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Publicada em: 05/04/2013 - 08:05 , por Glenda Mendes/ON

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Por que não fechar a Escola Aberta?

Atendimento diferenciado da escola proporciona que 117 alunos, muitos que não se adaptaram em outros locais, tenham uma oportunidade de acesso à Educação

Créditos: Glenda Mendes/ON
Por que não fechar a Escola Aberta?
No turno da tarde eles participam de diversas oficinas, dentre elas a de informática

Esta semana entrou em discussão na Câmara de Vereadores a possibilidade de fechamento da Escola Estadual de Ensino Fundamental de Passo Fundo, a Escola Aberta. A justificativa é que o modelo empregado no educandário não está de acordo com as políticas estaduais. Entretanto, mesmo sem comunicado oficial, a direção da escola abriu suas portas para mostrar o trabalho que realiza e a importância de oferecer este espaço para 117 alunos matriculados, muitos deles que não se adaptaram nas escolas regulares ou que foram encaminhados pelo Conselho Tutelar e órgãos de proteção à criança e ao adolescente.

No histórico da escola, consta que foi criada a partir da organização de uma comissão interinstitucional, formada pela prefeitura de Passo Fundo, 7ª Coordenadoria Regional de Educação, 6ª Coordenadoria Regional de Saúde, Juizado de Menores, Câmara de Vereadores e associações de bairro. O diferencial é que a Escola Aberta tem uma metodologia diferenciada, que procura respeitar o ritmo próprio de cada aluno, bem como sua história e trajetória de vida.

Além disso, os alunos têm a oportunidade de frequentar a escola em turno integral, com aulas da primeira a quinta séries pela manhã e oficinas à tarde. Como moram em diversos bairros da cidade, estes estudantes contam com transporte escolar, que busca o aluno no bairro de manhã, e retorna ao local de residência no final das atividades da tarde.

Com o fechamento, a proposta seria que estes alunos fossem integrados às escolas regulares dos bairros onde moram. Esta, segundo a diretora Loreci Maria de Oliveira Longhi, seria uma das principais dificuldades. “Os nossos alunos não se adaptam facilmente numa escola regular, alguns chegam cheirando mal, sujos. Numa escola regular, geralmente são crianças que vão para a escola limpinhas e arrumadinhas. Aqui, eles não trazem nem o lápis para escrever. Temos tudo aqui, até mesmo a roupa para trocar, o banho quando precisa, é tudo feito na escola. Então ele não se adapta numa escola regular”, argumenta.

Serviço importante
De acordo com a diretora, o serviço prestado pela Escola Aberta é muito importante, uma vez que atende pelo menos 14 bairros periféricos, além de crianças encaminhadas por estarem em situação de vulnerabilidade ou de rua. “É uma escola que a criança, além de receber toda a alimentação do dia, o ônibus busca no bairro e leva de volta no final das atividades. Os pais que trabalham, ficam tranquilos porque sabem que a criança está aqui na escola e são crianças carentes, que precisam da escola”, salienta Loreci.

Para ela, o fechamento e encaminhamento para outros estabelecimentos educacionais não condiz com a realidade da clientela que atende. “Não acredito em fechamento de escola. Acho que isso não existe, até porque que se vão tomar uma medida mais séria vou convocar a comunidade escolar toda para fazer um comunicado”, avisa a diretora que afirma ainda não ter recebido qualquer informação oficial sobre o destino do educandário. “Trouxemos um grande número de alunos da Donária este ano, onde ganharam as casas, mas não têm escola. Temos, inclusive, um pai chamando para ir fazer a matrícula, porque não tem nem condição de pagar a passagem para vir até aqui. A gente vai até lá e faz a matrícula”, finaliza.

Como a escola funciona
Na parte da manhã os alunos, que tem entre 9 e 18 anos, participam das aulas de primeira a quinta séries e de tarde funcionam as oficinas pedagógicas, que absorvem o turno integral. “Temos diversas parcerias, como a Ifsul, por exemplo, de onde vem um professor de informática, de xadrez e de caratê. E mais o projeto Atleta do Futuro na UPF, onde as crianças têm o esporte, uma vez por semana, quando são levadas pelo ônibus da Codepas”, explica Loreci.

Apesar da divulgação de que a escola funciona com uma infraestrutura precária, Loreci rebate: “o prédio é velho, mas claro que dá para funcionar. É uma escola simples, mas tudo funciona”, enfatiza. Outra diferença das escolas regulares é a questão da frequência, que não é cobrada justamente pela condição especial de cada aluno. “A nossa clientela é diferente, que muitas vezes não vem à escola porque ninguém o acordou de manhã, ou porque saiu para fazer algum biscate. Podemos ter dia que temos alunos, mas não baixa dos 40, 50 alunos por dia. A frequência à escola é um pouco diferente”, justifica a diretora.

Palavras-chave:

Educação

Escola Aberta

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