Os grandes avanços da administração municipal aconteceram especialmente nas áreas de geração de emprego e renda, educação e saúde
Redação/ON
Fotos: Leonardo Andreoli/ON
Pelo segundo ano consecutivo, o Prefeito de Passo Fundo, Airton Lângaro Dipp, concedeu uma entrevista exclusiva multimídia ao Jornal O Nacional. Num diálogo de pouco mais de uma hora às jornalistas Amanda SchAr, Daniela Wiethölter Lopes e a editora-chefe de ON, Zulmara Colussi, Dipp, avaliou alguns setores da cidade, como infraestrutura, meio ambiente, saúde e educação, falou sobre os problemas enfrentados nestes sete anos consecutivos de governo e sobre a sua relação com a base aliada e com a Câmara de Vereadores. Dipp também fez uma projeção do seu último ano a frente da Prefeitura de Passo Fundo e das eleições do próximo ano. O Prefeito encerrou a entrevista afirmando que a partir de 31 de dezembro de 2012 não concorre mais a nenhum cargo eletivo, mas que pretende atuar na política ou na iniciativa privada. Como legado ao município, Dipp afirmou que deixa três grandes investimentos aos passo-fundenses: saneamento básico, habitação popular e infraestrutura.
Emprego e renda
2011 é o penúltimo ano de Dipp à frente da Prefeitura de Passo Fundo. Ano que foi, segundo ele, não muito diferente dos sete anos da sua administração. Avalia que a administração sempre foi baseada no trinômio: geração de renda e emprego, educação e saúde e paralelamente, investimentos em outros setores. “Em 2004, a maior dificuldade do município era o desemprego e a segunda era a baixa média salarial”. Problemas que, conforme o Prefeito foram superados através da atração de empresas, investimentos e incentivos econômicos da gestão municipal. “Mudamos a maneira da prefeitura participar destes processos e ganhamos credibilidade. Sem credibilidade, ninguém se instalaria em Passo Fundo. Sem contrapartida, também não”.
Na sua avaliação, o ano de 2011 foi altamente positivo na área de geração de renda e emprego e o resultado dos investimentos pode ser evidenciado nas contas da Prefeitura, já que nos últimos dois anos o orçamento passou de R$ 185 milhões para R$ 340 milhões, um aumento de 54%. “Hoje as empresas procuraram o nosso município, pois a referência é positiva nas contrapartidas em termos de incentivos econômicos, como terra, área, pavimentação asfáltica, energia, terraplenagem, infraestrutura e todas as obras necessárias para implantação”, relatou.
Saúde
Na saúde, o prefeito assumiu que o município encontra dificuldades na gestão dos serviços. “Essas dificuldades são inerentes ao Sistema Único de Saúde e não dependem do nosso governo, mas os avanços também são visíveis”. Ele citou a instalação do SAMU, da Farmácia Popular, de novas unidades de saúde nos bairros São José, Vila Ricci, Fátima e Zachia.
Lixo
Em 2011, o município reassumiu a coleta do lixo, depois da suspensão do contrato com a Nova Era, interrompeu emergencialmente o funcionamento do aterro sanitário e atualmente vive uma situação emergencial no Rio Passo Fundo que acumula pela segunda vez em um ano toneladas de lixo no seu leito. Mas, para o prefeito Dipp, estes problemas estão com as soluções já resolvidas ou, no mínimo, bem encaminhadas. “O aterro sanitário já cumpriu um papel importante, mas hoje isso foi superado em todo o Brasil e em qualquer lugar do mundo. Nossa meta é implantar técnicas inovadoras que deve ser resolvido, ou pelo menos, em fase conclusiva de instalação até o final de 2012”.
Sobre a atual destinação do lixo, que é levado diariamente a aterros privados localizados em dois municípios da região, Dipp afirmou que o mesmo sistema é realizado pela grande maioria dos municípios de porte médio. “Isso é normal e legal. O importante é que Passo Fundo está recolhendo o seu lixo, pagando as contas e com uma política de destino do lixo com o menor resíduo possível, portanto sem aterro sanitário. Por último, o recolhimento está funcionando plenamente através do trabalho da Codepas”.
Em relação a instalação da CPI do Lixo, Dipp afirmou: “Toda proposta tem que ser respeitada, porque é um direito da oposição apurar se existe algum fato gerador. Se tiver erros na prefeitura, eles serão corrigidos e os responsáveis punidos, mas eu acredito que não há um fato consistente para a abertura dessa CPI. Nós estamos fazendo todos os processos corretos e transparentes. As decisões tomadas, mesmo que emergencialmente, foram feitas através de licitações”.
