Entrevista

Entrevista | Publicado em 21/05/2010 23:01:05

Qual deles será o novo reitor da UPF?

Créditos :: Bruno Todero/ON

Bruno Todero/ON

A três dias da eleição que vai definir os rumos da Universidade de Passo Fundo nos próximos quatro anos, O Nacional conversa com os quatro candidatos a reitor e revela um pouco de suas trajetórias profissional e pessoal, uma visão sobre o que cada um acredita ser o papel do reitor, a estratégia para aproximar a instituição da população e a tática para agregar as lideranças das outras chapas que sairão derrotadas da disputa.

Anote aí!
O processo eleitoral que definirá a nova reitoria da UPF ocorre nesta terça-feira (25), das 9h às 21h30. A votação será informatizada, com terminais de computadores em diversos pontos, nas unidades acadêmicas e nos campi.
As quatro chapas disputam 19.501 votos, sendo 17.529 de alunos, 1.085 de funcionários e 887 de professores. Na proporção, os votos de cada categoria têm pesos diferenciados: votos dos professores e dos representantes da comunidade têm peso 70 e os das demais categorias tem peso quinze 15 cada uma.
A assessoria de imprensa da universidade divulgará já na terça-feira, no site da instituição, o resultado final da eleição com a chapa vitoriosa.

--> Chapa - Espírito UPF
Slogan: Por uma universidade comunitária de excelência
Candidato a reitor: Mauro Antônio Rizzardi

Quem é Mauro Rizzardi?
"Sou casado, tenho três filhos e uma pessoa que se dedica integralmente à família e à universidade. Sou um professor acessível e que valoriza, acima de tudo, a capacidade de diálogo das pessoas que me cercam. Comecei minha trajetória como professor na UPF em 1990 e há oito anos sou diretor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, período em que recebemos premiação, por dois anos seguidos, como a melhor universidade da área de ciências agrárias."

Por que Espírito UPF?
"A escolha do nome é uma tentativa de resgatar os valores que geraram a universidade. Queremos resgatar o sentimento de pertencimento à instituição. Por alguma razão, nos últimos anos, a UPF deixou de pertencer aos professores. Ou pelo menos eles deixaram de se sentir UPF. Queremos e precisamos resgatar isso. Queremos que professores, funcionários e alunos tenham sentimento de orgulho de fazer parte desta instituição."

Visão
"Temos a visão de transformar a UPF em uma universidade comunitária de excelência. Queremos que crie uma identidade de referência, não apenas regional, mas nacional e internacional. Como fazer isso? A partir do processo de qualificação de todos os cursos nas diferentes áreas. Temos ainda um compromisso com a sustentabilidade da instituição, no ponto de vista econômico, mas também social e ambiental. Precisamos equilibrar esses três pilares para que possamos desenvolver cada vez mais a instituição."

Como aproximar a UPF da comunidade?

"Temos que ampliar as relações externas com a comunidade. Ampliar a participação em agências de fomento, aumentando a capacidade de captação de recursos externos. Não podemos focar a receita da universidade somente sobre as mensalidades. Isso incentiva a pesquisa, que é uma forma de ligação com a comunidade."

Como agregar as chapas que perderam a eleição?
"Acredito que essa aproximação parte necessariamente do perfil de reitor que definimos quando da escolha do nome. Decidimos por alguém que tivesse empatia, sociabilidade e que pudesse se relacionar com as pessoas de uma maneira harmônica. Penso que como reitor terei essa capacidade de agregar as diferentes forças, porque o importante é que pensamos no mesmo sentido, que é o bem da UPF."

 

--> Chapa 2 - Movimento UPF
Slogan: Autonomia, diálogo e mudança
Candidato a reitor: José Carlos Carles de Souza

Quem é José Carlos?
"Sou casado, pai de dois filhos, atuo como advogado e fui presidente da seccional da OAB Passo Fundo. Sou docente UPF desde 1981, estando desde 2006 à frente da Faculdade de Direito. Além disso, tenho importante participação na comunidade, sou experiente, agregador e muito humano. Sou aberto a ouvir e por isso me sinto preparado para um novo projeto para a universidade."

Por que Movimento UPF?
"Quando começamos a nos reunir para formar esse grupo, um grupo que se movimentava para discutir o futuro da universidade, os integrantes se encontravam e diziam: hoje vai ter reunião do movimento. No começo, pensamos que o nome da chapa poderia ser Autonomia, diálogo e mudança, mas vimos que, na realidade, as três palavras poderiam ser sintetizadas por apenas Movimento. A palavra reflete muito aquilo que acreditamos."

Visão
"Não podemos conceber uma universidade em que o aluno não pode se manifestar, em que o funcionário fica limitado ao seu espaço. Temos de acabar com isso. Por isso defendemos a autonomia, para que cada um possa mostrar o seu potencial. Defendemos também o diálogo. Precisamos ouvir mais e discutir o que queremos para a UPF. Pregamos a mudança porque esse é um clamor da comunidade acadêmica. Mudança no sentido da forma como é gerida a universidade, na forma como trata o aluno, funcionário e o professor."

Como aproximar a UPF da comunidade?
"Penso que a UPF está limitada aos seus espaços internos. O que queremos é exatamente restabelecer um elo com a comunidade. Como fazer isso? Ora, a universidade é o espaço do conhecimento. Lá temos pesquisa e extensão, dois braços importantes que queremos que estejam envolvidos diretamente com a população. Queremos que a UPF influencie diretamente o desenvolvimento das empresas que estão na nossa região. A universidade tem condições de alavancar o crescimento das cidades em que atua. Mas precisamos mostrar essa força, estar mais próximos da comunidade para poder estabelecer esse vínculo."

