Redação ON
No dia 31 de janeiro tomam posse os deputados estaduais e federais eleitos para o próximo mandato. Passo Fundo terá três representantes no Parlamento Gaúcho. O Nacional inicia hoje uma série de entrevistas com estes parlamentares. O medico Diógenes Basegio, do PDT, é o primeiro a falar sobre seus projetos e metas na estreia como deputado estadual.
Basegio será o presidente da Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa e disse que vai olhar com carinho para Passo Fundo. Uma das suas principais bandeiras será a saúde. O deputado espera que o PDT possa de fato integrar a base do Governo Tarso. Ele será um dos sete parlamentares pedetistas que vai compor a bancada do partido na Assembleia. Disse ainda, que o relacionamento com os outros deputados de Passo Fundo e região é de sintonia. Basegio não descartou a possibilidade de concorrer a prefeito no futuro, mas disse que é cedo para falar disso. O seu foco no momento é a Assembleia LegislativaO Nacional - Como estão os preparativos para o mandato?
Diógenes Basegio - A posse será no dia 31 de janeiro e estamos trabalhando a questão das comissões e dos espaços na Assembleia e também na organização do gabinete que será no quarto andar. Estou levando quatro pessoas de Passo Fundo e vou utilizar cerca de três pessoas que já estão na Assembleia hoje. São conhecidos meus e têm uma vivência boa para dar dinamismo nesse início de trabalho. É um mundo diferente da Câmara de Vereadores.
ON - Como estão os espaços e a bancada do PDT?
Basegio - O PDT terá quatro deputados novos. Com a ida de Ciro Simoni para a Secretaria de Saúde, o Marlon dos Santos, de Cachoeira do Sul assumiu a vaga. A nossa bancada conta com sete deputados: eu, Juliana Brizola, Alceu Barbosa, Marlon dos Santos, Gilmar Sossela, Adroaldo Loureiro e Gerson Burmann. Ela está entre as quatro maiores bancadas e temos alguns espaços importantes. Já tivemos várias reuniões e estamos bem afinados. No início a gente também quer ter os nossos espaços e as comissões são importantes nesse contexto. Eu assumirei a Comissão de Assuntos Municipais. Inicialmente tinha sido indicado para assumir a Secretaria Estadual de Saúde, mas entendi que não era o momento e optei por permanecer na Assembleia. É uma comissão importante porque trata de toda a interface entre o governo de Estado, Assembleia e municípios. Estaremos muito próximos dos municípios discutindo repasses de verbas, problemas de saúde, educação, saneamento...
ON - Como será a relação com o governo do Estado?
Basegio - Espero que essa relação se consolide e não ocorra como nos últimos três governos de Olívio, Rigotto e Yeda. Esperamos integrar de fato a base do governo Tarso, mas não somente de cargos, mas numa construção sólida. Dessa vez sentamos várias vezes com o governador e com o grupo de transição. Acho que essa relação será muito forte. Não é fácil, porque saímos de uma eleição onde perdemos para o Tarso que se elegeu legitimamente. Acredito que ele fará um bom governo. Além da questão política ele quer colocar pessoas que tenham o perfil para ocupar espaços e nós fomos contemplados com bons espaços. A Secretaria de Saúde está entre as mais importantes. O gabinete dos municípios, que será ocupada por Afonso Motta, estará em sintonia com a Comissão de Assuntos Municipais. Temos que pensar bastante antes de entrar na base, porque tem seus bônus e seus ônus. Estando na base vamos votar para o governo. Surgirão projetos que serão polêmicos e vamos ter que estar juntos.
ON - O deputado já está trabalhando no desenvolvimento de projetos?
Basegio - Já temos alguns projetos para apresentar a partir de 1º de fevereiro. Um deles é em relação a mamografia para que os municípios com mais de 10 mil habitantes tenham disponíveis mamógrafos que são os aparelhos para o diagnóstico precoce do câncer de mama. Essa é a doença que mais mata as mulheres gaúchas. Para diminuirmos a incidência e a mortalidade é essencial o uso da mamografia de rotina e nós ainda temos uma dificuldade muito grande porque ainda não trabalhamos as microrregiões na área da saúde. Esse projeto deve contribuir para diminuição da mortalidade a curto e médio prazo. Temos no Estado em torno de 50 municípios que disponibilizam mamografia. É muito pouco. Temos uma população em torno de 3,5 milhões de mulheres que deveriam fazer mamografia no Estado. Passo Fundo é um município privilegiado por ser um centro de referência em saúde. Mas há muitas regiões que não tem acesso a esses exames. Nós queremos fazer uma parceria entre municípios, governo do Estado e recursos federais.ON - Qual será a área que o senhor pretende se identificar?
