Entrevista | Publicado em 23/01/2011 23:16:01
Nova secretaria municipal começa trabalhos com desafio de desenvolver projetos em bairros onde foram detectados maiores problemas de vulnerabilidade
Glenda Mendes/ON
O primeiro titular da Secretaria Municipal de Segurança Pública, Márcio Patussi, terá entre tantos desafios à frente da novíssima pasta, a tarefa de unificar as ações dos órgãos e entidades voltados ao setor. Para tanto será criado o GGI-M (Gabinete de Gestão Integrada Municipal. De outra parte, começará a colocar em prática quatro projetos com recursos do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania). Em entrevista a O Nacional, ele falou sobre cada um desses desafios, sobre as expectativas e as novidades esperadas à frente da nova secretaria.
O Nacional – O que se deve esperar da atuação da Secretaria Municipal de Segurança Pública?
Márcio Patussi - Daqui para frente teremos muitas coisas boas. Teremos problemas, sim, pois somos uma cidade pólo e a comunidade exige mais rapidez, mais agilidade, mas vamos, na medida do possível, estar atendendo todos os anseios em relação a eles.
ON – Qual o papel da secretaria na administração municipal?
MP – A função é mais educativa. O administrador só pode fazer aquilo que a lei permite. Na esfera da administração municipal, podemos e somos obrigados a trabalhar na educação e na prevenção, como na questão do trânsito, por exemplo. Ostensividade e policiamento repressivo são funções do Estado e da União. Constitucionalmente, isso não toca ao município. O que vamos fazer é tentar interagir com estes setores para resolver os problemas. Seremos o elo com as demais instituições e elas têm entendido o papel da nova secretaria.
ON – Qual o andamento que está sendo dado aos projetos com recursos do Pronasci?
MP - São R$ 2.260.000 que já estão nos cofres do município. Estamos em licitações para quatro projetos importantes: Mulheres da Paz, Protejo, Núcleo de Justiça Comunitária e Pacificar. Em breve serão finalizados os processos licitatórios e eles passam a funcionar. São todos projetos de prevenção da violência nos bairros. Em alguns municípios, como Canoas e Alvorada, já existem estes programas e têm dado bons resultados, por isso vamos iniciar um roteiro de visitações a estes e outros municípios onde já existem estes programas para ver como funcionam.
ON – Está prevista a instalação de novas câmeras de monitoramento na cidade. Como este serviço vai funcionar?
MP – Hoje temos oito câmeras de videomonitoramento. Vamos avançar para mais 20. Já temos os recursos. Além disso, a nossa Central de Monitoramento vai ser, de fato, modelo no interior do estado. Hoje Canoas é referência, nós queremos alcançar Canoas. A gestão será compartilhada com a Brigada Militar, ou seja, o 190 da Brigada vai funcionar ao lado da sala de monitoramento. Essa será logística: visualizaram o problema, já comunicam o 190. Estarei também designando servidores da Guarda Municipal de Trânsito para trabalhar na central, porque com 28 câmeras nós conseguimos agilizar os atendimentos de ocorrências no trânsito.
ON – O número de agentes de trânsito existente no município é suficiente para atender toda a cidade?
MP – Tenho 84 agentes, mas consigo disponibilizar, por turno, 20 pessoas, o que é insuficiente para o tamanho da cidade. Temos que ter mais, só que o nosso orçamento não nos permite, por enquanto, termos mais agentes. Foram nomeados novos 15, há 90 dias. Já estão todos trabalhando, pois já tiveram o treinamento. Então, estão ajudando, contribuindo, mas seria preciso mais.
ON – Em que espaço físico a secretaria vai funcionar?
MP - Locamos uma sala na antiga Procuradoria do Estado, na rua Capitão Eleutério. Estaremos estruturando, nos próximos dias, toda a parte administrativa da secretaria, a coordenadoria de transito e o GGI-M.
ON – O que é o GGI-M?
MP – É o Gabinete de Gestão Integrada Municipal. É o que vai cuidar de todos os projetos do Pronasci. Serão feitas reuniões, acompanhamentos e teremos um observatório. Hoje o GGI-M é formado por todas as entidades de segurança, tais como Polícia Civil, Polícia Militar, OAB, associação de moradores, entre outras. E nós teremos um espaço, uma sala de reuniões para discutir os problemas.
ON – Para definir as áreas da cidade onde existe maior vulnerabilidade e, consequentemente, necessidade de atuação mais expressiva da secretaria é necessário um diagnóstico do município. Como isto será feito?
MP - Alguns levantamentos a Secretaria de Cidadania e Assistência Social já possui, através da atuação das assistentes sociais. Outros, nós queremos levantar com as próprias instituições de ensino e também com o Conselho Tutelar, que vai ser importante no dia-a-dia do nosso atendimento. Já conversei com algumas defensoras públicas que fazem atendimento nos bairros. O que queremos é unir todos estes elos e ver onde existe mais problema.
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