Trinta anos sem Elis Regina
Quinta-Feira, 12/01/2012 por José Ernani de Almeida

No próximo dia 19 serão lembrados os 30 anos da morte de Elis Regina, considerada por muitos críticos e outros músicos como a melhor cantora brasileira de todos os tempos. Como muitos outros  artistas no Brasil, Elis surgiu nos festivais de música  popular na década de  1960, mas foi em Porto Alegre, que ela iniciou a carreira como cantora aos  11 anos de idade, em um programa de rádio para crianças,  chamado o Clube do Guri, na rádio Farroupilha. Em 1960 foi contratada pela radio Gaúcha e, em 1961, viajou para o Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro disco “Viva a Brotolândia”. Seu primeiro grande sucesso foi “Arrastão”, de Vinicius de Moraes e Edu Lobo, canção vencedora do Festival de MPB da TV Excelsior de São Paulo. A antológica interpretação de Elis, escreveu um novo capitulo na  história da música brasileira, inaugurando a  MPB. Este feito lhe conferiu o título de primeira estrela da canção popular brasileira na era da  TV.A esta época Elis conheceu a turma da bossa nova, no Beco das Garrafas, e participou do espetáculo o Fino da Bossa, organizado pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. O sucesso foi tal que deu origem a um programa com o mesmo nome, ao lado de Jair Rodrigues, na TV Record e ainda três discos de grande sucesso: um deles, Dois na Bossa, foi o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias. No final dos anos 1960 Elis realizou uma série de shows pela Europa, conquistando grande sucesso, notadamente no Olympia de Paris. Ela  foi também a responsável pelo lançamento de grande parte de compositores  até então desconhecidos, como Renato Teixeira, Belchior, Tim Maia, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc, Sueli Costa, Milton Nascimento, entre outros. Este último, a elegeu musa inspiradora e a ela dedicou inúmeras composições. Dona de uma personalidade marcante, Elis Regina não teve dúvidas em assumir uma posição de critica ao regime militar, nos terríveis  Anos de Chumbo, quando muitos artistas foram perseguidos  e exilados. A crítica era feita de forma pública em meio às declarações ou nas canções que interpretava. Seu engajamento político a fez participar ativamente de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira. Foi uma das grandes batalhadoras na campanha pela Anistia de exilados brasileiros. Ela fez de sua arte uma forma de manifestação política. A partir, principalmente, do disco “Falso Brilhante” tornou-se a maior repórter daqueles tempos bicudos da ditadura.Com seu repertório magistral ela documentou tudo o que ocorria de ostensivo e de escondido em nosso país. O engajamento repercutiu de forma positiva na carreira de Elis e a caracterizaria até a sua prematura morte em 1982.Seu repertório passou a ser composto de canções políticas de profundo significado e marcadas por interpretações inesquecíveis como o caso de  “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, que transformou-se no verdadeiro hino da  anistia e que ainda hoje emociona. A canção foi a verdadeira trilha sonora da volta de personalidades  brasileiras no exílio, a partir de 1979.Um deles, citado na canção, era  o “irmão do Henfil”, o Betinho, destacado sociólogo brasileiro que, entre tantos outros, fora obrigado a deixar o país, como diz a canção “num rabo de foguete”. Em 1981, Elis se filiou ao PT. Também foi uma grande defensora dos direitos dos músicos brasileiros e dos direitos das mulheres e  seu papel na sociedade brasileira. Notabilizou-se pela uniformidade vocal, primazia  técnica e uma afinação a toda prova. Qualquer canção na sua voz  ganhava  uma nova dimensão. Elis foi, sem dúvida, a voz mais perfeita, a que conheceu melhor o ritmo e a divisão, a que elevou e abaixou o tom nos momentos certos, a que melhor utilizou, para ampliar a voz, de técnica comparável  às melhores do mundo. Quando Elis começava a cantar baixava uma espécie de magia, um feitiço, efeito combinado de  trabalho e inspiração, tudo o que fazia dela  uma artista iluminada, uma artista que levou a sério o dom que recebeu e que experimentou, tentou, ousou, foi além. Seu último show foi “O Trem Azul”. Foi grande a comoção quando de sua prematura morte em 19 de janeiro de 1982, devido a complicações decorrentes de uma overdose de cocaína e bebida alcoólica. Na época uma agência de publicidade estampou esta mensagem: “Choram Marias e Clarices...Chora a nossa  pátria mãe gentil. Em busca de um sol maior, Elis Regina embarcou num brilhante  trem azul, deixando conosco a eternidade de seu canto pelas coisas e pela gente de nossa terra. E uma imensa saudade”. Estamos entrando em férias. Voltaremos a nos ver em fevereiro.