A capital dos buracos
Durante a crise em torno da campanha popular “Passo Fundo: a capital dos buracos”, Dipp não se manifestou publicamente. “Não concordamos com este posicionamento, mas respeitamos porque é um processo de manifestação popular do cidadão que está insatisfeito com a situação da sua rua ou avenida, e isso precisa ser respeitado. Da mesma forma, também não concordamos porque Passo Fundo não esta dentro de um processo muito diferente de outras cidades de porte médio. Além disso, temos projetos para resolver estes problemas”, explicou. Por outro lado, o prefeito ressaltou que não apoiou a atitude do vereador. “Eu disse para ele que eu não concordava com a manifestação que ele fez naquele momento e daquela maneira”.
Pavimentação
A grande promessa para 2011 era colocar em prática os projetos de infraestrutura financiados pelo BID e Pró-Transportes, mas as obras ficaram mesmo para 2012, já que somente nesta semana, é que os primeiros contratos foram assinados. “A nossa expectativa era que em 2011 nós iniciaríamos esses processos por tudo aquilo que nós já tínhamos apresentado e feito com o BID e com o governo federal. Poderíamos estar numa situação mais adiantada. Mas, infelizmente, tivemos esta demora na liberação dos contratos”, relatou.
Como as obras do BID e do Pró-transportes têm a previsão de conclusão de pelo menos três anos, o próximo gestor do município herdará e administrará o andamento destes projetos. “Gestão se faz com projetos e projetos foram feitos e estão acontecendo”, afirmou.
Saneamento
Neste ano, Passo Fundo começou a receber as primeiras obras da Corsan - após a renovação da concessão - para a ampliação da capacidade de saneamento doméstico. “Hoje Passo Fundo tem apenas 17% de recolhimento e tratamento de esgoto, mas a projeção é que em final de 2013 nós tenhamos 55% de cobertura”, relatou.
Base aliada
Coordenar a base aliada não é fácil em qualquer governo e, em Passo Fundo, não é diferente. São sete partidos coligados na atual administração e que formam a base aliada na Câmara de Vereadores. “Muitas vezes, os vereadores se manifestam positivamente. Outras vezes, eles se omitem, talvez por desconhecimento. Mas, de modo geral, a base está unida. Uma vez mostrado tudo aquilo que está sendo feito, os vereadores tem respondido de forma positiva e há uma compreensão dos partidos políticos de muito mais acertos do que erros na administração municipal”.
Na sua avaliação, a manutenção desta coligação (alguns partidos estão com o Dipp desde 2005), se dá pela unidade em torno de um projeto de governo que foi discutido com a comunidade e debatido nas campanhas eleitorais. “Se nos não tivéssemos organizados politicamente e com resultados em relação as demandas da população, mesmo que o prefeito quisesse segurar os sete partidos, eles já teriam abandonado há muito tempo o nosso governo”.
Secretariado
Para administrar os partidos, Dipp explicou que é essencial dar abertura política e a manutenção da identidade de sigla. “O partido tem que ter a sua identidade. Tem que participar do governo, ter visibilidade. Os espaços são para todos se manifestarem, aproveitarem e obterem dividendos das ações políticas. No entanto, eu mantenho o foco permanentemente nos projetos e exijo muito o foco administrativo dos representantes dos partidos na prefeitura municipal”.
Perspectivas para 2012
No ano que será derradeiro para a sua vida política, a expectativa do Prefeito é concluir os projetos de geração de emprego e renda, especialmente com a inauguração da Manitowoc, no final de março, e da Ambev, a partir do segundo semestre do próximo ano. Na área da educação, a projeção do governo é instalar laboratórios em praticamente todas as escolas de ensino fundamental, a construir pelo menos quatro escolas de educação infantil e ampliar o atendimento da Universidade Popular. Para a saúde, Dipp afirmou que sua meta é implantar definitivamente o SAMU e qualificar o atendimento no Hospital Municipal, além de entregar novas unidades de saúde na vila Fátima, Santa Maria. Na habitação, a meta do Prefeito é fechar o ano de 2012 com mais 2,5 mil habitações populares. “No saneamento, vamos dar um salto de atendimento, oferecendo mais saúde e qualidade de vida a população e as obras de infra-estrutura, que não estarão concluídas no meu mandato, estarão bem encaminhadas, melhorando o muito o nosso trânsito”.
O destino do homem público
"Eu estou projetando o encerramento das minhas atividades como prefeito para 31 de dezembro de 2012. Além disso, já decidi que não vou mais concorrer a cargos eletivos. Mas vou continuar participar do processo político, partidário e, talvez em outros setores. Mas não tenho nada projetado além de umas férias de pelo menos 60 dias com a família", finalizou.
