As duas ?EURoevidas?EUR? de Mendel

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Não poderia ter sido mais adequada a escolha da Ordem de Santo Agostinho, que seguia a crença PER SCIENTIAM AD SAPIENTIAM (pelo conhecimento se chega à sabedoria) e que teve Martinho Lutero nos seus quadros, cujos membros enfatizavam mais o ensino e a pesquisa do que a reza, para abrigar o jovem Johann Mendel (o nome de Gregor foi assumido no meio dos agostinianos), que teria entrado para a vida monástica por conveniência e circunstâncias familiares e não por vocação religiosa. Nesse ambiente, auspiciado pelo abade Cyrill Napp do monastério de Brno (na atual República Tcheca), Mendel pode estudar na Universidade Imperial de Viena e, após retornar, se dedicar integralmente à função de professor e à pesquisa, onde, em casa de vegetação, realizaria os famosos experimentos com ervilhas, que lhe assegurariam o título, com o qual hoje é reconhecido, de “Pai da Genética”.

Até realizar as duas conferencias na Sociedade de História Natural de Brno, em 8 de fevereiro e 8 de março de 1865, e a publicação do famoso artigo de 44 páginas, em 1866, intitulado “Versuche über Pflanzen-Hybriden” (Experimentos em Hibridização de Plantas), Mendel realizou vasta experimentação com ervilhas. Foram dois anos (1854 e 1855) testando 34 variedades de ervilhas, das quais escolheu 22. E depois mais 8 anos (1856 a1864) fazendo cruzamento de plantas e estudando a transmissão para os descendentes das características selecionadas, que envolveram: textura da semente (lisa ou rugosa); cor da semente (amarela ou verde); cor do tegumento da semente (cinza ou branca); textura da vagem (lisa ou rugosa); cor da vagem imatura (verde ou amarela); posição da inflorescência (axial ou terminal) e altura da planta (alta ou baixa).

Dois anos após a publicação do famoso “Versuche”, em 1868, Mendel foi escolhido abade do mosteiro e, a partir de então, envolvido apenas com tarefas administrativas, abandonou de vez as pesquisas. E ainda que tivesse solicitado 50 cópias do trabalho publicado, distribuindo-as a estudiosos do assunto, o seu feito não repercutiu até 1900, ano que marca a redescoberta das leis de Mendel, de forma independente, pelo holandês Hugo De Vries, pelo alemão Carl Correns e pelo austríaco Erich von Tschermak.

Em 1900 inicia a “segunda vida” de Gregor Mendel. Se na “primeira vida”, quer seja como obscuro monge agostiniano ou como festejado abade de mosteiro, quando assumiu como membro de diversas sociedades científicas e o cargo de diretor do Banco Hipotecário da Morávia, ou mesmo post-mortem, ocorrida aos 61 anos de idade, em 6 de janeiro de 1864, o “Versuche” foi solenemente ignorado pelos pares, o oposto ocorreu na “segunda vida”; mas não sem controvérsias, frise-se.

A redescoberta do “Versuche” envolveu uma disputa de prioridade autoral entre Hugo De Vries e Carl Corrrens. O primeiro usou os termos do “Versuche” e não citou Mendel. O segundo denunciou o fato e citou Mendel. Tschermak não compreendeu o “Versuche” e nem o conceito de dominância de Mendel. Carl Correns efetivamente entendeu o “Versuche”, pois foi ele que descreveu as razões 3:1, para 1 caractere, e 9:3:3:1, para dois caracteres, além de ter explicado a teoria de Mendel e estabelecido e enunciado as suas leis.

Gregor Mendel, graças a William Bateson, tradutor do “Versuche” para o inglês em 1902, passou a ser festejado como gênio, por uns, mas também detratado, por outros, com referências pouco elogiosas, tipo “sacanagem no monastério” ou “grandes imposturas da ciência”, afirmando que os seus dados teriam sidos falsificados, uma vez que as razões encontradas por ele são próximas demais das esperadas.

Somam mais de centena os artigos que acusam ou defendem Mendel. O fato é que os cães ladram e a caravana passa, pois as leis de Mendel, na pratica, continuam irrefutáveis, não podendo a mera aplicação de testes estatísticos sobre os dados disponíveis no “Versuche”, uma vez que se trata de um resumo de oito anos de experimentação, servir de prova para condená-lo. Mendel é maior do que os seus detratores!

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