Mais um passo para instalar a Central do Pet

Galpão da Recidonária cogitado para ser a sede da Central do Pet é visitado por técnicos da Secretaria Estadual da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sesampe)

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 Representantes da Secretaria Estadual da Economia Solidária e Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sesampe) estiveram em Passo Fundo na terça-feira (22) para discutir o projeto de implantação da Central do Pet que atenderá a região Norte do Rio Grande do Sul. A diretora do Departamento de Incentivo e Fomento à Economia Solidária (Difesol/ Sesampe), Nelsa Nespolo, e a coordenadora da Cadeia Solidária Binacional do Pet, Isabeta Ody, visitaram o galpão da Recidonária que está sendo cogitado para abranger a sede. Este deverá ser o quarto polo no Estado e a estimativa é que seja implantado até o final de 2013.

A cadeia solidária é uma parceria entre o governo do Estado, município e catadores. O Estado disponibiliza os equipamentos, o município oferece a estrutura para implantação e os catadores se organizam para criar a cooperativa que administrará a central. Conforme a diretora do Departamento de Incentivo e Fomento à Economia Solidária, o objetivo da vinda a Passo Fundo foi discutir o processo de implantação da Central do Pet e visitar um dos possíveis locais de instalação da sede na vila Donária. “Trazer este projeto para a região é promover o desenvolvimento porque ele trabalha com a preservação do Meio Ambiente e a parte social que é melhorar a vida, as condições de trabalho e a renda dos catadores”, disse Nelsa.

Em relação ao pavilhão da Associação Recidonária, no bairro Donária, Nelsa informou que a princípio o pavilhão é um pouco pequeno para a demanda e seriam necessárias algumas adaptações e ampliações. Outra alternativa seria construir um prédio adequado para a sede da Central de Pet. “O local ainda está sendo definido e hoje o município está mostrando a estrutura que dispõe”, disse Nelsa.

Este processo faz parte da Cadeia Solidária Binacional do Pet que já possui três centrais (polos) regularizadas instaladas em Santa Cruz do Sul (Coomcat), Novo Hamburgo (Coopetsinos) e Jaguarão (Coopetsul). Todas deverão entrar em funcionamento nos próximos meses.

Funcionamento da Cadeia Solidária do Pet

A central que deverá ser instalada em Passo Fundo transformará as garrafas Pet em flake (pequenos flocos de Pet). Este material será vendido e enviado para a cooperativa Coopima no Uruguai para ser transformado em fibra sintética. Esta fibra retornará para o Brasil (Coopertextil/Minas Gerais) e será transformada em tecido. Estes tecidos são encaminhados para as cooperativas e associações de costureiras do Rio Grande do Sul e de outros locais da Economia Solidária no Brasil. Com esta matéria-prima será possível desenvolver produtos como sacolas retornáveis, kit escolares, calçados, entre outros.

Investimento e estrutura para implantação

O custo do Estado para a implantação da central é de aproximadamente R$ 1 milhão. Segundo a coordenadora da Cadeia Solidária Binacional do Pet, Isabeta Ody, para implantar a sede é necessário um espaço de no mínimo 600 m² e uma área suficiente para a circulação de caminhões. Além disso, é preciso um equipamento que transformará o Pet em flake, uma empilhadeira e um caminhão. A máquina tem capacidade para processar 1 mil quilo por hora ou 200 toneladas por mês. Os equipamentos são disponibilizados com recursos do Estado.

 Desafios

Para instalar a Central do Pet é necessário que os catadores de Passo Fundo e a região se organizem para criar uma cooperativa para administrar o polo. Conforme o coordenador da Cáritas e do projeto Transformação que auxilia algumas associações de recicladores de Passo Fundo, Luiz Costella, é necessário a criação de uma rede de cooperativas. “As associações continuarão atuando nos seus galpões. O que acontece é que a central será constituída pelas diversas cooperativas”, explicou Costella.

Em relação ao espaço físico, Costella disse que o local ainda não está definido, mas caso o galpão da Recidonária não atender os requisitos eles batalharão pela liberação de um recurso do orçamento participativo para a construção de um novo pavilhão de reciclagem.

 Exemplo da Coopetsinos

O diretor financeiro e de captação de recursos da Coopetsinos, Clóvis Eduardo Aguiar da Silva, compartilhou a experiência de instalação do segundo polo no Estado que é a Central de Cooperativas do Vale dos Sinos (Coopetsinos) instalada em Novo Hamburgo e que deverá entrar em funcionamento em abril.

A Coopetsinos é uma central de cooperativas montada para a cadeia binacional do Pet na região metropolitana de Porto Alegre. Ela é composta por mais de 16 cidades e 35 associações e cooperativas. “Uma central de cooperativa precisa ser montada por cooperativas. O grande desafio foi transformar as associações em cooperativas. A cooperativa consegue alocar recursos e uma série de coisas que as associações não conseguem”, explicou Silva.

Os resultados estão sendo positivos e segundo Silva os catadores que fizerem parte do projeto poderão alcançar uma renda entre R$ 1,4 mil a R$ 2 mil. “O conselho que dou para os catadores é para que eles estejam cada vez mais unidos, pensem em formar cooperativas e estejam por dentro do processo, debatendo junto com o Estado e município”, aconselhou o diretor financeiro e de captação de recursos da Coopetsinos.

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