Basegio - Eu gostaria de ser identificado com a área de saúde porque temos várias ações importantes nesse setor. Temos um Governo de Estado de Saúde que é do PDT e com certeza estará trabalhando conosco. O PDT terá a vaga da 6ª Coordenadoria de Saúde e isso facilitará os trabalhos. Mas tem outras áreas que pretendo atuar. A área de educação em Passo Fundo melhorou bastante, mas ela continua sendo uma bandeira do nosso partido. E também por ser professor universitário há vinte anos, quero trabalhar a questão de investimentos, capacitação e valorização dos professores. Também pretendo ocupar espaço na agricultura. Com a saída dos deputados Jerônimo Goergen e do Cherini ficou um pouco vazio essa área. Tenho recebido um apelo grande dos micro, pequenos e grandes agricultores. Mas também pretendo me dedicar nas áreas de segurança e geração de emprego e renda.
ON - Como estão as negociações para o novo coordenador de saúde?
Basegio - Os municípios que tivessem deputados do mesmo partido do secretário Estadual indicariam os seus coordenadores. A nossa coordenadoria tem 58 municípios e é a segunda maior do Estado. Por Passo Fundo ser um pólo de saúde, buscamos e discutimos muito quem seria o coordenador. O secretário Ciro pediu que fosse uma pessoa que tivesse o perfil e estivesse alinhado com as questões da saúde. Buscamos várias alternativas e acabamos indicando o Alberi Grando para delegado da saúde. Ele já foi coordenador e também secretário nas gestões do perfeito Dipp e faz parte do Conselho Regional de Medicina. Grando está preparado para desempenhar esse cargo e deverá desempenhar muito bem. O Ciro fará as nomeações a partir dessa semana.
ON - O vereador Luiz Miguel e o senhor disputaram quem seria o candidato a deputado estadual pelo partido. Ficaram mágoas?
Basegio - Da minha parte nunca houve essa mágoa. Hoje o ambiente está muito bom. Mantemos uma relação de companheiros de partido e respeito ele. A nossa relação está bem.
ON - O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) fez um apontamento na sua prestação de contas. Como está a situação neste momento?
Basegio - Tivemos cerca de seis ou sete deputados que tiveram apontamentos. Na verdade, o partido a nível municipal não poderia fazer doação para campanha de deputados se não houvesse uma conta específica do partido aberta com seis meses de antecedência. Essa conta seria para justificar a entrada de recursos na conta do partido para depois transferir para a conta do candidato. Tenho que reconhecer que fomos ingênuos. Mas o dinheiro foi depositado e declarado. Se pecamos foi por lisura demais. Já foi julgado no Estado e está no TSE, mas já temos referência que será aprovado lá. De fato o que aconteceu não caracteriza má fé até pelo valor. Foram R$ 12 mil. Um valor pequeno se comparado com outros candidatos que tiveram cifras acima de R$ 100 mil. O próprio Ministério Público Eleitoral entendeu que houve um equívoco. Isso não interfere na posse.ON - Como será a sua relação de trabalho com os deputados Luciano Azevedo e Gilberto Capoani?
Basegio - Já conversamos muito e a sintonia será muito boa. Entendo que Passo Fundo e região ganharam muito com a eleição de todos nós. Já tínhamos o Luciano e o Capoani e agora teremos o Basegio. Queremos somar esforços e poder trabalhar mais por Passo Fundo e região. Por ser da base do governador poderemos de repente trabalhar com uma tranquilidade maior, mas acredito que todos os bons projetos serão aprovados. Tenho procurado ouví-los, porque eles já têm experiência.
ON – O senhor pretende permanecer os quatro anos de mandato?
Basegio - Fui eleito para deputado estadual, tanto que quando o partido me indicou para secretário de Saúde eu agradeci, mas preferi assumir a Assembleia Legislativa como deputado estadual e estou focado nisso.
ON - Então o seu nome está descartado para a prefeitura de Passo Fundo?
