Entidades e políticos comentam saída de Sérgio Moro

Moro pediu demissão após exoneração do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo

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 Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro em pronunciamento à imprensa (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil) Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro em pronunciamento à imprensa (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro em pronunciamento à imprensa (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
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As manifestações de entidades de policiais federais começaram ontem (23), após as primeiras informações de que Bolsonaro cogitava substituir Valeixo. Em nota conjunta, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) afirmaram que as recorrentes trocas no comando da corporação afetam sua estabilidade e credibilidade.

“O problema não reside nos nomes de quem está na direção ou de quem vai ocupá-la. Mas sim, na absoluta falta de previsibilidade na gestão e institucionalidade das trocas no comando”, afirmam as entidades. “Nos últimos três anos, a Polícia Federal teve três Diretores Gerais diferentes. A cada troca ou menção à substituição, uma crise institucional se instala, com reflexos em toda a sociedade que confia e aprova o trabalho de combate ao crime organizado e à corrupção.”

Já após a confirmação da exoneração de Valeixo, a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) manifestou-se “surpresa” e “preocupada”. “É preocupante que o Executivo lance mão de sua prerrogativa de trocar o comando da PF sem apresentar motivos claros para isso. Trata-se de um episódio que gera perigoso precedente e cria instabilidade para a atividade do órgão. A Polícia Federal é uma instituição de Estado e deve seguir, com autonomia e rigor científico, em sua missão de combater o crime doa a quem doer.”

Após o pronunciamento, outras entidades se manifestaram. “A OAB irá analisar os indícios de crimes, apontados por Moro. Mas preciso registrar meu lamento e minha indignação com as crises que o Presidente nos impõe, por motivos extremamente suspeitos, em meio a uma crise pandêmica que, de tão grave, deveria ao menos ser a única”, disse o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz na rede social Twitter. O presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Fernando Mendes, afirmou estar surpreso. "Preocupa, principalmente, que o ministro tenha saído alegando a tentativa de pressões políticas na autonomia da PF, o que é extremamente ruim para o Brasil", destacou Mendes. 

A Associação dos Magistrados Brasileiros expressou reconhecimento pela gestão, considerada responsável, de Sérgio Moro. “O Ministério da Justiça e Segurança Pública segue incumbido de lidar com importantes desafios, sobretudo neste momento de crise. Desejamos que o próximo ministro seja bem-sucedido nessa importante missão”, afirmou a entidade. A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) também expressou reconhecimento pela gestão. “Nesse pensar, a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público - CONAMP, defensora do livre exercício das liberdades individuais e sociais, reafirma sua confiança e seu compromisso com a democracia brasileira, com a independência dos Poderes e com o respeito às instituições e aos direitos e garantias fundamentais do povo brasileiro”, declarou a entidade em nota assinada pelo presidente, Manoel Murrieta.

Rio Grande do Sul

O governador Eduardo Leite comentou no Twitter a saída do ministro. “Hoje sofreram derrota o trabalho técnico, o combate à corrupção e a valorização do mérito. A saída do Min. @SF_Moro, na forma como se deu e pelas motivações apresentadas, em um momento delicado da vida do país, abala os brasileiros que lutam por um país mais justo e transparente”, disse Leite. 

Políticos gaúchos também se manifestaram. O senador Lasier Martins (Podemos -RS), lamentou a situação. “Estou ainda sob o impacto da manifestação de @SF_Moro, que se exonerou do cargo sem esconder sua decepção. Moro é um idealista que se acostumou a defender a lei e o estado de direito, e não fugiu a essa responsabilidade.  Perdem o ministério e o Brasil”, disse o senador. Também no twitter, o senador Paulo Paim (PT-RS) considerou as afirmações de Sérgio Moro gravíssimas. “A segurança institucional está em risco. Sem a observância da lei, começa a tirania. Morre a democracia. É inaceitável qualquer interferência política e ideológica na Polícia Federal”, afirmou Paim.

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