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O 20 anos do Tratado de Maastricht e a crise do Euro
Quinta-Feira, 05/01/2012 por José Ernani de Almeida

Em fevereiro serão lembrados os 20 anos da assinatura do Tratado de Maastricht, que criou a União Européia, sucessora da Comunidade Econômica Européia. O tratado foi o resultado de décadas de evolução no caminho da integração européia, visando à constituição de um modelo federativo que permitisse a integração das economias limitadas e complementares dos Estados europeus do pós-guerra.

O objetivo era assegurar-lhes prosperidade e desenvolvimento social crescentes. Na verdade, a ideia da integração começou a circular após a Primeira Guerra Mundial e ganhou impulso ao término da Segunda. Visava evitar novos conflitos, como os dois anteriores em que morreram mais de 70 milhões de pessoas. O projeto aboliria as antigas disputas territoriais que haviam provocado as guerras. A paz foi consolidada. Há 66 anos os membros do bloco vivem pacificamente. A idéia da Europa como uma unidade política e econômica tem pelo menos um século de existência. O primeiro passo foi dado com o Tratado de Paris (1951), que criou a Comunidade Européia do Carvão e do Aço. Entretanto, foi apenas depois da assinatura do Tratado de Roma, de 1957, que essa proposta começou a se consolidar.

Entre 1957 e 1958, seis estados – Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha Ocidental, França e Itália – chamados “Europa dos Seis”, fundaram a Comunidade Econômica Européia (CEE), com a finalidade de garantir a livre circulação de mercadorias, serviços e pessoas entre seus membros, eliminando os obstáculos, alfandegários ou não, que impediam o livre comércio. O Tratado de Maastricht, que agora comemora 20 anos de existência, foi o corolário da integração, definindo suas prioridades, objetivos e organização como forma de prover a união dos povos e países europeus sob a égide de um único sistema institucional e jurídico, inclusive com a adoção de uma política fiscal e monetária única. A crise americana e do euro, colocaram em dúvida a União Européia diante do temor de uma desestabilização fiscal e econômica do bloco. Grécia, Portugal, Irlanda com suas crises trouxeram à tona a fragilidade do euro.

Espanha e Itália também se encontram em situação difícil. É de 3,3 trilhões de euros a dívida desses cinco países. Para a chanceler alemã Angela Merkel, “a Europa vive talvez a sua hora mais difícil desde a II Guerra Mundial “. A crise do euro,  ao longo de 2011, fez com que muitos governantes europeus optassem pela repressão violenta às passeatas, a revogação de direitos trabalhistas, aumento de impostos, etc., como forma de conter o déficit fiscal e, consequentemente, a própria crise. Duas perspectivas emergiram: medidas regulatórias   apresentadas não como decisões baseadas em escolhas políticas, mas como imperativos de uma lógica financeira neutra, isto é, para estabilizar suas economias  os europeus terão que engolir a pílula amarga.

Já segundo a visão dos trabalhadores, pensionistas e estudantes  - aqueles que protestam nas ruas – as medidas de austeridade constituem uma nova tentativa do capital financeiro internacional de desmantelar o que resta do estado do bem-estar social. Assim, o FMI, de acordo com a primeira perspectiva, aparece como um agente neutro da disciplina e da ordem, na segunda, aparece como agente opressivo do capital global. Sem dúvida, 2012 será decisivo para o euro e para a União Européia. Ambos estão correndo sérios riscos.

Angela Merkel foi incisiva ao afirmar que, “se o euro fracassar, a Europa fracassará”. Merkel  está  ciente de que a identidade européia foi fortemente atingida pela crise da dívida, com os alemães a criticarem o “relaxamento” dos gregos ou dos italianos, e os franceses a avivarem os velhos sentimentos de germanofobia. As históricas disputas pela região da Alsácia-Lorena, por exemplo, devem ter voltado às mentes alemãs e francesas. O fim do euro já foi anunciado por vários economistas de renome,  e, entrou na agenda de  vários governos da Europa. Pelo visto, não haverá muito o que comemorar no próximo dia 7 de fevereiro, quando o Tratado de Maastricht completará seus 20 anos.

