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Mesmo na vida mais rotineira não é possível prever a maioria dos fatos que vão acontecer. Na convivência as relações entre as pessoas, sejam elas familiares, de amizade, de trabalho, de convivência social, estão sujeitas a terem interferências que abalam a confiança, a serenidade, a comunhão. São as ofensas, mesmo pequenas, que minam a vida amorosa e fraterna e desencadeiam um processo destrutivo. Entre as terapias mais urgentes e mais aconselhadas está o perdão. Jesus estende este alcance até os inimigos. “A vós, porém, que me ouvis, eu digo: amai os vossos inimigos e fazei o bem aos vos odeiam. Abençoai os que vos amaldiçoam e orai pelos que vos caluniam...” (Lucas 6,27-38). Amar os inimigos é equivalente a perdoar.


Entre os ensinamentos do Evangelho “amar os inimigos” é, certamente, um dos mais inquietantes, mesmo para o discípulo mais próximo e fiel. A pergunta que surge imediatamente relaciona-se com uma comum e habitual dificuldade: não é instintivo amar os inimigos. É preciso reconhecer que perdoar também não é natural e instintivo. Se alguém me ofendeu ou fez algo que me machucou, nasce mim a antipatia, a ruptura, o afastamento. Tudo isto acontece sem que seja necessário fazer esforço algum, porque vem ao natural e espontaneamente sentimentos de hostilidade. Existem razões psicológicas e sociais para não perdoar. Se perdoo o que vão de dizer de mim? Que papel estou fazendo? “Não levo desaforo para casa”.


Na perspectiva humana talvez o nível mais aceitável ou de bom senso seria: “O que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o vós também a eles” (Lc 6,31). O que é proposto por Jesus requer que se vá além do sentir comum, psicológico e social. São ensinamentos práticos e morais com exigências radicais: amar inimigos, bendizer quem amaldiçoa, rezar pelos caluniadores. É uma proposta exigente demais para simples mortais. Se fosse simplesmente lei seria impossível de realizá-la, mas no caso se trata de Evangelho.


Não são condições para aproximar-se de Deus, são, porém, as consequências do fato de Deus ter se aproximado das criaturas humanas. A proposta é o retrato da vida de Cristo que tratou os que o consideravam inimigo com amor. Perdoa na cruz os que o matavam. Diante disso, o discípulo se destaca por assumir a mesma meta do Mestre, vivendo as suas qualidades e atitudes.
A razão para aceitar o ensinamento, também é dada. “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). Se não existem razões humanas que se sustentem, no âmbito da fé existem. Certamente tal amor e amabilidade com os inimigos não são argumento para tornar-se indiferente diante da verdade e do bem ou uma aprovação da maldade.


Efetivamente o perdão e a misericórdia não são instintivos. Quando conseguimos perdoar, amar os inimigos sempre permanece um ruído, alguma recordação negativa. Repete-se “não consigo, é mais forte do que eu”. Existem mecanismos que tornam difícil o perdão: a agressividade parece que foi frustrada, não houve a “gratificação” da vingança. Enfim, perdoando, isto é, amando os inimigos, parece que se perdeu algo de si. Parece uma violência consigo.


Porém, temos que admitir que amar os inimigos, os que nos confrontam, desacatam e desafiam é o caminho da cura e da mudança de uma cultura de violência. Rompe com o seu ciclo gerando novas relações. Martin Luther King, escreveu no livro “A força de amar”: “Perdoar não significa ignorar aquilo que aconteceu ou colocar uma etiqueta falsa sobre um ato de maldade: porém significa que o ato maldoso cessa de ser uma barreira que impede as relações. O perdão é um catalizador que cria as condições necessárias para poder repartir e começar de novo ...”

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