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Colunistas


Agricultura em transformação

Sexta-Feira, 18/05/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

A agricultura brasileira, retratada pela experiência que transformou uma nação que, até os anos 1970, padecia de insegurança alimentar em um dos principais países produtores/exportadores de alimentos no mundo, foi destaque, essa semana (15), em evento especial organizado pelo International Food Policy Research Institute (IFPRI) e pela Embrapa, em Washington D.C./USA. O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, foi o palestrante principal do encontro e tratou, especificamente, do tema “Transformando a agricultura: experiências e insights do Brasil e além". As palestras do evento, vídeos e slides, estão disponíveis no sítio Internet do IFPRI: https://www.ifpri.org/event/transforming-agriculture-experiences-and-insights-brazil-and-beyond.


Efetivamente, a agricultura brasileira moderna começou a ser construída a partir do reconhecimento que um país, cujo território está, majoritariamente, inserido na faixa tropical do planeta, com solos ácidos e quimicamente pobres, exigia tecnologia especifica e, não raro, diferente daquelas tradicionalmente usadas em regiões de clima temperado no mundo. A opção, em 1973, pelo investimento público em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), tanto em pesquisa básica quanto aplicada, em melhoramento genético de plantas e animas, em práticas de manejo de solos, cultivos e rebanhos, paralelamente ao desenvolvimento de novos produtos e processos, transformaram a realidade da agricultura brasileira, convertendo esse setor em um dos mais importantes da economia nacional na atualidade.


O caminho trilhado, nos últimos 45 anos, não foi nada fácil, como podem aparentar os indicadores atuais de desempenho da agricultura brasileira. A primeira fase, dessa verdadeira revolução agrícola, incluiu a conversão de solos ácidos e pobres em terras férteis, com a tropicalização de cultivos e de sistemas de produção animal, sob os auspícios de políticas públicas e subsídios governamentais específicos para o setor. A soja, cujo cultivo, por exemplo, era, originalmente, restrito ao sul do Brasil, conseguiu, pelos programas brasileiros de melhoramento genético, usando genes de juvenilidade, avançar para o norte do País, conquistando, em paralelo com a correção química dos solos, boa parte do bioma Cerrado. Nesse rol de tecnologias, inclui-se a consolidação de práticas de base conservacionista, caso do sistema plantio direto e a fixação biológica de nitrogênio, que, isoladamente, representa, nos 35 milhões de hectares cultivados de soja, uma economia de gastos pelos produtores rurais da ordem de US$ 13 bilhões por ano em fertilizantes nitrogenados.


A segunda etapa dessa trajetória, acompanhando tendências mundiais, tem primado pela obediência ao paradigma da sustentabilidade. Nesse escopo, incluem-se a necessidade da observação de normas que estão positivadas em marcos legais que regulam o uso da terra, do solo, da água e da exploração da biodiversidade nacional (a exemplo do Código Florestal ora vigente no Brasil, Lei 12651, de 25 de maio de 2012). Além de outras convenções internacionais das quais o Brasil é signatário. Estima-se que 63% do território brasileiro, contabilizando 563.736.030 ha, estão, atualmente, preservados, por meio de marcos legais ou pelo tipo de uso em curso. Isso, necessariamente, leva à necessidade de intensificação da nossa agricultura, que ocupa 32,0 % das terras com cultivos e pastagens, visando à manutenção ou à elevação da produção nacional. A nova expansão de fronteira agrícola no Brasil, possivelmente, será pela recuperação das chamadas áreas de pastagens degradadas, que são estimadas em 50 milhões de hectares.


Em termos de futuro, avanços são esperados na integração de sistemas (lavoura – pecuária – floresta), na exploração da multifuncionalidade da agricultura (alimentos, fibras, energia, serviços ambientais, turismo rural, etc.) e em bioeconomia da chamada nova agricultura tropical.




O mestre da literatura comparada

Sexta-Feira, 11/05/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

A arte da compreensão das possibilidades e das impossibilidades da tradução de uma obra literária, ainda que soe demasiadamente simples, até que pode ser uma boa síntese do que se entende por literatura comparada. É isso e também um pouco mais; evidentemente. Mas, de fato, não é literatura comparada o entendimento, tão em voga em alguns cursos de Letras, em que tem sido reservado a essa disciplina o papel de apenas assegurar a leitura das ditas obras fundamentais da literatura universal para a formação dos alunos.


