2001), Alberto da Costa e Silva (2002), Airton Lângaro Dipp (2003), Ignácio de Loyola Brandão (2004), Carlos Henrique Iotti (2005), Alcione Araújo (2006), Antonio Augusto Meirelles Duarte (2007), David Coimbra (2008), Gilberto R. Cunha (2009), Eduardo Bueno (2010), Luiz Carlos Tau Golin (2011), Carlos Urbin (2012), Paulo Monteiro (2013), Juremir Machado da Silva (2014), Jorge Alberto Salton (2015), Mariane Loch Sbeghen (2016), Luis Fernando Verissimo (2017) e Luiz Coronel (2018).


Em 1994, o evento foi para o Ginásio do Sesi, sendo realizado com o apoio dessa instituição. No ano seguinte, 1995, não foi realizada a feira, que voltou em 1996, na Praça Marechal Floriano, na Avenida General Netto, em frente à Catedral, local onde seria realizada, anualmente, até 2014. Em 2018, a 32ª Feira do Livro de Passo Fundo, com programação de 1º a 11 de novembro, como vem acontecendo desde 2015, será realizada nas dependências do Bourbon Shopping.


Na história da Feira do Livro de Passo Fundo, além da prefeitura Municipal de Passo Fundo e da Universidade de Passo Fundo, especial menção deve ser feita à Associação dos Livreiros de Passo Fundo, que, desde a sua criação, em 2008, tem assumido a coordenação e se responsabilizado pela realização desse evento.




Um brinde, Minella!

Sexta-Feira, 26/10/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

Ignoro se, em algum lugar do mundo, no meio de conversações animadas de mesa de bar, com pilhas de bolachas de chope ou de garrafas vazias enfileiradas ao redor, ou por ocasião do delicado processo de harmonização de uma comida especial com uma cerveja artesanalmente produzida com esmero de ourives, algum dia, alguém tenha lembrado de erguer um brinde aos responsáveis pela inovação da matéria-prima que é a base dessa bebida milenar: a cevada. Até porque, a maioria de nós, não faz a menor ideia de quem sejam as pessoas que, no dia a dia, se dedicam a melhorar geneticamente a planta de cevada, de cujos grãos é derivado o malte que, em última instância, é o principal ingrediente da tão apreciada bebida. De certa forma, ainda que simbolicamente, esse tipo de brinde que faltava, foi erguido pela AmBev, que, no dia 20 de outubro desse ano, concedeu a Euclydes Minella, pesquisador responsável pelo programa melhoramento genético de cevada na Embrapa, a distinção PERSONALIDADE 2018, como reconhecimento pela sua contribuição para o negócio cevada no Brasil.


Afinal, você que aprecia cervejas especiais e chopes cremosos, e, não raro, se alça ao papel de mestre-cervejeiro produzindo a sua marca própria de cerveja, sabe quem é Euclydes Minella e o que ele fez para merecer essa honorável deferência da AmBev? Muito provavelmente, não. Então, permita-nos apresentá-lo.


Euclydes Minella é engenheiro-agrônomo formado pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM (1974), cumpriu programas de mestrado (M.Sc.), na University of California/Davis (1979), e de doutorado (Ph.D.) em melhoramento genético vegetal na Cornell University (1989). Ingressou na Embrapa em 1975. Iniciou trabalhando com trigo, em Passo Fundo, e, durante breve pesagem, atuou no Cerrado, em Planaltina, DF. Mas, indiscutivelmente, foi o trabalho de Euclydes Minella, à frente do programa de melhoramento genético de cevada da Embrapa, ao primar pela criação e cultivares adaptadas ao ambiente brasileiro, com foco em produtividade elevada, resistência a doenças, tolerância a estresses abióticos e perseverar na indefectível aptidão cervejeira, que o levou a merecer a distinção de PERSONALIDADE 2018, dada pela AmBev.


O programa de melhoramento genético de cevada da Embrapa, como parte do “Programa Nacional de Auto-Suficiência (sic) de Cevada e Malte”, criado, em 1976, pelo Governo Federal, teve início em 1977. Desse trabalho, saíram as cultivares BR 1, que não alcançou padrão cervejeiro e, portanto, não chegou a ser usada em lavouras comerciais, e a BR 2, a primeira cultivar efetivamente cervejeira da Embrapa. Ao todo, Minella participou da criação de 29 cultivares de cevada, pela Embrapa, e mais nove em parceira com a AmBev. No elenco de cultivares elite, que ocuparam e ainda ocupam lugar de honra nas lavouras brasileiras: BR 2; Embrapa 43; BRS 180; BRS 195; BRS Brau; BRS Cauê; BRS Elis; BRS Sampa; BRS Manduri; e BRS Itanema.


Euclydes Minella também foi Chefe-Geral da Embrapa Trigo, entre 04/08/1990 e 10/05/1995. Nesse período, destacam-se como principais legados da sua gestão: o primeiro Plano Diretor da Unidade; a primeira norma de identidade e qualidade do trigo brasileiro; o primeiro curso de pós-graduação stricto sensu em Passo Fundo (Mestrado em Agronomia, parceria Embrapa-UPF); e o projeto METAS, que impulsionou a transferência de tecnologia para o sistema plantio direto no sul do Brasil.


O consumo de malte no Brasil, somente pelas cervejarias, é estimado em 1.300.000 toneladas por ano. Desse montante, produzimos cerca de 560.000 toneladas (43%), usando cevada nacional (40%) e importada. A produção de toda a cevada e malte que o País necessita seria possível com o cultivo de 660.000 ha, admitindo-se rendimento médio de 3 t/ha e quebra de 20%, e a duplicação da capacidade da indústria de malteação. Esses números indicam o quanto ainda nos falta para o atingimento da meta da autossuficiência planejada em 1976. Euclydes Minella permanece luta para que essa meta seja atingida. Ein Prosit, Minella!




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