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Colunistas


As plantas e o clima

Sexta-Feira, 21/07/2017 às 07:00, por Gilberto Cunha

Não seria surpresa para ninguém e nem se poderia falar em algo inédito, que dois professores titulares da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), depois de quatro décadas dedicadas ao ensino, na graduação e na pós-graduação, um certo dia, resolvessem, figurativamente, ditar testamento, escrevendo um livro sobre tópicos das suas especialidades. Foi o que fizeram Homero Bergamaschi e João Ito Bergonci, com a obra AS PLANTAS E O CLIMA – Princípios e Aplicações, que se configura como um legado valioso deixado por esses exímios professores às futuras gerações de estudantes.

A escritura de um livro como AS PLANTAS E O CLIMA – Princípios e Aplicações, ainda que não aparente, exige que se tenha experiência em ensino (didática forjada na pratica em sala de aula), pesquisa (geração de conhecimento inédito) e extensão (transferência de tecnologia) por parte de quem se aventurar a tamanha empreitada. Em obras desse vulto, não basta compilar informações de outras fontes, apresentar teorias ou comentar exemplos e estudos de caso, como sói acontecer com muitos livros que são indicados como textos de referência por alguns professores universitários sem a menor análise crítica que dê sustentação a essa recomendação. A realidade das coisas tem que ser mostrada como ela é, mas de forma clara, inteligente e compreensível, como fizeram Homero Bergamaschi e João Ito Bergonci, para que o leitor, tendo o entendimento de temas complexos facilitado, possa se sentir um “gênio” e não um “perfeito idiota”, incapaz de qualquer apreensão do que está lendo.

Há, sim, lugar de honra, reservado nos catálogos de editoras e nas prateleiras de estudantes e de profissionais das ciências agrárias, biológicas, atmosféricas e ambientais, para obras como AS PLANTAS E O CLIMA – Princípios e Aplicações. E os motivos para isso são muitos: informação de qualidade e com origem conhecida reunida em um único volume; exemplos e aplicações relacionados com a realidade brasileira; excelência dos autores que lhes é conferida pela vasta experiência em ensino, pesquisa e extensão; e, na minha visão, o lado mais nobre desse livro, que reside no desprendimento dos professores Homero Bergamaschi e João Ito Bergonci, ao sistematizarem e tornarem público o melhor do seu conhecimento, e, com isso, ainda que indiretamente, dando continuidade ad aeternum ao exercício da nobre missão de professores que um dia abraçaram na UFRGS.

É Importante frisar, que o colunista, que teve o privilégio de assinar o prefácio da obra, conhece os autores do livro AS PLANTAS E O CLIMA – Princípios e Aplicações, Homero Bergamaschi e João Ito Bergonci, desde há muito tempo. Mas, isso não significa o endosso incondicional a essa obra, sem qualquer análise crítica dos conteúdos e dos autores, tanto nos aspectos profissionais quanto pessoais. Por exemplo, conheci Homero Bergamaschi nos idos de 1978, quando ele, paralelamente, exercia os cargos de professor na Faculdade de Agronomia da UFRGS e de pesquisador no antigo Instituto de Pesquisas Agronômicas (IPAGRO); instituição e ano que o colunista começou a sua carreira profissional. Depois, tive o privilégio de ser seu orientado, Mestrado (1986-1988) e Doutorado (1988-1991) em Agrometeorologia, na Faculdade de Agronomia da UFGRS. Então, não é sem razão, que, pela proximidade, com o profissional, o professor, o orientador e o ser humano Homero Bergamaschi, posso, sem hesitar, dar o meu aval à qualidade desse livro, pois, nos últimos 38 anos, vi, e bem de perto, o esmero com que, diuturnamente, boa parte dessa obra foi sendo construída.

A obra, AS PLANTAS E O CLIMA – Princípios e Aplicações, é uma projeção da imagem pessoal e profissional de Homero Bergamaschi e João Ito Bergonci materializada na forma de textos, figuras, fotografias e tabelas. E isso, por si só, é, de antemão, um selo de qualidade. O livro, publicado pela Agrolivros, pode ser adquirido no site da editora: http://www.agrolivros.com.br/




Carlos Gayer, O Pioneiro

Sexta-Feira, 14/07/2017 às 08:00, por Gilberto Cunha

Carlos Gayer nasceu no território da atual República Tcheca. Era engenheiro-agrônomo e começou a trabalhar com seleção de plantas de trigo e de outros cereais de inverno na sua terra natal, por volta de 1902. Chegou ao nosso País em 1913 e se tornou referência obrigatória como "O Pioneiro", quando o assunto é a história da pesquisa em melhoramento genético de trigo no Brasil.

