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Polícia


“Eu só choro e não durmo à noite”, desabafa esposa de idoso desaparecido

Publicada em: 10/10/2019 - 08:00, por Isadora Stentzler/ON

Jandir Oliveira, de 73 anos, saiu de casa na quarta-feira, dia 2, e permanece desaparecido. Ele tem Alzheimer e família pede ajuda para encontrá-lo

“Eu só choro e não durmo à noite”, desabafa esposa de idoso desaparecido

Jandir de Oliveira saiu de casa no dia 2 de outubro vestindo uma camiseta preta pólo, chapéu preto, calça preta (estilo abrigo), sapato preto. Ele tem barba e cabelos grisalhos e não possui um dos dentes da frente.

Crédito: Isadora Stentzler/ON

Jandir Oliveira, de 73 anos, e Laura Vieira Rodrigues, de 78, mudaram-se para a nova casa no bairro Victor Issler no último dia do mês de setembro. Logo viriam as chuvas da primavera e também a dor de Laura: o marido, com Alzheimer, saiu de casa na quarta-feira, dia 2 de outubro, e não voltou. “É muito triste. Eu só choro e não durmo à noite. Eu não fico sem ele”, desabafou a aposentada, marejando os olhos verdes, sentada no sofá. No quarto do casal, ao lado da pequena sala, as roupas já estão dobradas ao lado do perfume e do desodorante, cobertos com um rosário e protegidos na sombra de uma estátua de Nossa Senhora Aparecida. “Essa é minha esperança. Eu tenho esperanças de encontrar ele. Se escuto um latido de cachorro ou barulho de portão corro para a porta. Sempre penso que pode ser ele.”


Jandir foi diagnosticado com Alzheimer a menos de um ano, calcula Laura. Ela não sabe precisar o tempo, mas desde então adotou cuidados para com o marido, que já não podia confiar na memória recente. Um deles era levar a chave da porta de casa para o banheiro quando fosse se banhar. E era isso, conta Laura, que fizera na quarta-feira chuvosa do dia 2 de outubro. Ao deixar o banho é que se deu conta de que nem a chave e nem Jandir estavam mais na casa.


“Era à tarde, 14h30, 15h. Eu tomava banho e quando saí ele tinha pegado a chave. Ele estava todo de preto. Pólo preta, curta, calça preta, com uma listra do lado, aquelas abrigo, sabe? Tênis preto, chapéu preto e guarda-chuva preto. Ele sempre andava com alguma coisa na mão. As vezes uma chave de fenda, uma ferramenta”, detalha Laura, que diz ter ido à porta e ter sentido ao mirar a chuva que seu marido tinha ido.
Horas depois é que conseguiu pedir ajuda à sobrinha, começando as buscas que já duram oito dias.


Não era a primeira vez que Jandir desaparecia. Na primeira, tempo depois de ter a doença diagnosticada, ele saiu e voltou. Contou que havia ido para Coxilha. Que tentou pegar um ônibus. Mas que também foi ajudado por policiais e outras histórias. Apoiada nessa experiência é que, por um breve tempo, Laura acreditou que Jandir retornaria no dia seguinte.


“Cada hora é uma semana”


Juntos há 33 anos, 38 anos, como diz Laura, conheceram-se quando ela trabalhava de faxineira em uma casa. Jandir sempre aparecia ao portão e puxava um dedo de prosa. Até que um dia quis mais que uma conversa. Com um anel dourado, ainda no dedo de Laura, pediu sua mão.


Nos últimos dias, diz Laura, ele já não lembrava quem era ela. Tinha lapsos e às vezes esquecia o próprio nome. Com paciência é que ela conta que o relembrava do romance que tiveram e da vida a dois.


Ela é o segundo casamento de Jandir, mas ambos não têm filhos. Quem se ocupa com a busca é a prole do primeiro casamento do aposentado, demais parentes de Jandir e a família de Laura.


Uma das sobrinhas, Rita de Cássia Rodrigues, diarista de 40 anos, lamenta. “Eu queria ajudar mais, mas eu não consigo. Minha mãe também está doente. E para nós, cada hora é uma semana.”


No domingo, dia 6, uma ligação aumentou as expectativas. Ainda na quinta-feira (3), um dia após o desaparecimento, um vídeo com um homem andando na rua tentando pegar uma grande pedra foi divulgado. Parecia ser Jandir. Então, domingo, disseram à família que ele estava na Praça Tochetto. Era de manhã. Uma das sobrinhas meteu um roupão e saiu com Laura e a outra sobrinha às pressas. Mas alarme falso. Jandir permanecia desaparecido.


A família também buscou na antiga residência, onde viviam antes da mudança, no bairro Valinhos. Passaram pela Vila Fátima, Vera Cruz, São Luiz e Santa Marta. Foram a Carazinho, Coxilha, Mato Castelhano. Instituto Médico Legal. Delegacia. Também programavam-se para, na noite de ontem, ir à rua. “Falaram na Delegacia de Homicídios que ele poderia estar vivendo entre os moradores de rua, onde, a gente sabe, as pessoas ficam invisíveis. A gente não conversa com moradores de rua. E talvez ele possa estar lá”, disse Rita.


Com fotos divulgadas em ônibus, postes e outros locais públicos, a família espera por um chamado. Deixou números para contato. E segue na procura de Jandir.

 

Informações sobre o paradeiro do aposentado podem ser dadas à família pelos telefones:
(54) 99953-9063
(54) 99163-6379
(54) 99146-8040

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