Deixou-nos Heitor Verardi, um clássico da bola
Na década de 1940, quando os atrativos para os jovens eram raros, a prática do futebol em campo aberto era o que mais se tinha também em Passo Fundo. Pai de quatro filhos homens e duas mulheres, Victorio Verardi, proprietário de uma extensa área no então bairro Exposição, hoje São Cristóvão, construiu um campo para o futebol, sentindo nos filhos Waldemar, Antonio, Iran e Heitor dotes para o esporte, especialmente o mais velho, Waldemar, e o mais jovem, Heitor.
Estimulados pelo apoio do pai, formaram sua equipe e a cada final de semana ficavam à espera dos garotos de outras vilas e bairros para disputar longas partidas de futebol que muitas vezes ocupavam uma tarde inteira. Logo chamaram a atenção de Alceu Laus, dirigente do então recém-criado Independente Grêmio Atlético de Amadores. Não deu outra. Os quatro vestiram a camisa alvinegra e daí foram projetados para grandes clubes gaúchos e brasileiros.
Waldemar foi logo para o Grêmio, onde jogou de l949 até l951. Antonio ao deixar o Independente trocou a bola pela secretaria do Grêmio, onde está há quase 50 anos. Iran também iniciou e encerrou sua carreira no Independente passando a exercer a profissão de economista. Heitor, forçado pelos estudos universitários, deixou o clube local e transferiu-se para a Capital. Quando Waldemar tentou levá-lo para o Grêmio, o massagista e funcionário do Inter, Tarzan Numer, seu amigo, levou-o para o Internacional. O Grêmio lhe daria um auxílio para os estudos e o Internacional um contrato profissional. Depois de ter sido titular do Independente com apenas 14 anos, Heitor chegou e tomou conta da camisa 5 do Inter.
No memorável Gre-Nal 150, em 1958, disputado em agosto daquele ano, Heitor, escalado como titular, perdeu seu pai, Victorio, enfermo, na Capital, onde foi sepultado. Mesmo com a morte do pai aceitou jogar e o fez com a face banhada em lágrimas. Quando Bodinho marcou o primeiro gol todos vieram abraçar Heitor, que vivia um drama familiar profundo. No ano seguinte concluiu o curso de Odontologia e retornou a Passo Fundo, onde residia sua namorada, Marluza Gherardt, com quem casaria no ano seguinte, 2 de julho de l960. Mais alguns dias e iria comemorar as Bodas de Ouro. Do casamento com Marluza teve os filhos Marcus Vinicius, médico falecido, André Luiz, agrônomo, e as filhas Fabiane Burlamaque e Fernanda Bendzius. Deixa ainda sete netos.
Nascido no dia 6 de fevereiro de 1936, Heitor não trocava Passo Fundo por cidade alguma, recusando propostas dos maiores clubes do futebol brasileiro. Após instalar seu gabinete dentário em Passo Fundo, continuou no futebol nas fileiras do 14 de Julho, onde jogou de 1960 até 1964, encerrando a carreira com apenas 28 anos de idade. Continuou participando de jogos amistosos, ingressou no futsal e chegou a treinar o 14 de Julho por um curto período.
Nos meios leonísticos foi uma liderança nacional, tendo sido eleito governador do seu distrito. Professor universitário lecionou nas faculdades de Medicina e Odontologia da Universidade de Passo Fundo. Além dos seus irmãos Waldemar, Antonio e Iran, teve ainda as irmãs Julieta Verardi Carrão, há pouco falecida, casad com Paulo Carrão Filho, também já falecido, e a senhora Helena Verardi Dal Agnol que reside em Curitiba e que casou com o empresário e também grande jogador de futebol em sua época, Arnaldo Dal Agnol.
Heitor morreu no dia 23, após vários anos lutando contra pertinaz enfermidade. Ele marcou muito a vida social da cidade, pois foi membro da diretoria do Clube Comercial por várias gestões. O atual presidente, Osmar Busato, por ocasião das comemorações dos 98 anos da entidade, prestou uma tocante homenagem a ele, com o apoio de todos os associados.Heitor Verardi com a camisa do Internacional no seu primeiro treino
A festiva inauguração do novo depósito regional da Disfonte, na quarta-feira (28). Vemos o vereador Diógenes Basegio, prefeito Airton Dipp, Luiz Alberto Ribeiro de Castro, do Sicabege, Joelson Zandoná, diretor da Disfonte, e Felipe Spiguell, diretor regional da AmBev para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina
Heitor Verardi, que nos deixou no sábado (24), com a esposa Marlusa e o filhos André Luiz, Fabiane Burlmaque e Fernanda Bendzins
A bela rainha do Clube Comercial, Nathallie Mesquita Salvadori, ao receber um relógio da Brasóptica e do Programa Meirelles Duarte do Canal 20, com sua mãe Vânia, seu pai Marcus e a irmã Nicolle e seu namorado (Foto: Rodrigo Ferrão)
Sinval Bernardon comemorando os cinco primeiros aviários aqui implantados. Ele foi homenageado por Júlio Gasparetto, vendo-se ainda na foto o Crespin Rizzi. Sinval foi pioneiro como secretário da Agricultura, Indústria e Comércio do município
SEM TÉCNICO GAÚCHO COINQUISTA SEU MAIOR TÍTULO !
