Monteiro se dedica a lutar contra as drogas - 14/09/2010
Terça-Feira, 14/09/2010 por Série entrevistas UPFTV e ON

Redação ON
José Monteiro, candidato a deputado federal pelo PTC, foi o último entrevistado da série realizada pela UPFTV e jornal O Nacional. Desde o dia 23 de agosto, os dois veículos de comunicação apresentaram as principais propostas daqueles que disputam vagas à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados. Ao todo, 14 candidatos foram entrevistados, sendo 10 a estadual e quatro a federal. As entrevistas foram feitas ao vivo no programa Canal de Notícias, levado ao ar às 12h30, reproduzidas no mesmo programa à noite e publicadas na integra pelo Jornal O Nacional. Além disso, as entrevistas foram disponibilizadas nos sites da UPFTV e de ON. José Monteiro é empresário, com 47 anos de idade. Disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados defendendo a bandeira antidrogas. Como ex-usuário de drogas, há nove anos recuperado, diz que a sociedade precisa olhar para este tema com mais atenção, já que o consumo tem sido devastador e atingido todas as classes sociais.

Esta é sua primeira experiência política, candidato?
José Monteiro:
Esta é minha primeira experiência política como candidato, mas já trabalhei em outras campanhas eleitorais.
Como é sua estratégia de campanha, por ser um iniciante?
Monteiro:
Eu trabalho o corpo-a-corpo, porque acho que esta é a forma que dá mais resultado. Viajo muito pelo Estado todo. Sou candidato por Passo Fundo e região, mas tenho percorrido o Rio Grande para levar minhas propostas. “Diga Não ao Crack” é a que mais defendo.
Por que a escolha da bandeira das drogas?
Monteiro:
Porque esta é uma ferida exposta. A sociedade é refém desta epidemia que eu conheço muito bem, porque infelizmente quase destruí por completo a minha vida e a minha família. Hoje, graças a Deus estou há nove anos recuperado, trabalhando e vou continuar trabalhando independentemente de qualquer resultado. Claro que poderei fazer muito mais se for eleito.
Qual é a sua defesa específica relacionada às drogas?
Monteiro:
Começando por prevenção, porque ainda é o melhor remédio. Depois precisamos de uma ação educativa dentro dos lares, se estendendo aos colégios. Por fim, uma ação para recuperação. Precisamos dar uma atenção especial aos doentes, que não são poucos, e que estão destruindo a família e a própria vida. A recuperação, neste exato momento é uma grande preocupação não só minha, mas de toda a sociedade.
Como deve ser feita esta prevenção?
Monteiro:
Se faz através da educação. Precisamos passar para as crianças o malefício das drogas. Droga, já diz tudo, é uma droga. Mas, se ela fosse tão ruim assim, ninguém se viciaria. Só que crianças e adolescentes tem que estar atentos porque as drogas são uma armadilha. Quando alguém oferece maconha, cocaína ou crack, elas não tem noção dos efeitos e, por isso, precisam ser alertadas.
O senhor fala que a educação passa pela família e também pela escola. O senhor acha que as escolas e professores estão preparados para lidar com este tema?
Monteiro:
Infelizmente não. Ninguém está preparado. Nem a sociedade e nem o estado estão preparados para esta epidemia que tem derrubado milhares de famílias. O vício é uma doença que tem afrontado e causado destruição.
Se for eleito, o que o senhor pode fazer para mudar este quadro?
Monteiro:
Eu já faço parte de duas instituições aqui em Passo Fundo e vou continuar realizando o meu trabalho. Se eleito vou ajudar ainda mais as instituições locais e de toda a região e vou me dedicar a conseguir mais clínicas de desintoxicação e casas de recuperação. Hoje, são necessárias a instalação destas casas em municípios acima de 30 mil habitantes, porque estamos tratando de doença, de epidemia.
O senhor aprova o que vem sendo realizado nesta área, aqui em Passo Fundo?
Monteiro:
O município está fazendo um trabalho que não é ruim, mas acho que é preciso muito mais, porque o consumo de drogas está crescendo. E este fazer mais é preciso para não permitir que a situação se transforme num caos incontrolável.
Esse é preciso fazer mais requer o que exatamente: dinheiro público ou mobilização da sociedade?
Monteiro:
As duas coisas. É preciso mobilizar a sociedade e também buscar recursos públicos destinados para as casas de recuperação. Basta querer e fazer projetos para ampliar o atendimento das instituições que já estão aí fazendo um bom trabalho, além de abrir novas. As entidades tem em média capacidade para atender de 30 a 50 internos, mas a demanda é bem maior. Hoje, em Passo Fundo, devem existir cerca de cinco mil pessoas viciadas em drogas, especialmente o crack.
Existe algum político ou deputado que já defenda esta bandeira?
Monteiro:
Acredito que em nível de estado sou o primeiro. Eu poderia vir aqui e defender a bandeira dos pedágios (acho uma vergonha ir a Porto Alegre e voltar e gastar R$ 48,00). Eu poderia chegar aqui e falar em telefonia celular que tem milhões de usuários, na sua maioria descontente. Mas eu decidi assumir a luta contra as drogas, porque é um assunto que eu conheço. Eu entendo que se tivermos menos consumo de crack, teremos automaticamente mais segurança, já que 80% das ocorrências policiais são oriundas da droga. A saúde vai melhorar, porque os hospitais não têm leitos para atender a demanda. A educação também vai melhorar, porque com menos drogas e menos pessoas viciadas, haverá mais educação. Então esta bandeira se reflete em outras áreas, com certeza.
O senhor defende esta bandeira a partir de uma vivência e transmite isso em palestras. Estas mensagens contribuem para auxiliar outras pessoas a sair do caminho das drogas.
Monteiro:
Com certeza. Eu não conheço o problema só na teoria. Eu conheço na prática. Quando faço as palestras, procuro mostrar a desgraça da vida de uma pessoa viciada em qualquer idade, porque não existe idade para começar no vício. Eu tinha quase 30 anos quando entrei para o mundo das drogas. Eu não fui educado para usar drogas, pertenço a uma família de classe média e recebi uma boa educação. Então, no momento em que eu mostro a destruição que as drogas causam, percebo que esta mensagem traz resultados. Eu não digo o que a pessoa deve fazer. Eu mostro que só existem dois caminhos: parar ou morrer.
Na opinião do candidato, o consumo de drogas especialmente o crack é o principal problema no município?
Monteiro:
Este é um dos principais problemas. O crack tem invadido todas as classes sociais. Não é mais como antes, que só se ouvia falar de casos na periferia. Hoje, a droga está em todos os lugares. Precisamos olhar para este problema com muito carinho, caso contrário poderá se tornar trágico.
Considerações finais:
Agradeço a UPFTV e ao Jornal O Nacional pela grande oportunidade dada aos candidatos. Passo Fundo só tem a ganhar com esta iniciativa. Quero dizer para o eleitor que analise o seu voto em 3 de outubro. Vote consciente, porque o voto tem muito valor e eu dou uma sugestão para deputado federal: José Monteiro. Conto com vocês.

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