Basegio - Acho que é muito precoce para afirmar isso. Sempre digo que qualquer cidadão gostaria de ser prefeito da sua cidade. Acho que está começando uma discussão interna dentro do partido com bons nomes. O prefeito Dipp não concorrerá nas próximas eleições. Mas, no momento estou focado na Assembleia, no entanto, sempre vou escutar o meu partido.
As fotos deste post são do Jornalista Leonardo Andrioli/ON
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O prefeito Airton Dipp foi o entrevistado do ON Multimídia, nesta semana. Dipp fez um balanço de 2010, projetou os próximos dois anos. Disse que dará prioridade para a infraestrutura e reconhece que este tem sido o gargalo da administração. Ele anunciou que não pretende mais concorrer a cargos eletivos e que a pretensão do vice Rene Cecconello em disputar a prefeitura em 2012 é legítima. No entanto, advertiu que o PDT é um grande partido e certamente também terá candidato.
O Nacional - Qual é o balanço que o senhor faz de 2010
Airton Dipp - Foi um bom ano para a administração municipal. Foi um ano de muitos projetos, mas poucas realizações concretas.
Corsan
Conseguimos formalizar com a Corsan a renovação do contrato de concessão em 25 anos. Há uma previsão para que nos próximos três anos 55% da população seja atendida pelo esgoto cloacal tanto recolhimento como destinação e nos próximos 18 anos a universalização dos serviços. Considero um avanço grande para Passo Fundo já que existem recursos para os três anos de R$ 35 a R$ 40 milhões já contratados. Em termos de qualidade de vida, saneamento básico e saúde pública é um passo importante. Foi um ano de projetos e a execução está acontecendo agora.
BID
O mesmo acontece com o BID. Concluímos as negociações, assinamos os contratos e estamos com várias licitações prontas esperando o aval do banco internacional para colocarmos em prática. Para esse semestre devemos priorizar a pavimentação do acesso do distrito Bela Vista, o plano de desenvolvimento econômico que é um projeto que inclui a plataforma logística com o projeto executivo detalhado e as primeiras intervenções no anel viário em 2011.
PAC 2
Nessa fase de projetos que é bem desgastante, conseguimos juntamente com a Secretaria de Planejamento a aprovação do PAC 2, pelo Governo Federal. Foram aprovados R$ 22 milhões em pavimentações asfálticas para os bairros Santa Marta e Integração e o projeto de detalhamento da drenagem urbana do município. Ter um projeto detalhado significa acesso a financiamentos ou ao próprio Governo Federal. Da mesma maneira, tivemos a aprovação de duas escolas de Educação Infantil e estamos aguardando a aprovação das Unidades Básicas de Saúde.
ON - O que esperar daqui para frente?
Dipp - Nossas diretrizes para os próximos dois anos estão concentradas na manutenção dos investimentos na área de desenvolvimento econômico, na educação e na saúde.
Desenvolvimento Econômico
Faremos um esforço de conceder área para empreendimentos inovadores. Vamos ter que adquirir novas áreas, porque os Distritos Industriais estão lotados. Quando assumimos construímos dois distritos industriais. Um já tinha a área que era arrendada no bairro Petrópolis. Nós recuperamos a área da prefeitura fizemos o investimento da BSBIOS e todos aqueles terrenos estão comprometidos. O outro distrito onde está instalada a Italac foi adquirido pela prefeitura e está praticamente toda ocupada. Chegou o momento de fazer mais investimentos, mas queremos investir em indústrias que tragam inovações para Passo Fundo e que sejam especiais para a cidade ou na geração de emprego, ou no investimento ou no PIB. Vamos divulgar no dia 17 de janeiro o novo investimento em Passo Fundo. Inicialmente faríamos a divulgação em Passo Fundo, mas devido a importância faremos no gabinete do governador Tarso Genro. Ela não gera tantos empregos. Na primeira etapa vai gerar cerca de 200 empregos e na segunda etapa outros 200. Mas os investimentos na primeira fase serão em torno de R$ 80 milhões e o PIB na primeira fase será de R$ 400 milhões. Ela já sai no patamar da BSBIOS. Na segunda fase que poderá demorar dois ou três anos, ela chegará a um PIB de R$ 1 bilhão. Esta empresa já vende o seu produto para a América do Sul, só que o produto hoje vem dos Estados Unidos. O município vai adquirir uma área de 45 hectares, junto a Ambev.
