Flagrantes - 28-29/08/2010
Terça-Feira, 31/08/2010 por Meirelles Duarte

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Passo Fundo no dia da morte de Vargas - 28-29/08/2010
Terça-Feira, 31/08/2010 por Meirelles Duarte

Fugindo do evento esportivo do passado, que retornará na próxima edição, não poderia deixar de registrar a data da última terça-feira, 24, que marcou a trágica morte do maior estadista da América do Sul e o maior presidente que o Brasil teve em toda a sua história: Getúlio Vargas. Morria, nas primeiras horas da manhã daquele 24 de agosto de 1954, quando, pela voz do locutor gaúcho, Heron Dominguez, do Repórter Esso, da Rádio Nacional, noticiava, às 7 horas e 50 minutos, em edição extraordinária: "Acaba de se suicidar, desferindo um tiro de revólver em seu coração, o Presidente Getúlio Dornelles Vargas, nos seus aposentos no Palácio do Catete. Todas as unidades do Exército decretaram prontidão em todo o território nacional. Aguardem por mais detalhes nas próximas horas." Nos dias que antecederam o suicídio de Vargas, havia um clima de pré-revolução, com o jornalista Carlos Lacerda liderando os ataques contra o primeiro mandatário da Nação, pedindo o seu afastamento, mesmo que diretamente contra ele nada houvesse. Apenas alegavam que os homens de sua confiança praticavam atos de corrupção. Estava eu escalado pelo gerente da Rádio Passo Fundo, senhor Celso Fernandes, para abrir as transmissões da emissora que começavam sempre às 7 horas. Recomendou-me que, juntamente com o operador de som, ficássemos com o radio ligado e sintonizado com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, pois era eminente a saída de Getúlio Vargas do governo. Ao voltarmos ao ar com a programação da emissora, ouvimos, às 7h50, a edição extraordinária do Reporte Esso, dando a infausta notícia. Logo fui ao microfone e alertei a população de Passo Fundo e região para o trágico desfecho. O primeiro a chegar na emissora foi o médico, dr. Paulo Fragomeni, que estava no plantão do SAMDU e não se conformava com a veracidade da notícia, pois, pelo visto, era um grande admirador do Presidente. Vieram depois os líderes do PTB, Arthur Canfield, Ernesto Formigheri, Wolmar Salton, Ney Menna Barreto, César Santos, Benoni Rosado, João Cúrio de Carvalho, todos em busca de detalhes, alguns sem acreditar no que estava sendo noticiado. Após, uma multidão, especialmente operários e estudantes, tomou as instalações da emissora. Logo chegaram os comandos do Exército e Brigada Militar. Tudo parou na cidade. O povo começava a tomar as ruas, calçadas e avenidas, alguns chorando e sem saber para onde se dirigir. Logo vieram as notícias preocupantes, especialmente depois de ter sido lida a Carta Testamento, deixada pelo Presidente, começou a invasão nas sedes dos partidos que faziam oposição a Vargas. A primeira que foi invadida foi a sede da UDN, partido que mais combatia a situação. Ficava nas proximidades da Praça Tochetto. Atiraram máquinas de escrever, armários, arquivos, tudo na rua pisoteado pelo povo. A segunda sede foi a do PRP, outro partido que muito combatia Vargas e seus seguidores. Esta mais no centro, na subida da General Netto, próximo à Praça central. O tumulto chegou à noite. Um grupo de exaltadas tentou investir contra a sede do jornal Diário da Manhã, quando brigadianos a cavalo chegaram e se colocaram na frente do prédio. Ouviram-se vários disparos, não se podendo identificar se dos populares ou dos militares, todos armados com fuzis. Por volta das 21 horas, viu-se, caído sobre seu cavalo o jovem Aspirante Jenner, que levado para o hospital, lá chegou já sem vida. Seu nome está hoje numa avenida que inicia defronte ao Regimento da Brigada Militar, numa justa homenagem por ter morrido lutando contra a violência. A reação popular foi geral em todo o país. O sepultamento de Vargas teve detalhes nunca igualados em toda a história política brasileira, desde a saída do corpo do Rio de Janeiro, até sua chegada em São Borja.Os tumultos em Passo Fundo duraram somente um dia, o 24 de agosto de 1954.

