Halloween, 40 anos depois

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Os diretores italianos orgulham-se de terem criado o giallo, um  gênero cinematográfico  marcado basicamente, mais do que por estéticas visuais, por um tema comum: a do assassino misterioso. Nos anos 70, gente como Mario Bava e Dario Argento sedimentaram o gênero que ficaria famoso pela sua exploração no cinema americano a partir do final daquela década. Graças à produção em série de produtos para o público adolescente, o horror se transformou em fenômeno  pop. Assassinos passaram a ser pop stars, e personagens como Jason Vorhees, Michael Myers e até Freddy Krueger ganharam fãs e séries longevas. Há uma dezena de filmes sobre Myers, igual quantidade e refilmagens sobre Jason, idem a Krueger. Todos filhos dos giallos criados pelos italianos (e Argento continua ditando escola, já que a refilmagem de Suspiria é um dos filmes mais aguardados no Brasil em 2018). Jason chegou a ser utilizado até como metáfora à AIDS, por “punir” os adolescentes nos anos 80: quem fazia sexo nos filmes com o personagem, o  público já podia saber, logo entraria na roda.

Mas no meio desse festival de mesmices e filmes de baixo orçamento dos anos 80, há uma exceção. Minto, não no meio, mas antes. Em 1978, John Carpenter apresentou ao mundo o desequilibrado Michael Myers, um doente mental violento com instintos assassinos que foge de uma instituição psiquiátrica e esconde o rosto atrás de uma máscara. Myers é a deixa para Carpenter explorar a data do Halloween, já que no filme, o personagem comete seu primeiro assassinato ainda jovem exatamente nessa data, e (claro) acaba fugindo do Manicômio, já adulto, também numa véspera de Halloween.

Cito Halloween porque aquele filme, em 1978, é uma exceção entre as muitas cópias e imitações. Carpenter é um diretor autoral, com marcas próprias e sabe filmar. A trilha icônica, com notas simples e repetidas, é do próprio diretor (que costuma fazer e executar as trilhas dos seus filmes, fazendo outras que marcaram época, como a de Fuga de Nova Iorque, de 1981) e o “Halloween” original, esse de 1978,  é um primor de suspense. Já começa com um longo plano-sequência em primeira pessoa, para entrar “arrombando a porta” do espectador, e ao  longo do filme o diretor usa de longos planos abertos também para passar ao espectador a incômoda sensação de que sempre há alguém espiando a protagonista, uma babá que vai acabar topando com o assassino na noite do dia das bruxas. O filme, também, lançou Jamie Lee Curtis, que ganharia o apelido de “scream queen” (rainha do grito) e engataria uma bem sucedida carreira por diferentes gêneros nos anos 80 em diante. 

Foram várias continuações, algumas razoáveis, a maioria dispensável, até que o roqueiro Rob Zombie refilmasse “Halloween” nos anos 2000 abusando da violência gráfica e sonora (a violência é vista, mas também ouvida de forma grotesca) em dois filmes. Agora, em 2018, para comemorar os 40 anos da obra original, a série volta aos personagens originais (Jamie já havia retomado sua personagem, Laurie Strode, nos anos 90 em Halloween H20, na comemoração dos 20 anos do filme). Aos 60 anos, Curtis (e Strode) reencontram Myers, uma experiência que acompanha a personagem de forma traumática em toda sua vida.

A notícia boa dessa comemoração é que o filme, ao contrário do que se esperava tem sido bem recebido, de forma até surpreendente. Não vi ainda – e acredito que dificilmente supere a obra original, que já é um clássico do gênero. Para quem quiser aproveitar o rescaldo do Dia das Bruxas, está em cartaz no Centerplex do Bourbon. 

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