O AHR e a Memória Fotográfica: para além das imagens...

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No acervo AHR podemos encontrar outros documentos como jornais, sendo seu maior fundo o arquivo do periódico O Nacional, que se estende de 1925 (seu começo) até os dias atuais. Além de periódicos, revistas, livros, processos judiciais, documentos públicos, privados, sociais entre outros. O Arquivo é um espaço de pesquisa e produção de conhecimento para acadêmicos e a comunidade – é nosso centro de memória e história regional, aberto a todos os interessados para consultas gratuitas.


Você sabia que no Arquivo Histórico Regional existe também um rico acervo de fotografias? As fotos são variadas e registram a construção da universidade, paisagens da cidade, eventos, obras que datam a partir do ano de 1900. Os registros são diferenciados, com imagens em preto e branco, coloridas, fotos negativas (mais conhecida como foto filme), digitalizadas, entre outras.


A fotografia, como visualizamos hoje, sofreu um longo processo de desenvolvimento, isto pode ser observado pelo próprio formato delas. A imagem formada pela máquina digital foi possível devido a progressivas descobertas de cientistas que iniciaram em fins de 1800 e início de 1900, e que seguiu até nossos dias com avanços expressivos e também pela democratização de sua produção e consumo. O uso das tecnologias representa o início das composições fotográficas. Ao observar suas características, os cientistas possibilitaram a formação da leitura visual desafiando o que se tinha como mais tradicional, a escrita.


Hoje, a foto faz parte do nosso cotidiano é usado para os mais diferentes objetivos, como lembrança, publicidade, arte e para ser estudada. Aqui procuro relacioná-la para além dos seus usos habituais citados acima, mas sim pelo seu valor cultural e social. A mensagem da imagem representa/expressa costumes e valores, auxiliando na compreensão das relações sociais, econômicas e políticas de dada época. A singularidade está na imagem, seu argumento está no conjunto dos elementos dela.


No campo da História as fotografias, e outras imagens, são trabalhadas em espaços de memórias conhecidos popularmente como Museus, Arquivos Históricos, Igrejas, Patrimônios (construções antigas, reservas naturais) realizando o trabalho de preservação dos documentos com a finalidade do saber, de conhecer o passado via ilustração ou pesquisa. A foto é uma ponte de ligação entre os tempos passado e presente. Como objeto de pesquisa, no momento em que se faz a leitura da imagem, procura-se identificar aspectos e concepções de diferentes grupos sociais. A imagem tem elementos concretos, como indivíduos, ruas, construções, carros, objetos..., que mostram o desenvolvimento da sociedade.


Usamos a fotografia pela sua função mais comum de “congelar o tempo”, ao passo que convido você a utilizá-la também como um registro histórico. No Arquivo a utilizamos pela sua funcionalidade da lembrança, de materialização de fatos. De acordo com as informações que a imagem traz podemos avaliar seu significado no tempo de sua produção. A foto nos fornece informações sobre o momento, a partir dela podemos realizar uma leitura através do tempo. Nos espaços de memória a imagem é centrada na própria questão da lembrança. Aqui, procura-se mostrar este outro lado do documento iconográfico, agora servindo de manancial para a produção do conhecimento histórico. Esta lembrança visualizada nas imagens permite ao observador realizar uma comunicação com seu conteúdo.


A fotografia tem como principal função a do registro no tempo, sendo muito importante a sua ligação com a História. No AHR os fundos iconográficos/imagéticos procuram despertar o interesse pela curiosidade do conhecer. As imagens são carregadas de referências entre seu tempo e seus elementos (pessoas, casa, ruas, construções). O modo pelo qual são vistas nestes espaços possibilita, tanto para os acadêmicos, quanto a própria comunidade a realizar um trabalho de reconhecimento histórico.

 

Luiza Tedesco Castamann
Acadêmica do Curso de História UPF
Estagiária do Arquivo Histórico Regional.

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