Saldo positivo nas contas do município é resultado de uma conta bastante simples e doméstica: não se gasta mais do que se recebe. Ao final do mês, sobra dinheiro. É basicamente isso que tem feito o secretário Cesar Bilibio à frente da secretaria de Finanças. Leva tudo na ponta do lápis. É criticado, por vezes, por ter a mão fechada. Mas, a população agradece, pois afinal o dinheiro que está sendo gerido é público. O resultado foi apresentado no sábado. Em oito meses, o município registrou saldo positivo de R$ 8 milhões.
Um dos pontos que chama a atenção do relatório é que o município conseguiu reduzir os seus gastos com a folha de pagamento. Resultado dos ajustes que foram feitos nos últimos meses. Agora, a folha consome 51% do orçamento, abaixo do que é estabelecido pela constituição.
Finalmente saiu da gaveta a secretaria de Segurança. Os vereadores se posicionaram depois de uma sessão tensa e de muitas manifestações. Também saiu da gaveta a iniciativa do Executivo em ajudar o Festival de Folclore. O que restam das contas, finalmente será pago aos credores. Todos eles, diga-se de passagem, esperaram pacientemente para receber o devido. E esperaram porque tem confiança nos organizadores do evento.
Esta coluna já analisou em outra ocasião e repete a mesma reflexão sobre
a composição que sustenta politicamente a administração do prefeito Airton Dipp. A experiência entre o PMDB e do PDT para o governo do Estado é mais do que uma simples experiência. Pode significar uma aproximação maior entre os dois partidos para daqui a dois anos. A disposição da bancada do PMDB em atender ao apelo do prefeito para que votasse favoravelmente à criação da secretaria indica mais do que simplesmente apoiar um projeto do Executivo. Veremos nos próximos meses ou daqui a dois anos.
Por falar em secretaria de Segurança, especula-se que um dos nomes cotados para a atuar na pasta, não necessariamente como secretário, é o de Carlos Giugno. Militante do PDT, o nome de Giugno é forte por sua experiência no Conselho e em ações voltadas à segurança pública.
No dia 15 de outubro, os amigos do prefeito Airton Dipp vão recepcioná-lo no Gran Palazzo, em comemoração aos 60 anos. O Ministro Gilson Dipp confirmou presença ao evento. Vale dizer que Dipp sempre foi muito reservado em relação a este tipo de comemoração.
* Em dias de chuva é sentida a ausência dos agentes de trânsito em vários pontos da cidade. Na quarta-feira, professores, alunos e pais do Menino Jesus registraram dificuldades para controlar o trânsito nos horários de entrada e saída da escola. Chovia muito.
* José Fogaça fez nova visita a Passo Fundo. Foram duas ocasiões depois de oficializado candidato e pelo menos outras duas na pré-campanha.
* Quem também esteve por aqui foi Tarso Genro que reforçou a promessa de levar um passo-fundense para o primeiro escalão, se eleito for. Quem será???
* A governadora Yeda Crusius, no entanto, candidata a reeleição pelo PSDB, não veio de novo, depois de marcar agenda em Passo Fundo. Ela visitaria a Construmóveis no sábado à tarde, mas cancelou.
Em janeiro, deste ano, uma decisão do Desembargador Nereu José Giacomolli, da 6ª Câmara Criminal do TJRS, mudou a situação de 22 apenados do regime aberto do município de Erechim. Atendendo ao pedido apresentado em habeas corpus pela Defensoria Pública, o desembargador concedeu direito à prisão domiciliar aos 22 detentos. A Defensoria Pública sustentou haver superlotação no presídio e que os apenados cumprem pena na mesma unidade, sem diferenciação pelos regimes aberto e semiaberto. A decisão beneficiou apenas a presos que não foram condenados por crime hediondo ou equiparados, mediante condições definidas pelo Juízo da Comarca.
Decisaõ como esta se multiplica Brasil afora, diante de um sistema carcerário falido e são base de ampla discussão no meio jurídico. A prisão domiciliar é prevista em algumas situações pela legislação brasileira. No entanto, não são todas as instâncias que entendem que ela deva ser aplicada no caso de a Casa Carcerária não oferecer o sistema de albergue (pelo qual se aplicam as penas do semiaberto e aberto). Há entendimento de que, se Estado não tem competência de oferecer à sociedade todos os regimes determinados pela legislação, não pode privar a liberdade do cidadão que cometeu um delito leve, na mesma circunstância de outro que cometeu crime hediondo ou é reincidente no crime.
A decisão que beneficiou os apenados de Erechim poderia ser uma alternativa para o superlotado Presídio de Passo Fundo, que não dispõe do sistema de albergue para regime aberto. A aplicação da decisão de Erechim, no entanto, depende de ações individuais ou coletivas por parte da Defensoria Pública. Mas não deixa de ser uma possibilidade a ser pensada. Tudo o que for feito para minimizar este problema é bem vindo. Estaríamos desarmando aos poucos a bomba relógio instalada nos altos da São Luiz Gonzaga.
