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Saúde


Semana Mundial lembra importância do aleitamento marterno

Publicada em: 02/08/2015 - 16:21

O tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno deste ano, que acontece de 1º a 7 de agosto, é Amamentar e trabalhar – Para dar certo o compromisso é de todos!

Semana Mundial lembra importância do aleitamento marterno

Crédito: Divulgação

O leite materno contém componentes e mecanismos capazes de proteger a criança de várias doenças. É um simbiótico: uma fonte natural de lactobacilos, bifidobactérias e oligossacarídios. Nenhum outro alimento oferece as características imunológicas do leite humano. A mãe fornece ao filho componentes protetores, através da placenta e do seu leite, enquanto o sistema de defesa do bebê amadurece. Por este motivo, todos os anos a Organização Mundial da Saúde (OMS) realiza ações de incentivo à amamentação, sempre na primeira semana do mês de agosto. As ações, que também são realizadas no Brasil, acontecem simultaneamente em mais de uma centena de países
Estudos mostram que o leite materno é capaz de reduzir em 13% as mortes por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos. Mais do que é evitado pela vacinação ou pelo saneamento básico, segundo a OMS. Em 2008, 41% das mães brasileiras amamentavam exclusivamente nos primeiros seis meses de vida do bebê. Atualmente, o Ministério da Saúde trabalha na elaboração de novo estudo e, observando a tendência de crescimento, estima um aumento, nos últimos seis anos, de 10,2% no número de crianças sendo amamentadas exclusivamente até seis meses.
O Ministério da Saúde (MS) recomenda que, até os seis meses de vida, o bebê seja alimentado exclusivamente com leite materno para ter um crescimento forte e um desenvolvimento saudável. A amamentação é também reconhecida pelo MS como o primeiro direito da criança após o nascimento, que a recomenda até os dois anos de vida.

Amamentação e inteligência
Se os efeitos imediatos da amamentação sobre a saúde e o desenvolvimento dos bebês já é reconhecido – oferecendo proteção a doenças como diarreia, infecções respiratórias e alergias, além de reduzir o risco de hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade –, os impactos em longo prazo acabam de ser revelados por uma pesquisa inédita, realizada por pesquisadores da Universidade de Pelotas, que acompanhou 3,5 mil recém-nascidos durante mais de três décadas. Segundo a publicação, uma criança amamentada por pelo menos um ano obteve, aos trinta anos, quatro pontos a mais de QI e acréscimo de R$ 349 na renda média.
O estudo, realizado desde 1982, comprova que, quanto mais duradouro o período de amamentação na infância, maiores os níveis de inteligência e renda média na vida adulta até os 30 anos. É o primeiro estudo no Brasil a mostrar o impacto no QI e o primeiro internacionalmente a verificar a influência na renda. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (18) pela The Lancet, uma das publicações científicas mais importantes do mundo.
Outra questão inédita do estudo é mostrar que, no Brasil, os níveis de amamentação estão distribuídos de forma homogênea entre diferentes classes sociais, não sendo mais frequente entre mulheres com maior renda e escolaridade. Para a realização da pesquisa, os responsáveis pelo estudo, Cesar Victora e Bernardo Horta, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), contaram com financiamento do Ministério da Saúde e de entidades como o CNPQ, a FAPERGS, a Wellcome Trust e o International Development Research Center, do Canadá.
Os efeitos benéficos da amamentação, como o impacto direto na inteligência, são explicados pela presença de ácidos-graxos saturados de cadeia longa no leite materno, essenciais para o desenvolvimento do cérebro.


Entrevista

Medicina & Saúde – Quais as vantagens da amamentação para o bebê?
Analice Calegari Lusa e Claudia Pimentel - O leite materno contém componentes e mecanismos capazes de proteger a criança de várias doenças; nenhum outro alimento oferece as características imunológicas do leite humano; a mãe fornece ao filho componentes protetores, através da placenta e do seu leite, enquanto o sistema de defesa do bebê amadurece; é facilmente digerido, provoca menos cólicas; é de graça, natural, prático, e não desperdiça recursos naturais; previne alergias, obesidade, intolerância alimentares; aumenta o vínculo entre mãe e filho e colabora para que a criança se relacione melhor com outras pessoas.