George Steiner, o intelectual de escol, que nasceu na França e foi educado nos EUA e na Inglaterra, é o grande mestre da literatura comparada. Quer seja nos seus livros de ensaios, nas suas críticas literárias e nos cursos que ministrou nas universidades de Cambridge, Oxford, Stanford, Princeton, Yale, Harvard, Genebra e outras mais, a temática da literatura comparada sempre se sobressaiu. Para Steiner, literatura comparada é, entre outras coisas, uma arte rigorosa e exigente de leitura. Um estilo de ouvir ou ler atos de linguagem que privilegia os componentes desses atos. E, mesmo que esses componentes não sejam negligenciados em qualquer outro modo de estudo literário, a grande diferença é que, na literatura comparada, eles são privilegiados.


Ler é comparar, resumiu George Steiner, no ensaio “O que é literatura comparada?”, que reúne o conteúdo da aula inaugural que proferiu na Universidade Oxford, em 1994. Linguisticamente falando, argumenta Steiner, apossamo-nos das palavras e fazemos uso delas tomando por base o que diferencia aquelas palavras das demais que conhecemos. E, no caso da poesia, por exemplo, o choque sobrevém quando a linguagem do poeta nos faz reconhecer algo que não sabíamos que conhecíamos. Eu, nesse ponto, sugiro uma pausa para reflexão sobre o que foi posto, antes de continuares nessa leitura apressada, prezado leitor! Reitero: reflita sobre a importância de “reconhecer algo que não sabíamos que conhecíamos”.


A primazia da leitura é o que prega Steiner. Ler, em essência, a obra, e não, ainda que muito úteis, apenas os livros de comentadores dessa obra. Todavia, apesar do que foi posto, não se pode ignorar a importância das obras dos comentadores, pois, através delas, podemos, inclusive, ser influenciados por livros que nunca lemos (mas ouvimos falar à exaustão). Ler (ou reler) os clássicos, reitera Steiner, é imprescindível, uma vez que qualquer obra sempre nos precede. Os antigos ainda (e sempre) são novidades. É impossível, por exemplo, a prática da psicanálise sem Narciso, Electra, Édipo etc.


A leitura de Shakespeare, o misterioso cânone da literatura ocidental, é considerada por George Steiner como primordial. O Bardo escrevia com tamanha espontaneidade que, incrivelmente, quase tudo que permeia o nosso dia a dia pode ser recolhido nas suas obras. Pense que Shakespeare, sem nunca ter estado naquelas cidades, criou Veneza (em O Mercador de Veneza) e Verona (em Romeu e Julieta) quando elas já existiam. Shakespeare, há quem admita, forjou a história inglesa. Os reis são de Shakespeare, as batalhas são Shakespeare, etc. O nossos ciúmes são de Otelo, as nossas senilidades são de Lear e as nossas ambições são as de Macbeth; destacou Steiner. Que entender como é possível alguém criar aquilo que já existia? Leia Shakespeare. Eis porque Aristóteles, ao ter afirmado “a poesia é mais verídica do que a história”, soa atual.


Ler, com o espirito da literatura comparada apregoado por Steiner, pode possibilitar que se chegue, inclusive, ao milagre da tradução magistral, mesmo sem qualquer conhecimento da língua original da obra. Isso é muito comum no mundo acadêmico em que, não raro, alguém se vê diante da obrigação da leitura de artigos ou livros publicados em línguas diferentes da sua. Evidentemente que, em muitos casos, a leitura é feita, não importando o idioma do texto, na língua materna do leitor. Abra um bom dicionário e tente. É só começar, você verá que é fácil!




