Entrevista

Entrevista | Publicado em 16/04/2010 23:12:04

Diogenes Basegio: Pronto para a campanha

O vereador é o pré-candidato do PDT de Passo Fundo a deputado estadual. Ele está pronto para começar a campanha, mas revela mágoa de não ter disputado a vaga a Assembleia ainda em 2006

Bruno Todero/ON

Um turbilhão de votos, com pouca experiência, mas as melhores das intenções. Se eleger como deputado estadual em 3 de outubro e representar Passo Fundo nos próximos quatro anos na Assembleia Legislativa é o objetivo do presidente da Câmara de Vereadores, Diógenes Basegio. Ele trabalha para isso desde que entrou na política, teve o sonho adiado em 2006, quando, por um acordo partidário, o diretório só abriu vaga para deputado federal. "A história política da cidade poderia ser outra se eu tivesse me candidatado ao que queria naquela época", disse. Na época, sagrou-se suplente de deputado, acabou assumindo por quatro meses, mas teve que voltar para casa. Agora, depois da renúncia de Luis Miguel Scheis, é o nome do momento.
Sem deixar a mastologia de lado, Basegio faz um trabalho na região marcando seu nome e sua presença, e já prepara uma equipe de atuação para a campanha. Ele recebeu a reportagem de O Nacional em seu consultório nesta semana e falou sobre a divergência com Scheis, as mágoas antigas e as previsões políticas. Disse que vem analisando o cenário político estadual a meses, e diante da dificuldade de se colocar como candidato a Câmara Federal, optou pela disputa a Assembleia.

O Nacional - O senhor sabia que havia um acordo de cavalheiros e o próprio prefeito Dipp havia se manifestado favorável a candidatura de Luis Miguel a Assembleia. Houve quebra desse acordo?  
Diógenes Basegio -
Na verdade, para o Dipp, a opção, e não a preferência, seria o Luis Miguel para estadual e eu para federal. Isso se pensava até o momento em que começamos a fazer uma análise dentro do partido e vimos que hoje eu tenho viabilidade muito grande de me eleger deputado estadual, porque tenho uma boa inserção regional. Fiz 25 mil votos fora de Passo Fundo em 2006. Criei muitas raízes, tenho 50 a 60 municípios que vão me apoiar, e vão me apoiar de fato. Minha candidatura não foi invetada, não foi pensada de última hora. Mas quero deixar bem claro: nunca me manifestei publicamente sobre essa candidatura. Porque queria ver se dentro do partido teria receptividade, como de fato tive. A retirada da candidatura do Luis Miguel no momento em que iríamos para voto dentro do partido certamente não foi por acaso.

ON - Como está o clima no partido depois da sua indicação?
DB -
Acho que melhorou o clima, porque antes havia a questão que envolvia duas candidaturas dentro do mesmo partido. Isso, queira ou não queira, acaba desgastando, porque são dois companheiros e os próprios filiados acabam ficando meio tímidos por isso. Mas, de qualquer maneira, essa é uma decisão que vem sendo construída a tempos, por várias mãos, em cima de um cenário político estadual. Temos companheiros para federal e estadual que estão repensando suas candidaturas porque o momento, principalmente para federal, não é muito fértil. Isso em função do pequeno número da bancada que temos hoje no Congresso, de apenas três deputados, dos 31 que representam a bancada gaúcha. Isso pesou muito na decisão construída no partido.

ON - Como o senhor viu a retirada da candidatura do Luis Miguel?
DB -
É claro que toda disputa pode deixar algumas cicatrizes, mas acho que o Luis Miguel deve ter as suas razões, porque iríamos a uma votação dentro do diretório do partido. Tive que relevar muitas coisas que foram ditas, mas não quero polemizar. Confesso que fiquei muito magoado pelas declarações do vereador, porque quem conhece minha trajetória como pessoa, como profissional e como político sabe que eu não merecia ouvir o que eu ouvi. Mas isso passou.
 
ON - Porque o senhor preferiu se calar na hora?
DB -
Era um momento que eu não podia responder. Ele havia retirado a candidatura. Então não tinha porque eu querer rebater coisas que eu não absorvo, porque não pertencem a mim, não fazem parte da minha pessoa.

ON - Mas o senhor falou que ficaram cicatrizes?
DB -
Isso sempre fica. Mas eu vejo que após aquele desabafo, no dia seguinte, o clima já estava melhor. Os próprios assessores dele me cumprimentaram e falaram na campanha. Algumas pessoas chegaram a me questionar se o Luiz Miguel vai me apoiar ou não. Quanto a isso, o bom é perguntar para ele. Eu espero que sim. Ele sendo partidário como é vai ter que pensar no partido. E hoje o partido tem um pré-candidato a deputado estadual e que está trabalhando para se eleger. Então, eu acho que essas cicatrizes aos poucos vão sarando.

ON - Quando começou a ser desenhada a sua candidatura?
DB -
Se voltarmos a três anos, dentro do PDT, por um acordo partidário, só tinha vaga para federal. Eu tinha apenas um ano e meio como vereador, mas atendi a um pedido do partido, coloquei meu nome a serviço, coloquei o peito na água e fui a luta. Existia uma vaga. Agora você acha que se tivesse vaga a estadual, eu que havia me elegido pela primeira vez como vereador, eu também não ia postular essa vaga? Era muito mais fácil para mim. Elegemos um deputado com a metade dos votos que fiz para federal. Eu fiz 53 mil votos. Se fosse assim, a história política de Passo Fundo seria outra.

ON - Resumindo, o senhor já gostaria de ter concorrido a estadual em 2006?
DB - S
em dúvidas. O natural seria isso, porque sair de vereador para deputado federal em um primeiro mandato, com apenas três deputados federais no partido, é inviável. Mas me expus a isso e dei um susto em alguns candidatos. Tanto que fiquei como 1º suplente. As pessoas me dizem: já que foi bem, porque não tenta de novo para federal? Só que cada eleição é uma história diferente. Com certeza eu aceitaria ser candidato a deputado federal se eu tivesse me candidato e eleito para estadual em 2006.   

ON - Quando começa a campanha de fato?
DB -
Hoje eu sou pré-candidato. Tenho que respeitar o que a legislação eleitoral determina, e oficialmente só em 3 de julho inicia a campanha. Aí vou poder me manifestar como candidato.

ON - Na sua opinião, Passo Fundo tem espaço para eleger dois deputados estaduais?
DB -
Temos 130 mil eleitores. É muito eleitor para ter só um deputado ou nenhum, como ficamos durante 12 anos.


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