A apresentação da Mostra da Cultura Gaúcha, prejudicada pelo tempo, no final de semana passado, não teve o mesmo brilho, no último sábado à tarde, 18. Pequeno público prestigiou as entidades tradicionalistas. O tempo também não colaborou com o tradicional desfile Farroupilha, na segunda-feira. Mas, tirando a imprevisão do tempo, há que se pensar em uma nova fórmula para estes desfiles. A ideia da Mostra, que nasceu em Passo Fundo, precisa ser remodelada para os próximos anos, sob pena de repetição.
Na reta final da campanha eleitoral, os candidatos que tem vínculo ou são mais próximos da cidade, concentram suas atenções nos eleitores de Passo Fundo. A propaganda está muito mais visível e a presença dos candidatos também. Agora é dedicação total ao corpo a corpo, porque é hora de fazer com que o eleitor se defina. A quinzena farroupilha foi um bom momento para este tipo de ação política.
A enxurrada de denuncias contra a Casa Civil do presidente Lula e, mais recentemente, contra os Correios, terá alguma influência no desempenho da candidata Dilma Rousseff? Até o momento não deu para perceber este reflexo. Dilma mantém-se com larga vantagem sobre o candidato José Serra. O grande problema é que passado o processo eleitoral, as coisas caem no esquecimento e daqui mais algum tempo, outras denuncias surgirão. Uma roda viva nada produtiva para o país. Ao contrário, no envergonha.
* Expectativa para saber se a Câmara vota ou não o projeto para pagar as contas do Festival de Folclore de 2008.
* Mandado de segurança contra o prefeito Airton Dipp por não responder pedidos de informações dos vereadores não seguirá adiante. Perdeu o objeto.
* Vereador Rafael Bortoluzzi, PP, autor do pedido, teve suas questões respondidas na semana passada. Foram sete ao todo.
A Câmara de Vereadores de Passo Fundo agiliza a votação do projeto que abre uma possibilidade orçamentária para pagar as contas do Festival de Folclore de 2008. Uma reunião realizada na quarta-feira entre vereadores, Executivo e coordenação do Festival chegou a bom termo. O projeto deve ser votado nesta segunda-feira, segundo promessa da Mesa diretora. Os vereadores comprometeram-se, ainda, de negociar as dívidas para reduzir os valores devidos. Decisão do Legislativo foi pelo bom senso e merece elogios. O povo agradece ao empenho.
No ritmo de fazer cumprir o regimento interno, o presidente do Legislativo Luiz Miguel Scheis, do PDT, informou aos demais vereadores que está para encerrar o prazo para votar o projeto que cria a Secretaria da Segurança no município. Mesmo tendo uma interpretação divergente da procuradoria, não dá para tirar o mérito da atitude do presidente da Câmara. Luiz Miguel tem a prerrogativa de fazer com que os projetos tramitem dentro do que determina o regimento, evitando que fiquem esquecidos dentro de gavetas. Num primeiro momento a matéria seria votada em setembro, mas ficou para outubro. Que assim o seja e aconteça antes do final do ano.
Propaganda eleitoral começa a ganhar as ruas da cidade. Os cavaletes estão em maior número e invadem os canteiros das avenidas. Os motoristas não gostam nada deste tipo de publicidade, porque, invariavelmente, acabam tirando a visão de quem tem que fazer retorno. Mas, o promotor Paulo Cirne está atento a qualquer irregularidade. Tem buscado contato direto com o candidato para sanar eventuais distorções. Outro tipo de propaganda que se tornou comum são as faixas estendidas quando a sinaleira fecha para os carros. Boa parte dos candidatos adotou a prática.
Estranha a não inclusão de Passo Fundo na agenda dos candidatos ao governo do Estado. Com exceção de José Fogaça, que esteve por aqui no mês passado, Tarso Genro e Yeda Crusius ainda não vieram para a Capital do Planalto Médio. Tarso passou por perto, no final de semana. O vice de Yeda, Berfran Rosado, representou a candidata em um ato público na sexta-feira. E, Beto Grill, do PSB, vice de Tarso, participou de caminhada com os socialistas, no sábado pela manhã, no centro da cidade. E foi só...Parece que se foi o tempo em que o município recebia até presidenciáveis.
O PV arrecadou apenas R$ 74 mil em campanha pela Internet. A inspiração para arrecadar fundos para a campanha de Marina Silva veio de Barack Obama. O presidente Americano recebeu doações de mais de três milhões de eleitores, com uma arrecadação que atingiu US$ 500 milhões. Marina foi a primeira candidata da história da política brasileira a tentar arrecadar dinheiro no mundo virtual, mas não convenceu.