Eliseu

Sexta-Feira, 04/05/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

Eliseu Roberto de Andrade Alves, aos 87 anos de idade, ainda cumpre, diligentemente, a rotina diária de 8 horas de trabalho, tal qual qualquer outro empregado, na sede da Embrapa, em Brasília, DF. Por que esse homem, que foi fundador e é considerado o mais importante colaborador dessa empresa, faz isso? Eis uma questão intrigante, cuja resposta pode ser encontrada no livro “Prosa com Eliseu/entrevista a Jorge Duarte”, que acaba de ser publicado na série Memória Embrapa e encontra-se disponível para download gratuito no endereço https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1090761/prosa-com-eliseu-entrevista-a-jorge-duarte 

Após muitas horas de conversação com o Dr. Eliseu Alves, o jornalista Jorge Duarte conseguiu traçar, mais do que um retrato da vida pessoal e profissional do entrevistado, uma breve história do papel da extensão rural e da pesquisa agrícola no desenvolvimento do Brasil. E, mais relevante, apontou, na visão de um gestor e cientista singular, os rumos a serem seguidos se quisermos ir um pouco mais além.

 

Eliseu Alves nasceu em São João Del Rei, em Minas Gerais, mas foi criado na fazenda do avô, no município vizinho de Itutinga, onde viveria até os nove anos. Depois, até o ingresso, em 1951, com a 1ª colocação, na Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (atual Universidade Federal de Viçosa), passou 11 anos em colégios internos, começando pelo Ginásio Gammon, de orientação presbiteriana, onde consolidou a religiosidade e a fé em Deus, que são professadas até hoje.


A carreira de Eliseu Alves teve início na extensão rural. Ingressou, em 1955, na Acar MG (atual Emater-MG), um marco da extensão rural no Brasil, criada em 1948, sob os auspícios financeiros do empresário americano Nelson Rockefeller. Em 1965, casado com uma prima, Dona Eloisa, e pai de dois filhos, Edilberto (morto aos 33 anos, em 1995, num acidente de carro) e Elisabete, vai para os EUA cumprir programa de mestrado e doutorado em Economia Agrícola, sob a orientação do professor Edward Schuh, na Purdue University, em Indiana. Voltou ao Brasil em 1968, com uma dissertação de mestrado cuja conclusão fora de que não havia diferença no desenvolvimento da agricultura entre municípios assistidos e não assistidos pela extensão rural em Minas Gerais. Aqui estava o insight que o levaria a repensar a extensão rural brasileira e qual o novo tipo de pesquisa agrícola que o País necessitava. Por isso, Eliseu Alves costuma enaltecer mais a sua dissertação de mestrado do que a tese de doutorado, cujo título de Ph.D. foi obtido, também pela Purdue University, em 1972.


Eliseu Alves, que fez parte da primeira diretoria da Embrapa e, como seu segundo presidente (1979-1985), foi quem consolidou o novo modelo de pesquisa no País, não hesita afirmar que a agricultura brasileira moderna começou, de fato, em 1973, quando da criação dessa empresa, e, paralelamente, com os avanços de conhecimento obtidos nos cursos de pós-graduação em ciências agrárias no Brasil. O foco na solução dos problemas dos agricultores, a sistematização do conhecimento, a ênfase na capacitação dos cientistas e em comunicação de resultados levaram, por um lado, a um reconhecido programa de distribuição de renda (crescimento da economia e queda nos preços dos alimentos), e, por outro, ao aumento da desigualdade no campo, uma vez que, pelas imperfeições de mercado, cerca de 3,9 milhões de estabelecimentos rurais no País (pelos dados do censo de 2006, podendo piorar quando da divulgação do novo censo) ficaram à margem da modernização da nossa agricultura. Eis o desafio, como incorporar esses agricultores de forma competitiva nesse processo, em que, cada vez mais, na chamada produtividade total dos fatores, os clássicos “terra e trabalho” perdem força diante do “capital/inovação tecnológica”.


Quanto aos motivos de por que o Dr. Eliseu Alves, aos 87 anos, ainda continua trabalhando na Embrapa, eis a resposta dele: “a Embrapa é a maior ideia na qual me engajei de corpo e alma e trabalho por obrigação com a sociedade”.




