Holanda ou Países Baixos
Quinta-Feira, 02/02/2012 por On the road - Intercâmbio pela Europa

 

Meu texto sobre Amsterdam foi confiscado na fronteira com a Alemanha por conter excesso de lucidez e falta de loucura, diziam, portanto, que era irreal e difamatório. Enfim, ainda lembro algumas coisas de uma cidade onde a maconha é uma planta legal e cara, a prostituição é uma profissão legal e cara, e as bicicletas são transportes muito legais e baratos, em uma cidade sem subida (e nem descida, já dizia o português).

Posso afirmar que em Amsterdam eu vi as vitrines mais bonitas de todos os tempos. Foi no Red Light District, onde as mulheres ficam atrás dos vidros chamando quem pela frente passa. A variedade é tanta que não tem nem como escolher. Em um momento me senti intimidado com todas aquelas mulheres em seus corpos de atrizes pornô olhando para você como se você fosse a coisa mais importante do mundo para elas, ou seja, dinheiro. Os tipos são diversos, há as desinteressadas, as novatas, as femme fatales, as gordinhas e os travestis. Porque se até quem é campeão do mundo de futebol gosta deve haver mais gente que simpatiza.

Mesmo com a venda e o consumo de maconha permitidos em Amsterdam não vi pessoas matando, assaltando, tendo overdoses, fazendo escândalo na rua ou levando a televisão para um coffeeshop – único estabelecimento habilitado para a venda – para trocar por mais droga. Amsterdam é mais segura que Passo Fundo e qualquer outra cidade de porte semelhante. Às pessoas que pensam que maconha e crack é a mesma coisa deveriam fazer uma visita à capital da Holanda e apavorar-se com o clima da cidade. O máximo que pode acontecer é ver algumas pessoas na rua rindo um pouco mais, felizes um pouco demais, o que, pelo que entendo, não é considerado crime nenhum. Nem por isso inexiste tráfico de drogas, e quando isso ocorre as penas são severas e intolerantes. Vale lembrar que o país mantém essa política desde os anos 70, é bastante tempo para desenvolver a regulamentação e a educação das pessoas.

Com toda essa liberdade nas ruas há quem não entenda como a cidade ainda funciona e cresce sendo aparentemente lar de noites homéricas regadas a drogas e prostituição. A resposta é simples, isso não existe. A maioria dos pubs e bares possuem licenças para ficarem abertos só até a 1 da manhã. Após esse horário é proibido beber nas ruas e as pessoas cumprem a lei não por medo de serem multadas, mas porque é lei. Vi menos policiais na rua que em todas as outras cidades que visitei. Ao comprar uma batata frita e uma cerveja, o dono da barraquinha pediu encarecidamente para não beber na rua. Disse que não ia acontecer nada de grave, mas que não era legal, era falta de respeito. Procurando bem se encontra algum bar aberto após esse horário, mas são poucos e esses poucos também não costumam permanecerem com as portas abertas até muito tarde.

A cidade noturna é um atrativo, mas os dias também possuem seus valores. Em Amsterdam as bicicletas têm preferência em tudo, é o meio de transporte dominante. Todos andam de bicicleta, desde crianças a senhoras de terceira idade. A geografia plana da cidade facilita junto com ciclovias espalhadas por todas as ruas. Bicicletas são transportes sérios em Amsterdam e se algum pedestre caminhar pela ciclovia corre sérios riscos de ser atropelado, pois os ciclistas não andam nem um pouco devagar.

Existem bons museus na cidade como o Museu Van Gogh, a casa de Anne Frank e a fábrica da Heineken, mas o mais bonito é a arquitetura. Os prédios que parecem barras de chocolate são estreitos e tortos. Tudo isso porque as pessoas no passado ganhavam um espaço de terreno muito pequeno para construir suas casas, e por isso as construíam para cima, sem se importar com o espaço interno e como subir para os andares superiores.

(Importante: As escadas holandesas em caracol são famosas por terem seus degraus fundos e estreitos. Não é incomum ter que usar as mãos e escalar os degraus para chegar a alguns andares. É divertido, mas cansa).

Justamente por esse detalhe os prédios possuem ganchos no último andar, que são usados para erguer objetos grandes que não podem ser carregados através das escadas, o que em tese é qualquer objeto maior que uma cadeira. Devido a isso os prédios são tortos e parecem que estão caindo ou para frente ou para os lados.

Para finalizar a viagem, uma parte da Holanda camponesa, na cidade de Zaanse Schans, a 20km de Amsterdam. Até hoje os moinhos da cidade estão em atividade, produzindo óleos, tintas e outros ingredientes. É uma volta no tempo e um convite à ventania. Não existe cidade mais apropriada para moinhos do que Zaanse Schans, e não existe nada que não possa voar de sua mão se não estiver segurado com bastante força.

Fotos em:
http://s1081.photobucket.com/albums/j342/flaubifarias/Amsterdam/
http://s1081.photobucket.com/albums/j342/flaubifarias/Zaanse%20Schans/

 

Comentários dos leitores

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Kauê - 10/02/2012 14:14:14

Em Amsterdam, até o Plínio anda de bicicleta...


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Flaubi Farias, 23 anos. Moradia fixa em Getafe/Espanha. Veja mais fotos da viagem no site http://s1081.photobucket.com/home/flaubifarias

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