Medicina & Saúde – E para a mãe?
Analice Calegari Lusa e Claudia Pimentel - Quando o bebê suga, o corpo libera o hormônio ocitocina, que age diretamente na contração do útero fazendo com que ele volte mais rápido ao seu tamanho normal; protege a mãe contra o câncer de mama e de ovário; conforme estudo publicado na American Journal of Obstetrics, revela que a amamentação reduz o risco de a mulher desenvolver síndrome metabólica (doenças cardíacas e diabetes) após a gravidez, inclusive para aquela que teve diabetes gestacional; a amamentação dá a mãe a sensação de bem-estar, de realização, e também ajuda a emagrecer, pois consome em média de 800 calorias por dia.

Medicina & Saúde – Qual a posição mais adequada para amamentar?
Analice Calegari Lusa e Claudia Pimentel - Mais do que a posição do recém-nascido em relação ao corpo materno, é fundamental que sua boca esteja bem posicionada no seio. A boca do bebê deve abocanhar o bico e parte da aréola, principalmente a porção inferior. Ela deve estar bem aberta, com os lábios rebatidos para fora, tipo “peixinho". Algumas técnicas ajudam o recém-nascido a encontrar a pega correta. A mãe pode estimular o bebê passando o mamilo nos lábios e na bochecha do lactente. Isso faz com que, por instinto, ele abra a boca, num reflexo de apreensão. Quando abrir, a mãe introduz o seio. Se ele não pegar certo da primeira vez, a mãe deve retirar o bico e colocá-lo novamente da forma correta.

Medicina & Saúde – Do ponto de vista fonoaudiológico, quais os benefícios?
Analice Calegari Lusa e Claudia Pimentel - O aleitamento materno, além dos benefícios já descritos, também tem efeitos positivos na saúde das crianças no que diz respeito aos aspectos fonoaudiológicos, uma vez que está relacionado:
- à importância da sucção durante o aleitamento materno;
- ao desenvolvimento motor-oral, com adequação dos órgãos fonoarticulatórios: lábios, língua, mandíbula, maxila, bochechas, palato mole, palato duro, musculatura orofacial e arcadas dentárias;
- ao desenvolvimento craniofacial, quanto ao crescimento ósseo e a dentição;
- à mobilidade, força e postura da musculatura orofacial e das estruturas ósseas;
- ao estabelecimento do padrão adequado de respiração nasal e da postura adequada de língua. Os músculos da deglutição são estimulados adequadamente, aumentando o tônus e promovendo a postura correta para futuramente exercer a mastigação;
- ao desenvolvimento das funções de respiração, mastigação, deglutição e articulação dos sons da fala.
- O aleitamento materno favorece também as necessidades afetivas da criança, porque ela permanece mais tempo com a mãe num contato muito íntimo, através do qual a mãe acaricia e fala com o bebê, estimulando, dessa forma, o desenvolvimento da linguagem e a relação que o bebê estabelecerá com o mundo.
- O processo de aquisição de linguagem é privilegiado nessa etapa, em que a criança produz diversos sons que usará mais tarde para falar. O passo básico para o desenvolvimento da linguagem é a experiência vivida e o contato corporal que o bebê tem consigo e com as pessoas e com o meio. É através da experiência sensorial (receptores visuais, auditivos e táteis) que o bebê vai formando sua linguagem interna. Associa os objetos ao seu uso e as pessoas às suas necessidades individuais, dando a eles um significado, estabelecendo as primeiras relações e criando um contato mais intenso que a criança tem com a mãe, principalmente, durante a amamentação.


Dicas importantes para a mãe:
• Escolha um cantinho tranquilo. O barulho pode tirar a atenção do bebê, atrapalhar a mamada e deixar a mulher mais cansada;
• Escolha uma poltrona com braços para se apoiar. Se for o caso, use uma almofada de amamentação.
• Mantenha sempre as costas e os pés apoiados. Se preferir, estenda as pernas em uma banqueta;
• Varie as posições da mamada para reduzir os ferimentos nos seios;
• Traga o bebê até a mama em vez de levar a mama até o bebê;
• Aumente a ingestão de líquidos durante o período de amamentação.

Colaboraram
Analice Calegari Lusa, fonoaudióloga HCPF
Claudia Pimentel, nutricionista HCPF

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