Jacob Stein, o padre que praticava esportes - 26-27/06/2010
Segunda-Feira, 28/06/2010 por Meirelles Duarte

Nascido em Porto Alegre, no dia 1º de maio de 1923, filho de Aloysio Stein e Verônica Bervian, batizado na matriz da paróquia São Pedro, na Capital, meses após, Jacob Stein marcaria sua longa existência em Passo Fundo, onde viveu a maior parte dos seus 87 anos. Após concluir seus estudos fundamentais foi para o seminário, em Santa Maria, em 1940. Cursou Filosofia em São Leopoldo e Teologia em Belo Horizonte. Foi ordenado por Dom Antonio Reis, bispo com sede em Santa Maria, ordenação que aconteceu na paróquia Bom Jesus, em Carazinho, em 30 de setembro de 1947.
Em 1950 chegava a nossa cidade como vigário cooperador da catedral Nossa Senhora Aparecida. Aqui, além do sacerdócio, exerceu o magistério no então ginásio Osvaldo Cruz, em 1956, e no ano seguinte na escola normal Osvaldo Cruz. Em 1958 foi professor na Faculdade de Filosofia. No dia 17 de março de 1967 foi dispensado do ministério sacerdotal pelo papa Paulo VI. Ingressou na Faculdade de Direito e concluiu o curso com raro brilho. Advogou por muitos anos em Passo Fundo e cidades vizinhas. Foi casado e teve três filhos. Ao falecer vivia sob os cuidados de irmãos aqui residentes.

Quando sacerdote, com sua vistosa batina, era o único que diariamente era visto no início das tardes tomando o clássico cafezinho das 13h30, rodeado por médicos, advogados e empresários. Gostava muito de esportes. Praticou vários ainda como sacerdote. Brilhava mais intensamente no pingue-pongue e no xadrez.

No pingue-pongue disputou vários campeonatos que eram promovidos pela Caixa Econômica Federal, que tinha um amplo local, hoje é a parte térrea da sede social do Clube Caixeiral. Mesmo com batina tinha grande agilidade deslocando seus adversários na outra extremidade da mesa. Grande público sempre prestigiou as competições em que padre Jacob estava inscrito. Vencê-lo era uma glória para qualquer um.

No xadrez tinha como oponente Armin Guttmann, um alemão vindo da Europa no pós-guerra. Nessa área sempre havia duros competidores. Na inauguração das piscinas do Gaúcho, lá estava padre Jacob para dar benção às instalações. Até em competições de rua, a pé ou de bicicleta, lá estava padre Jacob para dar as largadas, pois era o preferido dos competidores. Uma de suas grandes obras para a Igreja é a construção da até hoje utilíssima Casa de Retiro. Dom Cláudio conseguiu um belo carro importado e promoveu uma rifa, só entre os ricos da cidade, pois poucos eram os números para não atrasas muito o início da construção. Ele chamou o padre Jacob, que, como convivia com a classe dos chamados ricos e abonados, não teve muito trabalho para colocar todos os números, apesar de poucos entenderem o que era uma Casa de Retiro para leigos. A fama correu ligeiro na cidade e qualquer rifa que fosse lançada, o primeiro a ser procurado para comprar uma cartela ou número era exatamente padre Jacob, que demonstrou muita intimidade com a matéria. Na catedral formou dupla com o páraco José Gomes, que se tornou depois bispo de Bagé e de Chapecó, onde faleceu e está sepultado.

Padre Jacob gostava muito de Passo Fundo, onde viveu a maior parte de sua vida e onde faleceu. Tenho certeza de que se dependesse de seu último desejo, seria aqui sepultado, pois deixou entre nós vários parentes, inclusive irmãs. Os filhos, porém, preferiram levá-lo para São João dos Pinheirinhos, na chamada Grande Curitiba, onde foi sepultado na tarde do dia 23, quarta-feira passada. Quando para cá voltei, em 1952, ele me deu uma grande colaboração quando lutei para a transmissão da missa dominical das 10h da catedral. Ia comigo em busca dos patrocinadores. Conseguimos o que queríamos e o programa perdurou por cinco anos.

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Flagrantes especial - 26-27/06/2010
Segunda-Feira, 28/06/2010 por Meirelles Duarte

No mês dos 85 anos de O Nacional, a homenagem ao maior jornalista saído de suas fileiras

Tarso de Castro é nome de escola em São Paulo

Nascido e criado nos corredores do jornal O Nacional, vivendo o dia a dia, testemunhando todos os detalhes da feitura de cada nova edição, o menino Tarso de Castro tinha hábitos e costumes diferenciados dos seus inúmeros amigos, desde as épocas de estudante primário e secundário em nossa cidade. Enquanto todos procuravam, nas horas de folga, um jogo de bola, uma fuga até os barrancos do rio Passo Fundo nas tardes de verão, Tarso as passava com os funcionários do jornal do seu pai, ora com redatores, revisores e até mesmo com o pessoal das oficinas, até ver, na metade das tardes, pois era um jornal vespertino, os meninos vendedores, saindo às ruas gritando e as principais manchetes do dia, enquanto outro grupo levava os exemplares aos inúmeros assinantes.