Sucessão
Mesmo manifestando confiança em todos os possíveis candidatos (Giovani Corralo, Renê Cecconello, Juliano Roso e Marcos Citolin), o Prefeito não transpareceu preferência especial por qualquer um deles. Dipp ressaltou que o principal critério de escolha será a viabilidade eleitoral que será definida através de pesquisas, mas que o processo político poderá ser adaptado conforme dificuldades e expectativas que podem surgir daqui para frente. “Os quatro são preparados, são competentes, qualificados, mas o que está em jogo é a eleição, que se dará pela maioria dos votos”.
Oposição
Mesmo sem candidatos definidos, tanto na situação como oposição, as discussões em torno dos nomes estão acirradas há algum tempo. Dipp avaliou que este processo eleitoral particularmente está se antecipando e muito, principalmente pela oposição. “É só nós examinarmos a postura da oposição na Câmara Municipal, tentando criar CPI´s, na tentativa de desgastar o atual governo. Ninguém busca o desgaste do governo se ele não está atingindo suas metas. Caso contrário, a oposição deixaria de lado o atual governo e daria mais visibilidade aos seus candidatos. Acredito que isso demonstra a força do nosso governo e eu tenho a compreensão que muito foi feito e, por isso, eu acredito que nós somos fortíssimos para ganhar a eleição”, analisou.
CONFIRA DOS VÍDEOS DA ENTREVISTA
Parte 01
Parte 02
Parte 03
Parte 04
A coordenadora das Jornadas Literárias, professora Tânia Rösing, completou no dia 1º de março, 40 anos de trabalho na Universidade de Passo Fundo
Texto e fotos: Zulmara Colussi/ONTarde chuvosa digna de um bom café. Entre recordações e indignações a professora Tânia K. Rösing recebeu ON Multimídia no apartamento que mora com o marido na rua Fagundes dos Reis, em Passo Fundo, para uma entrevista cuja finalidade é registrar os 40 anos na Universidade de Passo Fundo, comemorados no dia 1º de março. Uma história que se confunde com a própria história da instituição. A conversa de quase uma hora é insuficiente mesmo que para registrar a síntese do que foi esta trajetória.
Dona de uma personalidade forte e de uma autenticidade invejável tanto quanto detestável (pelos desafetos), Tânia, 26 quilos mais magra, diz que recomeçou uma nova vida a partir da cirurgia de redução do estômago feita em agosto do ano passado. A silhueta mais esbelta não lhe retirou a força com que defende convicções e com que leva adiante a marca sua registrada ou seria uma paixão. Não, talvez, o próprio sentido de ser. Estamos falando da Jornada Nacional de Literatura.
E, foi difícil dissociar Tânia da Jornada. O início da missão de educar empurrou a professora do chamadas turmas do nível científico (o equivalente ao segundo grau) para o mundo da literatura, logo nos primeiros anos da carreira. De professora voluntária em 1965 no Instituto Educacional e depois titular do científico em 1966, Tânia assumiu a disciplina de Literatura Portuguesa em oito turmas da UPF, em 1971 (quatro em Passo Fundo e quatro no curso de extensão da UPF em Erechim). O convite para dar aulas na instituição foi feito pela professora Maria Luiza Gotlieb Stein. Durante um ano e meio viajou pela rodovia ERS 135, retornando pela embarrada Transbrasiliana, quase todos os dias. Com auxilio de um cunhado, piloto de avião que fazia rota para Portugal, reuniu quase três mil títulos portugueses. Coleção esta, que ai deixar a disciplina doou para a Biblioteca da UPF.
De professora passou a coordenadora do Curso de Letras. Em 1975, foi convidada pelo professor Aloísio Grings a integrar a equipe de avaliadoras da redação do vestibular. Com a tecnologia restrita para reprodução de provas, a preocupação era com o sigilo. Paralelamente, foi nomeada coordenadora pedagógica no Cecy Leite Costa, onde também lecionava. Foi neste período que decidiu cursar Pedagogia, no mesmo momento em que fazia o curso de Metodologia do Ensino Superior. Foi na Pedagogia que começou a ver o campo da literatura infantil que surgia como um fenômeno no Brasil. Nomes como Lygia Bojunga Nunes, Ana Maria Machado, Bartolomeu Campos Queiroz, Joel Rufino dos Santos já se destacavam. Diante da realidade, Tânia conversou com o então coordenador da Faculdade de Educação, Padre Elli Benincá, para buscar através dos cursos de férias, a aquisição de livros de literatura infantil, passando a usá-los na formação de professores. “Eu pegava estes livros, colocava em uma caminhonete e todos os sábados pela manhã eu ia até uma praça (Petrópolis, Santa Terezinha, Marechal Floriano) e deixava os meninos e meninas manuseando estes livros. Este trabalho me fez observar o interesse que as pessoas tinham por literatura infantil”.