Dr. Anunciação & Mr. Cunha

Sexta-Feira, 27/04/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

Uma das obras mais conhecidas de Robert Louis Stevenson (1850-1894), o habilidoso contador de histórias e grande mestre da literatura universal que se destacou por retratar, como poucos, a dualidade da natureza humana, é o romance o “Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde” (O estranho caso do Dr Jekyll e do Sr. Hyde), de 1886, que, em algumas edições brasileiras e nas versões cinematográficas, recebeu o sugestivo título de “O médico e o monstro”. Pois, foi travestindo-se de Robert Louis Stevenson, que a equipe da redação de O NACIONAL, na edição do último final de semana (21 e 22 de abril de 2018), ao manter o espelho da página 4 do dia anterior (20 de abril de 2018) e trocar conteúdo, mas não a assinatura do colunista, conseguiu, tal qual a poção que transformava o Dr. Henry Jekyll no abominável Sr. Edward Hyde, transmutar o Dr. Jorge Anunciação no Sr. Gilberto Cunha.


A coluna que NÃO escrevi e cujo engano foi desfeito na edição de O NACIONAL da última terça-feira (24/04/2018), se chamava “Viracopos”. Na primeira percepção, ao me deparar, na manhã e sábado, com o equívoco de diagramação, foi de que não havia dúvida que aquele texto tinha o traço inconfundível da lavra do Dr. Jorge Anunciação e não do Sr. Gilberto Cunha. Qualquer leitor, facilmente, perceberia isso. Mas, não foi o que aconteceu. Recebi, pessoalmente, por e-mail e pelo WhatsApp, mensagens de congratulações e críticas também, pela aludida coluna. Coisas como: “finalmente aprendeu a escrever um texto inteligível”, “texto corajoso e arrojado e que efetivamente contribui para a aldeia”, “tu sabes que receberás pedradas dos teus amigos burgueses da sociedade passo-fundense”, “todos deveriam ler para tomar consciência que a cidade não está querendo progredir”, “belíssimo texto. Tomara Deus que tenha reflexos nessa sociedade retrógrada de Passo Fundo”, “após ler sua coluna de hoje no Jornal O Nacional, gostaria de parabenizá-lo pelo excelente comentário que nos trouxe a memória da história de Passo Fundo”, e por aí afora, além do elogio e incentivo à leitura do texto, no domingo pela manhã, no programa Cotações e Mercado, pela rádio Uirapuru.
Nesse ponto eu me ponho a parafrasear Lupicínio Rodrigues: “Eu agradeço estas homenagens que vocês me fazem/Pelas bobagens e coisas bonitas que dizem que eu fiz/Receber os presentes, isto eu não tenho coragem/Vão entregá-los a quem de direito deve ser feliz”. Nesse caso, é o que faço agora, direcionando-os ao Dr. Jorge Anunciação.


Entre o Dr. Anunciação e o Sr. Cunha, há coisas comuns e diferenças perceptíveis. Anunciação e Cunha regulam na idade (ao redor de 60 anos). Ambos não são de Passo Fundo e escolheram essa cidade para viver, constituir família e, talvez, morrer. O Dr. Anunciação nasceu em Cruz Alta e veio para cá criança, trazido pelos pais. O Sr. Cunha, natural de Porto Alegre, chegou aqui adulto, em 1989, motivado por um edital de emprego, e nunca mais saiu. O Dr. Anunciação queria ser engenheiro florestal pela UFSM e virou médico pela UPF. O Sr. Cunha queria ser físico nuclear e virou engenheiro-agrônomo pela UFRGS. O Dr. Anunciação, assumidamente, professa a filosofia da doutrina Espirita. O Sr. Cunha, apesar de ter optado por Darwin na disputa com o Criador, mantem-se respeitoso para com os costumes e rituais da Igreja Católica. O Dr. Anunciação, acima de tudo, em sua coluna, é um teclador de emoções e cronista da memória afetiva local, e o Sr. Cunha, na dele, um analista racional de ideias de outros. Todavia, há indícios que compartilham as mesmas preferências literária, não sendo raras citações dos mesmos autores e títulos de livros.
Por fim, cabe dizer que a obra de Stevenson tem sido levada às telas dos cinemas, sem observar que, idealmente, os dois personagens seriam mais bem representados se usados atores distintos, para que, no final, sobrevenha a surpresa da descoberta que o Dr. Jekyll é o Sr. Hyde. Nesse caso, a equipe de ONACIONAL inovou, ao revelar que, na coluna Viracopos, o Sr. Cunha, da edição de sábado (21 e 22 de abril de 2018), era o Dr. Anunciação.




