OPINIÃO

Um aniversário de 82 anos sem festa e um agradecimento

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A Academia Passo-Fundense de Letras, fundada em 7 de abril de 1938, completou 82 anos de existência. Diferente de anos passados, na última terça-feira (7 de abril de 2020), em respeito ao isolamento social que ora vige em nosso País, o velho casarão da Avenida Brasil Oeste, n.º 792, não abriu a porta mais alta do Rio Grande do Sul para, conforme tradição que lhe é cara, recepcionar convidados e brindar a data magna. E, tampouco, como faz todos os anos, prestou a sua reverência, com a entrega da Comenda do Mérito Cultural Sante Uberto Barbieri, a quem contribuiu para o desenvolvimento da cultura local e de direito fez por merecer esse reconhecimento.
O momento difícil que ora estamos vivendo, sob a égide da pandemia da covid-19, passará. E, então, retroativamente, comemoraremos da forma devida o aniversário de 82 anos dessa instituição, cuja relevância dispensa discursos laudatórios e pode ser atestada, simplesmente, pela longevidade. NENHUMA ORGANIZAÇÃO QUE NÃO TENHA RELEVÂNCIA SOBREVIVE 82 ANOS! Assim, isolados pelas circunstâncias, conclamamos aos amantes das letras e da cultura, que, simbolicamente, ergam um brinde pelos 82 anos da Academia Passo-Fundense de Letras. E um pedido especial àqueles que professam alguma fé para que elevem seus pensamentos em oração instando-nos à serenidade e a atitudes dignas de pessoas humanas nesses tempos difíceis (mais difíceis para muitos que não estão lendo esse texto, com certeza). E àqueles que não acreditam na espiritualidade, apenas rogamos que guardem o silêncio respeitoso e perseverem nas mesmas atitudes merecedoras de serem rotuladas de humanas.
O segredo da longevidade da Academia Passo-Fundense de Letras foi, nos últimos 82 anos, ter sabido respeitar a pluralidade, seja de credos políticos ou religiosos, de paixões clubistas (Grêmio x Internacional ou Gaúcho x 14 de Julho/Passo Fundo) ou interesses de corporações profissionais, que, historicamente, grassa entre os ocupantes das suas 40 cadeiras. A INDIFERENÇA ÀS DIFERENÇAS (excluindo-se aquelas que avultam à dignidade da pessoa humana; evidentemente) sempre foi um valor muito caro para a instituição. E cabe a cada membro desse sodalício, que hoje ostenta a honorável distinção de acadêmico, zelar para que continue sendo assim; apesar do momento propício a cismas das mais variadas naturezas.
Nesse momento, no cargo de presidente da Academia Passo-Fundense de Letras, cumpre, além de reiterar o nosso compromisso de levar adiante, com o devido respeito pelos 82 anos de história dessa casa, o trabalho daqueles que nos antecederam, também tornar público que, no dia 7 de março de 2020, na sessão de abertura do Ano Acadêmico 2020, tivemos o privilégio de receber, das mãos do acadêmico Welci Nascimento, dois documentos valiosíssimos para a história da nossa instituição e de Passo Fundo: o livro de Atas do Clube Pinheiro Machado (Atas do CPM), com abertura lavrada em 19 de outubro de 1920, e a Escritura Pública do Imóvel da nossa Sede, cuja doação foi concretizada pelo CPM na histórica assembleia do dia 16 de novembro de 1971, que deliberou pela sua extinção e o repasse do seu patrimônio para a Academia Passo-Fundense de Letras. Que faremos com esses documentos? A responsabilidade do cargo nos impõe a guarda e assim procederemos. Mas, sabedores do valor histórico desses documentos, em especial do livro de Atas do CPM, estamos providenciando uma edição fac-símile desse livro, cujas páginas virão acompanhadas da transcrição textual das respectivas atas e da reprodução da grafia original. Assim, vamos ampliar o acesso aos historiadores a uma fonte primária da história local, que, até então, ainda é inédita para muitos. Nossos agradecimentos, seja in memoriam, aos membros do Clube Pinheiro Machado e aos acadêmicos Delma Rosendo Gehm, Antonio Agusto Meirelles Duarte e Pedro Ari Veríssimo da Fonseca, que, diligentemente, guardaram esses documentos, e ao seu último guardião, o professor Welci Nascimento, que os passou a nossas mãos. Estejam certos, a preocupação de vocês não foi em vão. Saberemos dignificar tanto zelo!

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