Da portuguesa para a brasileiraAos poucos Tânia foi abandonando a literatura portuguesa e se dedicando ao ensino de língua portuguesa e literatura brasileira. Na pedagogia, trabalhou com ensino da literatura infantil e juvenil. “Certa vez tive um desentendimento com a coordenadora do curso e ela me fez uma proibição de que eu não trabalhasse mais com literatura infantil na pedagogia séries iniciais, dizendo que no Brasil nunca teríamos oportunidade de oferecer livros para crianças da periferia e que era uma perda de tempo. No mesmo instante em que houve a proibição, para mim se constituiu em desafio. Dediquei-me mais a trabalhar com esse tipo de literatura. Trouxemos pessoas e cursos para falar sobre o tema e foi a partir desta movimentação que surgiram as Jornadas Literárias, em 1981”, contou. Tânia fez Mestrado na PUC e a dissertação comparou o trabalho feito por alunos estagiários de Letras com literatura nas séries de 5ª a 8ª e alunos de Pedagogia trabalhando com literatura de 1º a 4ª séries. A constatação foi de que os alunos de Pedagogia eram mais entusiasmados do que o de Letras. O resultado da pesquisa gerou uma primeira publicação.
Salas de leitura fechadas
No período em que ficou na coordenação do Curso de Letras e em que fazia o Mestrado trouxe para Passo Fundo as Salas de Leituras, através da FAE/MEC. Na região fora criadas 1.107 salas de leituras que depois foram fechadas pela ex-secretária de educação Neuza Canabarro. As escolas que teimaram em manter os espaços agregaram o acervo às suas bibliotecas. As salas de leituras tinham concepção livre. Em Soledade, por exemplo, havia pelegos no chão, onde as crianças sentavam para ler seus livros.
O projeto Encontro Marcado, da IBM Brasil, foi outra proeza da Tânia. A proposta consistia no envio de um vídeo com entrevista de um escritor brasileiro e um bate papo com o público. Mas era só para as capitais. “Nós comprovamos o interesse diferenciado pela literatura e conseguimos o projeto para Passo Fundo. Recebemos aqui Osvaldo França Junior, Inácio de Loyola Brandão, Fernando Gabeira, Rubem Braga, Ferreira Goulart. Uma noite apresentávamos o projeto no Clube Comercial, hiper lotado. Subi num cadeira para pedir que as pessoas não batessem nos vidros porque não dava mais para entrar. Uma pessoa da IBM veio escondido para saber por que Passo Fundo. Ele se apresentou e não quis nenhuma explicação, porque o público presente falava por si só”, relembra. Esta movimentação literária foi o impulso para que as Jornadas deixassem de ser estadual para se transformar em nacional
A vice-reitoria
Em 1991 foi para o Doutorado e quando voltou foi convidada a ser candidata a vice-reitora de Pesquisa e Extensão da UPF. Foi eleita e teve na vice-reitoria a Pós-Graduação agregada à pasta. Neste período, Tânia transformou a Sala de Leitura criada a partir do IFCH, em centro de referência de literatura e multimeios, já há 14 anos em funcionamento. “Ai vieram as jornadinhas, o programa Mundo da Leitura (primeiro na TVE e depois com a UPFTV e Canal Futura) com roteiro muitíssimo bem feito pelo Paulo Becker, produção feita aqui. embora com recursos restritivos”.
Preocupação com a formação de professores
“Trabalhar com pessoas que vão ser professores é estimulador. Em primeiro lugar, é preciso ter talento. Eu vi ao longo destes anos o grande entusiasmo dos alunos e o orgulho de ser professor. Ser professor é tão importante quanto ser médico. Trabalhar com pessoas, com gente que vai mudar mentalidades, transformar realidades é a coisa mais legal da minha vida. Eu sempre considerei o momento de criatividade. Quanto mais criativos nós sermos, tanto mais podemos gerar pessoas criativas. Esse processo, eu penso que declinou”. A manifestação demonstra a preocupação com a formação de professores. Para Tânia Lamentavelmente mudou muito o perfil do público que hoje busca a formação de professor. Considero um privilégio ter, ao longo de 40 anos, juntamente com meus colegas, contribuído para formar professores. Ao mesmo tempo, sinto a responsabilidade que aumenta a partir de agora. Uma coisa é trabalhar com gente motivada, e outra é trabalhar com pessoas que estão preenchendo horas da sua vida”.
As crianças sabem mais do que os professores
Tânia destaca o quanto é importante a formação na trajetória profissional e mais ainda, quanto é importante acompanhar a evolução das coisas. Ela lembra que em 1979, fazia conferências e mostrava os problemas que a televisão causava nas famílias, estimulando os professores a não se envolver com a televisão. “Isso mudou completamente e eu mudei em relação aos meios tecnológicos. Hoje devemos mostrar a importância do uso deles e a necessidade da formação das pessoas nestes meios para poder usar cada vez mais. Deixamos o estágio dos professores formados que sabiam mais que seus alunos e chegamos a uma geração de crianças que sabem mais que seus professores”, adverte.