Os cientistas e o imaginário popular

Sexta-Feira, 20/04/2018 às 06:00, por Gilberto Cunha

No imaginário popular, o retrato de um cientista, quando publicamente projetado, corresponde a uma figura masculina, quase sempre idosa e, não raro, carregada com traços de excentricidade. Um modelo tipo Albert Einstein na fase final da carreira, com cabelos desalinhados, roupas amarrotadas, esbanjando simpatia, expondo a língua para os fotógrafos, disparando aforismos inteligentes e denotando preocupação com as grandes causas sociais afetas à atividade científica.


Einstein forjou, em especial na mente das gerações mais antigas, essa imagem do cientista puro e sem preocupações aparentes com a ciência aplicada. Mas, essa imagem idealizada de cientista, não necessariamente corresponde à realidade da comunidade científica. Se é que algum dia correspondeu! Inclusive, em certos aspectos, serviu para ofuscar e menosprezar a criatividade necessária nas ciências aplicadas de base tecnológica. Apenas pela via do pensamento, sem a experimentação aplicada, é improvável que tivéssemos ido muito mais além de onde Aristóteles já havia chegado.


Na atualidade, talvez, entre os jovens, a imagem que prevaleça de um cientista seja o protótipo de um nerd do universo geek. São exemplos, que destoam da imagem de Einstein, os personagens do seriado da televisão americana The Big Bang Theory. O físico teórico Sheldon Cooper e o físico experimental Leonard Hofstadter e os seus amigos Howard Wolowitz, o engenheiro aeroespacial, e o astrofísico Rajesh Koothrappali, vivendo, na ficção frise-se, o dia a dia do Instituto de Tecnologia da Califórnia - Caltech, em Pasadena/EUA, serviriam (e provavelmente servem) de modelos. Nesse meio, onde predomina gente com intelecto avantajado e socialmente desajeitadas, aficionada por videogames e por coleções de estatuetas (action figures) de Star Wars e Cavaleiros do Zodíaco, imagina-se, serão gestadas as grandes inovações teóricas e tecnológicas que ainda estão por vir. No presente, já usamos, sem nos darmos por conta, muitas delas nos gadgets eletrônicos (smartphnes, tablets, chromecasts, etc.) que permeiam o nosso dia a dia.


Se você não faz parte desse universo paralelo, não se esforce muito para entender e muito menos ouse julgar os comportamentos nerds. Você, simplesmente, não é parte do universo geek e ponto; ainda que desfrute de muitas benesses derivadas dele. Por isso, não os condene com tanta veemência. Apenas para exemplificar, sobre um conhecido nerd local, que ora está cumprindo programa de doutorado numa universidade inglesa, reza a lenda, que, de tão aficionado pelas action figures dos Cavaleiros do Zodíaco, chegou ao ponto de despedir a diarista porque após tirar o pó das estatuetas ela não conseguiu mais recompor a posição original de uma cena antológica dos cinco guerreiros que defendem a reencarnação da deusa Atena. Um crime hediondo!


A literatura e as artes de maneira geral têm sido responsáveis por construir, na imaginação das pessoas, uma idealização de cientistas, que, não raro, mais se aproxima de gênios do mal do que qualquer outra coisa. Esses personagens, representados por homens e mulheres de QIs elevados e moral duvidosa, se persuadidos a deixarem os seus laboratórios, tirarem os óculos de aros grossos e os jalecos manchados de sangue e deitarem no divã de um psicanalista, muito provavelmente, sairiam com o diagnostico de transtornos de desordem mental de toda sorte.


Há, no mundo das artes, uma galeria de cientistas malucos, cujo ingresso é garantido por indicadores de genialidade e insanidade. Em geral, são pessoas/personagens que não pensam pequeno, uma vez que conquistar o mundo é o mínimo que almejam. São uma mistura de personalidade narcisista, comportamento antissocial e incapacidade para sentir remorsos e demonstrar empatia.

 

Dr. Evil, Dr. Julius No, Professor Calculus, Lex Luthor, Dr. Frankenstein e Dr. Henry Jekyll são meros personagens do mundo da ficção. Mas, há... e esses FDPs, infelizmente, são de carne e osso.




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