Meirelles Duarte
Pode o futebol oferecer as mais imprevisíveis curiosidades, ao ponto de quase nem se acreditar sejam concretas em todos os seus detalhes. O Gaúcho tem sido, na história de nosso futebol, a agremiação que reuniu, até hoje, as mais incríveis façanhas que pelo fato de terem sido testemunhadas por sua torcida se tornaram realidade. O Gaúcho já ao nascer, encontrou obstáculos que poderiam tornar inviável sua existência, pois nem bola para treinar e jogar, tinha. Foi preciso recorrer ao seu benemérito fundador, Antonio Junqueira da Rocha, que em suas viagens., como representante comercial, conseguiu, na cidade de Santa Maria, duas bolas oficiais, então qualificadas como de número 5, próprias para o futebol. Jogou em área emprestada pelo médico e ardoroso torcedor, Nicolau de Araújo Vergueiro, estádio que estava localizado na vila Vergueiro, proximidades do hoje Vergueiro-Hotel .Forçado a entregar a área diante do desenvolvimento da vila que passou a figurar como o local mais cobiçado para prédios residências, ficou bom tempo sem ter onde jogador com seu mando, utilizando-se do estádio do 14 de Julho até adquirir o local onde hoje está o depredado e destruído estádio Wolmar Salton. Mesmo diante de tão chocante tragédia, o Gaúcho voltou a disputar e está conseguindo manter sua tradição diante dos demais clubes e agremiações de todo o estado. Mas a maior das conquistas fora de série registrou-se exatamente naquele que foi, até hoje, o seu maior título, o de Campeão do Estado, da Segunda Divisão e primeira agremiação desta vasta região que englobava, Erechim, Getúlio Vargas, Vacaria, Carazinho e Cruz Alta, a de membro da Divisão Especial do Rio Grande do Sul, conquista que conseguiu sem técnico nos jogos decisivos. Tudo aconteceu depois dos primeiros jogos da temporada de l966. Realizando uma campanha invicta desde os primeiros jogos daquele ano, o Gaúcho despertou interesse de todos os demais clubes e uma flagrante preocupação. O Ypiranga, através o presidente Oscar Abbal, tirou do Gaúcho seu técnico, Altino Nascimento, na esperança de ele e não o Gaúcho, conquistasse a classificação final. O presidente do Gaúcho até ali, o bioquímico e hoje também advogado, Daniel Viuniski, diante de necessidades profissionais com sua cadeia de farmácias, deixou a presidência em pleno campeonato. Uma eleição foi feita quando coube-me secretariar, lavrando a ata numa folha de caderno escolar e esta mesmo registrada na Federação. Anielo D”Arienzo era eleito, tendo Hélio Bernardon como vice e um grupo de alvi-verdes nos demais postos.Com estes novos dirigentes o campeonato continuava. Mas onde conseguir, naquela hora o técnico que viria substituir Altino Nascimento ? Aniello reuniu os atletas e os informou que o Gaúcho, líder do campeonato, iria até o fim sem um novo técnico, designando o jogador Gitinha para , mesmo jogando, orientasse a equipe nos jogos e nos treinos. Houve quase um terremoto na grande torcida, temerosos de que, exatamente naquele ano de tantas vitórias, campanha invicta, o Gaúcho, na metade do caminho, ficaria sem um técnico para orientar seus jogadores. Com o passar dos jogos e as vitórias se somando, a cidade empolgada, acompanha cada vez mais entusiasmada aquela campanha fantástica, como rival, o 14 de Julho, lutando também, para chegar à classificação final.Veio,como já relatei em mais de uma matéria, a grande final diante do Uruguaiana, que era o campeão da chave da fronteira.Um jogo em cada cidade, Lá perdemos por 1x0 debaixo de um sol de 40 graus. Aqui vencemos,debaixo de muita chuva, no 90 minutos por 4x0 e na prorrogação por 1x0, tendo de Antoninho, que levou o Gaúcho, Passo Fundo e a região, pela primeira vez a figurar na Divisão Especial de nosso estado. O fato de o Gaúcho ter conquistado esta façanha inédita no histórico do futebol brasileiro ou talvez mundial, conquistar um título, primeiro regional e depois estadual, sem técnico, passa a figurar nas mais curiosas e incríveis façanhas que só futebol possui.
A eleição e posse de Aniello D’Arienzo em l966.Aí está ele entregando uma caneta para o seu vice, Hélio Bernardon, ao lado do Patrono, Wolmar Salton, Jorge Ferreira, Daniel Winik e Valdir Caselani. ( Arquivo MD).
Nathalie Mesquita Salvadori que será hoje coroada Rainha do Clube Comercial, com sua irmã Nicolle e os pais, Vânia e Marcos Salvadori.
O alto comando da OAB, na posse de Patrícia Alovisi: Este colunista com Ari Baldissera, secretário geral,o vice no estado, Jorge Maciel, tesoureira Morgano Bordignon, presidente Patrícia Alovisi, Cláudio Lamachia, presidente estadual da OAB, Cínara Tedesco, ex-presidente e a secretária Marlise Santos. ( Foto César Benck).
Um grupo de líderes no comércio, na posse do Sinduscon: Celso Marini com esposa que será empossada presidente do Sincomércio, dia 30; Derli Neckel e esposa; este colunista com esposa Mary; Dimas Froner da Acisa e espoa e Roberto Estivalet, da CDL esposa.
Algumas das autoridades que prestigiaram, ontem a inauguração do Munumento do Holocausto:Presidente da Federão Israelita do Estado, Coronel Pedro Lima, sobrevivendo do Holocausto, Max Schanzer, Daniel Winik, prefeito Airton Dipp e Dom Urbano Allgayer.