O vereador Juliano Roso, do PCdoB foi o candidato entrevistado desta sexta-feira pela UPFTV e Jornal O Nacional. A entrevista faz parte da série realizada pelos dois veículos de comunicação. Juliano Roso está no terceiro mandato como vereador. Já concorreu a deputado estadual e neste ano disputa uma vaga à Câmara dos Deputados. Professor de história há 12 anos, Juliano surgiu na política a partir do movimento estudantil, tanto secundário como universitário. Já presidiu entidades estudantis como a UPE e foi vice-presidente da UNE.
Por que concorrer a deputado federal?
Juliano Roso: Sou candidato a deputado federal por dois motivos. Primeiro, porque o espaço político aberto em Passo Fundo e região é para deputado federal. Existem dez candidatos disputando vagas na Assembleia Legislativa e só quatro para federal. Segundo, porque nós temos uma liderança muito expressiva no PC do B, que é a deputado federal Manuela D’Ávila, uma campeã de votos e que deverá puxar mais um companheiro na eleição de 3 de outubro. Somado a isso, está a aliança que fizemos com o PSB, partido que tem outro campeão de votos que é o deputado federal Beto Albuquerque. Então acreditamos que poderemos eleger quatro deputados federais nesta composição. Eu quero posicionar minha candidatura para buscar a terceira ou quarta vaga nesta aliança.
Sua expectativa é de estar entre os quatro?
Juliano: Sim, esta é minha expectativa, em função do trabalho político que tenho aqui, pela expressão do meu nome e pelo resultado dos três mandatos como vereador. Minha candidatura está consolidada. Ela não existe somente para disputar a eleição ou para marcar presença do partido. Outra razão, é pelo trabalho que tenho na região. O PC do B do Norte do Estado fechou com o meu nome. Eu tenho todo um trabalho de relações políticas na região com setores produtivos, com movimentos sociais e escolas onde trabalho. Portanto é possível, por tudo isso, obter expressiva votação.
A sua campanha é local ou regional?
Juliano: As duas. É local, porque sou mais conhecido aqui em Passo Fundo. Portanto nós estamos focados aqui para fazer o voto local, porque cada vez mais o eleitor está votando em candidatos da sua cidade ou região. E eu trabalho para que isso ocorra, porque o município comporta dois representantes na Câmara dos Deputados. Há dez anos nós já tivemos dois deputados federais. Por que não teríamos agora, depois que a cidade cresceu e passou a ter mais importância no cenário político gaúcho? Por isso nossa candidatura é local e, ao mesmo tempo, regional pelo trabalho que tenho feito. Instalei diretórios do PC do B em mais de 40 municípios no Norte, tenho apoio de dezenas de vereadores, secretários municipais e de prefeitos que não são do meu partido. Além disso, tenho uma relação muito forte com os movimentos sociais de toda esta região. Acredito que farei metade dos votos necessários em Passo Fundo e a outra metade nos municípios próximos.
Uma das novidades desta campanha é a utilização da Internet. O senhor tem utilizado esta ferramenta?
Juliano: Eu acredito que a minha candidatura é a que mais tem utilizado a Internet e entende que a liberação da campanha na web é muito positiva. O resultado do aproveitamento destas ferramentas é concreto. Muitos candidatos não têm recursos para fazer outro tipo de material e podem aproveitar o Twitter, por exemplo, que hoje é a grande ferramenta em política. Eu participo de todas as redes sociais e tenho inovado ao utilizar o twitaço, que se transformou em atividade permanente de campanha. Todas as segundas-feiras, às 21h eu faço o twitaço ao vivo, onde as pessoas podem acessar e dialogar, especialmente a juventude.
Um dos seus jingles tem ritmo de ‘rap’ e traz uma mensagem para os jovens. Sua expectativa é continuar atraindo este público?
Juliano: Com certeza. Tenho várias bandeiras, mas uma delas é a questão da juventude, até mesmo por minha trajetória no movimento estudantil. Portanto a juventude para nós é um espaço importantíssimo. No entanto, estamos ampliando e discutindo outras bandeiras para buscar a ampliação da nossa votação e das nossas relações políticas.
E quais são as suas bandeiras de campanha?
Juliano: Eu tenho defendido, principalmente, o desenvolvimento regional, através do debate sobre a consolidação da Ferrosul. Eu fui a liderança política que tomou a iniciativa para debater a passagem da Ferrosul por esta região. Não é por nada que o ex-presidente da Ferroeste Samuel Gomes manifestou apoio a minha candidatura, pelo trabalho que eu tenho realizado neste sentido. Se a Ferroeste passar por aqui vai melhorar muito a questão da distribuição da nossa produção e da vinda de matéria-prima e insumos. Também tenho focado a necessidade de nos constituirmos como pólo metal mecânico. Debatemos a recuperação e política de incentivos a este setor que tem relação com uma cadeia produtiva muito ampla aqui na região. Outro projeto é a busca de alternativas para baratear a energia para usuários e empresas, viabilizando o crescimento. Por fim, a bandeira da juventude que passa pela ampliação do Prouni, pela universidade estadual e cursos técnicos de formação profissional.
No seu site aparecem propostas em 12 diferentes áreas. Essa é uma estratégia para atrair o maior número de eleitores.
Juliano: Na verdade é o trabalho que já realizamos na Câmara. Todas estas bandeiras que defendo como candidato não são novas e nem caíram de páraquedas na minha campanha para buscar votos. São, na verdade, temas que tenho trabalhado ao longo de dez anos como vereador e das minhas caminhadas pelo interior. No esporte, por exemplo, conseguimos atrair recursos para a região, até pela relação que temos com o ministro Orlando Silva, que foi companheiro de militância do movimento estudantil. O esporte, a cultura e a educação são relações que construímos ao longo de dez anos e que estamos assumindo compromisso com estes setores. Ser candidato não basta somente apresentar o nome, o número e a foto. Precisamos discutir bandeiras para o desenvolvimento regional e estarmos comprometidos com elas.
O senhor acha que há uma mudança na forma de fazer campanha, já que parece que ela não empolgou ainda como em outros anos?
Juliano: Eu tenho impressão que, como está se consolidando a vitória da Dilma no primeiro turno e tudo se encaminha para que isso ocorra com Tarso, ao governo do Estado, a população fica mais calma e a eleição parece ser mais tranqüila.
Mas, o senhor não acha que há uma mudança de perfil dos candidatos?
Juliano: Eu acho que não. Tenho feito campanha de rua. Sou o candidato que mais tem ocupado fábricas, escolas, comércio, etc. Tenho feito porta a porta de todos os prédios. Eu tenho feito uma campanha de corpo-a-corpo. É muito importante ter o cavalete na rua, a faixa, usar a Internet, mas nada substitui a presença do candidato nos lugares. E quando se aproxima a eleição a tendência é aumentar este contato direto com a população, porque é a arrancada final e quando o eleitor também começa a definir o seu voto.
Considerações finais:
Quero agradecer ao espaço e a todos que me receberam em suas cidades. É possível a nossa eleição como candidato a deputado federal. Para isso, precisamos contar com o apoio dos eleitores. Precisamos contar com apoio de cada um, porque minha campanha é voluntaria e tenho certeza que conseguiremos aumentar a representatividade da nossa região e garantir mais peso político enquanto região nas grandes decisões do Brasil.
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