Colaboração?
Domingo, 04/09/2011 por Zulmara Colussi

Colaboração? I
Os vereadores aprovaram, na sexta-feira, o projeto que autoriza o Executivo Municipal a realizar contrato com a Caixa Federal para obter financiamento na ordem de R$ 24 milhões e investir este dinheiro em obras de infraestrutura em dois bairros carentes da cidade: Grande Santa Marta e Integração. Diga-se de passagem, foi a oposição que garantiu que o projeto fosse aprovado, porque os dois vereadores do PDT com direito a voto não se fizeram presentes. A votação ocorreu no último dia possível, já que toda a documentação requerendo o empréstimo deve ser protocolada hoje em Brasília, sob pena de perder o recurso.

Colaboração? II
Pois os vereadores insistiram na semana passada em dizer a Câmara estava colaborando com o Executivo porque este sabe como as coisas funcionam e que o projeto deveria ter sido protocolado em regime de urgência, desta forma seria apreciado com maior celeridade. De fato, o projeto que originalmente tinha outro empréstimo embutido, não foi protocolado em regimento de urgência. Mas, foi protocolado no dia 20 de junho. Portanto, há mais de dois meses.

Colaboração? III

Em primeiro lugar, o Poder Legislativo não deve tratar um assunto tão importante como este como uma “colaboração” ao Executivo. Estamos falando de dinheiro que vai ser usado para asfaltar ruas nas vilas onde milhares de trabalhadores desta cidade vivem. Em segundo lugar, 60 dias de tramitação de um projeto é tempo suficiente para analisar a matéria, apontar falhas, se é que elas existem, e promover um debate adequado. Por que um projeto pode ter celeridade de análise em 30 dias (período que ele tem para ser examinado em regime de urgência) e não pode ser analisado em 60? Expliquem a lógica desta conta.

Foi obrigação

O que a Câmara fez não foi uma “colaboração” com o Executivo. Fez a obrigação como representante legal da população, incluindo os moradores da grande Santa Marta e do Bairro Integração. E se o projeto tinha falhas, se o Executivo não encaminhou a matéria da forma adequada, daí sim, cabe aos Legisladores fazer as observações e correções adequadas, pois para isso, todos os projetos passam por comissões técnicas especializadas, além do que a tribuna do plenário é o espaço mais legítimo para as manifestações.

Cartas na mesa

Está aberto o período de negociações. A definição de nomes por parte dos partidos para compor chapas majoritárias é o sinal para que se iniciem as conversas. De um lado, o PT com Rene Cecconello, o PDT com Giovani Corralo, o PSB como Marcos Cittolin, e o PCdoB com Juliano Roso. De outro, o PMDB com Osvaldo Gomes. O PP também diz que terá candidato, mas sabe-se que negocia com o PMDB uma aliança que incluiria DEM, PSDB e PTB. Juntos poderão ter mais de 10 minutos em tempo de propaganda eleitoral gratuita. Um belo tempo.

De outro lado, os partidos que integram a aliança do prefeito Airton Dipp fazem questão de destacar que permanecem apoiando o atual projeto, mas que está na hora de voltar à mesa e pesar a contribuição de cada um e definir, a partir de critérios objetivos, os nomes com potencial de crescimento. Se os partidos decidirem se unir em grandes blocos teremos, mais uma vez, uma polarização na disputa de 2012. E será histórica.

E o PPS?

O PPS não quer ficar de fora deste debate de jeito nenhum. Mesmo por que ele será o fiel da balança. Pois na próxima quinta-feira, a executiva municipal se reúne para dar a largada sobre o posicionamento do partido na eleição de 2012. Nada está descartado. Não há compromisso com nenhuma outra sigla. A candidatura própria, com o deputado Luciano Azevedo, é uma das opções. É a primeira vez que o PPS admite esta hipótese. No entanto, sabe-se que Osvaldo Gomes vai cobrar o apoio que deu a Luciano nas duas últimas eleições.

Rápidas

* Os vereadores reclamam, e com razão, dos erros em projetos vindos do Executivo. Erros que poderiam ser evitados com uma boa assessoria.
* Presidente do Condel, João Otacílio, levou uma câmera filmadora para a sessão extraordinária da Câmara, sexta-feira, para registrar o voto dos vereadores em relação ao financiamento de R$ 24 milhões.
* A cobrança da população em relação aos atos do Executivo e Legislativo ganha contorno tecnológico e muito apropriado. Os tempos são outros.

Comentários dos leitores

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vanda - 05/09/2011 13:45:49

Até onde eu sei não se trata de ser contra a fazer emprestimo e sim o porque de faze-lo colaborando sim com o executivo, não elaboraram os projetos a tempo e perderam a verba do pac e agora para melhorar nossa cidade precisa fazer emprestimo uma pergunda. onde esta indo o dinheiro de Passo Fundo?

AGENOR PAULETO - 05/09/2011 13:05:55

Todos sabem, o porquê...da morosidade emtorno das aprovações no legistlativo. Negociações e interesses, não estão nem aí para o povo, se é para Sta Marta ou Integração, o que importa é o benefício que terão. A verdade é que tbm o executivo falhou e muito nisso tudo. SERIEDADE PESSOAL, ESTÁ MAIS DO QUE NA HORA!

sidnei - 05/09/2011 09:44:23

esta na hora dos eleitores de Passo Fundo formarem uma conciência politica, para as próximas seleições, voto não se vende, não se troca por gasolina e nem por pequenos favores, ai sim vai melhorar a qualidade dos nossos representantes no legislativo


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