Homenagem à Manoel Silveira in memorian
Desde criança sempre adorei uma pescaria, afinal este era o momento em que realmente curtia meu querido pai. A beira do rio Jacuí em épocas que a pesca de dourados e pintados era abundante e não existia fome para aqueles que da pesca dependiam.
Unia-me aos tios, e aos tios de meus tios. Velhos pescadores que mais meditavam e contemplavam o rio, os peixes e a lua que despejava seu raio claro de luz do que propriamente se preocupavam com a pesca.
O velho Jacuí, das férias em Porto Ferreira ( em Rio Pardo-RS), que era motivo de correria da piazada para arrumar as coisas quando se falava em pescaria. O cheiro da água se misturava ao cheiro das árvores que hospedavam pássaros coloridos de cantos variados.
O cheiro do palheiro do tio Manoel ( tio de meu pai ) homem que sempre admirei que bebia cachaça com losna em vidrinhos. Seus goles mais pareciam doses homeopáticas, era firme e forte e a medida para tudo era sua característica pessoal.
Certa ocasião quando “tentiávamos” alguns pintados minha linha de pescar trancou. Tentei puxá-la até cortar os dedos. Sem sucesso decidi enrolá-la em um pedaço de galho e puxar até arrebentá-la. Meu tio avô ( Manoel ) disse-me: -Espera guri! Deixa a linha parar que daqui a pouco ela vai soltar. Se não soltar com a insistência da correnteza do rio solta com a insistência de algum peixe querendo a isca do anzol.
Pensei: - Como pode ele prever tal feita se a linha não destranca? De onde ele tirou essa idéia maluca? Mal sabia eu que pensamento de piá é mais ou menos como a visão de uma lagarta que enxerga apenas um pouco a frente. Aliás, o que te faz morrer afogado numa piscina que dá pé normalmente é a ansiedade e o medo e estes não te deixam por o pé no fundo e constatar que o fundo pode dar pé. Nesse caso tive medo de perder a minha linha que passei um tempo pedindo para meu pai e não queria decepcioná-lo com minha falta de zelo.
Quis então experimentar “a espera” para ver se podia ser verdade. Surpreendentemente passados uns dez minutos a linha soltou e quer saber? Havia nela um peixe. Tio Manoel disse-me senta aqui nessa pedra e vou te dizer mais uma coisa que quero que te lembres sempre filho:
A vida é fluida como um rio, muitas vezes a sua linha vai trancar, mas, relaxe, pois, quando ela trancar deixe-a por um tempo e vá fazer outras coisas depois você retorna a ela e acredite, você pode ter surpresas. Vale a pena saber esperar, vale a pena não forçar as coisas, vale a pena ter confiança e fé. Afinal tudo nessa vida tem seu tempo para acontecer e cada pessoa tem seu conceito de tempo de acordo com a inquietação ou a calma de seu coração.
Vale à pena relaxar quando as coisas não andarem, cuide de você.
Valeu tio Manoel amo você e que Deus o tenha bem acomodado no seu melhor pesqueiro.
Paz e luz!
Nelson Ribeiro
www.nelsonribeiro.com.br
Há mãos que abençoam e outras que curam.
As que pedem ajuda e as que auxiliam
As que afagam e as que torturam.
As que dão tapinhas nas costas e as que apontam os defeitos.
As que tapam os olhos, os ouvidos e a boca.
As que nos mostram a direção que devemos seguir e aquelas que nos dizem “vem” com apenas um dedo.
As que acenam no adeus e aquelas que dizem – hei, estou aqui.
As que maquiam e embelezam e as que escondem o rosto.
As que se unem para rezar e as que se separam para aplaudir,
As que moldam, constroem e as que destroem com apenas um botão...
As que puxam o tapete e as que ajudam a levantar.
As que ajudam na subida e as que empurram para a vida.
As que tocam nosso corpo dolorido.
As que nos tiram do escuro ao acender a luz e nos mergulham em profunda escuridão com a mesma tecla.
As que nos seguram para não cairmos do ninho e nos protegem como redoma.
As que aparam a chuva e as crianças quando nascem
As que plantam e as que colhem, quase sempre são as mesmas.
As que nos pedem para ficar e as que nos mostram a porta de saída e nos mandam embora.
As que tocam o coração e com simples um simples gesto, a alma
As que amassam o pão, que pintam, que bordam, que preparam nossa comida, os remédios e os venenos.
As que vibram de alegria e as que com raiva batem na mesa.
Mãos fortes e expostas e as arteiras que batem e se escondem.
As que saúdam o sol e as que tentam tapá-lo com a peneira.
As que juntam o lixo e as que o escondem sob o tapete.
Mãos trêmulas que empunham armas e as que oferecem flores.