Educação
Concentrar investimentos na Educação Infantil e para isso temos os recursos do PAC e próprios. Essa é a grande demanda do país e de Passo Fundo. Estamos com o ensino fundamental universalizado, a Universidade Popular está com vagas disponíveis e a educação infantil está com uma demanda reprimida ou seja, essa situação impossibilita muitas mães de trabalhar porque não tem onde deixar os seus filhos.
Saúde
Um dos objetivos é fazer a integração de redes entre a unidade básica que passa pelos Cais, UPA (está com o projeto aprovado, mas não temos a liberação de recursos), Samu (está tudo pronto para iniciar em janeiro, mas faltam alguns ajustes) com os prontos socorros dos hospitais e hospitais para dar um resultado efetivo para o atendimento à população.
ON – As mudanças ocorridas no secretariado eram importantes. Outras devem acontecer?
Dipp - As mudanças aconteceram dentro de um processo natural durante o final do segundo ano de governo. Colocamos um técnico na secretaria de Obras. Na Secretaria da Saúde foi uma mudança projetada, porque já estava acertado que o secretario Alberi Grando assumiria a vaga na Câmara de Vereadores. O Dr. Jairo Caovila assumiu então no lugar de Grando. A mudança na Secretaria de Cultura e Desporto não estava projetada e há 30 dias o secretário César Augusto Azevedo dos Santos sinalizou que possivelmente estaria deixando o município e definimos com o PC do B que no dia 17 de janeiro, o atual diretor do Hemopasso assumirá essa Secretaria.
Secretaria de Segurança
Nomeamos o secretário Márcio Patussi para a segurança porque ele tem o perfil para Passo Fundo. Ele é advogado, professor universitário, tem a sensibilidade para a atividade social e capacidade de fazer a interação com as instituições que fazem a segurança pública desde o Ministério Público até a Brigada Militar. Teremos um secretário que irá cumprir com os objetivos. Brinquei com o Zé Eurides na reunião que a pesquisa interna da prefeitura apontou que a segurança pública é a maior demanda da população do município. É um processo que terá que evoluir ao longo dos anos. Passo Fundo está mais maduro sobre a importância da segurança pública. Temos quatro projetos aprovados pelo Pronasci, entre eles mulheres da Paz e Câmara de vídeos. Tem processos que já passaram por licitação e outros estão em fase de licitação. O gabinete de integração de segurança está funcionando. O Ermindo Simonetti, interino desta pasta, antes de sair de férias fazia reuniões sistemáticas com representantes dos órgãos de segurança.
Hemopasso
É um departamento da Secretaria de Saúde, pela sua estrutura ela tem um papel muito importante. Tenho preservado os espaços políticos dos partidos que compõem a base. A palavra final é minha, mas sempre recebemos três nomes e escolhemos um. O PC do B indicará alguns nomes e se o partido não tiver nomes disponíveis faremos outra indicação. O Alex Necker está fazendo um ótimo trabalho no hemopasso. Ele conseguiu resolver pendências de liberação de recursos do Governo do Estado, pendências em cronogramas de obras, tem uma interação muita boa com os servidores e é preparado. Ele é um advogado e é muito bem preparado.
ON – Uma curiosidade de todos. Qual é futuro político de Airton Dipp?
Dipp - Também estou curioso em relação ao meu futuro. Ainda não tenho uma projeção. Quero fazer um ótimo governo e tenho dois anos para recuperar algumas questões que precisamos melhorar e tenho certeza que farei um governo muito bom. Feito isso cumpri aquilo a que me propus ficando mais quatro anos a frente da prefeitura, dando uma resposta aos passo-fundenses. Quem faz um bom governo abre portas para o futuro. Não pretendo mais concorrer a cargo eletivo. São muitos fatores que me levam a essa decisão, mas não vou citar nenhum deles. Isso não significa que não vou continuar fazendo política, ou a trabalhar com o meu partido. Não significa também que eu não possa ter oportunidades no governo estadual, federal ou empresa privada ou trabalhar na engenharia. Neste momento eu tenho definidas duas coisas: fazer um bom governo e não concorrer mai
ON – Que parâmetro o senhor utiliza para comprar o seu governo?