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Flagrantes - 21-22/08/2010
Segunda-Feira, 23/08/2010 por Meirelles Duarte

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Wolmar Salton, o segundo patrono do Gaúcho - 21-22/08/2010
Domingo, 22/08/2010 por Meirelles Duarte

Na sequência dos relatos dos grandes vultos que tivemos, incluindo aqui os que se destacaram nas direções de nossos tradicionais clubes de futebol, vamos hoje conhecer um pouco da vida deste valor marcante em vários setores de Passo Fundo, que foi o bento-gonçalvense Wolmar Antonio Salton. Se vivo fosse, completaria seu centenário no próximo ano, eis que nasceu em 26 de abril de 1911. Seus pais foram João e dona Melênia Salton, imigrantes italianos, fundadores da Vinícola Salton, ainda hoje uma das mais destacadas empresas do ramo, cujos produtos que levam o nome da família são consumidos em vários paises, inclusive europeus.

Quando completou 13 anos, Wolmar Salton chegou em Passo Fundo, acompanhado dos familiares. Aqui seu pai mudou de ramo, pois deixou a vinícola para um irmão e assumiu as atividades no ramo madeireiro. O garoto Wolmar foi mandado para Santa Maria para estudar, onde concluiu, em l932, o curso de contador. Regressando a Passo Fundo, conheceu uma jovem cuja família era das mais acatadas e admiradas na cidade. Seu pai, Armando de Araújo Annes, tornou-se um dos maiores líderes políticos e a mãe, Doralina Mader, representava outro ramo de família de larga tradição. A jovem era Irma Helena Salton, que seguindo os sentimentos paternos, tornou-se uma das mais atuantes líderes da política municipal, o que levou o seu esposo, Wolmar, a marcar na história administrativa de forma destacada e honrada.

O casamento ocorreu em 19 de setembro de 1946. Do enlace tiveram os filhos Carlos Armando, Jorge Alberto, João Antonio e Maria Luiza. O ingresso nas lides políticas ocorreu logo após o casamento, eis quem já em 1947 elegia-se vereador pela coligação PTB-UDN. Em 1951 foi reeleito pela mesma coligação. Em 1955 foi eleito para a primeira e exitosa gestão como prefeito, tendo Benoni Rosado como vice, que se tornou seu sucessor. Organizou toda a extensa programação de nosso 1º Centenário, em 1957. Voltaria com o médico Firmino Duro como vice, em l976, deixando o governo na metade do período, vítima de enfermidade que o levou em 1º de setembro de 1984. Muitos desses dados, fui buscá-los na magnífica obra de Welci Nascimento e Santina Rodrigues Dal Paz, Vultos da história de Passo Fundo. Vamos concluir falando do segundo e grande patrono que teve o Gaúcho na pessoa de Wolmar Salton. Tanto era o seu amor pelo clube alviverde que, quando recebeu o título de cidadão passo-fundense, ele pediu que lhe fosse entregue na sede do seu clube do coração. Todas as diretorias que teve o Gaúcho sempre mantiveram-se não só ligadas oa seu patrono como dele sempre receberam o necessário apoio, inclusive financeiro, para o bom andamento da vida do clube. Nos últimos meses de sua apreciada e tão valorizada existência era levado pelos seus filhos para o pavilhão do estádio, que até hoje tem seu nome, para continuar vibrando com as memoráveis jornadas alviverdes. Sua esposa e filhos muito contribuíram com a agremiação. João Antonio com apoio financeiro, Carlos Armando como membro de diretoria e Jorge promovendo e estimulando as categorias de base.

Em uma inesquecível comemoração, do título regional de 1961, foram, jogadores, diretoria e torcedores, até a residência do patrono, levando um barril de chope. Eis que inesperadamente chegam os portadores de foguetes para marcar aquela conquista. Imediatamente a senhora Irma Helena Salton apareceu e determinou que nenhum foguete fosso utilizado como respeito aos derrotados. Os mais exaltados, cabisbaixos, acataram aquela ordem e tudo ficou ao redor da bebida. Caberia uma coluna exclusiva para relacionar as entidades que o senhor Wolmar presidiu ou ajudou a fundar. As homenagens até hoje bem vivas em nome de ruas e colégios que reconhecem o valor e o quanto ele significou para o progresso de nossa terra e a felicidade de nossa gente, Wolmar Antonio Salton.

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