Falta sonhar mais
Ao ser indagada sobre os momentos marcantes dos 40 anos na Universidade, Tânia disse que uma das coisas que lhe marca muito é o crescimento da UPF. No entanto, diz que isso não a deixa feliz, porque considera que a instituição perdeu tempo e a oportunidade de promover o real crescimento. “A UPF é mais velha que a Federal de Santa Maria. Tenho o maior respeito e admiração por todo o trabalho desenvolvido até aqui, pelas pessoas que fundaram a Universidade, muitas delas omitidas pela história: leia-se César Santos. Considero que houve um esforço dos dirigentes de fazer da UPF uma grande instituição. Mas eu acredito que essa caminhada poderia ter sido outra, e nos tornarmos excelência em diversas áreas. Faltou sonhar mais alto. Faltou o que a gente entende no poema Ode aos loucos. Os loucos são os empreendedores. Faltou empreendedorismo. Quando a pessoa é empreendedora, ela sonha muito alto, ela mobiliza forças. Nós sabemos que precisamos dos governos. Tivemos oportunidades grandes para isso, mas problemas internos de relacionamento impediram. Um atrapalhando o outro. Eu agradeço a oportunidade de trabalhar na UPF. Mas, se a nossa história tivesse sido conduzida com mais empreendedorismo estaríamos em outro patamar”.
Segundo Tânia, a UPF tem condições de buscar este crescimento na excelência de diversas áreas, desde que as pessoas esqueçam as divergências pessoais e internas e trabalhem institucionalmente. Não pensem pequeno porque o sonho da universidade é viável e cada vez maior. Sonho em que as pessoas participam. Não basta fazer economia ou estampar gastos supérfluos. É importante sim, mas devemos ter ao lado da restrição, o investimento. O que vamos fazer para atrair recursos? Temos que pensar de uma forma empreendedora entendendo que não somos o centro do mundo. Temos que ver o que está sendo feito em outros lugares e em outros países. A Universidade não pode ficar restrita ao local e regional”.
Ritmo alucinado
“Minha vida profissional se confunde com missão de vida. Eu faço do meu trabalho profissional um projeto de vida pessoal. Enquanto eu estiver motivada e houver as condições de desenvolvimento disso eu vou continuar. É claro que tem um tempo e eu não sei qual é este tempo. Sou movida a desafios”.
A opção por fazer uma campanha horizontalizada garantiu a Gilberto Capoani votos em 404 municípios gaúchos. Isso não reduz a disposição que tem em trabalhar pelos interesses de Passo Fundo e região
Redação ON
A entrevista com o deputado Gilberto Capoani, do PMDB, eleito para o segundo mandato na Assembleia Legislativa, completa a série do ON Multimídia com os representantes locais no Parlamento Gaúcho. Nascido em Sertão, quando o agora município era um distrito de Passo Fundo, Capoani foi o primeiro prefeito da localidade, tendo se reelegido por outras duas vezes. Seu nome ficou relacionado à cidade, embora sua vida pessoal esteja toda em Passo Fundo onde reside com a família há muitos anos. Na última eleição, mesmo na condição de candidato local, o desempenho nas urnas não demonstrou a recíproca do eleitorado. Foram pouco mais de dois mil votos feitos aqui. No entanto, o parlamentar assegura que é um deputado do Estado do Rio Grande do Sul, que fez votos em mais de 400 municípios gaúchos e que o número de votos feitos em Passo Fundo não retiram o compromisso que tem com a cidade e a região. Nesta entrevista, Capoani fala do PMDB, partido que está em fase de reestruturação, da relação que terá com o novo governo do Estado e dos projetos aos quais pretende se dedicar. Atual líder da bancada na Assembleia, Capoani anunciou a renovação do cargo que passará a ser exercido por Giovani Feltes. Nas comissões, ele cumprirá um rodízio com os demais colegas. Se dedicará, num primeiro, momento às comissões de saúde e agricultura.
O Nacional: Como será o segundo mandato como deputado estadual?
Gilberto Capoani: Primeiro, a gente tem a experiência de um mandato realizado e uma avaliação feita pelas urnas. Esta avaliação serve para demonstrar a satisfação do eleitor em relação ao que fizemos. Pessoalmente aumentamos 44% a nossa votação, passando de 36 mil votos em 2006 para 53 mil em 2010. Entendemos desta forma que houve a compreensão do eleitorado e o entendimento do trabalho que realizamos no primeiro mandato e a compreensão da importância que é a região e da necessidade de termos um representante junto ao parlamento.
ON: O que muda, então?
