Dezessete

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Ao completar 50 anos tive a ideia de oferecer uma festa de aniversário em que faria homenagem-reconhecimento às pessoas de grande significado na minha trajetória. Mas, festa em Cruz Alta, Passo Fundo, Santiago, Severiano de Almeida, Blumenau e Florianópolis, por onde andei? Inviável. De repente, para não esquecer ninguém, comecei a pensar nas minhas idades, ano-a-ano, para concatenar meus parceiros, namoradas...enfim. Ficou uma extensa lista...tive sorte, grandes pessoas, uns que já partiram outros que por sorte permanecem.Tive receio de esquecer alguém, afinal devo a muitos, nem sei como agradecer.


Em 1975 eu tinha apenas 17 e minha vida era intensa: primeira namorada, judô como inesquecível ArcildoLeidens, Banda do Conceição. 17...ah, meus 17, número emblemático; no ano anterior Copa do Mundo da Alemanha, Paulo Cesar Carpegiani usava a 17 e orgulhava a todos os gaúchos, colorados-gremistas. Aos dezessete tudo é bom. Tive sorte, tive pessoas bacanas comigo e tentei emprestar luz à vida de todos.

 

Esse começo de ano tem sido duro; barragens que se rompem e matam centenas, alojamentos que incendeiam e matam meninos, helicópteros que caem matando pessoas que admiramos, acidentes de estrada que matam amigos, neoplasias e problemas circulatórios que carregam gente que prezamos...A Vale e o Flamengo não podem se safar, não podem ficar impunes. Quase nada fica impune; Mas, reconheçamos: comemos mal, bebemos mal, vivemos mal; vivemos sem férias, sem happy-hours, dançamos pouco, não vamos ao cinema. Quando perdemos pessoas legais damos conta que deveríamos ter mais disponibilidade para conviver e compartilhar nossos afetos.


Queria ter o poder de trocar ideias com pessoas que vivem em outra dimensão como meus pais, Prof Heitor Verardi, José Osmar Teixeira, EdesonScandolara, Cesar Lopes, Julio Rosa, DrsRicardo Bittencourt, Juarez Missel, Jaime Debastiani, Pitágoras Scipioni, Sergio Langaro, Zenóbio (esses últimos companheiros de centro cirúrgico), entre tantos. Na impossibilidade momentânea desse contato seria bom interagir com os mestres que aqui estão, com os amigos que nos rodeiam, com quem trocamos experiências e confidências. Como é bom jogar conversa fora, sentar numa praça, chimarrear. A minha geração ainda tem o hábito da tietagem aos velhos mestres, antigos professores; é preciso que a gente consiga externar esse respeito, deveríamos ter mais momentos de congraçamento porque o tempo se esvai.


A gente se despediu de Sergio Ricci, um gigante, imprescindível e que deixa lacuna imensa. Deixa ainda extensa folha de serviços prestado à comunidade e deixa elegância e sobriedade. Fará falta, como também deixa imensos espaços vazios o colega médico Dr Eduardo Jungbluth tragicamente falecido enquanto se dirigia ao trabalho. Cumpriram suas missões de forma brilhante, a comunidade agradece.


Sergio segredou-me ser leitor de minhas colunas. Por isso também era um forte, todos os meus 18 leitores, fortes, destemidos e insensíveis a comentários contrários mantiveram-se fiéis aos meus rompantes. Com sua despedida restam 17 (número cabalístico) corajosos leitores que me inspiram a tecer comentários sobre a vida. Então, tá.

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