 

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Privataria Tucana e Resquícios da Guerra Fria
Sexta-Feira, 30/12/2011 por José Ernani de Almeida

Se você esta selecionando leituras para as férias de verão,as obras “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. e “Os últimos soldados da Guerra Fria”, do também jornalista Fernando Morais, são nossas sugestões. O primeiro, é o resultado de 12 anos de investigação jornalística sobre a chamada “Era das Privatizações”, ocorrida no governo de Fernando Henrique Cardoso, sob o comando do então ministro do Planejamento José Serra, ex-governador de São Paulo.

Elio Gaspari foi o criador da expressão que deu origem ao livro, “privataria”, fazendo menção a suposta nebulosidade que envolvia as operações de privatizações e ligando o termo a pirataria.O livro é riquíssimo em documentos sobre um bilionário esquema de fraudes que teria ocorrido no processo de privatizações comandado na década de 1990 durante o governo do ex-presidente FHC. Ribeiro Jr. traz documentos e informações que sugerem que o ex-caixa de campanha do PSDB e ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, agiu como “artesão” da construção de consórcios de privatização em troca de propinas. Parentes e pessoas próximas ao ex-governador de São Paulo e ex-ministro do Planejamento, José Serra, também são citadas. O livro é uma reportagem investigativa de 200 páginas de texto, apoiada em mais de 140 páginas de facmiles de documentos comprobatórios, todos oficiais, solicitados por ele em juntas comerciais, cartórios, Ministério Público e na Justiça, autenticados e com firma reconhecida. Passo a passo, a trajetória que o dinheiro ilícito fez, das empresas offshores a empresas de fachadas no Brasil, é descrito no livro e, também, sua comprovação, com a apresentação de documentos, através dos quais foram praticados negócios financeiros vultosos envolvendo grandes corporações financeiras, durante o processo de privatizações. O dinheiro seguia para o paraíso fiscal nas Ilhas Virgens, e, retornava ao Brasil, “lavado” como “investimento estrangeiro”. Foi durante a disputa entre Aécio Neves e José Serra pela indicação tucana para concorrer à presidência que a idéia do livro surgiu em 2009.

O jornalista começou a investigar uma rede de espionagem estimulada por Serra, para desacreditar seu rival no PSDB, o ex-governador mineiro Aécio Neves. Desse fio, Amaury Ribeiro Jr. descobrirá um novelo vastíssimo de corrupção, prepotência e manipulação ilícita de dinheiro público. Após seu lançamento, o livro teve uma grande repercussão em blogs, identificados com a esquerda e nas redes sociais. A grande imprensa o ignorou. A Rede Globo, a Editora Abril, a Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, etc. A Veja, por exemplo, notoriamente direitista, enganou seus leitores com um absoluto silêncio sobre o livro de Ribeiro Jr., mantendo o livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” – um amontoado de baboseiras – de Leandro Narloch, no lugar em que, segundo as livrarias, estava a Privataria Tucana.

Somente agora o livro de Ribeiro Jr. aparece entre os dez mais vendidos entre os de não-ficção da “isenta” Veja. E isto que no livro, o autor  aproveita para visitar os bastidores da campanha do PT e averiguar os vazamentos de informações que perturbaram a candidatura presidencial em 2010. Ele sustenta que, na luta por ocupar espaço a qualquer preço, companheiros abriram fogo amigo contra companheiros, traficando intrigas para adversários políticos incrustados na mídia mais hostil a então candidata Dilma Rousseff. São tramas de dar inveja a Maquiavel. Já “Os últimos soldados da guerra fria”, narra a incrível aventura dos espiões cubanos em território americano e revela os tentáculos de uma rede terrorista com sede na Flórida e ramificações na América Central, e que conta com o apoio tácito dos Estados Unidos de membros do Poder Legislativo e com certa complacência do Executivo e do Judiciário. Fernando Moraes revela que no início da década de 1990, Cuba criou a Rede Vespa, um grupo de doze homens e duas mulheres que se infiltrou nos EUA e cujo objetivo era espionar alguns dos 47 grupos anticastristas sediados na Flórida. O motivo dessa operação temerária era colher informações com o intuito de evitar ataques terroristas ao território cubano.

De fato, algumas dessas organizações ditas “humanitárias” se dedicavam a atividades como jogar pragas nas lavouras cubanas, interferir nas transmissões da torre de controle do aeroporto de Havana, executar atentados a bomba em seus melhores hotéis e até disparar rajadas de metralhadoras contra navios de passageiros em suas águas territoriais e contra turistas estrangeiros em suas praias. É um livro que traz histórias de heróis e de canalhas e, que o diretor Oliver Stone, deverá transformar em um filme brevemente. Boa leitura e Feliz 2012.

