Entrevista

Entrevista | Publicado em 15/11/2010 23:36:11

Entrevista :“Os mais otimistas vão se surpreender com Dilma”

Entrevista Miguel Rossetto, presidente da Petrobrás Biocombustíveis

Créditos :: Leonardo Andreoli/ON

Zulmara Colussi/ON

Cotado para se manter no governo de Dilma Rousseff o ex-vice-governador do Estado, no governo de Olívio Dutra Miguel Rossetto e atual presidente da Petrobras Biocombustível assegura que os mais otimistas vão se surpreender com o governo da sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rossetto é um dos nomes do PT gaúcho para integrar o primeiro escalão do governo federal ou na atual função ou ainda como presidente da Petrobrás. Não está descartado, também, que ele retorne ao ministério da Reforma Agrária, onde esteve durante o primeiro mandato de Lula. Na última segunda-feira, Rossetto participou do Seminário de Agroenergia em Passo Fundo, promovido pelo Grupo Editorial O Nacional em parceria com Petrobrás, Embrapa, UPF e Emater. Depois do evento, Rossetto falou a ON sobre o futuro político. Segundo ele, até o momento não há informações concretas a respeito do futuro político. “Se você me perguntar, eu não vou saber responder, porque realmente não sei nada. Dilma ainda está descansando (semana passada) e não há qualquer informação sobre cargos”, respondeu ele. Rossetto, no entanto, assegura que está à disposição do governo para continuar contribuindo com este processo novo que o país vive. Ele não esconde que sua preferência é por se manter na Petrobrás Biocombustíveis.
 

O Nacional: Qual a análise que o senhor faz do resultado da eleição?
Miguel Rossetto:
Penso que é uma situação muito positiva. O resultado da eleição traz em nível nacional uma positiva estabilidade. Estabilidade pautada pela continuidade sempre melhorada de um projeto vitorioso para o Brasil. O país está melhor. Ao longo dos últimos anos é o Brasil que volta a ter crescimento econômico, volta a distribuir renda, volta a pensar numa integração regional. Olha todos os estados e todas as regiões e um país que vem fazendo grandes mudanças estruturais que fazem com que a população brasileira se sinta mais respeitada e cuidada. A Dilma é liderança neste processo e a partir da sua presidência vai dar continuidade ao projeto vitorioso para o Brasil. Nosso país se tornará, sim, uma grande Nação, cada vez mais respeitado em escala mundial. E há uma grande possibilidade nova criada, a partir da vitória do Tarso, aqui no Estado do Rio Grande do Sul, através da relação de identidade de projetos, de uma visão comum de compromissos. A Dilma é eleitora do RS, conhece profundamente o nosso estado, ela mora em Porto Alegre, ou seja, isso cria obviamente um ambiente de muita identidade das suas equipes. Eu guardo grande otimismo a partir desta relação e da qualidade dos governos que estão sendo montados.

ON: O senhor trabalhou ao lado de Dilma Rousseff, aqui no Estado, no governo de Olívio e agora no governo de Lula. O que esperar do governo de Dilma Rousseff, do ponto de vista de sua experiência?
Rossetto:
Acho que a Dilma vai ter um papel estratégico para o país. Ela tem uma profunda capacidade de trabalho, grande sensibilidade e é uma brasileira que tem um infinito compromisso com o seu povo. Ela vai sim, conforme disse na campanha, enfrentar os grandes problemas brasileiros, concentrando suas ações nas áreas da educação e saúde. A relação com os governos estaduais será fundamental. O governo terá um grande compromisso de qualificar as redes estaduais de educação, ampliando o compromisso de instalar escolas técnicas federais em todos os lugares com mais de 50 mil habitantes. A Dilma vai cuidar muito da economia, da infraestrutura e da atividade econômica do país e ela vai enfrentar os grandes temas. Pra mim, é uma surpresa muito positiva ela já estar enfrentando isso, mesmo antes de assumir. Acho que vai ser bom para o país, porque vai ser muito mais do que uma continuidade. É uma continuidade de fundamento, de compromissos, mas a partir de um Brasil melhor, de um país que vem conseguindo dar saltos de qualidade. A Dilma tem uma extraordinária energia para o trabalho, de foco e dedicação. Eu penso que os mais otimistas vão se surpreender com a liderança que ela vai desenvolver no nosso país em escala mundial.

ON: Por que o senhor acredita nisso?
Rossetto:
Acho que ela representa uma simbologia muito forte, na sua condição de mulher e de militante contra a ditadura. Poucas pessoas colocaram sua vida em defesa da democracia, da liberdade e justiça social, como ela fez. Portanto, é uma cidadã brasileira extraordinária que temos que nos orgulhar, que devemos emprestar otimismo e trabalho. Cada um deve fazer a sua parte. Nós estamos enxergando um novo Brasil. A minha geração nunca imaginou isso: trabalhar, construir e enxergar o Brasil se transformar em uma Pátria para todos. A ideia de que nós tenhamos em 2030 estabilidade demográfica: um país que estabilize o crescimento do população, que gere excedentes, que distribui a riqueza numa visão de igualdade, que estamos superando a condição de miséria do povo brasileiro e criando uma condição digna de vida para o povo, é uma conquista histórica extraordinária para o PT e para nossos aliados.

ON: O que esperar do governo de Tarso Genro, depois de oito anos em que o PT administrou o Estado pela primeira vez?
Rossetto:
Tarso vai, com sua liderança, retomar um grande projeto de desenvolvimento para o Rio Grande do Sul. O povo gaúcho retoma seu lugar na participação popular, como tivemos no governo de Olívio Dutra. Acho que esta vai ser a grande marca do Tarso, a recuperação de um projeto de desenvolvimento para o Estado. É importante que todas as regiões passem a se enxergar e a ter espaço no governo e que se construa aqui um grande ambiente de uma democracia republicana radicalizada, com grande participação popular. Esta é a nossa força. Nós sempre superamos os nossos problemas ao longo da nossa história quando nós conseguimos combinar um projeto adequado com participação popular e democracia radicalizada. É isso que o Tarso vai liderar e realizar a partir de seu governo.


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