Do TCC para a patente internacional

Equipamento desenvolvido por aluno da UPF foi o primeiro produto registrado fora do país pela Instituição

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O Sistema Automático de Limpeza para Ordenhadeiras Canalizadas (ROV), desenvolvido pelo engenheiro elétrico, egresso da Universidade de Passo Fundo (UPF), Elias Sgarbossa, sob a orientação do professor Adriano Toazza, foi lançado em março, durante a Expodireto Cotrijal. Com o auxílio da UPFTec, a ideia tornou-se um produto e, além disso, a primeira patente internacional da Universidade. O registro foi realizado no Uruguai. 
 
Foi quando ainda era estudante de Engenharia Elétrica que Elias viu, na necessidade de melhoria na propriedade da família, a oportunidade para criar o Sistema Automático de Limpeza para Ordenhadeiras Canalizadas. Com o tempo, o trabalho de conclusão de curso evoluiu para uma empresa, hoje incubada no UPF Parque. 
 
Ele explica que o aparelho realiza todo o processo de limpeza do equipamento de ordenha sem qualquer intervenção humana, iniciando e finalizando 30 minutos antes do horário programado para o início do trabalho. “Durante o processo de ordenha, ficava pensando em uma solução para que não precisasse perder de 20 a 30 minutos em limpeza a cada ordenha. Em cada cadeira do curso de Engenharia Elétrica, ia aperfeiçoando a ideia, e, ao final do curso, vislumbrei a possibilidade de transformar esse desejo em algo real, em um equipamento”, comentou ele, lembrando que a família dedicou-se à produção leiteira durante 37 anos.  
 
A ideia surgiu ainda em 2014, mas foi em 2015 que o acadêmico começou a colocá-la em prática. Em maio de 2016, os testes foram finalizados e o produto estava pronto para ser utilizado em qualquer propriedade. Desde a faculdade, Sgarbossa e o colega Charles Bortolanza já conversavam sobre ter um negócio juntos. Hoje, a empresa Z2S Sistemas Automáticos está localizada no módulo II do UPF Parque.
 
Aproximação para patentear
Como forma de levar informações sobre inovação e a temática das patentes, todos os semestres uma equipe da UPFTec é convidada pelo professor Adriano Toazza, do curso de Engenharia Elétrica, para participar de suas aulas. Foi nesse contato que Elias contou para a equipe sobre o seu TCC, o que deu origem ao protocolo de pedido de patente do sistema.
 
Após o protocolo, Elias e o professor Adriano voltaram a procurar a UPFTec, buscando avaliar a possibilidade de produzir e comercializar o produto. Segundo Flávia Cavalcanti, que atua na área de propriedade intelectual da UPFTec, como a patente é de titularidade da Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF), eles foram orientados quanto às questões de contrato de licenciamento da tecnologia, para que pudessem efetivar o desejo deles. “Cientes de que eles eram técnicos e sem domínio de empreendedorismo, os orientamos também a procurar a Incubadora de Empresas da UPF, no UPF Parque, para que pudessem receber o apoio e o suporte inicial necessário ao negócio. E foi o que eles fizeram. Montaram a Z2S, que tem por sócios o professor Toazza, o Elias e o Charles Bortolanza, e na qual cada um – apesar de os três serem engenheiros elétricos – tem especialidades diferentes e complementares”, ressalta.
 
O processo de internacionalização da patente
Para o vice-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, a questão da proteção da propriedade intelectual é um passo fundamental para o desenvolvimento da ciência dentro da Instituição. “A proteção da propriedade intelectual é um passo importante da ciência. A UPF cresceu muito nesse campo e essa é uma realidade presente, em que alunos podem tornar-se empresários, incubar suas empresas na IUP, incubadora da UPF, e ter todo o suporte para criar, proteger e colocar seus produtos no mercado nacional e agora internacional”, destaca.
 
Quando se protocola um pedido de patente, ele fica sob sigilo por 18 meses. Após esse tempo, o texto é publicado, para o conhecimento de todos, pelo órgão competente. No caso do Brasil, esse órgão é o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). 
 
De acordo com Cavalcanti, esse período serve, inclusive, para se analisar em que outros países ou locais seria estratégica a solicitação de proteção da tecnologia, uma vez que após a publicação não é mais possível o pedido de patente em qualquer outro lugar. “Vislumbramos no equipamento dessa patente uma aplicação muito prática e imediata, além de viabilidade de negócio, pois a Z2S já estava montada e começando a testar suas primeiras unidades em algumas propriedades. Então, em conjunto com os inventores, pensamos estrategicamente em quais países haveria produção leiteira significativa e que justificasse uma proteção internacional. Assim, decidimos pelo patenteamento no Uruguai, dados os custos envolvidos no processo e a proximidade geográfica”, explica, destacando que a tradução do texto e todo o processo de protocolo no Uruguai foram realizados pelo escritório parceiro, Leão Propriedade Intelectual.
 
Cavalcanti pontua que, no momento, o status do pedido de patente no Uruguai é depositado e sob sigilo. “É importante destacar que estamos em processo de protocolo de uma nova patente em cotitularidade entre FUPF e a Z2S. A Z2S também está em fase de desenvolvimento de outros projetos e produtos que, talvez, possam resultar em mais patentes em parceria com a Instituição”, frisa.
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