Capoani: Por outro lado, a partir deste novo mandato, muda o nosso foco. Antes, o PMDB fazia parte do governo estadual. Agora pertencemos a um partido de oposição. Perdemos a eleição e as urnas nos mostraram que o caminho do PMDB é estar na oposição. Não uma oposição raivosa, sistemática, que obstacularize o governo ou crie dificuldades, mas uma oposição de mais cobrança, de fiscalização mais forte exercendo mais o papel de oposição.
ON: O PMDB vive hoje uma verdadeira crise de identidade. Qual é sua posição em relação a esta situação?
Capoani: Eu tenho contestado muito a atuação do PMDB e sou criticado por isso. Acho que o PMDB foi o maior derrotado nas eleições de 2010. Perdemos a eleição para governador, perdemos para o Senado, reduzimos a bancada na Assembleia de dez para oito. Reduzimos a bancada federal de cinco para quatro e de lambuja entregamos a prefeitura de Porto Alegre para o PDT. O PMDB foi o grande derrotado e isso nos leva a uma reflexão: primeiro, na reestruturação do partido e, por isso, que o deputado Marco Alba e eu, contra todos os demais, lideramos uma oposição e fizemos 44% dos votos unificados. Isso mostra que o PMDB em nível de Rio Grande quer sim mudanças. Foi reconhecido este entendimento através da construção de uma nova chapa integrada para promover a renovação. Neste processo foi conduzido à presidência o deputado Ibsen Pinheiro que já vem trabalhando muito no redirecionamento.
ON: A história do partido não condiz com esta realidade atual...
Capoani: O PMDB tem uma história muito linda. O antigo MDB lutou pela anistia, pelas eleições diretas. Teve um papel fundamental na redemocratização do país, na Constituinte. Feito isso, o partido achou que tinha cumprido o seu papel com a sociedade. Perdeu as suas bandeiras. Se perguntarmos para um companheiro qual é o projeto do partido para a educação, para a saúde, ele não sabe. Então, é preciso consolidar estas posições, discutirmos e definirmos o que queremos para cada uma destas áreas. A política é a arte de sonhar, de ter um projeto, um objetivo comum. E uma vez chegando ao governo, colocar em prática aquele plano de trabalho que temos. Se não temos um objetivo e um rumo não chegaremos a lugar algum.
ON: O senhor diria então que o PMDB precisa ser resgatado?
Capoani: Exatamente. É um resgate. O PMDB tem que analisar tudo isso, já está programando reuniões para, a partir do mês de março, discutindo com a sociedade e as nossas lideranças todo este processo. O deputado Alceu Moreira coloca muito bem: “veio a chuva de pedra e levou a lavoura. Agora o solo está aí fértil, adubado e corrigido”. O PMDB tem um potencial humano muito forte. Então é muito fácil ele se reconstruir. Basta que queira e coloque este plano em ação.
E aqui em Passo Fundo, qual é o quadro?
Capoani: Aqui não é diferente. O PMDB já tem marcada uma reunião do diretório municipal para reavaliar e reeleger um novo diretório. O partido precisa se preparar para as eleições de 2012. Nós temos de volta o ex-prefeito Osvaldo Gomes que está se propondo a concorrer novamente. Este é um nome forte com condições de se eleger. O PMDB tem que buscar candidatos a vereadores em áreas que não têm representantes e se preparar para a eleição de 2012 aqui em Passo Fundo e como de resto do Rio Grande do Sul.
ON: O que o senhor espera do atual governo do PT. Será diferente em relação a primeira experiência do partido no Piratini no que se refere a relação de oposição com o PMDB?
Capoani: Eu acredito que o PT está chegando diferente no governo. Na época do Olívio, quando o PT chegou era terra arrasada. Era eles e ninguém mais e se estabeleceu uma verdadeira guerra no Estado. Me parece que hoje o PT está vindo diferente e isso faz com que a reação da oposição seja bem diferente. Além disso, oposição raivosa a própria sociedade não quer. Esse perfil é ultrapassado. Nós queremos fazer uma oposição para mostrar onde estão as falhas e inclusive sugerindo ao governo onde ele pode agir para melhorar a sociedade gaúcha.
ON: Fazendo uma análise do resultado da eleição, como o senhor avalia o desempenho em Passo Fundo?
Capoani: Em primeiro lugar, Passo Fundo é a cidade que escolhi para morar, além de ter nascido aqui, na então localidade de Sertão que pertencia na época ao município. Mas como fui três vezes prefeito de Sertão, isso me identifica muito com a cidade. Eu me considero um passo-fundense. Mas, na verdade eu sou um deputado do Estado do Rio Grande do Sul, pois fiz votos em 404 municípios. Não tinha uma expectativa grande em relação ao município até porque não tivemos um trabalho direcionado. Optamos por fazer uma campanha horizontalizada, mais espalhada. Acho que a estratégia politicamente foi correta porque aumentamos quase 50% o nosso desempenho nas urnas. Mas, maior ou menor votação não diminui a nossa disposição de trabalhar por Passo Fundo e pela região.
