Entrevista | Publicado em 30/12/2009 20:07:12
O Nacional entrevista o diretor da Agroinvvesti Corretora, Cleber Bordignon, e o analista de negócios da corretora, Rafael Webber Mattei, que falam sobre como o Brasil se posiciona no cenário econômico depois de enfrentar a crise mundial e fazem um prognóstico animador para 2010, ano que deve reforçar a estabilidade da economia do País.
Redação ON
O Nacional - O ano começou em crise, mas encerra bem diferente. Há retomada do crescimento e parece que uma onda de otimismo toma conta do Brasil e do mundo. O que aconteceu? Como se explica essa capacidade de superação de uma crise que, num primeiro momento, parecia arrebatadora?
Agroinvvesti Corretora - O Brasil entra na segunda década do século 21 com status de um país em franco e sustentável desenvolvimento. A estabilização da economia e a manutenção das políticas econômicas nos últimos governos solidificaram e valorizaram a posição do Brasil no mundo. Não há mais espaço para loucos planos econômicos. O povo brasileiro aprendeu a valorizar a estabilidade econômica, após vários anos sofrendo com inflação absurda e moedas desvalorizadas. O Brasil atingiu um alto grau de maturidade e passou a ser visto com muito mais respeito e credibilidade do que fora em tempos passados.
ON - O Lula tinha razão quando dizia que a crise era uma marolinha?
AC - Não foi uma marolinha. A crise foi mundial e o Brasil fez parte dela. Ainda mais em uma economia globalizada como a nossa, dependente da exportação, como no caso dos produtos agrícolas. Alguém imagina o que pode acontecer se a China, principal parceiro comercial do País, não consumir mais os produtos brasileiros? A economia mundial ainda está em recuperação, países como Reino Unido e Estados Unidos têm graves problemas sociais e financeiros a serem resolvidos e levarão alguns anos até retomar o ritmo de crescimento. Devemos estar atentos a tudo que acontece no mundo.
ON - Sobre o mercado de ações, falem do fortalecimento das empresas brasileiras que tiveram um bom comportamento diante da crise, além de conquistar investimentos externos.
AC - Esse é o outro grande motivo do desenvolvimento econômico do País. Após a abertura do mercado nos anos 1990, as empresas brasileiras tiveram que se reestruturar totalmente para rivalizar com a concorrência estrangeira. Somente aqueles que investiram em infraestrutura e planejamento se mantiveram no mercado, se tornando verdadeiras multinacionais. Esta gestão profissional aumenta a rentabilidade das organizações, pois enxuga os custos e atrai o olhar dos investidores estrangeiros. Não há mais espaço para empirismo.
ON - Diante do atual quadro, o que pode se esperar para 2010? Teremos um ano de ouro em termos de produção, desenvolvimento e emprego?
AC - O ano de 2010 tem tudo para ser brilhante para o Brasil. Neste ano iremos começar as obras para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. Os investimentos no desenvolvimento de rodovias, shoppings, hotéis e aeroportos devem ser multiplicados. A Copa da África em junho também é estímulo a mais no País do futebol. As eleições em outubro devem trazer alguma incerteza, mas não da maneira que aconteceu nas duas últimas. Isto não deve provocar maiores receios ou recuo nos grandes investidores, tendo em vista que, ganhe quem ganhar, nenhuma mudança significativa será posta em prática.
ON - E para o mercado de ações, qual é a expectativa?
AC - O mercado de ações se desenvolverá ainda mais em 2010. Neste ano, o índice Bovespa, que mede o crescimento das principais empresas brasileiras, subiu 81%. Foi o maior crescimento de todas as bolsas mundiais. Mas ainda temos muito a crescer. O Brasil tem apenas 500 mil investidores individuais na bolsa, menos de 0,5% da população. No México 8% da população investe em ações e nos Estados Unidos 60%. Outro mercado muito interessante será o de energia, onde serão necessários muitos investimentos nos próximos anos. A riqueza também virá do campo. As empresas do agronegócio terão destaque neste ano, puxadas pela demanda por alimentos no mundo. Neste ano, a BM&FBovespa incentivará ainda mais a participação dos investidores no mercado de ações. A bolsa quer mostrar que não são necessários grandes valores para participar do mercado. O pequeno investidor pode entrar na bolsa através dos clubes ou fundos de investimentos, começando assim a criar uma cultura de investimento e educação financeira.
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