Agricultura inteligente
A necessidade de enfrentamento da mudança do clima global, que é vista como uma real ameaça à segurança alimentar no mundo, levou, no âmbito da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), ao desenvolvimento de uma proposta de agricultura climaticamente inteligente (Climate-smart agriculture). Nela estão contempladas políticas, práticas e financiamento para a segurança alimentar, adaptação e mitigação, visando à construção de uma nova agricultura que consiga promover, ao mesmo tempo, o aumento da produtividade, a resiliência dos sistemas agrícolas (adaptação), a redução/remoção dos gases de estufa (mitigação), a segurança alimentar das nações e o fim da miséria no mundo. É evidente que essa agricultura idealizada como mais produtiva e resiliente vai depender muito da inovação tecnológica em manejo sustentável de cultivos e de recursos naturais, integrando, cada vez mais, no processo produtivo, as novas práticas de agroecologia e a incorporação na população da filosofia de dietas alimentares conscientes.
Repensando os doutores
Um interessante artigo sobre a formação de doutores (PhDs) nos EUA, cujas nuanças, guardadas certas proporções, também se aplicam à realidade brasileira, foi publicado na revista Nature (volume 472, edição de 21 de abril de 2011, p. 280-282). O texto, até quanto eu possa opinar com certo conhecimento de causa, embasado na experiência brasileira e no exercício profissional como pesquisador científico da Embrapa, é realista e, de certa forma, cruel com os egressos dos cursos de pós-graduação. Afirma algo que é facilmente perceptível, mas que nem todo mundo tem a coragem de dizer, que as Universidades formam doutores que almejam, antes de qualquer coisa, uma carreira acadêmica. Uns, pela competência e um pouco de sorte, alcançam esse objetivo. Outros, com a proliferação de curso de pós-graduação de qualidade duvidosa e o acirramento da competição pelos melhores postos de trabalho, vivem como eternos pós-doutores, cumprindo cotas de bolsas em projetos com prazos finitos, tantos nos EUA quanto aqui, ou abandonam a carreira científica por alternativas de trabalho mais seguras. No caso brasileiro, basta atentarmos para o diagnóstico do baixo índice de empregabilidade de doutores nas empresas nacionais. Por que é assim?
Triste realidade
Embora existam muitas exceções, também é fato que alguns dos egressos dos cursos de pós-graduação, especialmente os doutores, apresentam, conforme bem diagnostica o já referido artigo da Nature, sérias dificuldades para trabalho em equipe, até por ser o ambiente da academia marcado pela competição, e falta de pragmatismos no cumprimento de metas. Duas coisas, especialmente no tocante a metas, que são muito valorizadas no mundo empresarial. A linha de montagem de doutores em série tem colocado no mercado alguns profissionais sem autonomia, que seja por deficiências na formação básica ou por outro motivo qualquer, para a condução de pesquisa científica e, consequentemente, gerar o que se entende por inovação. São profissionais, que, sem motivo aparente, não conseguem se libertar da tutela do orientador e nem do fantasma da tese, que repetem a exaustão..
Além do método científico, também é relevante, para a absorção de doutores no ambiente empresarial, que esse profissional, ainda que super-especializado em determinada área do conhecimento, consiga elaborar plano de negócios, conversar com leigos, fazer gestão da inovação, lidar com instrumentos de propriedade intelectual e cumprir metas, por exemplo.
Novos tempos
Nem tudo é criticável no universo da pós-graduação, tanto nos EUA quanto no Brasil. No nosso País, em especial, merecem elogios as iniciativas dos chamados doutorados-sanduíche, apoiados pela Capes e pelo CNPq, em que o estudante cumpre parte de seu doutoramento em uma instituição no exterior. Ainda carecem da avaliação de resultados os programas PSM (Professional Science Master’s), que surgiram nos EUA, sendo ofertados no Brasil sob a denominação de Mestrados Profissionalizantes.
Adaptation and Mitigation Policies, Practices and Financing for Food Security, Adaptation and Mitigation
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