PUBLICIDADE

Cidade


A ferrovia que colocou Passo Fundo no mapa

Publicada em: 20/04/2015 - 10:00, por Glenda Vívian/ON

A Gare está começando a se transformar num grande parque, com atrativos culturais, turísticos e de lazer. O espaço pode ser considerado o patrimônio histórico mais importante de Passo Fundo. Sem que aquele local tivesse sido criado, há mais de 100 anos, o município certamente não seria o que é hoje

A ferrovia que colocou Passo Fundo no mapa

Crédito: Arquivo/ON

O local considerado de maior relevância dentre o patrimônio histórico de Passo Fundo está prestes a se transformar, de fato, em um parque, onde estarão garantidos espaços de lazer, cultura e turismo. A Gare está começando a passar por um processo que lhe trará vida nova, onde o moderno vai se misturar com o histórico. Mas por que a escolha de fazer um parque nesta área? Porque, simplesmente, foi a partir da ferrovia, e em volta dela, que Passo Fundo se criou, e foi através dela que desenvolveu os principais setores da economia, que movimentam o município até hoje.

A justificativa da importância da Gare no contexto de Passo Fundo começa ainda no ano de 1898, quando a estação começou a ser construída. Foi em volta dela que se formou uma das principais vias da cidade, a avenida Sete de Setembro, que percorre o perímetro urbano quase como um anel. Ao longo desse traçado se formaram o comércio, a indústria e o agronegócio. O comércio para atender uma nova burguesia que se formava, a indústria que primeiramente se ocupou da extração de madeira, e o agronegócio que aproveitou a ferrovia para o escoamento da produção.

“Passo Fundo foi formada dentro daquele contexto das tropas. Quando, no final do século 19 chegou na cidade a ferrovia vinda de Santa Maria, as coisas começaram a mudar”, explica a secretária municipal do Planejamento, Ana Paula Wickert, arquiteta, que também desenvolveu trabalho de resgate histórico da Gare e participou da elaboração do projeto de recuperação do Parque da Gare.

A obra da ferrovia, na verdade, se iniciou no ano de 1898, mas ficou parada até 1907, quando foi retomada para então ser inaugurada em 1910. A partir disso, ela traz para Passo Fundo um novo indutor de crescimento. Com a necessidade de se criar caminho para chegar até o portão da ferrovia, foi construída uma avenida diferenciada, que é a General Netto, promovendo as primeiras mudanças no cenário. “A ferrovia quando chegava significava que aquela cidade tinha tudo para se transformar numa cidade moderna, pujante economicamente e viva. E realmente foi o que aconteceu, porque a partir daí a população de Passo Fundo cresceu muito, praticamente quadruplicou e a cidade realmente teve um fomento econômico importante”, argumenta Ana Paula.

Começando a aparecer no mapa

Até este momento da história, Passo Fundo era uma cidade com pouco mais de dois mil habitantes e, tal como o restante do Rio Grande do Sul, estava isolada do restante do país. “Toda essa área, até a divisa com Santa Catarina, eram densas florestas que foram desmatadas na época e essa região toda enriqueceu muito com a venda da madeira”, comenta a secretária. Aliado a isso, a ferrovia também, nos seus primeiros anos, transportava as tropas da Revolução Federalista. “Na verdade foi um novo eixo, um novo caminho, teve todo um novo significado: passou a ser uma cidade moderna, onde as pessoas paravam, posavam para ir a São Paulo, porque o trem não ia direto. Foi um fomento para a criação dos hotéis, toda uma arquitetura e um patrimônio se desenvolveram dessa época que ainda é remanescente, que são o Hotel Glória, Hotel Avenida, Hotel Internacional, o silo e o moinho porque então começaram as produções agrícolas”, ressalta.

Onde hoje está sendo feita a obra, existiam várias edificações. “Não era uma área limpa. Ali existiam oficinas. Passo Fundo era uma estação de segunda classe. Santa Maria e Cruz Alta eram de primeira classe e Passo Fundo, pelo porte da cidade, era de segunda classe, e as demais estações da linha eram de terceira classe ou paradas”, explica. A linha que passava por aqui, ligava Santa Maria a Itararé em São Paulo, e era o que fazia a conexão do Rio Grande do Sul, até então isolado, com restante do Brasil, “por isso que tem todo esse significado”, completa.

PUBLICIDADE



PUBLICIDADE