Sempre foi assim, e quando lhe surgiu a oportunidade de dedilhar as velhas máquinas de escrever, já elaborava seus textos e ficava feliz ao vê-los publicados.

Depois dessa preliminar, passou a atuar em jornais de nome nacional culminando com a fundação e criação, com um grupo de renomados jornalistas, críticos, chargistas, o seu próprio jornal, que se tornou logo famoso, lido e discutido, especialmente pela camada política do país. Surgia O Pasquim, que até hoje é citado como algo que nunca mais teve seguidor no rol dos jornais brasileiros. Tarso de Castro era o maior entre todos os grandes jornalistas que mantinham O Pasquim.

A homenagem brasileira
Nascido em l941, filho de Múcio e Ada Postal de Castro, cursou no IE e posteriormente no Nicolau Vergueiro os níveis primário e secundário. Faleceu, aos 49 anos, em l991. Muitas foram as homenagens partidas de vários órgãos da imprensa brasileira. Uma, fora dessa área, a todos surpreendeu.
Na cidade paulista de Barueri, por decreto datado de 31 de janeiro de l997, foi criada uma moderna escola estadual de primeiro grau, chamada Tarso de Castro. Na fundação tinha como diretora Myrian Aparecida Rosa Campos, é hoje dirigida pela professora Marli Izabel Camargo de Toledo. Trata-se de uma decisão do então prefeito Gilberto Macedo Gil Arantes, com decreto de criação divulgado no Jornal Notícias de Barueri, confirmando a denominação da escola como Tarso de Castro, paraalunos de 4ª a 8ª séries e educação de jovens e adultos.

A escola hoje
Barueri tem hoje Rubens Furlan como seu Prefeito. Um grande líder regional. Por telefone, ele felicita por esta coluna, proprietários, funcionários e leitores de O Nacional nas comemorações dos seus 85 anos, afirmando que em sua primeira vinda ao sul virá pessoalmente conhecer de aonde saiu o patrono de uma das mais importantes escolas do seu município.
A escolha por Tarso de Castro como patrono deve-se a um movimento de jornalistas, alguns que foram seus amigos, liderados por José Kalil, jornalista e titular da Secretaria de Cultura, Turismo e Comunicação. O passo-fundense, há 30 anos em São Paulo, Jaime Jovchelevich, que foi amigo de infância de Tarso, teve marcante atuação, inclusive abrindo o caminho para chegar aonde cheguei. Meus agradecimentos especiais, tanto a Kalil como ao velho amigo Jaime. Os passo-fundenses continuam orgulhosos de seu filho ilustre, Tarso de Castro.
Pórtico de entrada da escola Tarso de Castro, em Barueri
Rubens Furlan, atual prefeito de Barueri
José Kalil, grande nome nos meios jornalísticos de São Paulo e amigo que foi de Tarso de Castro, atualmente secretário em Barueri
Jaime Jovchelevich, baluarte na homenagem a Tarso, seu amigo de infância
Tarso sempre demonstrou grande amizade e consideração, procurando-me sempre que aqui chegava, um contato amigo
Para autoridades, direção, professores e alunos do colégio Tarso de Castro, apresento a família do patrono: os irmãos Mara, Paulo, Múcio Filho, Gilca, Tarso e Vera. Sentados, os pais Ada Postal Castro e Múcio de Castro
A foto clássica de Tarso de Castro em seus últimos anos de vida

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Flagrantes 19-20/06/2010
Domingo, 20/06/2010 por Meirelles Duarte

Os 105 anos de vida de Anália Andrade de Oliveira, comemorados no dia 12. No residencial Angel, vemos a aniversariante ao lado de sua filha de 80 anos, o bolo doado pelo vereador Luiz Miguel Scheis, as proprietárias do residencial, Ângela e Adriana dos Santos.
O consagrado atleta do Fluminense, Marquinhos, autor do gol salvador do clube em 2009, em visita aos seus pais, Marco e Valéria Mattos, com a irmã Manoela, o amigo Igor e a noiva Jaqueline, no dia 9 de junho.
Ocorreu na Acisa a mais concorrida eleição de sua diretoria em todos os tempos. Duas chapas, muita campanha, votação, apuração e proclamação dos vencedores no dia 17. Aí estão os escrutinadores, o advogado Edson Machado e o empresário Glademir Bernardelli, sob os olhares atentos dos concorrentes, Gilmar Donato e Aido Fante, e o presidente Dimas Froner.
O vencedor do pleito da Acisa, Aido Fante, após a proclamação de sua vitória, com todos os demais membros da sua futura diretoria.