Como agregar as chapas que perderam a eleição?
"Penso que a universidade é uma só. Estamos agora, momentaneamente, em grupos separados, porém fazendo uma pregação que é praticamente idêntica. Varia apenas a forma de fazê-lo. Como reitor, tão logo vencida a eleição, o objetivo é chamar todos para estabelecermos um grande diálogo em torno da universidade, nos unirmos em defesa dos interesses da instituição."

 

--> Chapa 3 - Unir faz bem
Slogan: Valorizar faz bem, gerar faz bem e inovar faz bem
Candidato a reitor: Antônio Carlos de Lima

Quem é Antônio Carlos?
"Sou natural de Santo Ângelo, mas resido há 30 anos em Passo Fundo. Em 1980, fui convidado a participar da formatação do curso de Psicologia. Também já fui presidente da Fundação Universidade de Passo Fundo entre 2005 e 2007 e estou há dez anos no conselho diretor. Sou pai de dois filhos e casado há 35 anos, o que considero a minha melhor forma de gestão. Espero dar à universidade a mesma forma de amor que dou a minha casa."

Por que Unir faz bem?
"O nome surgiu do nosso ideal de que, na realidade, não serei um reitor, seremos cinco reitores focados em uma relação de muito respeito para com as pessoas. Uma relação voltada para o conhecimento em busca de inovações constantes. Para isso, usamos a palavra unir, que pode muito bem ser substituída por educar, ensinar, inovar. Assumimos juntos estes princípios."

Visão
"Estabelecemos três princípios em cima de ideais que acreditamos: valorizar as pessoas, gerar novos conhecimentos e inovar sempre. Além disso, queremos transformar, algo que tem caráter muito mais educativo do que a simples mudança. Queremos corrigir alguns vícios com um novo modelo de gestão, trabalhando de forma conjunta, pensando que seremos quase 900 reitores da UPF, o que compreende a quantidade de professores existentes. Isso representa nosso ideal de valorização das pessoas. Queremos reinventar em partes as relações, transformando esta universidade em um sorriso. Sorrir faz bem. Educar faz bem. Unir faz bem. Inovar faz bem."

Como aproximar a UPF da comunidade?
"Não podemos ser uma instituição que é um dos carros chefes da cidade de Passo Fundo sem atravessar o asfalto. Queremos romper essa barreira, não apenas no discurso, mas em um encontro muito maior com a iniciativa privada e com a população. Precisamos trabalhar juntos, pensar juntos. A universidade precisa ter um posicionamento perante todas as demandas da cidade a da região."

Como agregar as chapas que perderam a eleição?
"Entendo que sempre trabalhamos com diferenças e diversidades dentro de uma instituição. Penso que educação se faz com isso. Estas diferenças que ocorrem em função da campanha serão sanadas a partir de um momento de diálogo depois do fim do processo. Quem sair perdendo sabe que a universidade continua. Ela é mais importante do que todos nós juntos."

 

-- > Chapa 4 - Fato UPF
Candidato a reitor: Luiz Carlos Manzato
Slogan: Uma universidade formada por pessoas de olhos abertos para o futuro

Quem é Luiz Carlos?
"Sou médico e professor, natural de Caxias do Sul, casado, pai de três filhos, todos passo-fundenses. Me formei na UPF, em 1977, mas tive a primeira especialidade feita no Senai, onde me tornei mecânico ajustador, ainda quando tinha 15 anos. Na universidade, tenho 28 anos de história. Fui durante seis anos coordenador do curso de Medicina e atualmente estou no segundo mandato como diretor da Faculdade de Medicina. Ainda exerci, na Fundação Universidade de Passo Fundo, praticamente todos os cargos possíveis durante os 12 anos em que lá estive."

Por que Fato UPF?
"Fato é uma realidade. Essa realidade pode ser do passado ou do presente. Se eu tiver um passado bem definido e um presente bem orientado, eu vou ter um futuro próspero. Isso é fato. E é isso que queremos para a UPF."

Visão
"O reitor precisa ter sentido de liderança sobre o grupo. Se você tem uma capacidade de diálogo, uma visão de trabalho em grupo, você consegue uma gestão descentralizada e efetiva em cada área. Não podemos centralizar as vice-reitorias. Se não trabalharmos juntos, não vamos ter domínio de gestão. Com as quatro áreas integradas, teremos uma gestão participava, e com isso teremos mais sucesso."

Como aproximar a UPF da comunidade?

"Está na função do reitor tentar, cada vez mais, agrupar as pessoas para o sentido UPF. É uma função política. Contudo, vejo que a universidade, como um todo, está fechada. Minha primeira função é derrubar todos os muros que rodeiam a instituição e realmente fazê-la participar da comunidade. Mas isso só funciona se houver uma via de mão dupla, com a comunidade também se aproximando da universidade. Um amigo me disse, certa vez, que a primeira tarefa do reitor é quebrar todos os castelos para depois reconstruí-los. Se ele conseguir fazer isso com as pessoas, ele cumpriu com a sua função."

Como agregar as chapas que perderam a eleição?
"Estamos vendo quatro chapas concorrendo à reitoria. Democraticamente, isso é um ótimo sinal. Temos mais pessoas envolvidas e pensando na gestão da UPF cada vez como uma marca mais forte. Debatemos a mesma coisa: o interesse da UPF. Se olharmos para as quatro opções, vamos ver que elas são muito parecidas. Queremos ir ao mesmo sentido, por isso, no dia seguinte a eleição, estaremos todos no mesmo barco, que se chama UPF. A partir daí, acredito que será muito fácil o diálogo."


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