GLOBO DE OURO? Sai fora...

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Foram divulgados nessa semana os indicados ao Globo de Ouro 2019, prêmio conferido pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood. Teoricamente, seria um prêmio oferecido pelos jornalistas e críticos estrangeiros que, diz a lenda, é um termômetro para o Oscar. Pura balela. O Globo de Ouro há muito não é – ou nunca foi – um termômetro para o Oscar, e há quase 40 anos acumula relatos que indicam que o prêmio é uma troca de favores e dinheiro que não tem nada a ver com méritos.

A temporada do Oscar começa, a rigor, perto de outubro, quando começam as premiações, como o Gotham Awards, para filmes independentes, e é acompanhada ao longo do ano pela repercussão de eventos como Sundance e outros festivais. É o que vai solidificando certos filmes como candidatos, mas, como o Oscar é um prêmio dado pela Academia, o que vale mesmo é o que a classe pensa. A academia são os profissionais registrados que trabalham nos Estados Unidos. Diretores de fotografia votam na melhor fotografia, atores votam nos melhores atores (o que explica ótimas atuações ficarem de fora quando o ator em questão é persona non grata no meio, ou o contrário, profissionais ganharem o Oscar por trabalhos medianos como uma “recompensa” pela carreira ou sua boa relação com a classe em geral).

O crítico Pablo Villaça expõs, há alguns anos, em seu site, alguns dos podres do Globo de Ouro, um prêmio que tem perdido importância ao longo do tempo. "A Sony, em 2011, levou boa parte de seus integrantes para um fim de semana em Las Vegas, com direito a um show de Cher. Naquele ano, o estúdio estava promovendo dois filmes: o ridículo O Turista e o ainda-mais-ridículo Burlesque (estrelado por... Cher). Resultado: O Turista foi indicado como Melhor Filme, Ator (Johnny Depp) e Atriz (Angelina Jolie), ao passo que Burlesque garantiu indicação como Melhor Filme e duas de Canção Original. Já em 1999, Sharon Stone presenteou todos os membros da entidade com relógios de ouro a três dias do fim das indicações e... foi indicada por A Musa. Porém, quando a imprensa descobriu o que havia ocorrido, a repercussão foi tamanha que a HFPA obrigou todos a devolverem os relógios. E Stone não venceu o prêmio.

Em 2015, Perdido em Marte gerou polêmica ao ser incluído pelo Globo de Ouro na categoria “Comédia”. A decisão provocou questionamentos por parte da imprensa, mas a razão por trás dela parece ser clara: como a categoria “Drama” estava apinhada de títulos fortes, Perdido em Marte provavelmente ficaria de fora da disputa – e, sem ele, a cerimônia não teria Matt Damon, Ridley Scott e os demais astros do longa. Solução: colocá-lo como “comédia” (?!), onde teria maiores chances. E tinha mesmo – tanto que acabou vencendo. Em 2016, Tom Ford enviou duas garrafas de seu caríssimo perfume para todos os membros da HFPA. Mais uma vez uma situação constrangedora foi criada e todos tiveram que devolver uma garrafa. (Sim, só uma.) Ford foi indicado como diretor e roteirista por Animais Noturnos."

Neste ano? “Pantera Negra”, um bom filme de ação da Marvel, foi indicado a melhor Drama, já que a premiação principal divide-se entre “Drama” e “Comédia/Musical” (a própria divisão em gêneros é uma velharia compatível com o próprio Globo de Ouro). O grande favorito na categoria é “Infiltrado na Klan”, de Spike Lee, que concorre ainda com “Bohemian Raphsody”, “Nasce uma Estrelas” e “If Beale Street Could Talk". A ironia maior é que “Roma”, de Alfonso Cuarón, não pode ganhar o prêmio dado pela imprensa estrangeira porque é falado... em uma língua estrangeira.

Resumo da ópera? Dê menos importância a esse prêmio bancado por presentes caros, influência e dinheiro. O próprio Oscar não é digno de ser meritocracia quando a maior parte dos bons filmes do ano ficam de fora da premiação. 

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