Dipp - Não faço a comparação do meu governo com administrações passadas (antes de 2004). Minha comparação atual é com o meu próprio governo, de 2008. Se compararmos os oito anos tivemos um avanço importante para Passo Fundo. A prefeitura foi um dos protagonistas fundamentais para isso. Quero fazer um ótimo governo em relação ao meu governo. E esse é um desafio nos próximos dois anos.
ON – Como está o relacionamento com o Legislativo?
Dipp - A eleições para presidência da Câmara sempre é um processo difícil. Houve uma disputa entre vereadores que compõem a base do governo sem prejuízos a esta composição. Adotamos algumas posições claras antes da disputa eleitoral. Agora a disputa é uma disputa da Câmara e se houve avanços com a situação ou oposição há uma independência entre eles. O que considero é que a maioria da base aliada é vencedora. Eu estou satisfeito com a minha base. A expectativa era trazer mais um partido, mas, não trouxemos para não melindrar os demais e respeitar algumas posicionamentos do PDT.
ON – O vice-prefeito Rene Ceconello já manifestou disposição em concorrer a prefeito em 2012. O que o senhor pensa a respeito?
Dipp - Se a candidatura do vice-prefeito René Cecconello se concretizar em 2012 ela é legítima e natural. Ele é o vice-prefeito de uma aliança conosco, perfeitamente integrado com o nosso trabalho. É um direito seu incontestável. Não podemos antecipar uma eleição onde não há nenhum compromisso dos partidos que compõem a base em relação a composição desses partidos para 2012 e em relação a nomes. Temos que continuar com o nosso projeto integrado cada qual aproveitando o seu espaço político e lá na frente ocorrem as definições. O meu partido o PDT é o maior partido do município e terá candidatura própria, poderemos estar aliado com o PT em um projeto maior, quem sabe a uma candidatura a vice do Cecconello, ou estarmos separados. Mas isso não significa que ambos não tenham legitimidade para buscar a prefeitura. Essas candidaturas não dão direito para desestruturarmos a nossa gestão. Há um respeito mútuo.
ON – O senhor acha que o PDT errou na eleição ao governo do Estado se aliando ao PMDB?
Dipp - Deixei claro na reunião do diretório e fui um dos poucos que me manifestei contra a composição com o PMDB na disputa ao governo do Estado. Fui um dos poucos que reconheceu a importância do prefeito Fortunatti assumir a prefeitura de Porto Alegre, mas que nós não tínhamos afinidade com o PMDB em uma campanha estadual e que teríamos dificuldades, mas que eu me renderia a decisão da maioria. Fui dos primeiros a abraçar a campanha que foi muito boa em Passo Fundo. Não fugi da campanha e fiz a campanha para Fogaça e não me arrependo disso. Considero que ele buscou o máximo possível, mas dentro de uma estrutura que não foi uma das melhores. Com a situação que se apresenta agora, entendo que a relação institucional independe dos partidos que compõem o município, Estado e União. Depende muito mais da elaboração de bons projetos. O sucesso em obter recursos depende também da credibilidade do governo municipal. No entanto, tendo o PT como vice na nossa administração a interação com os governos da presidente Dilma Rousseff e o governador Tarso Genro, fica facilitada e as portas são abertas. Mas, é preciso apresentar bons projetos.
ASSISTA OS VIDEOS DA ENTREVISTA COM O PREFEITO AIRTON DIPP
Beto Albuquerque assume dia 1º de janeiro de 2011 uma das secretarias mais importantes do governo estadual: a infraestrutura. Na entrevista multimídia de ON, ele falou de projetos e prioridades
Redação ON
O deputado federal Beto Albuquerque, futuro secretário de Infraestrutura no governo de Tarso Genro participou esta semana da entrevista multimídia organizada pelo Jornal O Nacional. A entrevista contou com a participação de cinco jornalistas, teve produção de vídeo, áudio e os principais tópicos foram postados via Twitter. O parlamentar acabou com o suspense que existia em torno de uma possível ida para um ministério do governo da presidente Dilma Rousseff. “Está consolidada a ideia de ser secretário de Infraestrutura no governo de Tarso Genro”, assegurou. Beto falou dos projetos que pretende implantar na secretaria, reclamou do tratamento dado para o PSB por parte de Dilma, mas reconhece que o partido não se mobilizou para conquistar estes espaços. Disse que seu compromisso primeiro será a duplicação da ERS 324 entre Passo Fundo e Casca. Fez um balanço da campanha de doação de medula óssea e criticou a falta de fiscalização para a lei seca no país, que é de sua autoria. Acompanhe as principais manifestações do deputado.
