Entrevista

Entrevista | Publicado em 30/01/2010 01:33:01

Um místico na presidência da Assembléia

PDT retorna à presidência do Parlamento Gaúcho, mas desta vez com um expert em terapia holística, liderança e reiki. Ele promete fazer um peculiar modelo de administração e inovar na solenidade de posse

Créditos :: Divulgação

Redação ON
Fotos: divulgação


Este sábado dever ser um marco na carreira de um deputado, que há 15 anos é parlamentar. Giovani Cherini, 49 anos, assume como presidente da Assembléia Legislativa e traz na bagagem muito mais do que experiência política, mas seu farto conhecimento em auto-ajuda, terapias holísticas, cura da alma e construção da paz. Ele ministra cursos em todos os cantos do Rio Grande e já somou uma plateia superior a 100 mil pessoas.

Cherini é master trainer em programação neurolinguística, além de formação em namastê, ontopsicologia, Educação Emocional, Cibernética Social e Reiki. Sua biografia é repleta de livros relacionados ao lado espiritual, quanto com dicas de marketing político eleitoral ou cartilha do cidadão. Cherini promete dar o seu toque pessoal na solenidade de posse, que além de hinos e discursos pode vir acompanhada de um terno branco, terapia dos abraços ou distribuição de flores brancas em nome da paz.

O Nacional conversou com o novo presidente da AL, que falou de suas expectativas, considerou a presidência como o auge da sua carreira e disse já estar com um “frio na barriga” antes mesmo de se transferir para o gabinete principal, no lugar de Ivar Pavan (PT). A posse do novo presidente está marcada para este sábado, às 10h. O Nacional estará presente na solenidade.

O Nacional – Como está sua expectativa para assumir a presidência da Assembleia?
Giovani Cherini –
É uma situação que dá um frio na barriga. Trata-se de muita responsabilidade, mas me sinto preparado porque espero a um bom tempo por isso. Fui ocupando vários postos a fim de me preparar, passei por comissões, liderança de bancada e subi vários degraus para chegar ao topo que é a presidência. Estou com o espírito preparado, querendo que só repercutam boas notícias da Assembleia Legislativa. Pretendo defender muito a instituição.

ON – Como será representar o PDT na presidência em pleno ano de eleição?
GC –
O PDT já esteve várias vezes no auge do parlamento e a última vez foi o colega Vieira da Cunha. Venho com a proposta de cooperar com o Rio Grande acima das diferenças. Isso vai ser muito positivo. Acima de tudo vamos defender a instituição, depois vamos avaliar questões mais partidárias. Todos os deputados terão vez e voz na nossa gestão.

ON – Pretende continuar com o processo de interiorização da AL?
GC –
Sem dúvidas, a Assembleia não vive sem interiorização e quero intensificar isso. A movimentação popular e os exemplos que são tradição no Estado devem ser exaltados, então nossa luta será permanente. Penso que é importante estar nas grandes feiras do Rio Grande do Sul, valorizando esses eventos. A AL deve ser um formigueiro de gente debatendo soluções para grandes questões. A Assembleia temq eu ter cheiro de povo e cheiro de terra. No meu governo o lema será “é proibido errar”. Vamos fazer todo um esforço do mundo para que a instituição não esteja envolvida em notícias negativas.

ON – Como vê as articulações do PDT visando as eleições?
GC –
Temos duas possibilidades bem claras, uma é o PT e outra é a coligação com o José Fogaça. Deixo claro que não é com o PMDB, é com a pessoa do Fogaça, atual prefeito de Porto Alegre. Ele está acima do partido. Nossa linha é defender a coligação para que o José Fortunatti (PDT) substitua Fogaça na Prefeitura. Defendo essa estratégia que o PDT já está alinhavando. Queremos ter o vice-governador e o prefeito da capital. A chapa é Fogaça e Pompeo de Mattos como vice.

ON – Como vai ser concorrer na eleição e estar na presidência ao mesmo tempo?
GC –
Eu sempre fui um conciliador e se tiver que alguem perder para se ter a paz então opção é que eu perca. Estaremos no cargo e fazendo nossa campanha tranquila. Tenho equipes competentes para isso e faremos as duas coisas bem feitas. Essa é a consagração da minha carreira política. Estou há 15 anos na Assembleia, pois chegar na presidência é o sonho de qualquer parlamentar. Vou atuar com dedicação, transformando meus sonhos em realidade e vendo a política do estado acima de qualquer interesse político pessoal, justamente para que possamos ver o Rio Grande unido depois da eleição. Não defendo a ideia de usar a eleição para fazer guerra, esse tempo já passou. Depois da votação temos que estar no mesmo barco, buscando o crescimento mútuo. Estamos perdendo terreno para outros estados e isso não pode acontecer.

ON – O senhor era um dos mantenedores dos albergues no estado e agora foi obrigado a fechar as casas. Pretende desenvolver alguma campanha ou projeto em benefício dos usuários dos albergues?
GC –
Quero discutir na Assembleia a possibilidade de termos albergues públicos, é um absurdo a gente não poder prestar esse serviço e as pessoas ficarem dormindo nas ruas ou praças. Quando perdi minha mãe, no Hospital São Vicente ded Paulo, em fiquei 19 dias dormindo nos corredores. Prometi, naquela época, que quando melhorasse de vida faria algo para ajudar quem passasse por aquela situação. No dia 1 de janeiro me tiraram uma perna, um braço e me obrigaram a fechar. Defendo a abertura de todos os albergues.


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