Manifestação de funcionários pede a reabertura da JBS

Frigorífico em Passo Fundo está interditado por decisão do TRT atendendo decisão da Inspeção do Trabalho

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Gerson Lopes/ON Gerson Lopes/ON
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Centenas de funcionários ddo frigorífico  JBS realizaram, na manhã de ontem (11),  uma grande e ruidosa manifestação pelas ruas de Passo Fundo. Com uma imensa carreata, eles pediram pela reabertura da filial da empresa no município. A unidade foi interditada duas vezes, após constatação de 62 casos de trabalhadores confirmados com contaminação de Covid-19. O frigorífico está fechado desde sexta-feira, 08, por determinação do Tribunal Regional do Trabalho RS. O protesto iniciou às 10 horas, na São Cristóvão, tendo como ponto de partida a Avenida Presidente Vargas em frente ao Estádio Vermelhão da Serra. Meia hora depois, com um carro de som à frente, mais de uma centena de veículos ingressaram na Avenida Brasil, no sentido Centro-Petrópolis. Automóveis, caminhões de terceirizados e dezenas de ônibus, responsáveis pelo transporte de funcionários, participaram do ato. Com muitas buzinas, a maioria dos veículos ostentava um cartaz com os dizeres ‘somos JBS e queremos trabalhar’. Ao chegar às proximidades da Prefeitura de Passo Fundo, os veículos, principalmente caminhões e ônibus, estacionaram antes e depois da Ponte do Rio Passo Fundo. Um grupo, a pé, seguiu em direção aos canteiros em frente ao acesso à Prefeitura. Porém, não permaneceram reunidos para evitar aglomeração e, imediatamente, dispersaram finalizando o ato de protesto.

Funcionários e terceirizados

Em frente à Prefeitura, Cristian de Oliveira, colaborador da JBS, explicou sobre a realização do protesto. “Na verdade o movimento surgiu a partir de um grupo que foi criado e o pessoal disse - temos que pensar alguma ação para fazer. E foi quando surgiu a ideia: então vamos fazer uma carreata! Além dos funcionários, a gente pensou em trazer os produtores, que também estão sofrendo com a interdição do nosso frigorífico e os terceiros (terceirizados) que são as empresas de transportes, de frangos e de pessoas, os ônibus. Aí foi criado esse movimento e feita essa carreata hoje (ontem) de manhã. O que a gente está solicitando... nós queremos respostas. O prefeito falou pra nós que a interdição partiu de um decreto que é estadual. A gente entende isso. Nós queremos uma ajuda dele. Nós estamos vendo os casos de tantas outras cidades”, contou.

Impacto regional

Sobre a estrutura da empresa, Cristian de Oliveira explicou que “de forma direta, a JBS em Passo Fundo conta com 2.600 colaboradores, tem 600 integrados (criadores) de frangos de corte e temos incubadoras. Pra resumir, o fechamento desta empresa acarretaria um impacto em 9.500 pessoas em 54 cidades”. Sobre a volta às operações industriais, disse que “a possibilidade existe e ela está aí e, por isso, o nosso desespero maior”. De acordo com o funcionário, essa informação foi repassada aos trabalhadores. Ele avalia que três mil pessoas participaram da mobilização. A proposta era realizar uma manifestação pública. “A gente já mostrou o que queria mostrar”, explicou. Sobre a continuidade do movimento, ele disse que “ainda estamos pensando o que vai ser feito”.

Prefeitura avalia situação

Em relação à carreata com a participação de funcionários do frigorífico JBS, a Prefeitura informou que respeita a manifestação. Sobre a interdição da empresa, o Município disse que recebeu nesta manhã (11) a documentação solicitada e irá avaliar com a equipe técnica. Caso as medidas apontadas tenham sido atendidas pela empresa, não haverá motivos para manter a interdição administrativa. A Prefeitura reconhece a importância da JBS no contexto econômico da região e tem feito esforços, ao longo dos últimos anos, para incentivar a expansão da empresa no município.

Casos e mortes

De acordo com dados liberados pela Secretaria Estadual da Saúde, até 07 de maio, a JBS Passo Fundo tinha 62 casos de trabalhadores confirmados com contaminação de Covid-19, dos quais 16 se encontravam hospitalizados. Ainda existem 11 contatos próximos confirmados, 04 mortes de parentes dos empregados e 284 empregados com sintomas da doença.

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