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VINGADORES – Guerra Infinita é o representante máximo de um produto típico dos nossos tempos: o fenômeno antecipado. Desde o instante em que o filme foi anunciado, os produtores já sabiam que, não importa o quanto gastassem, nem a qualidade do filme, ele não apenas se pagaria como, desde então, corria “o risco” de se tornar a maior bilheteria de todos os tempos.  Goste ou não da onda de filmes baseados em super-heróis que tomou o cinema norte-americano (e por consequência a cultura pop no mundo tudo), a Marvel está colhendo, hoje, os frutos plantados há uma década, quando lançou “Homem de Ferro” e, instaurando a moda das cenas pós-créditos, deu início a um processo meticulosamente calculado. Foram 19 filmes interligados, estabelecendo relações e criando, praticamente, a mesma metodologia das HQs, já há muito tempo, e o modo de pensar de um seriado, em que os fatos de um episódio são influenciados pelos anteriores. O que está em exibição hoje nos dois cinemas de Passo Fundo, mais do que um filme, é a parte 20 de um longo filme, como se fosse o clímax de uma minisérie MUITO longa.

Vingadores: Guerra Infinita se tornou o filme mais rápido a atingir a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria, tendo atingido o feito em pouco mais de uma semana em cartaz. Ao todo, o estúdio tem 15 bilhões em bilheteria e o seu filme mais recente, ainda com um bom tempo de carreira, está próximo de desbancar os únicos três filmes da história com mais bilheteria: Pantera Negra e os outros dois Vingadores. O quinto da lista é “Homem de Ferro 3” (um dos piores filmes da Marvel, o que prova que a fórmula já é à prova de fracassos, o que também é terrível). Ou seja: as cinco maiores bilheterias de todos os tempos são filmes do universo cinematográfico Marvel.

Alguma dúvida de que a continuação, que deve sair ano que vem, vai desbancar todos? E alguém ainda pensa em debater o cinema como entretenimento ou como arte? O debate poderia ser longo, mas tudo hoje parece reduzido ao campo da imersão total – nos games, no cinema e em outras mídias, numa receita retroalimentada pelos próprios filmes e pela mídia indireta dos youtubers. Particularmente, o único motivo de isso não me alarmar mais é o fato de que esse sucesso absurdo ajuda as produtoras a bancarem filmes menores sem risco, o que permite, do outro lado, o surgimento de novos diretores e boas surpresas que, mesmo eclipsadas nos espaços do circuito, não prejudicam tanto as produtoras por conta do imenso sucesso do outro lado.

Sobre o filme, muitos pontos positivos dentro da expectativa de uma obra com tantos personagens, ainda que a urgência motive a transformar todos em pequenas peças em uma máquina muito grande. Mas os irmãos Russo, diretores do filme, mostram que são habilidosos em costurar de forma coerente essas muitas linhas narrativas. Mas, me incomoda demais que a receita do sucesso da Marvel seja a total descaracterização dos filmes, todos embolados num mesmo padrão visual e narrativo que não permite que nenhum deles tenha personalidade própria. O excesso de piadinhas em momentos inoportunos, apenas porque o público fiel aos filmes gosta e pede por isso, é o maior exemplo de como o cinema cedeu lugar ao lucro absurdo e ao entretenimento puro. Prova maior é que o que mais se discute sobre a obra não são suas características como cinema, mas fatos da HISTÓRIA do filme, teorias sobre o que virá ou coisas que aconteceram, independente de como tenham sido mostradas. O cinema, aqui, está em último lugar: importa ver o que acontece, e não como isso acontece. 

A receita da Marvel foi um produto de consumo à prova de falhas – algo que a DC ainda busca sem saber como fazer, mas cujo sucesso reside no cuidado na construção dos personagens. GUERRA INFINITA foi feito para ser consumido, não avaliado. E nisso, ele é à prova de críticas – até porque diverte muito. O hype para o próximo ano inteiro está garantido.

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