Libertadores com seis brasileiros
A classificação do Inter nesta Pré-Libertadores já era esperada, mesmo que o “fator Tolima” tenha criado alguns temores dentro do Beira-Rio. O desespero que pudesse acontecer o mesmo que ocorreu com o Corinthians no ano passado não se justificou até mesmo pela diferença de qualidade entre ambas as equipes. Tanto Inter como Flamengo cumpriram com suas obrigações, colocando seis equipes brasileiras na fase de grupos. Mesmo com a volta do temível Boca Juniors à Libertadores, o Brasil é franco favorito para mandar uma equipe ao Mundial de Clubes. Resta secar o Barcelona na Liga dos Campeões da Europa.
Gre-Nal da cobrança
Ainda é cedo para maiores cobranças junto aos treinadores (apesar de já terem caído três neste Gauchão), mas o clássico é sempre um divisor de águas nos momentos mais delicados. Dorival Junior ficou bem na foto com a classificação contra o Once Caldas, mas Caio Júnior certamente terá que conviver injustamente com um ambiente de pressão e desconfiança caso o Grêmio perca o Gre-Nal. Vencendo, recebe uma sobrevida que ficará na dependência de resultados futuros, principalmente da Copa do Brasil, que correrá paralela à Libertadores. O torcedor não tolerará um fracasso nesta competição caso o Inter avance na Libertadores. A comparação regional é sempre cruel e dolorosa.
Gastança despudorada
No último fim de semana, na vitória por 2 a 1 da Juventus de Turim sobre a Udinese, o jogo só aconteceu porque o campo conta com estrutura térmica que ajudar a derreter a neve tão logo ela chegue ao gramado. Digo isto para que o leitor tenha uma ideia do nível de tecnologia utilizado no moderno e confortável Juventus Stadium, para 45 mil torcedores comodamente sentados. Agora vem o principal: custou 120 milhões de euros (R$ 280 milhões), quatro vezes menos que a reforma do Maracanã e três vezes menos que a construção do Itaquerão em São Paulo. Definitivamente, vivemos num país pós-graduado em roubalheira.
Eleição para a FIFA
O presidente da FIFA, Joseph Blatter foi direto: "Michel Platini está pronto, se ele quiser. Ele diz que ainda não sabe, mas bem lá no fundo ele quer isso". Faz tempo que Blatter trabalha nos bastidores para emplacar o presidente da poderosa UEFA no comando da FIFA em 2015. Platini não possui em seu currículo nenhum escândalo no comando da entidade europeia, além de ter sido um dos mais extraordinários jogadores da história do futebol. Tudo ao contrário do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, também pretendente ao cargo. A movimentação nos bastidores é intensa, e o jogo, para lá de pesado.
Alterações nas regras do futebol
A International Board, órgão que controla as Regras do Futebol, estará reunida no dia 3 de março, na Inglaterra para apreciar propostas de emendas às Regras do Jogo. Entre as sugestões está a autorização a uma quarta substituição nas partidas que forem para a prorrogação e análise dos testes com a tecnologia da linha do gol. A discussão mais curiosa é o debate acerca do uso do véu por jogadoras muçulmanas, para atender culturas e costumes religiosos. Até isto a FIFA tem que administrar.
Derrotas merecidas
É simplismo explicar as derrotas da dupla Gre-Nal a partir das atuações de Grêmio e Inter. Quer dizer que do outro lado não tem um time que também joga futebol e entra em campo para vencer? Os clubes do interior hoje possuem uma estrutura bastante razoável, com comissões técnicas eficientes, médicos, preparadores físicos, fisioterapeutas e o principal, uma forma de gerir o futebol com os pés no chão em função da evidente diferença de recursos. No final, é provável que a dupla decida o campeonato, mas terá que jogar. No nome e na camisa não se vence mais futebol.