A foto deste post é da jornalista Glenda Mendes
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O deputado assegura, porém, que Passo Fundo se mantém como prioridade na atuação parlamentar
Redação ON
Eleito com quase 60 mil votos para em outubro do ano passado para a Assembleia Legislativa, Luciano Azevedo, do PPS, aposta na experiência adquirida nos últimos quatro anos para cumprir o segundo mandato a deputado estadual, a partir do dia 31 de janeiro. Na entrevista ao ON Multimídia concedida na semana passada, ele faz um breve balanço do primeiro mandato, projeto o futuro e fala da relação que o seu partido terá com o novo governo do Estado. A condição de situação para oposição é um grande desafio para o parlamentar. O que não muda na postura de Luciano é a defensa incondicional pelos interesses de Passo Fundo.
O Nacional: O senhor prevê alguma dificuldade no fato de que deixa de integrar a base de situação do governo para fazer parta da oposição ao novo governo?
Luciano Azevedo: Não diria oposição. Diria que nosso partido apenas não integra o atual governo. Recentemente tivemos um período extraordinário na Assembleia em que o PPS deu votos ao governo. E daremos sempre que as propostas do governo se mostrarem adequadas e merecerem nossa aprovação. O governador Tarso Genro declarou no seu discurso de posse que este será um governo de diálogo e respeito à oposição. Ele declarou várias vezes que manterá canal aberto com a oposição e o Palácio Piratini estará aberto. Eu não terei nenhum tipo de constrangimento de levar reivindicações de Passo Fundo e dos setores que eu procuro representar na AL. Não vejo nenhuma dificuldade, não tenho nenhum preconceito e torço para que o governo dê certo.
ON: Outra novidade da Legislatura que se inicia dia 31 de janeiro é que o PPS reduziu sua bancada, de quatro para dois parlamentares. Haverá alguma dificuldade de trabalho? Qual vai ser a estratégia para se desdobrar?
Luciano: Nós perdemos em tamanho. Tínhamos quatro deputados eleitos em 2006 e agora apenas dois. Eu e Paulo Odone. Ele muito envolvido lá com o Grêmio, que obviamente é uma tarefa muito grande. Teremos que nos ajudar. Temos uma relação muito boa e próxima. Teremos que nos multiplicar e ter qualidade no trabalho. Para isso estamos qualificando nossa assessoria técnica em várias áreas para analisar os projetos com mais profundidade, debater temas importantes para o Estado. Se não somos grandes em número, teremos que nos superar com qualidade.
ON: Em particular, sua estrutura de gabinete será mantida a mesma?
Luciano: Mantenho a mesma estrutura, com algumas alterações de peças. Mantenho o escritório em Passo Fundo, que no primeiro mandato atendeu a 2,5 mil pessoas da comunidade. Procurarei manter uma relação próxima com a cidade, continuarei morando aqui, participando dos eventos locais que são importantes para mim, atento às reivindicações individuais ou coletivas da cidade. Tenho uma relação muito próxima com sindicatos, associações de classe. Passo Fundo continuará estando em primeiro lugar no meu mandato. Pretendo aqui me abastecer daquilo que seja importante para a cidade e levar isso ao governo e tentar traduzir com resultados e investimentos aqui. Em Porto Alegre mantenho a mesma estrutura com pequeno ajuste de foco que é de ter a necessidade e a possibilidade de dialogar com um governo que nós não integramos.
ON: O que o senhor pretende mudar para este segundo mandato em termos de atuação?
Luciano: Primeiro, o grande acerto foi continuar morando em Passo Fundo e ter esta relação próxima com a comunidade. Eu não me vejo fora de Passo Fundo e evidentemente para que um parlamentar represente bem sua comunidade, deva conviver com ela. Acho que neste segundo mandato devo participar mais dos grandes debates do Rio Grande do Sul. No primeiro eu cuidei muito de Passo Fundo e das coisas da cidade. Me dediquei muito à organização partidária que permitiu a criação do PPS em mais de 200 municípios e também a encaminhar às reivindicações pontuais de cada municípios como perfuração de poços artesianos, casas populares, ampliação de escolas, abertura de estradas. O que talvez tenha faltado no primeiro mandato e que pretendo fazer agora é participar nas grandes discussões do estado, nos temas estruturais, da política grande. Para isso, preciso de uma assessoria mais qualificada como estamos montando e uma visão mais global do que é o Parlamento, que é o que eu imagino ter com esta experiência de quatro anos.
ON: O que o senhor considera como tema macro?
