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Publicada em: 07/05/2013 - 14:21 , por Redação ON

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Invasão e abandono

Casas construídas dentro da área do Cemitério Jardim da Colina fazem divisa com as sepulturas. Prefeitura diz que desconhece a invasão, a dimensão do cemitério e quantas pessoas estão enterradas no local

Créditos: Daniela Wiethölter Lopes/ON
Invasão e abandono
Como não há muros que cercam o local, casas foram construídas junto às sepulturas

O único cemitério de Passo Fundo que ainda possui capacidade sepultamento está totalmente abandonado. O local que era para servir de modelo em toda a região, com jazigos subterrâneos e sem construções em alvenaria, está tomado pelo mato, restos de vela, flores envelhecidas e túmulos depredados. Além disso, cerca de 15 casas foram erguidas praticamente dentro do Cemitério Jardim da Colina. Não há nenhuma divisa entre os túmulos e as construções, já que há anos a cerca foi retirada por vândalos, segundo moradores da região. Segundo um dos moradores da região, a invasão também provocou um estreitamento na estrada Arnaldo Raiter, localizada na lateral do cemitério, inviabilizando a passagem de veículos maiores, como máquinas agrícolas.

O impasse ainda é maior, já que a atual administração da Prefeitura desconhece a situação jurídica do cemitério. Segundo o secretário de transportes e serviços gerais, Cristiam Thans, originalmente o cemitério era particular, mas passou a ser administrado pelo município, assim como os outros sete que existem na cidade, mas que estão praticamente esgotados. “Precisamos fazer um levantamento para ver qual é a verdadeira situação jurídica do cemitério para então decidir se compete ao município fazer as melhorias necessárias”, disse. O cemitério possui um zelador, conforme Thans, não existe um controle de quantas pessoas estão enterradas no local e quem são os proprietários dos terrenos. “Sabemos que existem pessoas que são proprietários, mas também sabemos que foram doados terrenos, enfim precisamos fazer um diagnóstico de toda a área para tomar uma decisão administrativa”, relatou.

Na secretaria de habitação também não há ainda o registro destas famílias que invadiram a área. No entanto, as casas, que foram construídas nos últimos dois anos possuem água e luz. O secretário João Campos disse que vai providenciar, ainda nesta semana, um levantamento para identificar as famílias e as condições das moradias.

A falta limpeza e o mato que encobre os túmulos revoltaram a aposentada Guacira Bueno, que é proprietária de um dos terrenos. Quando ela perdeu a mãe, em dezembro do ano passado, tentou enterrá-la nos cemitérios municipais, mas somente conseguiu comprar um terreno, por R$ 300, no Cemitério Jardim da Colina, na Vila Jardim. “Acabamos comprando lá o terreno a contragosto, já que vimos de cara que o cemitério estava abandonado. É uma situação muito triste ter que enterrar a mãe num local como aquele, cheio de mato, com os túmulos colados um no outro”, relatou.

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