Em 1909 foi criado o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio brasileiro. Apesar da alta rotatividade dos ocupantes desta pasta, nos primeiros 15 anos foram 16 ministros, teve início um grande esforço governamental para tentar resolver de vez o problema da produção nacional de trigo. E foi nesta época e ambiente que Carlos Gayer veio parar por aqui. Começou trabalhando no Paraná, depois no Rio Grande do Sul e, após 1925, se radicou em São Paulo.

O então deputado federal pelo Rio Grande do Sul, Ildefonso Simões Lopes, em 1918, ao dar um parecer sobe o orçamento do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio da época, praticamente traçou um plano para a solução do problema nacional da produção de trigo. Um ano depois, quando passou a ocupar o cargo de Ministro da Agricultura, ele pode por em prática alguns projetos do referido plano. Começando pela fundação das primeiras estações experimentais e de seleção de sementes de trigo, em 1919. No caso: Ponta Grossa no Paraná e Alfredo Chaves (atualmente Veranópolis) no Rio Grande do Sul.

Carlos Gayer foi encarregado da organização e da direção técnica da Estação Experimental de Alfredo Chaves. Junto com ele vieram seus três irmãos: dois engenheiros-agrônomos e um engenheiro mecânico. Os irmãos Gayer trabalharam na referida estação experimental durante cinco anos, entre 1920 e 1924.

Para observar a adaptabilidade às condições de clima e solo do Sul do Brasil, Gayer trouxe para Alfredo Chaves trigos de diversas partes do mundo. Também selecionou trigos nas lavouras dos imigrantes italianos, que cultivavam este cereal na região. De imediato constatou a falta de uniformidade dos trigos plantados na zona colonial. Configuravam-se em misturas de variedades, que ele logo tratou de identificar, separar e purificar.

Atribui-se como o maior mérito do trabalho desenvolvido por Carlos Gayer em Alfredo Chaves o fato de ter reunido as variedades antigas cultivadas na zona colonial e separando-as em linhagens puras. Estas linhagens, conhecidas como linhas Alfredo Chaves, serviram de base para a criação de muitas variedades de trigo que obtiveram êxito no Brasil e até mesmo no exterior. Ele defendia o princípio de que estas variedades, as quais chamou de "indígenas", deveriam ser o ponto de partida da seleção, bem como o material utilizado em futuros cruzamentos. E de fato isto aconteceu, em 1925, com a vinda para Alfredo Chaves do geneticista sueco Iwar Beckman, contratado pelo governo brasileiro com base na indicação feita pelo professor Herman Nilsson-Ehle do renomado Instituto Svalöf da Suécia.

Quando deixou a estação de Alfredo Chaves, em 1924, Carlos Gayer apresentou um relatório contendo os resultados dos cinco anos de trabalho, 1920 a 1924. Neste, fez uma descrição detalhada de 160 variedades de trigo, de 32 tipos de cevada, de 10 variedades de aveia e de 2 centeios selecionados naquela estação experimental.

Carlos Gayer e seus irmãos se mudaram para Itapetininga, São Paulo, em 1925. Tinham por missão fundar uma estação experimental e de seleção de sementes anexa à fazenda modelo "Marianov". Na estação de Itapetininga, Carlos Gayer trabalhou de 1925 a 1930. Depois passou para o Departamento de Fomento da Produção Vegetal, Seção de Cereais e Diversos, da Secretária da Agricultura, Indústria e Comércio do Estado de São Paulo. Neste Departamento, incentivou o cultivo de trigo e de outros cereais de inverno em São Paulo, escrevendo diversos textos sobre instruções práticas de cultivo. Baseando-se na sua experiência no Sul do Brasil, 1913 a 1924, e em Itapetininga, 1925 a 1930, foi sempre um entusiasta da cultura de trigo no Brasil.




