OPINIÃO

Das lembranças que eu trago na vida

Por
· 1 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

Isolda compôs essa música (Outra Vez) em homenagem a seu irmão Milton Carlos, músico e compositor, autor de Contrassenso (confira no youtube – imperdível) e que morrera precocemente em acidente de trânsito. O Rei ouviu e enlouquecido gravou-a porque conhecera Milton e sabia de seu enorme talento. Tibério Gaspar – falecido aos 73 em 2017 – compôs Teletema para a novela Véu de Noiva, que tratava de um corredor de fórmula 1 (em homenagem a Fittipaldi). Claudio Marzo era o jovem galã da época e foi dublado nas cenas de velocidade por José Carlos Pace (o Moco). Dizia – rumos estradas, curvas, só despedidas – em homenagem a sua noiva que morrera numa curva em outro acidente. Regininha, que era da Turma da Pilantragem, tornou-a inesquecível. São duas músicas que se ouve em nomes de chuva, assim como as de Kleiton e Kledir.

Latin Lover (Bosco-Blanc, recentemente falecido, dizem que de covid) descrevia – “nos dissemos que o começo é sempre sempre inesquecível, acontece meu amor, que coisa incrível...esqueci nosso momento inesquecível”, para a novela O Casarão. Ao contrário dos autores sempre lembramos bem de nossas primeiras vezes como por exemplo a primeira vez que vesti coletivamente uma camiseta de time de futebol, naquele campo de terra em que hoje é o Fredolino Chimango ou campo do quartel. Era a amarela-preta de listas verticais – Penharol de Montevidéu. Ao chegar em casa com ela, meu velho sorriu; afinal, Penharol-Nacional, Independiente-Boca-River dominavam o cenário internacional das conquistas continentais e a Europa...bem, a Europa era longe demais das cidades e das capitais.

O futebol, disse alguém, é a coisa mais importante de nossas coisas menos importantes e do qual deixamos de conviver. Das lembranças que trago na vida há os meus times de futebol de botão que jogava solitariamente. A gente tinha os grandes de São Paulo e a Portuguesa de Cabinho; tinha os grandes do Rio e o América de Alex. Por isso fiquei emocionado quando conheci o Pacaembu e pensei na infinidade de vezes que escutava os jogos que o Grêmio fazia naquela praça; assim foi com Morumbi e quase via Baltazar fulminar Valdir Peres; também com o grande Maracanã, onde olhava de onde Loivo batera aquela bola sem defesa para Ubirajara do Flamengo...lembranças. A quase todas lembrava de meu pai e da paixão pelo esporte.

Das lembranças que eu trago da vida brotam saudades...saudades de quando éramos livres para caminhar sem máscaras, para trocarmos apertos de mãos, saudades dos abraços e encontros nos bares de nossas vidas...saudades das coisas simples.

Gostou? Compartilhe