Luciano: A infraestrutura é fundamental para que o Rio Grande avance. Na semana passada fiz minha primeira visita ao secretário Beto Albuquerque e discutimos questões como a duplicação da ERS 324, no trecho Passo Fundo-Marau. Também acho que é urgente investir na rodovia até Erechim, fazer investimentos no aeroporto que possibilite novos vôos. A qualificação do servidor público e remuneração adequada é outra pauta para o Rio Grande do Sul. E a necessidade de priorizar a produção primária como matéria prima essencial para continuar avançando e crescendo e volte a ocupar o seu espaço no cenário brasileiro.
ON: A partir da próxima Legislatura o senhor ganha outros parlamentares que também representam Passo Fundo no Parlamento. Como será o relacionamento com estes deputados?
Luciano: Espero que seja bom. De minha parte todos têm o meu respeito. A relação que eu tenho com todos os colegas é do mais absoluto respeito e lealdade. Cada um tem seu estilo e jeito de atuar. A comunidade me conhece e eu torço para que todos façam um bom trabalho. O partido não é o mais importante depois que encerra uma eleição. Ele é importante no momento da eleição. Depois de encerrada a eleição o nosso partido deve ser Passo Fundo. A cidade está acima de todas as coisas para quem exerce um mandato estadual. Eu nunca hesitei em optar sempre por Passo Fundo. Eu espero que os outros possam fazer o mesmo.
ON: O senhor acredita que o atual governo do PT será diferente do que foi o primeiro governo com Olívio Dutra, em termos de relacionamento com a Assembléia?
Luciano: Acho que este governo começa com algumas diferenças. Primeiro, ele conta com maioria na Assembleia, o que Olívio não tinha. Não sei o quão sólida é esta maioria, pois só saberemos com o passar do tempo. Mas, há indiscutivelmente uma maioria mais ampla. Até quem perdeu a eleição está no governo, uma atitude que se mostra incompreensível pro eleitor. Mas há uma ampla maioria do governo que poderá fazer as mudanças que considerar necessário. Segundo, o governador tem mostrado disposição para o diálogo, seguindo a receita do governo Lula, que é deixar de lado os preconceitos e questões ideológicas para trabalhar na gestão e isso é positivo. E acho que o momento histórico é outro. Quando o governo Olívio assumiu, havia um histórico de rivalidade, de disputa política entre aquele governo e o governo do PMDB e isso era muito intenso na sociedade. Hoje não há isso. Nós tivemos uma eleição para governador muito tranqüila, uma vitória no primeiro turno legítima e eu espero e creio que o atual governo será muito diferente do que o outro governo do PT.
ON: O PPS já está projetando a eleição municipal de 2012?
Luciano: O partido trabalha para construir uma nominata de candidatos a vereador competitiva. Nossa primeira decisão: não faremos coligação para a Câmara de Vereadores. Nas duas últimas eleições, acabamos elegendo vereadores de outros partidos com os votos do PPS. Nossa decisão é fortalecer a chapa para a Câmara. Tivemos muitas filiações e continuaremos tendo de pelo menos cinco ou seis nomes competitivos, para que o PPS possa assegurar dois ou três vereadores. Quanto à eleição para prefeito vamos começar a discutir depois de março. Não há absolutamente nada de minha parte ou do partido a respeito. A tendência é de que eu cumpra meu mandato na assembléia nos próximos quatro anos.
ON: Na Assembléia como será sua participação em comissões?
Luciano: Um acordo, pelo qual não concordo porque privilegia apenas as grandes bancadas, uma espécie de rolo compressor dos pequenos, o acordo é que o PPS terá a vice-presidência em 2013, mas não terá presidência de comissão. Apenas integraremos duas comissões que ainda não foram definidas.
ON: Em termos de projetos, o senhor já tem um planejamento para o próximo mandato?
Luciano: A pauta de um parlamentar é muito dinâmica e ela se alimenta muito da sua relação com a sociedade. Vou dar um exemplo: tomava café com um empresário há poucos dias e ele sugeriu que eu apresentasse projeto estendendo a lei do bom motoristas para a empresas e assim eu fiz. Eu apresentei mais de 30 projetos no primeiro mandato, alguns mais caros como o que acaba com a pensão dos ex-governadores. O PT sempre foi a favor disso e eu espero que agora com 14 deputados possa me ajudar a aprovar a matéria. Evidentemente que outros temas vão surgir. O que eu pretendo fazer é continuar sendo um deputado que busca recursos para Passo Fundo para todas as áreas. Acho que é isso que melhora a vida das pessoas. O deputado é um facilitador. Alguém que consegue na sua relação com a comunidade compreender aquilo que a sociedade precisa. Tem o dever e obrigação de buscar recursos e investimentos para que as coisas aconteçam.
As fotos desta entrevista são da jornalista Natália Fávero
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