Explicações esfarrapadas
Explicar, ou pior, justificar as derrotas de Grêmio e Inter por falta de entrosamento é debochar da inteligência do torcedor. A qualidade individual, por si só, já seria o suficiente para que este problema fosse contornado pelos jogadores. Caberia aos treinadores apenas organizar o material humano à disposição. Já foi o tempo em que a dupla Gre-Nal entrava em campo com o "jogo jogado" nas partidas do Gauchão. Um dos problemas é que a maioria esmagadora dos jogadores são de fora do Estado, e não conhecem as peculiaridades locais.
A propósito...
É bom registrar que tanto Lajeadense e Avenida foram prejudicados pela arbitragem em seus jogos. A expulsão do atacante do Lajeadense foi um exagero do árbitro Márcio Chagas enquanto que Jean Pierre de Lima sonegou um pênalti "de concurso" a favor do Avenida. Mesmo assim, os clubes do interior passaram por cima da arbitragem e venceram seus jogos merecidamente. Em tempo: qualquer titular da dupla Gre-Nal, isoladamente, paga a folha de pagamentos inteira de qualquer time do nosso interior.
Futebol: bolha econômica
A economia europeia, falando de forma simplista, está do jeito que está, pela fuzarca com o dinheiro público protagonizada por políticos irresponsáveis. Chegou a fatura. O futebol brasileiro está indo pelo mesmo caminho. Gastança desordenada e leviana, com salários fora da realidade até mesmo para os padrões europeus. E isto que lá os clubes arrecadam três vezes mais que os daqui. Os cartolas estão gastando o que não têm, acreditando em receitas futuras que não sabem se irão acontecer. Apostam alto e no escuro. No momento em que a conta chegar, a quebradeira será geral.
Por falar nisso...
O técnico do Milan, Massimiliano Allegri, renovou esta semana seu contrato com um dos clubes mais ricos da Europa por 2,5 milhões de euros anuais. Convertendo para reais, 500 mil por mês. José Mourinho (Real Madrid) à parte, o treinador milanês é o mais bem pago do futebol europeu. Mais que Guardiola (Barcelona). Aqui no Brasil, tem treinador que fará beicinho e ficará ofendido se oferecerem esta miséria para o "professor". Como dinheiro de clube não é de ninguém...a farra continua!
Contratações
O Grêmio largou na frente com Kleber (alto risco!) e Marcelo Moreno (bom jogador). Quanto a esta negociação de Mário Fernandes com o Real Madrid, desconfio muito. Acho que é notícia plantada para valorizar o jogador, tanto que o clube espanhol lançou nota oficial desmentindo o interesse. Quanto ao Inter, ficou pressionado e acabou pagando 1,4 milhões de reais para antecipar a vinda de Dagoberto e assim dar uma satisfação para a torcida. Como não contratou ninguém até agora e está se desfazendo de vários jogadores, é uma despesa que se justifica. Mas ainda é pouco para quem sonha alto na Libertadores.
Arena e Beira-Rio
Sou cobrado constantemente por não escrever nada a respeito do contrato do Inter com a construtora Andrade Gutierrez. Minha posição é a mesma que tomei em relação à Arena gremista: como não conheço o contrato e não sou advogado, o máximo que conseguiria é dar palpite sobre algo que para mim é o mesmo que "física quântica". Tudo o que viesse a escrever seria na base do "achômetro", ou pior, do "chutômetro". A única coisa certa é que em dois anos, teremos dois ótimos estádios em Porto Alegre. Se é um bom negócio para a dupla, só o tempo irá dizer.
Dinheiro fala mais alto
Os maiores atletas do mundo estão evitando jogar no Reino Unido em função da fúria fiscal sobre os ganhos de esportistas estrangeiros não residentes no país. Rafael Nadal já avisou que limitará suas aparições em Londres ao torneio de Wimblendon. O jamaicano Usain Bolt, vencedor de três medalhas de ouro olímpicas, já vem evitando competir no Reino Unido por causa das leis fiscais. Um problemão para as autoridades britânicas, visto que no ano que vem teremos os Jogos Olímpicos em Londres e não dá para abrir mão dos maiores atletas do planeta.