Secretaria ou Ministério
“Está consolidada a ideia de ser secretário da infraestrutura. O governo da presidente Dilma não foi generoso com o PSB. Estamos juntos desde 1988, fieis, leais, ajudando o PT em todas as eleições: nas derrotas e nas vitórias. Ajudamos a governar e fomos decisivos para a vitória de Dilma. Elegemos seis governadores, 34 deputados federais e três senadores. No entanto, não recebemos a atenção que merecíamos. Não estamos reclamando de espaço fisiológico, porque somos um partido originário. Então pretendemos é ajudar para que o governo fique fiel aos compromissos que assumiu com a população. Mas a possibilidade de participa do Governo Federal é página virada. A página que está diante de mim é um convite que muito me honra que é o de ser Secretário de Estado de um governador que venceu pela primeira vez na história no primeiro turno.”
Infraestrutura
“Esta secretaria é uma área grande, associada ao sucesso ou ao fracasso do desenvolvimento. Sem infraestrutura as coisas ficam difíceis de acontecer para todos os setores. Mas, estou feliz com este desafio e chamei para atuar ao meu lado pessoas queridas como Claudemir Bragagnolo, que será meu braço direito. Vamos trabalhar juntos todos estes desafios."
Atenção para a ERS 324
“A rodovia ERS 324 será a minha prioridade. Essas melhorias que aconteceram agora, já poderiam ter sido feitas há muito tempo. Quando fui secretário dos transportes em 2001 contratamos estas obras, fizemos uma licitação internacional e a Pavia Pavimentos de Portugal foi vitoriosa. O projeto, na época, já era de construção de terceiras faixas. Só que se passaram sete anos e nós perdemos tempo e vidas. O governo atual está de parabéns por ter tocada esta obra. Mas, a estrada está com capacidade esgotada. O meu compromisso é de, no primeiro dia de governo fazer um inventário definitivo dos projetos existentes a cerca da duplicação e vamos trabalhar para que isso aconteça. Existem outros três trechos esgotados no Estado aos quais daremos atenção: Cruz Alta a Ijuí, Farroupilha a Bento Gonçalves e na ERS 118 na região Metropolitana que é um caos absoluto.”
Viabilidade de financiamentos
“Faremos um programa para enfrentar a ampliação das vias. Estamos preparando cartas consultas a bancos internacionais e ao BNDES, porque além de vias esgotadas, vários municípios não tem acesso asfáltico. São 103 municípios que não tem acesso asfáltico e isso significa mais de R$ 1 bilhão para fazer investimento. Se não formos atrás de uma política de financiabilidade não conseguiremos cumprir nossas metas. Por isso, elaboramos duas cartas consultas internacionais para o Banco Interamericano e Banco Mundial e vamos trabalhar com otimismo junto ao BNDES que poderá financiar algumas políticas de desenvolvimento regional, onde as estradas e os aeroportos são peças chaves para o desenvolvimento.”
Prioridades e projetos
“Nossa prioridade à frente da Infraestrutura será toda a malha viária, que representam as rodovias estaduais com asfalto ou sem. Queremos dar dignidade e reestruturar o Daer, realizar concurso para atender as demandas e fazer projetos de viabilidade financeira.”
Aeroportos
“Os já existentes precisam de modernização, especialmente equipamentos. Vamos dialogar com a nova Secretaria Nacional de Aeroportos do governo federal porque precisamos equipar os nossos aeroportos, especialmente aqueles com ligações para São Paulo. O Salgado Filho precisa ganhar mil metros de pista e a operar com cargas da região metropolitana.”
Hidrovias
“Queremos dinamizar as hidrovias que estão subutilizadas. Nós temos uma riqueza desejada em qualquer lugar do mundo. Quem tem aproveita muito e nós temos e aproveitamos pouco. Minha ideia é retomar o trabalho que vínhamos fazendo que é aumentar e dar condições para a escala do transporte de carga entre Porto Alegre e o Porto de Rio Grande e balizar a navegação noturna.”