Rápidas
* Conselho de Desenvolvimento de Passo Fundo sem pai e sem mãe. Depois da renúncia do professor Elmar Floss, não houve consenso em torno do nome que vai dirigir a entidade.
* Um grupo defende Dimas Froner, que estaria mais alinhado às ideias do Executivo. Outro sugere o advogado Celso Gonçalves, que já presidiu o conselho.
* Mas, nenhuma das duas sugestões seguiu adiante. Pessoas realmente envolvidas com o Conselho estão preocupadas com o seu futuro.
O que dizer de uma Casa Legislativa, constituída para criar leis, se ela não cumpre as próprias regras? Com que moral um legislador pode cobrar do cidadão comum o cumprimento da legislação, se ele próprio rasga o que seria uma norma interna? Pois é isso que está acontecendo na Câmara de Vereadores de Passo Fundo. Alegando ter dúvidas sobre o projeto do Executivo que destina recursos para pagar as contas do Festival Internacional de Folclore, edição de 2008, o vereador Roque Letti, do PDT, pediu vistas ao projeto que estava nas comissões. Passados quase dois meses, o vereador permanece com o projeto em seu gabinete, justificando que não obteve as informações necessárias e, por isso, não permitirá que o mesmo siga a sua tramitação normal.
No capítulo do Regimento Interno em que tratada da formação, composição e funcionamento das Comissões Permanentes do Legislativo Municipal, no artigo 44, parágrafo 8º diz o seguinte: “O membro da comissão que não se achar habilitado a discutir e votar o parecer, poderá pedir vistas pelo prazo máximo de 5 (cinco) dias”. No parágrafo 9º, diz o seguinte: “A matéria em regime de urgência só admite vistas pelo prazo máximo de 24 horas”. Seguindo o que diz o Regimento, no artigo 45 é expresso: “A nenhum vereador é LÍCITO RETER em seu poder matéria de Comissões”.
É legítimo que um vereador tenha dúvidas sobre determinada matéria. É sua obrigação pesquisar e buscar todas as informações necessárias para que vote bem e com consciência. Mas, existe uma regra, um tempo máximo para que isso ocorra. Ultrapassar este limite, mesmo obtendo do Executivo e da própria coordenação do Festival todos os documentos necessários para serem analisados, não é justificável. O que pretende o vereador Roque Letti? Impedir que o Executivo auxilie no pagamento das contas do Festival e possa viabilizá-lo para daqui dois anos? O vereador Roque não quer mais a realização dos festivais em Passo Fundo? O vereador Roque tem dúvidas sobre a licitude do processo, mesmo ele tendo sido orientado pelo Tribunal de Contas?
O que mais chama a atenção é que, mesmo descumprindo completamente o que diz o Regimento Interno da Câmara, a Mesa Diretora sequer tomou providências para dar andamento ao projeto. O Festival de Folclore está ameaçado, sim. Poderá não se viabilizar mais pelo atual modelo, porque a Lei de Incentivos a Cultura não cumpriu com a sua parte, assim como fez com a Jornada de Literatura. Senhores vereadores não fiquem com esse estigma em suas contas. Votem o projeto, simplesmente cumprindo o que diz o Regimento Interno. Vossas Excelências tem todo o direito de não querer aprovar a matéria. Mas, para isso, revelem suas opiniões.
Ao assistir a propaganda eleitoral gratuita de televisão e rádio, a primeira coisa que vem à cabeça é: “já vimos este filme antes”. Pois já vimos, mesmo. Em alguns momentos, o programa mais parece de humor. Promessas descabidas, propostas que não tem nada haver com a função que querem exercer, sem contar na palhaçada de alguns protagonistas. É o cúmulo do ridículo.
Se depender de uma boa parcela dos candidatos a deputado estadual e federal teremos uma excelente educação, um ótimo atendimento de saúde, como unidades instaladas em todas as ruas da cidade, e uma perfeita segurança pública. Os candidatos parecem que combinaram o discurso: saúde, educação e segurança pública. Esta colunista está cada vez mais convencida de que para ser candidato é necessário um curso e uma provinha básica para explicar aos cidadãos cheios de boas intenções o que compete ao Executivo e o que é de competência do Legislativo. No fundo, no fundo, a maioria faz uma grande salada de frutas e acaba confundindo ainda mais o eleitor.
Rápidas
* Série de entrevistas da UPFTV em parceria com o Jornal O Nacional, segue na quarta-feira, dia 8, com os candidatos a deputado federal.
* Eleição se aproximando e o que esquenta no cenário nacional é a tentativa do PSDB de fazer um caldo com a história da quebra do sigilo fiscal da filha de José Serra.
* No âmbito estadual, nunca se viu uma eleição tão tranqüila. Candidatos devem intensificar roteiros pelo interior.
* Por falar nisso, Passo Fundo está em algum dos roteiros dos candidatos para os próximos dias?