Entrevista

Entrevista | Publicado em 20/07/2010 23:58:07

Da pandemia para nenhum caso

Em julho do ano passado, Passo Fundo vivia a pandemia da gripe A, com o aumento diário no número de casos

Créditos :: Arquivo/ON

Glenda Mendes/ON

Há um ano, as notícias veiculadas em todo o país davam conta da pandemia de gripe A. Depois de atingir um grande número de pessoas no hemisfério Norte, ela chegava ao Sul, fazendo vítimas fatais e deixando todos em estado de alerta. Há exatamente um ano, a reportagem de O Nacional noticiava: "Mais uma mulher morre com suspeita da nova gripe". Na época, eram 11 mortes confirmadas pelo vírus da gripe H1N1, a primeira do Brasil tendo sido registrada em Passo Fundo, no dia 28 de junho.

O momento era de tensão e expectativa. Na mesma edição que falava da morte de mais uma mulher com suspeita de gripe A, a notícia era de 1.035 atendimentos e informações a pessoas com sintomas de gripe, somente no Hospital São Vicente de Paulo, desde o início do clima frio. Dessa procura, 49 casos foram notificados como suspeitos e dois foram confirmados.
Para agravar ainda mais a situação, havia a demora no resultado dos exames de casos suspeitos. Nas emergências dos hospitais e nas unidades de saúde dos bairros, a procura por atendimento triplicava. Pacientes de toda a região, em situação grave, eram encaminhados todos os dias para serem atendidos nos hospitais de Passo Fundo.

A situação preocupante gerou o Comitê Gestor, que unia profissionais das diversas instituições, entidades e órgãos de saúde do município. Em reuniões quase que diárias, os profissionais definiam estratégias de enfrentamento da pandemia. Dentre as resoluções do Comitê, no dia 21 de julho de 2009 era publicada a sugestão para cancelar ou adiar eventos que envolvessem grande número de pessoas para evitar a disseminação do vírus.

A contratação emergencial de médicos e enfermeiros foi traçada como alternativa para suprir a demanda por atendimento. Na Catedral Nossa Senhora Aparecida, a água benta foi retirada. Nos supermercados e nas farmácias, álcool gel e máscaras eram raros nas prateleiras. Nas escolas estaduais, direção e professores solicitavam aos pais que deixassem em casa os alunos com sintomas gripais. Já as redes municipal e particular adiantavam e aumentavam o período de recesso de inverno.
Passado um ano, a situação é totalmente diferente. Mas se hoje é possível afirmar que o município, até a tarde de ontem (20 de julho), não tinha um registro sequer de caso de gripe A, é porque um grande movimento foi realizado no inverno de 2009. E para avaliar a situação, a reportagem de ON procurou um dos protagonistas da época, o vice-diretor médico do HSVP, Júlio Stobbe. Confira.

O Nacional - Em 21 de julho de 2009, Passo Fundo estava em plena pandemia de gripe A. Qual é a situação hoje?
Júlio Stobbe -
Felizmente este ano nós não temos nenhum caso confirmado de gripe A até o momento.

ON - O que contribuiu para que a situação ficasse tranquila este ano?
JS -
Atribuímos isso a dois fatores. Um é o grande número de pessoas contaminadas pelo vírus no ano passado e, consequentemente, essas pessoas ficaram com uma imunidade natural pelo vírus. O segundo fator importante é certamente a vacina que veio beneficiar um grande número de pessoas da nossa população.

ON - Qual a lição que fica da epidemia?
JS -
Acho que a maior lição que nós fizemos com a epidemia, com a pandemia, na verdade, foi a de que nós temos que trabalhar em grupo. E, além do trabalho em grupo, a informação é outro fator importante. As pessoas têm que ser informadas dos cuidados que devem ter em relação à doença. Acho que a informação sobre os cuidados é extremamente importante e que ajudou para que a gente não tivesse um número de casos graves maior do que o que a gente teve.

ON - Se este ano tivemos uma situação tranquila, é possível afirmar que também será assim no próximo ano?
JS -
Temos que pensar na saúde do ser humano. A gente não pode pensar somente de forma política. Nós temos que pensar numa forma de tratamento adequado da população, priorizando sempre o ser humano. E, obviamente não podemos reduzir os cuidados, por isso que é importante que a gente mantenha o calendário vacinal, que as pessoas façam a imunização, porque quanto maior o número de pessoas imunes que nós tivermos, certamente nós vamos ter um controle melhor da doença.


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