As que se entrelaçam entre uma marcha e outra e no silencio de um sorriso contido se fundem e se completam ...
mãos...
Nelson Ribeiro
Siga tranquilamente entre a inquietude e a pressa.
Lembrado que: há sempre paz no silencio.
Tanto quanto possível, sem se humilhar, mantenha boas relações com todas as pessoas.
Fale a sua verdade mansa e claramente e ouça a dos outros, eles também tem a sua própria história.
Evite pessoas escandalosas e agressivas, elas afligem o nosso espírito.
Se você se comparar com os outros, se tornará presunçoso e magoado, pois, haverá sempre alguém superior a alguém e inferior a você.
Você é filho do universo, irmão das estrelas e das arvores.
Você merece estar aqui. E mesmo sem você perceber a terra e o universo vão cumprindo seu destino.
Desfrute das suas realizações, bem como de seus planos.
Mantenha-se interessado (a) em sua carreira, ainda que humilde.
Pois ela é ganho real na fortuna caminhante do tempo.
Tenha cautela nos negócios, pois, o mundo esta cheio de astucia.
Mas não se torne cético, pois, a virtude sempre existirá.
Muita gente luta por altos ideais e em toda a parte a vida esta cheia de heroísmo.
Seja você mesmo. Principalmente não simule afeição nem seja descrente do amor.
Por que mesmo diante de tanta aridez e desencanto, ele é tão perene como a relva.
Aceite com carinho o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os arroubos inovadores da juventude.
Alimente a força do espírito que o protegerá no infortúnio inesperado.
Mas não se desespere com pingos imaginários. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão e, a despeito de uma disciplina rigorosa, seja gentil para consigo mesmo.
Portanto esteja em paz com Deus, como quer que você o conceba.
E quais quer que sejam seus trabalhos e aspirações na fatigante confusão da vida, mantenha-se em paz com sua própria alma.
Apesar de todas as falsidades, fadigas e desencantos, o mundo ainda assim é bonito.
Seja prudente e faça tudo para ser feliz.
Paz e Luz!! Um feliz inicio de ano!!!
Nelson Ribeiro.
Para quem ainda não sabe , ou não sabe por onde ando, acreditem o Projeto transformação em Arte me engoliu, risos...
A dedicação na construção do ser humano em tenra idade é algo fantástico, pois, aprendemos muito mais com eles do que eles conosco.
Aprendemos que as coisas são simples , que tudo é simples e que nós somos os complicadores na ânsia de desfazer o que fizemos na tentativa de educá-los para andar nessa corda bamba que projetamos.
No projeto temos cerca de cinqüenta crianças com idades variadas entre 3 e 16 anos, somos seis Inês, Rafaela, Nelson, Evandro e Rejane, e somos tudo ao mesmo tempo: babás, merendeiros, professores, orientadores, faxineiros e fazemos milagres, o milagre de manter um projeto tão grande com tão pouco recurso. Mas nunca falta quem nos estenda a mão pois acreditem muitas famílias e pessoas contribuíram para que este projeto chegasse onde já chegou. Ainda somos pobres mas somos ricos pela boa vontade daqueles que nos enxergam.
Neste ano que fecha, com “chave de ouro”, abre-se também uma porta para a continuidade do projeto numa perspectiva maior do que se imagina.
Aprendemos todos os dias com as crianças e entre nós mesmos. A vida dá voltas e nessas voltas encontramos a nós mesmos no esforço e na preocupação de fazer cada vez melhor nosso trabalho.
Temos essa certeza porque vemos com clareza o progresso através das nossas crianças no dia a dia do projeto.
Percebemos que apesar de ainda termos que “domar alguns tigres”, sentimos que o fato de caçar um leão por dia não mais nos preocupa pois caminhamos todos juntos e já enxergamos alguma autonomia no grupo.
Educar- não é fácil, acertar- menos ainda, mas acreditamos em nós, em Deus, nas crianças, na família e em nossa missão junto ao projeto, pois estamos transformando também a nossa Vila a Vila Popular..
Lidamos com crianças normais que em alguns momentos refletem uma realidade distorcida fomentada pelo modismo de guetos e padrões comportamentais que visam a provação existencial através da violência e seus reflexos paralelos (drogas, prostituição...)
Mas essa também é nossa realidade e temos que lidar com ela de forma tranqüila para manter a clareza e a serenidade no processo mediador, como rosas que separam o céu do inferno mas que ligam a terra ao paraíso pela proposta de pacificadora, amorosa na construção de um universo que inicia dentro de cada um e assim de forma ainda tímida tentamos apontar para a luz crendo que esta será vista e compreendida por todos..
Obrigado a todos!
Paz e Luz !
Um feliz Natal e próspero ano novo !!!