Energia
“precisamos dinamizar a área de energia. A CEEE precisa da implantação de uma gestão cada vez mais eficiente, fazer um encontro de contas com o governo federal porque não é admissível que a CEEE Participações continue tendo um prejuízo de mais de R$ 1 milhão por dia. A companhia precisa se associar às políticas de energias limpas, ampliando a energia eólica, pequenas hidrelétricas e criar um novo mercado potencial para agricultores familiares para que aproveitem melhor a matéria prima na geração de energia limpa.”
Ferrosul
“Vamos ultimar a organização da Ferrosul, empresa que reunirá acionariamente os estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Temos que formar a empresa pública para que ela dialogue a segunda etapa da Ferrovia Norte Sul. A primeira está concluída – de Belém do Pará até Panorama, em São Paulo. Agora queremos que ela venha até o Porto de Rio Grande e esse será um trabalho de fôlego que exige planejamento.”
As experiências do governo de Olívio Dutra
“Era outra época. Não tínhamos governo alinhados com Governo Federal. Hoje vivemos um momento melhor, com mais oportunidades, recursos mais baratos para fazer financiamentos de obras. Na época do governo Olívio, os juros eram elevados e tudo era complicado. O Banco Mundial mandava no país. Hoje pagamos as nossas dívidas e o país está em outra situação. Nosso grande desafio é ter uma política de financiabilidade para realizarmos nossos projetos. Faremos uma administração mais madura, porque não queremos brigas e nem disputas. Queremos políticas com resultados.”
R$ 3 bilhões nos cofres públicos
“Não sei se este valor anunciado pela governadora Yeda Crusius é real. Na minha área eu não estou enxergando isto. O orçamento do Daer para o próximo ano é de R$ 322 milhões. Para asfaltar os municípios sem acesso eu tenho R$ 60 milhões e preciso de R$ 1 bilhão. Os convênios que o governo pactuou com mais de 150 municípios este ano e comprometem R$ 200 milhões eu tenho em torno de R$ 20 milhões. Na área de duplicação de rodovias eu tenho R$ 30 milhões, mas só para a ERS 118 eu preciso de R$ 150 milhões para duplicar e mais R$ 100 milhões para retirar as 1.500 famílias que moram em cima da rodovia. Espero que o nosso secretário da fazenda faça a apuração e se tiver este dinheiro no caixa único eu serei o secretário que mais vai querer gastar este dinheiro. Só que não sei se ele é real. Olhando o orçamento do Daer eu fico perplexo porque esperava muito mais recursos orçamentados do que os estão sendo apresentados.”
Relação com o PSB
“O PSB não ficou satisfeito com o espaço ocupado no governo de Dilma Rousseff. No entanto não temos diferenças. Faço o comentário a título de registro, porque acho também que a direção nacional do nosso partido não conduziu bem as negociações. Poderíamos ter encaminhado melhor isso. A primeira coisa que aconteceu conosco foi perder o Ministério da Ciência e Tecnologia e isso foi um erro, porque o PSB deu cara a este ministério, deu importância e o tornou um grande ministério. Neste último ano do governo Lula investimos R$ 47 bilhões em ciência e tecnologia. Esse era um ministério que ninguém queria e nós o transformamos voltando ele para a inclusão digital e a transformação da sociedade, mas perdemos o ministério. Só que isso não nos divide e nem nos separa. Meu pensamento é que o PSB não saiu bem deste processo e acho que a Dilma deve um relacionamento melhor. Teve partido que não apoiou a presidente no primeiro e nem no segundo turno da eleição e ganhou um senhor de um ministério. Entendo a governabilidade, mas não posso fazer de conta que não estou enxergando estas coisas. Sou político.”
Redução do orçamento e aumento de salário
“Esta é uma senhora contradição. Eu não estava em Brasília porque participava de um seminário. Mas, se estivesse teria votado contra por filosofia de vida: nada que não tenha razoabilidade e justeza terá o meu apoio. Evidente que pode ter correção dos salários dos deputados, desde que tenha razoabilidade. Se os deputados elevassem os seus salários e tivessem reduzido outras verbas, isso seria justo. Mas o que aconteceu foi desrespeitoso. Isso só coloca a política e o Congresso no fundo do poço.”
Participaram da entrevista as jornalistas Zulmara Colussi, Daiane Colla, Natália Fávero e Marina de Campos e o jornalista Iura Kurtz como convidado especial.
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