O Pai do Trigo no Brasil

Sexta-Feira, 07/07/2017 às 08:00, por Gilberto Cunha

Sem Iwar Beckman, não existiria o cultivo comercial de trigo no Brasil (pelo menos, não nos moldes que conhecemos atualmente). Eis uma afirmação que pode soar desmesurada, mas que, de forma nenhuma, é de toda destituída de verdade. Basta atentarmos para “o que era” e “o que virou” o cultivo desse cereal em terras brasileiras, desde que esse cientista de naturalidade sueca começou a trabalhar no nosso País, a partir dos anos 1920. E como ele fez isso? É o que podemos descobrir lendo o livro Iwar Beckman, O Pai do Trigo no Brasil.

Iwar Beckman foi quem, no Brasil, efetivamente, colocou Mendel a serviço dos agricultores. Ele, que, na Universidade de Lund, na Suécia, havia estudado e trabalhado com Nilson-Ehle, um dos pioneiros da genética quantitativa, trouxe para os campos brasileiros a redescoberta das Leis de Mendel. Isso mesmo, Mendel entrou no melhoramento genético de trigo no Brasil, em 1925, por intermédio de Beckman. Nesse ano, recém-chegado no País (1924), na antiga Estação de Seleção de Sementes de Alfredo Chaves (Veranópolis/RS), Iwar Beckman realizou o primeiro cruzamento artificial, documentado, em trigo no Brasil: linhagem Alfredo Chaves 6 x trigo Polysú. Surgia aí, pelas variedades oriundas desse cruzamento, a base genética do que podemos chamar de trigos genuinamente brasileiros. A partir de Beckman, a triticultura brasileira não seria mais a mesma. E, a revolução, de fato, viria com a obra prima, o trigo Frontana, lançado em 1940. Frontana foi inovador, pelo ciclo (mais curto), pelo porte (mais baixo), pela resistência a doenças (ferrugens, especialmente), pela tolerância à acidez do solo, pela adaptação ampla, pela qualidade tecnológica (baixa sensibilidade à germinação na espiga), etc. Eis porque ouso afirmar que a história da triticultura brasileira pode ser dividida em a.F. (antes de Frontana) e d.F. (depois de Frontana) ou, se preferirem, em a.B. (antes de Beckman) e d.B. (depois de Beckman).

O esforço de Iwar Beckmam em promover o desenvolvimento do cultivo de trigo no Brasil, todavia, não se limitou ao campo tecnológico (fitotécnico e genético, por exemplo). Ele foi muito além. Quer seja assessorando politicamente governantes, redigindo planos para o fomento do cultivo desse cereal, dando palestra sobre a importância e como bem conduzir as lavouras, escrevendo artigos de opinião ou pela participação ativa em encontros de natureza técnica e cientifica, tanto no País quanto no exterior. Não raras vezes, atuou como diplomata, colocando Bagé, aos olhos do mundo, como um centro de excelência em produção de ciência e tecnologia em trigo.

Aqueles que já admiravam Iwar Beckman pelos seus feitos em prol do desenvolvimento do trigo no Brasil, e eu estou certo disso, depois de lerem o livro Iwar Beckman, O Pai do Trigo no Brasil, o admirarão muito mais. E, os mais jovens na ciência do trigo, que ainda não haviam ouvido falar dele ou, por ventura, desconheciam a importância dos seus feitos, terão, a partir de agora, à disposição, um verdadeiro guia de como produzir ciência de qualidade e com relevância social. Indubitavelmente, não podemos deixar de render nossos respeitos a um homem, que dominava pelo menos oito idiomas (sueco, inglês, alemão, holandês, italiano, francês, espanhol e português), cujos textos, em língua portuguesa, sobre trigo, são tão bem ou até melhores escritos, inclusive, do que os de seus pares brasileiros.

Louvamos a iniciativa dos familiares do insigne geneticista Iwar Beckman, no que toca à produção e publicação do livro Iwar Beckman, O Pai do Trigo no Brasil, passados 46 anos da sua morte, ocorrida em 15 de março de 1971. Apesar de alguns textos esparsos, não havia, até então, nenhuma biografia de Iwar Beckman tão completa quanto essa e que, efetivamente, fizesse justiça ao seu legado. Parabéns Heloísa Beckman e colaboradores!

Os interessados na aquisição desse livro (R$ 40,00) podem fazer contato com Heloisa Beckman, pelo e-mail heloisabeckman@hotmail.com ou via o telefone (0xx53)999999956.