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A ESPERANÇA DE UM NOVO TEMPO.
Sexta-Feira, 23/12/2011 por José Ernani de Almeida

Final e inicio de ano é época de doçuras e reconciliações. De renovações de propósitos, de fazer um balanço do que passou e do que poderemos fazer nos próximos 12 meses. É tempo de soerguimento de ânimo e de afirmação de propósitos. No plano individual, creio que vale a pena o compromisso de sermos mais fraternos e menos egoístas. Nossa natureza é naturalmente inclinada ao egoísmo e se quisermos dar espaço para os outros, se quisermos limitar nossa liberdade às condições de sua integração com a dos outros, então será preciso muito esforço, até mesmo que nos violentemos, em nome de uma nova ordem de coexistência. Nestes tempos de radicalismos, de violência, de fundamentalismos, é preciso que encontremos uma maneira de viver em harmonia com os outros. Respeitar nossas diferenças como seres humanos, nossas culturas, nossas religiões e nossos tiques individuais. Para o filósofo Luc Ferry, “ser sábio, por definição não é amar ou querer ser amado, é simplesmente viver sabiamente, feliz e livre”. Liberdade e felicidade, eis o que o Iluminismo do século 18 nos prometeu. Libertar os espíritos, emancipar a humanidade dos grilhões da superstição e do obscurantismo medieval. A razão sairia gloriosa do combate contra a religião e, geralmente, contra todas as formas de argumentos de autoridade. Entretanto, o que vemos hoje é o crescimento dos fundamentalismos religiosos de caráter violento, caracterizados por guerras e ataques terroristas.O ano que começou de forma otimista com a “Primavera Árabe”, termina cheio de dúvidas.A região poderá,definitivamente, cair nas mãos dos fundamentalistas.Um dos grandes problemas da primeira década do século 21 é a falta generalizada de respeito mútuo que o mundo atravessa. É um mundo de puro cinismo, comandado pelas leis cegas do mercado e da competição globalizada.  No cerne da idéia de progresso, esteve/está a liberdade e a felicidade.  O desenvolvimento das ciências é/seria o caminho para a civilização. Entretanto, o que estamos observando é aquilo que Heidegger chama de “mundo da técnica”, um universo no qual a preocupação com os fins, com o objetivos últimos da história humana, vai desaparecer totalmente em benefício único e exclusivo da atenção aos meios.  A noção de progresso, nessa atual perspectiva da globalização, muda totalmente de significado: em vez de se inspirar nos ideais transcendentes, o progresso vai, pouco a pouco, se restringir a ser apenas o resultado mecânico da livre concorrência em seus diferentes componentes. Para Luc Ferry, “a economia moderna funciona como a seleção natural de Darwin: de acordo com uma lógica de competição globalizada, uma empresa que não progrida todos os dias é uma empresa simplesmente destinada à morte”. O progresso não tem outro fim além de si mesmo, ele não visa a nada além de se manter no páreo com outros concorrentes.  Assim, o poder dos homens sobre o mundo é cada vez maior. Tornou-se um processo incontrolável e cego, ultrapassando as vontades individuais conscientes. A emancipação e a felicidade dos homens que o Iluminismo prometia, estão cada vez mais distantes.  A técnica tornou-se um processo sem propósito, desprovido de qualquer espécie de objetivo definido. O mundo de hoje é mecanicamente produzido pela competição, pelas “leis de mercado”. Um exemplo é o nosso novo Código Florestal que logo estará na mesa da presidente Dilma para a sanção.  Isto significa que todos passam a ser cúmplices da motosserra, em nome do avanço do agronegócio.  Uma lástima! E isto que 2011 foi escolhido pela ONU como o ano Internacional das Florestas.  Tomara que em 2012 possamos resgatar o que, no século 19, podia se chamar de “res publica”, república, isto é, “causa comum”. Será ano de eleições.  Então, precisamos escolher representantes comprometidos com ideias humanistas e não com a defesa dessas evoluções fervilhantes e desordenadas, com movimentos que não são mais ligados por nenhum projeto comum. Precisamos resgatar um passado ainda recente de comprometimento com o homem, com a natureza, com os ideais de felicidade e liberdade que, infelizmente, parece irremediavelmente perdidos.  Certa vez o poeta maior Carlos Drummond de Andrade escreveu, “pois de amor andamos todos precisando, em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, no dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para frente. Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo e presenciando”.  Que 2012 traga um no tempo. Boas festas a todos!

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