Flagrantes
Quarta-Feira, 30/12/2009 por Meirelles Duarte

A foto do ano de 2009 - Esta foto foi escolhida como a de 2009. Vemos o cachorro, símbolo da fidelidade, do amor e da proteção, tão maltratado, dormindo em um dos milhares de presépios pelo Brasil afora como protetor do Menino. Tantos locais havia para ele repousar, mas preferiu junto a Jesus, que ele imaginou tão sozinho e sem proteção

A tumultuada posse de Lourenço Pires na presidência da Câmara, em 31 de janeiro de 1973. Vemos vereador Romeu Pithan, Benedito Espanha, comando militar, Pe. Guareschi, no centro prefeito Edu Azambuja, Lourenço e Juarez Zílio

Os táxis no final da década de 1940, todos em um único local, na praça Marechal Floriano, à espera de seus passageiros


Lauro Nunes, que nos deixou no dia 28, aos 72 anos, fazendo as vezes de radialista, gravando meu discurso na posse da diretoria do Gaúcho em l960. Vê-se ao lado, Hugo Bittencourt, hoje renomado advogado

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O árbitro argentino num clássico Gaúcho X 14
Segunda-Feira, 28/12/2009 por Meirelles Duarte

 

 

Meirelles Duarte

 

A arbitragem na vida de nosso futebol poderia ocupar vários espaços tal a sua marcante e curiosa história com momentos inesquecíveis. Nas décadas de 1930, 1940 e início de 1950, não havia aquele corpo ou departamento de árbitros que seriam designados para dirigir jogos oficiais como nos dias de hoje, na Federação Gaúcha de Futebol em Passo Fundo a arbitragem era resolvida internamente, isto é, com gente nossa que com o passar dos tempos foram se projetando e eram disputados até mesmo para aos clássicos de Erechim, o Atlanta, de Carazinho Veterano e Glória, de Cruz Alta o Guanal. Tivemos um grande centro-avante que foi projetado pelo Riograndense e que se tornou um dos árbitros mais credenciado em toda a região, Célio Barbosa. Até mesmo nos clássicos locais, mesmo com possíveis influências para um ou outro litigante, por tratar-se de equipes da cidade, Célio sempre soube levar até o fim os grandes e emocionantes jogos das duas forças da cidade. Harry Becker, que aqui chegou como goleiro, vindo do São José e tornou-se um dos maiores, em sua posição, na história do Gaúcho, ao pendurar suas chuteiras, passou a dirigir jogos e tornou-se outro grande nome para toda a região. A Federação simplesmente não toma providências ou conhecimento quanto às arbitragens para os jogos oficiais regionais. Os clubes que fossem em busca daquele que reunisse melhores condições. Imaginem, então, para a escolha de bandeirinhas. Nos tempos do estádio Celso Fiori, onde temos hoje a estação rodoviária, muitos foram os jogos na década de 1950, que eram retardados pois faltavam os bandeirinhas e estes terminavam sendo escolhidos na própria torcida presente. Com o passar dos anos, surgiu o departamento de arbitragem da Federação e esta, por sua vez, designava o árbitro e seus bandeirinhas para os jogos oficiais. Em 1966, para atender seus filiados que criticavam muito a baixa qualidade dos árbitros gaúchos, a Federação contratou alguns de fora, vindo, neste pacote, o mais famoso árbitro argentino, Ricardo Silva. Calvo, muito sério era sempre apontado para os jogos clássicos, os que mais problemas criavam. Passo Fundo testemunhou as qualidades deste grande juiz de futebol num clássico disputado no dia 9 de outubro de l966, no estádio do Gaúcho. O clima, na cidade, era dos mais tensos e só um árbitro de grandes qualidades poderia dirigi-lo com segurança e equilíbrio. Foi a grande atração daquele jogo que terminou com a vitória do Gaúcho por 3 x 2. Apesar da vibração das duas grandes torcidas que superlotavam o velho estádio, tudo terminou sem anormalidades tão temidas pelo clima que se viveu durante toda a semana que antecedeu sua realização. Na foto que divulgo hoje dá para ver na camisa do árbitro o emblema da AFA, no alto, da Associação de Futebol Argentina sobre o emblema da nossa Federação. Com muito esforço consegui uma entrevista antes do jogo iniciar, fato raro na vida do árbitro que pode ser apontado como um dos maiores que atuaram em nossa cidade ao longo da própria história de nosso futebol.

 

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Deixa Passo Fundo o maior locutor do rádio local: Bem-Hur Silva
Segunda-Feira, 21/12/2009 por Meirelles Duarte

Os caros leitores desta coluna estão se perguntando quais os motivos que a saída do mais consagrado locutor da história do rádio de Passo Fundo, Bem-Hur Silva, viesse se constituir em matéria para um espaço voltado às memórias do esporte. Na verdade o grande profissional da comunicação que nos deixou no último dia 15, transferindo residência para São Caetano, onde reside sua única filha Naiaja e seus três netos, desfazendo-se de todos os bens que possuiu por muitos anos em nossa cidade, teve passagem destacada no rádio esportivo e na prática do basquete no auge deste esporte entre nós. Nascido no dia 27 de abril de l931, com 78 anos atualmente, foram seus pais, já falecidos, José Francisco Silva e dona Irene Grabim Silva. Teve duas irmãs também já falecidas, Ruth que foi esposa de Orlando Silva e Lurdes, renomada professora do IE que foi casada com Ruy Pythan, funcionário dos Correios, aqui residente.

No dia 2 de fevereiro de l956 contraiu núpcias com Josenia Duarte, filha do tenente Delmar Duarte e da professora de música Zaida Meirelles Duarte, ambos já falecidos, integrante do grupo de prendas jovens no nascimento do CTG Lalau Miranda. Bem-Hur foi levado para o rádio pelas mãos de Maurício Sirotsky Sobrinho em l948. Destacou-se como locutor noticiarista, entrevistador e também locutor comercial nas jornadas esportivas onde eu era o narrador. Figura entre os melhores do basquete de todos os tempos, como aluno do IE, tendo passagem também pelo vôlei neste sem o brilho que conseguiu nas temporadas do basquete. Com o surgimento da Rádio Municipal, foi levado para esta emissora por Rubem Zuther, juntamente comigo e outros dois radialistas da época. Inaugurada em l954 a Rádio Municipal implantou o rádio popular e Bem-Hur era o seu maior nome, tendo criado o famoso programa Clube do Titio, que revelou um punhado de valores até hoje por todos lembrados. Chegou à gerência da emissora em 1957 dando oportunidade ao surgimento de um punhado de novos profissionais. Sempre o acompanhei onde desfrutei do seu apoio conseguindo chegar aonde cheguei. Deixando a rádio, vítima do golpe militar quando a Rádio Municipal era dirigida por golpistas da época, em maio de l964, ingressou em empresas multinacionais chegando a promotor de venda para países da América Latina com estágio nos Estados Unidos da América do Norte. Ao deixar Passo Fundo e tendo vendido sua mansão no Bosque, entregou todos os seus móveis para entidades filantrópicas levando somente suas roupas para recomeçar tudo na cidade de Santo André. Recusou-se a vender seus valiosos objetos, utensílios e móveis, numa atitude digna do que ele sempre prega como um fiel seguidor da Bíblia Sagrada. A imagem e o nome do Bem-Hur Silva ficarão enquanto existir uma emissora de rádio entre nós, pois até hoje ninguém conseguiu igualar-se, profissionalmente, às suas qualidades.

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