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Saúde


Postura corporal no atendimento odontológico

Publicada em: 09/10/2017 - 08:00

A dor articular ou ligamentar pode desencadear um espasmo muscular ou uma contratura

Postura corporal no atendimento odontológico

Álan Luiz Sana é graduado em Educação Física e Fisioterapia, mestre em Ortopedia e Traumatologia

Crédito: Bruna Foking/Fasurgs

 As múltiplas tarefas executadas diariamente, nem sempre nos permitem prestar atenção em nossa postura corporal, isso pode acarretar em muitas consequências para nossa saúde. Para o cirurgião-dentista é um desafio, pois exige muito de sua posição no trabalho, o que nem sempre é agradável ou confortável. Sua jornada de trabalho, com procedimentos prolongados, pode sobrecarregar partes do corpo e causar transtornos físicos graves devido à má postura, o que não é fácil de ser corrigido em razão das exigências na execução dos procedimentos. A acadêmica do curso de Odontologia da Fasurgs, Rafaela Kellers, conta que durante e após o atendimento, sente dores na cervical. “Por ficar muito tempo curvada, sinto muita dor, minha estatura maior que o padrão contribui para isso também e como já acostumei a me manter numa posição errada, fica mais difícil fazer a correção. Penso em fazer algum exercício físico orientado por um profissional capacitado para correção da postura, para que nos atendimentos, o mau hábito, não implique em futuros prejuízos para  minha saúde e qualidade de vida”, conta a acadêmica.

Estresse e dor

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 85% da população mundial sofre com dores na coluna. O professor do curso de Educação Física da Fasurgs, mestre em Ortopedia e Traumatologia, Álan Luiz Sana, explica que quando não nos posicionamos de maneira correta, o estresse maior entre as articulações provoca tensão nos ligamentos e cápsula articular. Após um determinado tempo, esse estresse gera dor. A dor articular ou ligamentar pode desencadear um espasmo muscular ou uma contratura, e a pessoa pode não conseguir mais trabalhar sem dor.

Alongar

O professor salienta que o ideal para evitar problemas é não permanecer na mesma posição por muito tempo. “Nos intervalos de atendimento, é imprescindível que o profissional de odontologia consiga se alongar. Deve deixar sua posição sentada e alongar o punho, o cotovelo, o ombro que são as partes do corpo mais utilizadas e exigidas no desempenho de sua função, além da coluna vertebral”. Álan lembra ainda que fora do ambiente de trabalho é importante praticar algum tipo de exercício físico que fortaleça as estruturas que mais se utiliza durante o atendimento, priorizando nesses exercícios grupos musculares que são mais exigidos durante a atividade profissional. Rafaela conta que no curso, a disciplina de Ergonomia e Biossegurança, ensina como manter a postura correta, angulação da perna durante os atendimentos, mas nem sempre é aplicada. “No momento do atendimento, até nos lembramos destes ensinamentos, mas para melhor enxergar os dentes do paciente acabamos voltando para a postura errada” disse Rafaela.

 Consequências

“Toda postura errada, após um determinado tempo, provoca algum tipo de desgaste, lesão, doença ou contratura, o que pode levar o profissional a ter limitações, pois pode chegar ao ponto de não conseguir mais atender na posição exigida pela profissão sem sentir dor. Para evitar isso, é preciso a prevenção”, afirma Álan, que frisa ainda a importância de os acadêmicos iniciarem durante a graduação um reforço muscular e também exercícios de alongamentos, pois esta é uma forma de se preparar para a vida profissional. “Se tiver cuidado no início, será muito mais fácil a correção dos vícios posturais, então, o ideal é manter o exercício físico frequente em preparação para a atividade profissional, e muita atenção à sua postura durante os atendimentos”, conclui Álan.

 Resultados

Seguindo as orientações, Rafaela colocou em prática algumas mudanças e já obteve bons resultados. “No momento em que corrigi a posição da cadeira do paciente e a minha, já senti a diferença no final do dia de trabalho. Foi difícil fazer e manter a correção da postura, mas é preciso. Vou procurar estar sempre atenta, pois senti muita diferença e pretendo no consultório continuar me policiando, fazer alongamentos durante os intervalos de trabalho, além de utilizar uma cadeira que contribua com a posição ergonômica correta”.

 

 

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