Salários irão despencar
Clube que estiver contratando jogador por fortunas, está fazendo um péssimo negócio. A partir de agosto de 2012 entra em vigor o "fair-play financeiro" imposto pela UEFA aos clubes europeus, que não poderão ter mais de 40 jogadores sob contrato e uma folha salarial anual de no máximo 180 milhões/euros. O Manchester City já colocou 23 jogadores na lista de dispensas, entre eles Tevez e Roque Santa Cruz o que provocará um efeito cascata na Europa, com muitos brasileiros tendo que voltar por falta de espaço. Isto certamente forçará uma queda nos salários praticados no futebol brasileiro. É a Lei da Oferta e da Procura.
Dilma coloca trava na farra
Luz no fim do túnel da roubalheira. A presidenta Dilma Roussef vetou o uso de recursos do FGTS para obras da Copa/2014 e Jogos Olímpicos/2016. A proposta havia sido aprovada pelos "representantes do povo" em Brasília e envolvia R$ 5 bilhões. Desnecessário dizer aonde boa parte destes recursos iria parar, algo que a presidente sabe muito bem. Segundo Dilma, "A proposta desvirtua a prioridade de aplicação do FGTS, que deve continuar focada nos setores previstos na Lei". Ufah!
Férias merecidas
Entro em férias, prometendo estar de volta em 24 de janeiro. Agradeço a todos que prestigiaram a coluna durante este ano, desejando um Feliz Natal e um maravilhoso 2012.
Santos x Barcelona: covardia
Neymar falou tudo: "hoje aprendemos a jogar futebol". Jogar bola é diferente. O que se viu foi o coroamento de uma idéia, de uma filosofia implantada há dezenas de anos nas categorias de base e que é aprimorada com a contratação de dois ou três jogadores para completar um grupo que possui um conceito de jogar futebol e acredita no que faz. Nada acontece por acaso, e o sucesso do Barcelona é fruto se toda esta formação histórica. É a prova de que se pode aliar espírito de competição com técnica apurada.
Deixamos de ser referencia 1
Questionado se o nível econômico do futebol europeu era o diferencial sobre o brasileiro, o treinador do Barcelona, Pepe Guardiola, respondeu que o time do Barcelona “tem custo euro zero”. Resumo: o time é formado em casa. Claro que isto tem um custo, mas infinitamente inferior ao valor das contratações duvidosas feitas pelos cartolas brasileiros para se promoverem junto aos torcedores.
Deixamos de ser referencia 2
Sobre o nível técnico de seu time, Guardiola disparou contundente: “vocês (brasileiros) jogavam assim”. Faz tempo que deixamos de ser referencia no futebol mundial. Respondam: qual o jogador brasileiro que é verdadeiramente um protagonista em times europeus? No máximo temos bons coadjuvantes. Triste verdade: continuamos deitados no berço esplêndido do “penta” de 2002.
Masoquismo puro
Ao final da partida, o discurso dos jogadores dos Santos era o mesmo: diziam que o Barcelona mereceu o título (coisa óbvia), mas que queriam vencer a Libertadores do ano que vem para terem oportunidade de uma revanche contra o time espanhol no final de 2012. Como assim? Enlouqueceram? Sugiro que torçam para que outra equipe vença a Liga dos Campeões da Europa, caso contrário, serão goleados novamente. Aí, fica feio.
A Propósito...
Fica cada vez mais claro que Neymar tomou a decisão correta de renovar com Santos e ficar por aqui pelo menos até 2014. Quando que ele faria com zagueiros europeus o que ele faz com os nossos? E olhem que a eficiente marcação imposta pelo Barcelona foi leve e suave. E mesmo assim ele não conseguiu jogar. É craque, mas precisa amadurecer muito. Compará-lo com Messi, como queriam alguns, é caso de internação com camisa de força.
Repensando a fórmula
Está na hora da Fifa pensar numa nova fórmula para o Mundial de Clubes com o objetivo de torná-lo mais atraente. A começar pelo local da competição, visto que no Japão não “pinta um clima”. Continentes com maior tradição futebolística deveriam ter mais representantes. Não dá para igualar desiguais. Sei que um novo formato mexe com um calendário apertado, até mesmo em função da época de sua realização. De qualquer forma, há que se repensar este assunto para não correr o risco da competição perder o interesse.