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OS PREMIADOS PARA A COPA DE 1966 NA INGLATERRA- HILÁRIO REBECHI E SINVAL BERNARDON - 12-13/06/2010
Sexta-Feira, 11/06/2010 por Meirelles Duarte

Uma das piores participações do selecionado brasileiro em Copas do Mundo, a da Inglaterra só foi igualada com a de l954 na Suíça quando a poderosa seleção Húngara, de Puskas, Kocsis, goleador com 6 gols, Grosics, o melhor goleiro, Lantos, Czibor  Lorant e outros monstros do futebol europeu, nos tiraram dos jogos com uma goleada que não deixou dúvida da superioridade dos vencedores, 4 x 2, que terminariam vice-campeões mundiais, perdendo, na memorável final para Alemanha por 3x2. Muitos elegeram a nossa derrota para o Uruguai no Maracanã, em l950, como a nossa pior participação. Ledo engano. Até aquela final, o Brasil goleou todos os seus adversários, inclusive os espanhóis e franceeses que eram tidos como os grandes favoritos. Fomos cair diante do Uruguai que realizou, até a final, um campeonato até certo ponto modesto e nunca com pinta de favorito.. A Copa que foi disputada na Inglaterra, em l966, pode ser apontada como um segundo ou até terceiro fracasso marcante de nosso futebol. Fomos eliminados por Portugal que consagrou para o Mundo o fabuloso Eusébio, até hoje apontado como um jogador insuperável para todos os portugueses superando, até, o hoje famoso Cristiano Ronaldo que além da Seleção Portuguesa, é jogador do Real Madrid. Perdemos por 3x1, com gols de Simões 1 e Eusébui,2. Rildo marcou para o Brasil.Para agravar ainda mais nossa apagada participação naquela Copa, tivemos a grave lesão de Pelé que não conseguiu jogar todas as partidas em que o Brasil tomou parte. Um ano antes, isto é, em l965, chegou em Passo Fundo um empresário oferecendo, para alguma entidade, a possibilidade de sortear duas passagens, ida e volta, para Londres num luxuoso transatlântico para lá ficar até o final da Copa. Como eu estava recém instalando minha agência de promoções e propaganda, topei a parada, assinei o contrato para as duas passagens em troca das cartelas para o sorteio. Foi um sucesso até à mim surpreendendo, tal o interesse de uma viagem fantástica por apenas mil cruzeiros da época, par cada cartela. Como o sorteio era feito pela extração da Loteria Federal, na semana final, restavam somente 5 cartelas. Fui procurado pelos senhores Hilário Rebechi e Sinval Bernardon que me fizeram uma tentadora oferta pelas 5 últimas cartelas. Imediatamente aceitei pois o lançamento já estava totalmente exitoso, mesmo que as 5 não fossem colocadas. Não deu outra: Os números do primeiro premio da Federal terminaram dando aos dois amigos as passagens que mil pessoas disputaram avidamente. No dia da entrega da cartela premiada, o senhor Sinval Bernardon estava ausente da cidade, cabendo ao senhor Hilário Rebechi recebe-la. A entrega foi feita nos escritórios do supermercado da família Rebechi, com as presenças do senhor Gentil Rebechi, irmão do agraciado, Alberto Scortegagna, sócio da empresa e do senhor Roberto Mioni que era o contador. Posteriormente, com a volta do senhor Sinval, num novo ato de entrega foi feito, diante dos microfones da Rádio Passo Fundo. O objetivo dos agraciados era o de assistir os jogos do Brasil. A viagem começou no dia 25 de junho com a ida até Montevidéu . De lá, pelo Transatlântico Julio Césaro, seguiram para Londres com 11 dias de viagem marítima. De Londres, foram visitar vários paises, retornando a Passo Fundo no dia 12 de agosto de l966.Como houve a eliminação do Brasil e o navio só iniciava a viagem de regresso após o jogo final,  foi quando aproveitaram para visitar vários paises, especialmente a Itália onde encontraram muitos membros tanto da família Rebechi como da família Bernardon, especialmente entre os napolitanos, de onde saiu o maior número dos que tentaram uma nova vida nas Américas.
No alto a entrega da cartela premiada ao senhor Hilário Rebechi. Embaixo, Hilário e Sinval no Parque de Las  Palomas, em Sevilla, na Espanha, no dia 4 de julho de l966.

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