Centenário do CECAT

Sexta-Feira, 30/06/2017 às 08:00, por Gilberto Cunha

Edegar da Silva, técnico agrícola e jornalista, escreveu o livro “Centenário do CECAT”. A obra, recentemente lançada com o apoio da Associação dos Ex-Alunos da Escola Técnica de Agricultura, a ETA, conta a história, desde a fundação até os dias atuais, do Centro dos Estudantes dos Cursos Agro-Técnicos (CECAT) do famoso educandário agrícola de Viamão.

Em 58 páginas, Edegar da Silva reprisou, detalhadamente e com farta documentação fotográfica, a trajetória de um século da agremiação. No que tange às origens do CECAT, usou como referencia o livro magistral do professor Mozart Pereira Soares, publicado em 1997 (ETA: Escola Técnica de Agricultura João Simplício Alves de Carvalho. Porto Alegre: AGE, 1997, 218 p.). Mas, revestiu-se de originalidade e assumiu papel de fonte primária, a partir da documentação do processo de reconstrução da sede do centro estudantil, que foi entregue remodelada em 25 de setembro de 2016 (no marco das comemorações dos 100 anos da instituição, cumpridos em 28 de setembro de 2016) e, especialmente, pelo relato feito do episódio de intervenção no CECAT, ocorrido em abril 1971.

Eram tempos difíceis os anos 1970. Ocupava a direção da escola o professor José Wilson Pacheco de Souza, o “Tio Virso”; como era chamado, discretamente e, até, digamos, de forma carinhosa, pelos alunos. A partir de um embate, que começou no ano anterior, entre os alunos, que se diziam injustamente acusados de mordomias pelo Tio Virso, por receberem bolsas de estudo pagas pelo Governo do Estado, deu-se o imbróglio. A direção do CECAT cobrou esclarecimentos. A direção da ETA foi insensível ao apelo. Chegou o final do ano e uma Nota Oficial de Esclarecimento, assinada pelo presidente do CECAT, Belo Faustino dos Santos, e pelo secretário-geral, Sérgio Santini, foi publicada na prestimosa coluna Hilário Honório, de responsabilidade jornalista Adail Borges Fortes da Silva, no jornal Folha da Tarde, da Cia. Jornalística Caldas Júnior, de Porto Alegre. Paralelamente, os estudantes decidiram que não efetivariam matrícula, sem a retratação da direção da ETA. E assim se deu. Em 1971, na volta das férias, todos os alunos, com exceção de um, se postaram na frente da Secretaria da Escola. O diretor ameaçou os estudantes com a Lei de Segurança Nacional. O temido DOPS foi chamado. O presidente e o secretário-geral do CECAT fugiram e foram se abrigar na sede da UGES – União Gaúcha dos Estudantes Secundários, em Porto Alegre. Três meses depois foram eleitos presidente e diretor da UGES.

O episódio não acabou bem para diretoria do CECAT, pois, além da expulsão da escola do presidente, Belo Faustino dos Santos, e do secretário-geral, Sérgio Santini, toda a equipe foi deposta e empossada uma diretoria tampão, indicada pela direção da ETA, em abril de 1971. Edegar da Silva, o autor do livro, na ocasião era o diretor do Departamento de Imprensa e Publicidade do CECAT. Foi ele que levou o manifesto dos estudantes até Porto Alegre e entregou ao jornalista Adail Borges Fortes da Silva, que publicou na influente coluna política que assinava sob o pseudônimo Hilário Honório, na Folha da Tarde. Impedido de participar de qualquer atividade politica estudantil, Edegar da Silva foi eleito presidente da Cooperativa Mixta dos Estudantes da ETA. Mas, esse caso, também não terminaria bem para a direção da ETA. As repercussões do ocorrido, a partir da Folha da Tarde, o exagero do enquadramento do episódio como ato subversivo, atestando bem o clima vivido no Brasil dos anos 1970, após novas averiguações, levaram à substituição do diretor José Wilson Pacheco de Souza.

Edegar da Silva, ao escrever esse livro, fez cumprir a máxima “liberdade e responsabilidade”; usada pelo professor Mozart Pereira Soares, em 1997, para sintetizar a origem, a evolução e a finalidade do Centro dos Estudantes dos Cursos Agro-Técnicos (CECAT) da Escola Técnica de Agricultura (ETA), de Viamão/RS. Interessados na obra: associacao.aeta@gmail.com.




