Ferrovias brasileiras precisam de investimentos R$ 40 bilhões

Por
· 2 min de leitura

Notamos que você gosta de ler nossas matérias.

Você já leu várias nas últimas horas, para continuar lendo gratuitamente, crie sua conta.

Ter uma Conta ON te da várias vantagens como:

  • Ler matérias sem limite;
  • Marcar matérias como lida;
  • Conteúdo inteligente.
Criar contaAcessar
Você prefere ouvir essa matéria?

O Brasil precisa de investimentos de R$ 40 bilhões para atender à demanda de carga ferroviária prevista para os próximos anos, segundo estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Caso contrário, as exportações brasileiras poderão ficar comprometidas, de acordo com o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea Fabiano Pompermayer. Ele também alerta para a necessidade de melhoria nos portos nacionais.

“O país pode ter suas exportações comprometidas, caso não sejam implementadas obras ferroviárias. Para atender essa demanda serão necessários, no mínimo, investimentos de R$ 40 bilhões e uma extensão de cerca de 10 mil quilômetros em relação à malha atual”, disse Pompermayer, hoje (19), durante a divulgação do estudo Transporte Ferroviário de Cargas no Brasil: Gargalos e Perspectivas para o Desenvolvimento Econômico e Regional. “Consideramos ainda como desejáveis outros R$ 59,4 bilhões para obras que não estão entre as prioritárias.
 
Entre as prioridades destacadas pelo estudo, boa parte está ligada aos R$ 21 bilhões em investimentos públicos e privados previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para expandir a malha dos atuais 28 mil quilômetros para pelo menos 40 mil quilômetros até 2020.

O pesquisador destaca como prioritárias as obras da Ferrovia Norte-Sul, que vai ligar a Região Norte à Centro-Oeste, chegando ao estado de São Paulo. Segundo ele, a integração da Ferrovia Bahia Oeste também é necessária, por ligar a Ferrovia Norte-Sul ao litoral do Nordeste. “Para que a produção de soja e demais grãos de Mato Grosso do Sul e dos outros estados do Centro-Oeste sejam atendidas será necessário também que a Ferroeste seja estendida até Rondônia”, avalia.

“Precisamos adequar também a malha ferroviária do Sudeste, como a Ferroanel, em São Paulo, e as malhas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro”, acrescenta Pompermayer.

Outro estado que, de acordo com o estudo, carece de investimentos é o Paraná. “Lá, será necessária uma grande adequação de malha e a ampliação de capacidade. Só assim será possível atender toda a produção de soja do oeste do estado. Em função de a ferrovia já estar operando no limite de sua capacidade, boa parte já foi canalizada para as rodovias”.

“A capacidade do transporte ferroviário no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina também precisa ser ampliada para escoar a produção de grãos", completa Pompermayer. “E é fundamental que chegue a portos com boa infraestrutura para evitar maiores problemas”.

Ele aponta os portos de Rio Grande (RS), Paranaguá (PR), Santos (SP) e Itaguaí (RJ) como os que mais carecem de investimentos. “Hoje, o acesso ferroviário para a maioria desses portos já está no limite. A coisa só não estourou ainda porque está se aumentando a fila de navios [aguardando os serviços portuários], e porque parte da produção foi escoada para as rodovias”.

“Há também o caso do Porto de Itaqui [MA]. A ferrovia já chegou ao porto, mas ele ainda não tem estrutura suficiente para dar conta dos grãos que chegam lá para serem exportados”, afirma Pompermayer.

De acordo com o coordenador de Infraestrutura Econômica, Carlos Campos, o comércio internacional cresceu, em valores, 130% entre 2003 e 2008. Os portos só não estrangularam por conta do investimento privado em novos equipamentos, como contêineres, transtêineres e guindastes para os terminais.

“Na verdade, o que foi melhorado foram as operações portuárias. Mas isso tem um limite e ele está próximo de ser alcançado”, disse. “O próprio setor privado acha que crescendo 5% em três anos os portos terão problemas.”

Com informações da Agência Brasil

Gostou? Compartilhe