Campanha arrecada alimentos e materiais de higiene para recicladores

Lançada pelo Projeto TransformAção, iniciativa tem levado donativos a cerca de 80 famílias de recicladores cooperados de Passo Fundo, que tiveram seu trabalho afetado pela pandemia do novo coronavírus

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A pandemia do novo coronavírus, responsável pela paralisação das atividades econômicas em Passo Fundo, afeta também a vida dos recicladores do município. Embora as cooperativas de reciclagem caracterizem-se como uma atividade essencial, estando ligadas aos serviços de coleta de lixo e limpeza urbana, elas decidiram suspender temporariamente os serviços como forma de prevenção ao Covid-19. O problema é que a renda destes trabalhadores depende diretamente dos resíduos que reciclam e, por isso, eles têm enfrentado dificuldades financeiras nas últimas semanas. Essa situação foi o que motivou o Projeto TransformAção – responsável por coordenar o trabalho das cooperativas – a lançar nas redes sociais uma campanha de solidariedade aos recicladores.

Lançada no fim de março, a iniciativa “Recicladores contra o coronavírus” pede a colaboração da comunidade para que ajude as cerca de 80 famílias que atuam nas quatro cooperativas de reciclagem de Passo Fundo. Além da contribuição em dinheiro, a população pode doar também alimentos, EPIs e materiais de higiene. “Semana passada, conseguimos o suficiente para montar uma sacola bem completa e entregar para uma parte dessas famílias. Nesta semana, conseguimos mais um volume significativo e estamos distribuindo a quem não havia recebido. Mas é importante que as pessoas continuem doando porque não sabemos até quando a situação da pandemia pode se estender”, salienta um dos responsáveis pelo projeto TransformAção, professor Iltomar Siviero.

Ainda de acordo com Siviero, caso mantivessem a rotina de trabalho, os recicladores estariam expostos ao contato direto com materiais como papel, papelão, plástico e vidro, onde o vírus pode resistir de um a quatro dias, além de ambientes em que há a aglomeração de pessoas – somente na Cooperativa de Recicladores Parque Bela Vista (Recibela), que mantém a Central de Triagem e Transbordo do município, atuam 50 cooperados. Por esse motivo, o projeto TransformAção enviou ofícios à Prefeitura Municipal de Passo Fundo pedindo que o decreto reconsiderasse as especificidades da categoria e o perigoso nível de exposição. “Precisamos considerar, também, a situação de vulnerabilidade enfrentada pela maior parte das famílias cooperadas, que está situada em zonas periféricas de Passo Fundo, vivendo em situações de baixa-renda e condições de moradias precárias. Isso tudo pode implicar no bem-estar físico dessa população, inclusive, na baixa imunidade. Elas ficam mais vulneráveis ao vírus”, observa.

E, mesmo que prosseguissem com as atividades, os recicladores enfrentariam ainda a dificuldade em vender os materiais triados. Segundo o secretário do Meio Ambiente de Passo Fundo, Rubens Astolfi, devido à quarentena, atualmente os compradores de material reciclado que são de outras cidades não estão trabalhando, o que dificulta as vendas das cooperativas. “Inclusive, parte da produção do mês de março ainda não foi vendida”, aponta.


SMAM estuda alternativas de auxílio

Além da campanha de arrecadação de alimentos, o projeto TransformAção afirmou que tem realizado reuniões semanais com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM). Eles estudam a possibilidade de uma renda subsidiária aos recicladores durante o período de pandemia e a garantia da não-suspensão do contrato entre o município e as cooperativas. Segundo o secretário Rubens Astolfi, tanto as equipes da pasta quanto do projeto também têm orientado os recicladores a fazerem o acesso ao programa de renda emergencial do Governo Federal, como forma de obter um auxílio de R$ 600 por mês. “Até o momento, a grande maioria encontra-se em análise e alguns já receberam o benefício. A prefeitura também autorizou o pagamento dos serviços prestados no mês de março pelas cooperativas de reciclagem”.

O secretário ressaltou ainda que é do interesse do Município que as cooperativas voltem ao trabalho pelo benefício ambiental e social que geram: elas são responsáveis por um volume de reciclagem de, aproximadamente, 100 toneladas mensais. Sem o trabalho das famílias, o material está sendo destinado diretamente ao aterro sanitário, sem passar por processo de triagem. No entanto, a pasta compreende a situação e garante que “assim que for possível e as cooperativas tiverem condições de trabalharem, a SMAM irá acompanhar para que as atividades sejam normalizadas com os cuidados e prevenções necessárias”, finalizou.


Como doar

Interessados em contribuir com a campanha podem entrar em contato com o projeto pelo telefone (54) 9 9114-5226 ou pela página do Facebook (@TransformAcao.eco).

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