Coleção de palavras

Sexta-Feira, 23/06/2017 às 08:00, por Gilberto Cunha

Coleção de Palavras, eis um título irretocável e “aparentemente adequado” para um livro de poemas. Friso o “aparentemente adequado” e faço um convite à reflexão: seria COLEÇÃO DE PALAVRAS uma boa definição de poema? Não, indubitavelmente não! Ainda assim, esse título do novo livro de Pedro Du Bois, em minha opinião, continua merecedor do epiteto irretocável e adequado. Por quê? Tentar responder a essa indagação é a intenção do colunista, que , por especial deferência do autor, foi agraciado com o convite  para assinar o prefácio dessa obra. Oxalá isso aconteça!

Um verdadeiro poema não é uma mera coleção de palavras, embora as palavras sejam a matéria-prima que os POETAS usam para tecer versos. As palavras são apenas símbolos. Nada mais que símbolos, não raros mortos, quando isoladas ou, em certos casos, até mesmo incrustradas em versos bem rimados. A revelação da poesia oculta nas palavras usadas em versos é o trabalho que compete ao POETA.

O POETA não é um colecionador de palavras. Talvez essa seja uma boa definição para um dicionarista. O POETA, antes de tudo, é um colecionador de emoções. O verdadeiro POETA consegue expressar de formar singular e cabal, ao tocar na emotividade do leitor, aquilo que muito tentaram por outros meios, inclusive usando palavras, mas não conseguiram. As emoções estão escondidas nas palavras. E o dever do POETA é encontrá-las e deixá-las a descoberto, disponíveis aos olhos do leitor. Quando isso acontece, a verdadeira poesia é produzida e não apenas mais um poema.

Ninguém consegue ser POETA o tempo todo e nem todos os versos que produz virarão necessariamente poesia. Até porque isso não depende apenas do POETA, por mais hábil que ele seja. Para cada poema produzido, é travada uma espécie de diálogo intimo entre o POETA e o LEITOR, cujos versos ganham sentido não pelo significado das palavras, mas pela imaginação e pelas emoções que suscitam. Assim, para alguns leitores um poema pode não passar de uma coleção de palavras e para outros ganhar o status de coleção de emoções.

Pedro Du Bois é um singular versejador e POETA profícuo, como bem atesta a sua vasta produção literária. É um menestrel do verso livre. E nesse novo livro, COLEÇÃO DE PALAVRAS, ele mantem a tradição de produzir boa poesia, ao transformar, majoritariamente, uma coleção de palavras (poemas) em uma coleção de emoções (poesia). Com isso, justifica que, se a um prosador ficcionista basta ter fidelidade com a imaginação, ao POETA cabe ser fiel com a emoção. E Pedro Du Bois, em COLEÇÃO DE PALAVRAS, não ignora e nem deixa de lado essa obrigação do POETA. Pelo contrário, leva-a a sério ao extremo.

Por último, cumpre a esse colunista o dever de honestidade com os futuros leitores: há poemas (coleção de palavras) e muita poesia (coleção e emoções) nesse livro, como, aliás, frise-se isso, sói acontecer em todo livro de poemas. Cada leitor, assim como eu fui, será tocado de forma diferente na sua emotividade pelos versos de Pedro Du Bois. Eu, entre tantos, à guisa de exemplo apenas, destaco como os meus versos preferidos os do poema ERRO:  “Recebo a encomenda não solicitada: abro a embalagem e surpreso encontro o objeto sonhado/ Comunico a não devolução do fato e a sua apropriação indébita: sou indevido proprietário.”  Que cada leitor pegue o seu significado para esses versos, que certamente será diferente do meu. E isso é poesia! Isso é emoção!

Que você, prezado leitor, encontre mais emoções do que palavras, nessa coleção de poemas de Pedro Du Bois. É o meu desejo!

E como bem frisou Pedro Du Bois, justificando a publicação do livro: “poucas oportunidades tem o poeta para expor seus versos”. Razão pela qual, antecipam-se agradecimentos.

O livro foi publicado com a chancela do Projeto Passo Fundo de Apoio à Cultura (http://www.projetopassofundo.com.br/) e pode ser adquirido na Delta Livraria e Papelaria, em Passo Fundo.




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