61, parece que foi ontem...e foi

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Então, atingi a sexta década, neste 05 maio. Passa rápido mas, não tanto. Em 1957 brotavam Elvis, Beatles porém em Cruz Alta os sucessos eram músicas de Nilo Amaro e seus cantores de Ébano (Uirapuru e Leva Eu Sodade), Maracangalha (Dori Caymi), Maria Chiquinha(Geysa Bôscoli e Guilherme Figueiredo, irmão do ex-presidente João Batista Figueiredo). Aos quatro anos vi meu pai embarcar para o movimento da Legalidade, aos sete anos (1964) vi pais de meus amigos de colégio serem presos por simpatia ao comunismo e às ideias de Jango-Brizola. Os festivais de músicas da Record e Excelsior levaram-me a conhecer Roberto-Caetano-Jair Rodrigues-Elis e a Jovem Guarda. Comecei a gostar de futebol através do Guarani de Cruz Alta (de Celso e Banana) e após vieram o Grêmio de Alcindo, Seleção de Pelé e Rivelino, Santos e Botafogo de uma constelação de craques. Em 1970 veio-me Silvio Santos; em 1972 Raul, Elton John. Depois vieram as namoradas, a faculdade e Airton Senna. Veio o Grêmio campeão uma, duas...tantas vezes. Em 1987 casei bem (eu, pelo menos; minha mulher, nem tanto). Em 1991 e 1994 vieram meus filhos e alcancei a plena dimensão humana.


Estava ontem no bairro Boqueirão, do Sport Clube Gaúcho e do colega Osvandré Lech. Em 1970, meu limite era o açougue do Secchi porque correr pela avenida até lá era uma epopeia para quem tinha treze anos. Depois o Boqueirão se aprofundou até o Instituto Champagnat e a granja do quartel onde meus colegas de ginásio do Cenav e eu íamos passar os agradáveis domingos de sol. Boqueirão, zona oeste de minha cidade, foi testemunha dos quase 30 mil quilômetros que corri nos últimos dezessete anos. Boqueirão ensinou-me a matutar enquanto corria e até bolar minhas aventuras no mundo da literatura.


Estou relatando essas coisas porque li que jornalistas esportivos estão divagando sobre que time do Grêmio é o melhor de todos os tempos. Pensei que é bobagem. Qual é o maior amor? Qual é a maior época de nossas vidas? Ontem convivia com meus pais e irmãos, hoje tenho minha mulher e meus filhos. Grêmio de Enio-Espinosa (Renato-China-Osvaldo-De Leon), de Felipão (Danrlei Paulo Nunes-Jardel-Carlos Miguel), Grêmio-Show de Valdo-Lima -Jorge Veras, de Tite (Tinga-Marinho-Marcelinho Paraíba), Renato (Luan, Arthur, Cebola, Geromel, Grohe). Quem é o melhor? Impossível estabelecer com certeza porque cada qual tinha suas circunstâncias de momento que inclui grana, métodos, preparação física e safra de atletas. Gostei de todos os Grêmios, até daqueles que perdiam, até daqueles que foram para a segundona e emergiram com Sandro Goiano. Amor é assim, é todos os dias. Amo minha vida porque é todos os dias.


Aos 61 anos amo todas as minhas épocas e a vida é agora. Quero aproveitar para agradecer a todos os que me presenteiam com suas amizades, com a confiança em meus serviços profissionais, que acreditam nas minhas palavras nas palestras das casas espíritas, que dispendem tempo para ler minhas crônicas e para a enorme paciência que habita em meus familiares por me aturarem no dia-a-dia sobrevivendo a mim e aos ranços de um sessentão que mal viu o tempo passar. Acreditem, continuo um meninão, com diversas cicatrizes no lombo mas, um meninão e assim pretendo morrer. Obrigado.

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